Aliança Social (AS)

certificada 2011

Instituição
Núcleo de Ensino e Pesquisa Aplicada (NEPA)
Endereço
Rua Monsenhor Furtado, 2326 - Bela Vista - Fortaleza/CE
E-mail
nepa.org@gmail.com
Telefone
(85) 9997-0321
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Luiz Geraldo de Oliveira Moura(77) 8135-9686luizmoura1@gmail.com
Resumo da Tecnologia

Metodologia socioeducativa aplicada em várias localidades, inovadora e em constante renovação. Mobiliza a comunidade utilizando a cultura como catalisador de projetos sociais. Visa soluções socioeconômicas, culturais e ambientais, utilizando pedagogias participativas, de ampla difusão e replicável.

Tema Principal

Alimentação

Tema Secundário

Educação

Problema Solucionado

- Aumento da vulnerabilidade social, analfabetismo político, individualidade, desconfiança, falta de cooperação, falta de identidade coletiva, e da inoperância das associações; - Baixa autoestima, impossibilidade de qualificação profissional, histórico de estudos precários e reduzidas experiências profissionais; - Priorização do imediatismo, dependência de intermediários, pouca visão de futuro e capacidade de planejar de forma elaborada e desenvolvida; - Pouca percepção de possibilidades de negócio acessíveis, poucos contatos e relacionamento com potencias instituições fora de sua região e de outras classes sociais; - Não percepção de crescimento nas suas atividades laborais, escassez de recursos; - Dificuldades em relações culturais, de lazer e comerciais; - Reduzido hábito de leitura e participação em atividades de formação cultural ou profissional; - Ausência de suporte moral, financeiro, de novos conhecimentos e de infraestruturas adequadas a empreendimentos.

Objetivo Geral

Unir pessoas, que já possuem interação entre si, a diferentes grupos. Estimular a solidariedade e identificar recursos e habilidades potenciais nas comunidades. Promover o estabelecimento de organizações com relações sociais não hierárquicas, que sejam amplas e diversificadas, produzindo riquezas.

Objetivo Específico

- Criar associações que promovam o engajamento social e o desenvolvimento de competências; - Assegurar compromissos do indivíduo em relação a si mesmo e ao outro; - Realizar projetos pessoais e coletivos; - Fortalecer as tradições culturais; - Promover o protagonismo urbano e rural; - Estabelecer critérios de relacionamentos, reciprocidades, acessos, sistemas e estratégias que fortalecem a solidariedade e a eficiência comunitária; - Organizar sistemas de microcrédito/moeda-local e redes sociais; - Desenvolver o uso de energia renovável, sistema agroecológico de produção de alimentos; - Fomentar a alfabetização política, cidadania e cultural.

Solução Adotada

Esta ação busca tirar as pessoas da situação conformista, fazendo-as acreditar na possibilidade de mudança e proporcionando a identificação dos fatores que as influenciam e que as fazem permanecer sem expectativas de desenvolvimento. Esta TS é desenvolvida em seis fases. A primeira é o momento da mobilização pública da comunidade – conhecimento da realidade local, seus objetivos e demonstração de como é possível atingi-los. Nesta etapa é importante que haja disposição das pessoas envolvidas e cooperação, possibilitando a resolução de problemas e a promoção do desenvolvimento local. Na sequencia é feito o processo de organização da comunidade para a ação. São identificadas as lideranças, avaliadas as condições e os recursos disponíveis, as habilidades e o que há de melhor na comunidade. Estas pessoas são capacitadas para apresentar um plano de ação e os resultados pretendidos à comunidade que, por sua vez, dialoga, sugere, modifica e decide como o plano deve ser realizado. As lideranças e a comunidade se organizam para a ação, verificam os fluxos monetários da comunidade, a economia local, o padrão de consumo e produção, além das capacidades dos negócios locais. Depois disto, as lideranças estão prontas para criar ou recuperar e fortalecer instituições associativas já existentes. Na segunda fase a tarefa é a integração da ação comunitária. É preciso mostrar que esta é uma oportunidade de aprendizado e ensino, deixando clara a importância e utilidade do processo, o que ocorre de forma lúdica. É iniciada a implementação do plano de ação, transformando projetos individuais ou coletivos, diversificados, de acordo com sonhos e planos de cada participante. Ao colocar o Plano de Ação em prática, a comunidade e seus lideres podem necessitar de ajuda, que é oferecida pelo projeto. A fase três é a fase das habilidades: a ajuda é oferecida, prioritariamente, por pessoas da comunidade e profissionais experientes, ensinando e treinando os mais jovens. Estas pessoas estão engajadas nas associações e compõem o cadastro de produtores e prestadores de serviços nas áreas sociais, econômicas, ambientais e culturais, aprovados e reconhecidos pela comunidade. Conexões vão se formando, o que promove o surgimento da fase quatro, de comunicação. Neste momento são fortalecidos os fluxos de bens e serviços através do programa da rádio comunitária, de encontros e da realização de relatórios de acompanhamento. A quinta fase é a de empoderamento. Nela, o FAS (Fundo de Apoio Social) é estabelecido. Ele constituí uma poupança formada a partir das contribuições semanais dos associados (a partir de R$ 10,00) que são aplicados em empreendimentos que contribuem para o fortalecimento da comunidade e a troca de bens e serviços. A seleção dos projetos ocorre em períodos definidos e de forma participativa, legitimada pela comunidade. Também é multisetorial, agregando diferentes perspectivas no processo de avaliação de cada ação. A comunidade se desenvolve e se torna uma referência, replica conexões virtuosas e promove a renovação empreendedora. A fase seis, de comemoração, ocorre ao final de cada projeto realizado. Ela consolida o reconhecimento público, valida e dá legitimidade ao processo de desenvolvimento do projeto. É uma oportunidade para promover conscientização, visibilidade e reconhecimento. Este processo consolida relacionamentos, vínculos e identifica produtores e consumidores, permitindo o nascimento de uma rede produtiva de bens e serviços. Aplicada em Rio do Antônio-BA, a agroecologia na caatinga e as artes cênicas integradas foram os principais instrumentos de mobilização da comunidade. As lideranças foram capacitadas e se engajaram, constituindo uma base para execução do projeto e possibilitando a multiplicação das ações nas comunidades. Elas tornaram-se catalisadoras e tiveram como resultado a descoberta de talentos, manifestados em diversas expressões, possibilitando o desenvolvimento das competências social, emocional e cognitiva.

Resultado Alcançado

- No primeiro ano, 2009, cinco famílias tornaram-se uma referência em agroecologia, em termos de convivência com a terra, alimentação, bem-estar e saúde, atuando de forma sustentável; - Em 2010, foi construído, com recursos próprios, um galpão sede para uma futura microusina de produção de alimentos derivados da cana de açúcar e produção de álcool combustível em substituição à cachaça; - Foi realizado o primeiro encontro cultural do Sementes de Liberdade (SL), em 28 de dezembro de 2010; - Entre agosto e setembro de 2010, o movimento Alfabetização Política e Cidadania atuou em oito comunidades, criando uma agenda de políticas públicas de forma participativa desenvolvida em oito encontros (não mais de 20 horas). Essa agenda chegou a ser apresentada e discutida com candidatos a deputado estadual da Bahia e impactaram nas eleições de 2010; - Proporcionou a criação de novos vínculos de convivência, desenvolvendo competências fundamentais para o exercício da cidadania; - A forma como são utilizados os espaços públicos e seus ambientes para a participação das pessoas nas deliberações também foi importante, tendo impacto na socialização; - A criança também foi reconhecida como ator social, o que incentivou a participação dos jovens na elaboração de políticas; - Fez-se o mapeamento das comunidades e foram identificados dados que indicam os fatores de risco, necessidades e assistência presentes nas localidades; - Foi sugerida a criação de centros culturais e melhoria das condições de acesso aos museus, cinemas, teatros e pontos turísticos locais; - Estabeleceu-se, em 2011, convênios com a prefeitura local para fornecimento de alimentos para a merenda escolar; - O SL mobilizou, de agosto de 2010 até abril de 2011, mais de 1.500 pessoas entre crianças, jovens, adultos e idosos, criando uma rede virtuosa de conhecimentos e relacionamentos; - Cooperação e solidariedade estão sendo semeadas entre 14 comunidades envolvidas, além de dois dos municípios de Caculé; - Tradições locais como reisados, danças, teatros de mamolengo, músicas, intérpretes e compositores, monólogos, cantorias, poesias, iniciam um novo ritual autóctone, com agenda mensal o ano todo. Grupos de adultos e jovens estão sendo convidados para se apresentarem em festas familiares; - Dois jovens do grupo ecológico, filhos de agricultores, estão cursando universidade publica de Caetité e de Vitoria da Conquista; - As escolas de Rio do Antônio estão envolvidas no projeto SL.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Guaraciaba do Norte / Ceará03/1997
Fortaleza / Ceará05/1997
São Benedito / Ceará07/1997
Tianguá / Ceará04/1998
Caucaia / CearáAssentamento Capim Grosso04/1997
Amontada / Ceará03/1999
Goiânia / Goiás05/1999
Natal / Rio Grande do Norte04/2002
São Lourenço da Mata / Pernambuco03/2003
Aratuba / Ceará11/2006
São Paulo / São PauloVila Madalena07/2005
Caçapava / São PauloVila Paraiso06/2004
São José dos Campos / São Paulo06/2005
Cordeirópolis / São Paulo07/2005
São Paulo / São PauloParelheiros04/2007
Ribeirão Claro / Paraná10/2005
Beberibe / CearáPrainha do Canto Verde03/2006
Juazeiro do Norte / Ceará03/1999
Limoeiro do Norte / Ceará08/2006
Pacoti / Ceará07/2006
Rio do Antônio / BahiaGrama Mocó Patos Bezerros01/2009
Caculé / BahiaMucambo08/2010
Rio do Antônio / BahiaSede Olho Dágua, Tabuleiro, Agua Suja, Curral Velho, Umbauba dos Pombos, Umbauba.03/2011
Rio do Antônio / BahiaCanjica Junco Água Branca08/2010
Rio do Antônio / BahiaBandeira, Pai José, Estação04/2011
Olinda / Pernambuco06/2003
Orocó / PernambucoReassentamento de Itaparica05/2000
Juazeiro / Bahia08/2000
Jaguaribara / Ceará03/2001
Guaramiranga / Ceará03/2001
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Adolescentes
Crianças
Idosos
População em geral
Quantidade: 500
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Empreendedor Social por Município - Depende do numero de comunidades1
Liderança por Comunidade3
Facilitador por Comunidade1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

A TS necessita de poucos recursos porque, geralmente, há ativos disponíveis nas comunidades. Os materiais e profissionais variam, dependendo do objetivo proposto. No caso de Rio do Antônio, por hectare de agroecologia implantada, todos os produtores recebem um investimento por família ao ano, contemplando as necessidades do solo, da família e dos serviços, atendendo 100% de suas necessidades. Adicionando gestão, distribuição e acompanhamento técnico, tem-se o custo total anual do projeto. Este total é rateado por 12 meses e pelo número de aliados consumidores, chegando a um valor mensal para a produção e que atenda a qualidade de vida dessa família, com dignidade sem comprometer o orçamento. As artes cênicas necessitam de: instrumentos musicais, local para oficinas e ensaios, tecidos (usados para customização), caixas de som, DVD player, microfones etc. Os materiais e equipamentos comprados são os que não estavam disponíveis nas comunidades. Nestes casos, podem ser criados eventos festivos para captação de recursos, quando necessário. Também são utilizados serviços de terceiros, compostos pela consultoria da unidade da tecnologia e bolsas educativas para dez lideranças e cinco jovens selecionados. A seleção e feita com base no histórico escolar do jovem e é referendada pela comunidade.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

- Um hectare agroecológico implantado por família: R$ 15.000,00. Se for necessária irrigação, acrescenta-se R$ 5.000,00/ha usando fita santeno; - Artes cênicas: R$ 127.862,18, incluindo a consultoria de 12 meses da TS; - Total da TS: R$ 142.862,18 (ou R$ 147.862,18 se for necessária irrigação com fita santeno) e materiais aproveitáveis da família.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Sistema Nacional de Emprego do Ceará - SINE-CEApoio financeiro para capacitação da agricultura familiar em Agroecologia em 26 municípios
Empower USAApoio Financeiro para o projeto Empresa 21 no Ceará, municípios de Aratuba e Guaramiranga
Ashoka do BrasilApoio de uma bolsa de fellow para ampliar a TS para outros Estados
Nestlé do BrasilApoio financeiro para aplicação da TS em Olinda e São Lourenço da Mata/PE; Caçapava, Cordeirópolis, São José dos Campos/SP
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará - SEBRAE-CEApoio financeiro para aplicar a TS em Juazeiro do Norte, Nova Jaguaribara
Centro Nordestino de Medicina PopularApoio na aplicação da TS em Olinda, Jaboatão e São Lourenço da Mata
Incubadora Tecn. de Coop. Populares da Univ. de São Paulo (ITCP-USP)Apoio na aplicação da TS no Projeto Hortas Solidárias em Parelheiros/SP
FUNCEB, SECULT, IINC, BNB, FUNARTEApoio à TS no projeto Sementes de Liberdade em Rio do Antonio/BA
IDER-Instituto de Desenvolvimento em Energias RenovaveisApoio a aplicação da TS no assentamento Maceió/CE
Ashoka/AVINA/McKinseyApoio na aplicação da TS no Município de Beberibe, Prainha do Canto Verd/CE
Impacto Ambiental

- Meio ambiente preservado, ausência de agrotóxicos e produtos químicos sintéticos no solo e alimentos, melhoria na saúde, segurança alimentar assegurada; - Percepção positiva sobre a ação, melhoria no comportamento, atitudes e valores éticos; - Estreitamento na relação com a escola e maior implicação no processo educacional; - Contribuições das oficinas no processo de desenvolvimento do aluno e pessoas participantes; - Mudanças na perspectiva em relação ao futuro e nas relações com o NEPA.

Forma de Acompanhamento

- Rodas de conversa mensais, identificando o que os participantes sabem sobre as atividades e resultados; - Atividades com foco nos interesses, preocupações e necessidades dos participantes; - Disponibilização de informações aos interessados sobre o que gostariam de saber sobre o projeto; - Um relator é responsável pelo registro dos resultados obtidos, construindo uma base de comparação. Também deve apresentar dados concretos sobre as capacidades e realizações de cada ação; - Fotos e vídeos.

Forma de Transferência

A transferência é simples. Através de 12 encontros ao longo do ano capacita-se um grupo de 20 a 30 pessoas: lideranças comunitárias, agricultores, pessoas ligadas a educação, produção cultural e atividades socioeconômicas. Seleciona-se uma propriedade rural onde será implantado um núcleo agroecológico e lá acontecerão 12 oficinas. A apropriação da TS é progressivamente adquirida pelo grupo durante a realização das fases. Acompanham-se as mudanças ao longo da jornada, novos núcleos e empreendimentos rurais e urbanos surgem. Uma aliança social vai se formando em uma rede de relações produtivas e consumo sustentável, tendo como instrumento mobilizador-aglutinador manifestações culturais, festivais comemorativos e a certificação do sucesso do grupo.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Planilha de Investimento Anual/Ha - AgroecologiaBaixar
Planilha de Investimento Anual - Artes CênicasBaixar
Video Parceria ITCP-USP/CNPq/Pequeno Principe 2007download
Jornada Pedagogica de 2009 a 2010download
Projeto Sementes de Liberdadedownload
Quinto Encontro - Apoteose - 32 Apresentaçõesdownload
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

"O Moura sempre fala: o mérito não é meu, é dessas pessoas que acreditam. Ele só desperta. O que só falta na minha comunidade é acreditar" Luciana da Luz Silva. Membro da comunidade de Rio do Antonio/BA (2009). "Isso aí é coisa de raiz, coisa de antigamente, do meu bisavô. Meu bisavô usava isso, meu bisavô morreu, meu pai seguiu, ficou eu, segui até o tempo que eu pude seguir..." Manoel Joaquim dos Santos. Patriarca da Comunidade Quilombola (ainda não reconhecida) de Rio do Antonio/BA (2011).