Agroextrativismo Sustentável da Favela

vencedora 2007

Instituição
Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado
Endereço
Rodovia BR 153, Km 4 QD GMA, Chácara Retiro - Zona Rural - Goiânia/GO
E-mail
cedac@cedac-ong.org.br
Telefone
(62) 3202-6041
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Alessandra Karla da Silva(62) 3202-6041alessandra@cedac-ong.org.br
Resumo da Tecnologia

Processo de organização de agroextrativistas baseado no manejo sustentável de uma espécie do Cerrado, a favela. Mais que desenvolver uma forma de manejo sustentável, a tecnologia potencializou nova forma de organização em rede, baseada no maior desafio dos agroextrativistas: a comercialização.*{ods8},{ods13}*

Tema Principal

Renda

Tema Secundário

Meio ambiente

Problema Solucionado

Em 2000 o CEDAC realizou um diagnóstico socioambiental do extrativismo da favela na região do nordeste goiano, no qual se estimou que cerca de 1.034 famílias sobreviviam ou complementavam a renda familiar com a coleta dos frutos da favela. A atividade extrativista na microrregião tem sido preponderantemente predatória. A espécie Dimorphandra mollis apresentou na fitofisionomia campo cerrado 18 indivíduos por hectare, e no cerrado 25 indivíduos por hectare nas áreas estudadas, com uma produção média de 2 kg de frutos verdes/árvore. Algumas relações entre o homem e o cerrado ainda permanecem, mas surgem novos interesses e outras conotações, agora de ordem macroeconômica, que chegam até eles perpetuando a situação de miséria e expropriação. A sociedade brasileira desconhece a importância do extrativismo da favela, uma planta do cerrado, cuja forma de exploração tem coexistido a mais de quarenta anos, não apenas com a exploração da espécie em questão, mas também das populações tradicionais que se submetem a coleta dos frutos por valor ínfimo dentro da cadeia de comercialização da espécie, quer seja por falta de emprego, acesso aos meios de produção como a terra e aos recursos naturais.

Objetivo Geral

Organização socioprodutiva dos agroextrativistas da favela em um processo em rede em três estados do bioma Cerrado: Goiás, Minas Gerais e Bahia, através da sensibilização, formação/capacitação, manejo sustentável, monitoramento participativo, beneficiamento e comercialização solidária.

Objetivo Específico

Construir elos territoriais que possibilitem dar a dimensão da importância da diversidade humana, cultural e biológica do Cerrado para a sociedade, através de um produto que mobiliza agroextrativistas, interesses econômicos (indústrias farmacêuticas, mercado nacional e internacional) e sociedade; ampliar a participação no processo de organização em rede dos agroextrativistas da favela para o enfrentamento político frente ao modelo do agronegócio no Cerrado; Possibilitar a melhoria das condições de vida das famílias dos agroextrativistas da favela, através do aumento da renda familiar, manejo adequado do Cerrado e exercendo o protagonismo de direito.

Solução Adotada

Em 2001 o CEDAC desencadeou um processo de organização local de 6 comunidades de agroextrativistas do município de São Domingos, envolvendo 52 famílias. Nestas comunidades foi realizada a sensibilização dos extrativistas acerca da sua condição na cadeia de comercialização da favela, do ser explorado, através da devolução do diagnóstico do extrativismo da favela na região. A partir da sensibilização estabeleceu-se conjuntamente (assessoria e extrativistas) um termo de compromisso e responsabilidade para assegurar os princípios do projeto, entre eles: todos os participantes do projeto deveriam ser extrativistas (vivem exclusivamente da atividade ou usam para complementação da renda); nenhum dos extrativistas poderiam explorar outros extrativistas através da compra ou intermediação; nenhuma criança poderia participar da extração ou beneficiamento; pelo menos 1/3 dos frutos deveriam ser deixados por árvore para não prejudicar a cadeia alimentar da fauna e a dispersão natural da espécie; proibido colocar fogo no cerrado; para a extração dos frutos só poderia ser utilizado gancho ou galho bifurcado. Como as comunidades estão situadas em locais diferentes, foram capacitados três monitores locais para organização da coleta e beneficiamento, assim como para o levantamento de informações (tais como cadastro dos coletores) para o monitoramento e avaliação da experiência. Com o intuito de facilitar a linguagem técnica foi produzida uma cartilha com informações técnicas referentes a forma de coletar, secar e armazenar, bem como a importância do cerrado para a sobrevivência do extrativista e sua família. Foram realizadas reuniões com as comunidades, com a participação de outros atores locais, para planejamento das atividades, bem como discussões a respeito da continuidade do trabalho na região. A coleta dos frutos da favela foi realizada preponderantemente pela família, assim como a secagem dos frutos sobre lona; entretanto, o armazenamento foi tanto de forma individual quanto coletiva. Para a viabilização da comercialização foram contatados vários compradores de frutos, e o preço de venda passou de R$0,10/kg de frutos secos (dez centavos) a R$0,49/kg de frutos secos (quarenta e nove centavos). Foram comercializadas 27 toneladas de frutos secos, resultando em renda bruta R$ 254,42/família. Neste primeiro ano foram construídas ferramentas para o monitoramento participativo, que pudessem garantir o controle social pelos próprios agroextrativistas, bem como resultar numa avaliação a partir de dados quantitativos e qualitativos. Assim foram desenvolvidos sistemas de monitoramento do manejo, em áreas de 1 hectare, e a “caderneta do agroextrativista”. Esta experiência contribuiu no fortalecimento de uma nova “trama” social com os sujeitos de fato do cerrado, saindo do isolamento e da marginalidade através da organização coletiva e valorização das riquezas do Cerrado, de modo que a cultura e seus produtos possam ser acessados e valorizados pela sociedade brasileira. Assim foi constituída em 2001 a Rede de Comercialização Solidária de Agricultores Familiares e Extrativistas do Cerrado. Com a mudança do Código ivil, a Rede decide constituir como instrumento de comercialização a COOPCERRADO. Nos anos seguintes a Rede ampliou o trabalho, atingindo outras comunidades e municípios através do trabalho do monitor agroextrativista, desde a capacitação de agroextrativista a agroextrativista até a gestão do empreendimento. Atualmente, o trabalho com a favela atinge 550 famílias dentro da Rede, nos municípios de São Domingos, Mambaí, São João da Aliança, Formosa, Guarani de Goiás, Damianópolis, Flores de Goiás, Divinópolis, Cidade de Goiás ,no estado de Goiás; Lassance, Santa Fé de Minas, Jequitaí, Augusto de Lima, Corinto, Buenópolis, Paracatu, Ibiaí , em Minas Gerais; e Cocos na Bahia.

Resultado Alcançado

Após 10 anos, com resultados significativos o trabalho deu contorno e identidade à Rede, possibilitando o protagonismo dos agroextrativistas do Cerrado, que transformaram a sua realidade em torno de uma planta do Cerrado, a favela, Os agroextrativistas desenvolveram propostas que pudessem resgatar o conhecimento sobre a espécie, bem como sair da marginalidade e da exploração do indivíduo e do ambiente. Essa mudança foi ocasionada pelo desenvolvimento da atividade, implementação do manejo sustentável, geração de renda e domínio dos próprios sujeitos sobre a cadeia de comercialização. De 2001 a 2010 ampliou-se o número de famílias envolvidas passando de 52 para 550 famílias, comercializando diretamente para indústria 142,5 ton de frutos, gerando uma renda de R$350,51 a R$539,99/coletor. Aspectos considerados relevantes também foram conquistados pelas comunidades, como a não participação de crianças no duro trabalho de coleta e beneficiamento dos frutos, a garantia da participação da mulher desde a coleta até o recebimento da receita da atividade (antes coletava, mas quem recebia era o marido) e a não exploração de outros agroextrativistas pela compra de frutos. Essa perspectiva gerou uma avaliação da importância da mulher, que era subestimada pelos homens por sua capacidade produtiva e subjugada a uma condição inferior, felizmente comprovada a partir de dados das cadernetas de coleta, onde a mulher coleta cerca de 65% a mais que o homem. A Rede se tornou um movimento em expansão contínua, onde algumas propostas vêm se transformando em política pública pela reivindicação direta da Rede, como a aprovação da Lei nº 15.015, de 29/12/2004 do estado de Goiás, que dispõe sobre a redução da base de cálculo do ICMS sobre a industrialização de produtos típicos do cerrado (de 17% para 7%). O processo em Rede potencializou maior enfrentamento quanto à padronização da vida, provocando empates ao agronegócio no Cerrado que se materializaram na criação das primeiras Resex’s no bioma: Lago do Cedro em Aruanã/GO e Recanto das Araras de Terra Ronca em São Domingos/GO, e pela solicitação para criação de mais 8 Resex’s, envolvendo 600 famílias e uma área total de 300.000 ha.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Santa Fé de Minas / Minas Gerais03/2004
Paracatu / Minas Gerais03/2006
Lassance / Minas Gerais03/2003
Formosa / Goiás03/2007
Guarani de Goiás / Goiás03/2007
Mambaí / Goiás03/2002
São Domingos / Goiás03/2003
São João D'Aliança / Goiás03/2006
Augusto de Lima / Minas Gerais03/2003
Buenópolis / Minas Gerais03/2006
Corinto / Minas Gerais03/2004
Ibiaí / Minas Gerais03/2007
Jequitaí / Minas Gerais03/2004
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Assentados rurais
Quantidade: 350
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Engenheiro agrônomo1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

calculadora: 30 carro: 1 computador: 1 ganchos: 150 GPS: 1 máquina fotográfica: 1 trena: 30

Valor estimado para a implementação da tecnologia

cartaz(preço/unidade2,00) - R$ 2.000,00 encontro de avaliação - R$ 12.000,00 monitoramento de áreas de 1 hectare - R$ 300,00 oficina de manejo sustentável da favela para 30 monitores - R$ 12.000,00 oficinas nos núcleos comunitários pelos monitores - R$ 6.000,00 produção de 150 cadernetas - R$ 300,00 produção de cartilha( preço/unidade: 4,00) - R$ 600,00 sistematização dos dados -

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Rede de comercialização solidária de agricultores familiares e extrativistas do cerrado -
Impacto Ambiental

- manejo sustentável; - criação de reservas extrativistas; - monitoramento socioambiental

Forma de Acompanhamento

Visitas do CEDAC e dos agroextrativistas do conselho político da Rede às comunidades, dinamizando os aprendizados obtidos e os limites e dificuldades enfrentados. Registros que alimentam uma avaliação do trabalho que permite perceber os impactos ambientais, sociais e produtivos. Cadernetas para registrar informações importantes no processo de manejo, beneficiamento e comercialização: dados de localização, tipo de ambiente, situação antrópica, produção, área manejada