Artesanato em Fibra de Bananeira: Oficina de Fibra

certificada 2011

Instituição
Associação de Mulheres Artesãs da Área Rural de Mongaguá
Endereço
Estrada da Fazenda, Km 7 - Água Branca - Área Rural - Mongaguá/SP
E-mail
oficinadefibra@hotmail.com
Telefone
(13) 9611-7044
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Ana Paula Corrêa Ribeiro(13) 9611-7044oficinadefibra@hotmail.com
Newton José Rodrigues da Silva(13) 9137-1810newtonrodrigues@cati.sp.gov.br
Resumo da Tecnologia

Trata-se do reaproveitamento do pseudocaule da bananeira, subproduto da produção agrícola local, para a confecção de artesanato de produtos de alta qualidade como: papéis, cartões, luminárias, caixas, jogos americanos, flores, bandejas, mandalas, tapetes, bolsas e almofadas.*{ods8},{ods9},{ods13}*

Tema Principal

Renda

Tema Secundário

Meio ambiente

Problema Solucionado

A atividade de artesanato em fibra de bananeira e a escolha sobre a forma de organização das artesãs, baseada na economia solidária, teve origem na demanda efetuada por um grupo de mulheres do bairro rural Água Branca, no município de Mongaguá/SP. A demanda decorria da necessidade de geração de renda por este grupo e utilização de uma matéria-prima abundante no local. Neste sentido, foi desenvolvido o projeto “Adaptação de tecnologias para o desenvolvimento socioeconômico da microbacia da Água Branca, Mongaguá/SP: valorização do conhecimento e dos recursos locais, geração de renda, participação e sustentabilidade”, financiado pelo CNPq e que teve como objetivo promover apoio às atividade produtivas da microbacia.

Objetivo Geral

Promover alternativas de geração de renda para o grupo de mulheres da região a partir das atividades de artesanato em fibra de bananeira.

Objetivo Específico

- Reconhecimento de que o artesanato em fibra de bananeira é um produto brasileiro com impacto turístico; - Produzir produtos de qualidade e beleza singular, divulgando os ideais do grupo; - Aliar o aspecto educacional às atividades desenvolvidas e o respeito ao meio ambiente, trazendo jovens do ensino básico e médio para visitações monitoradas; - Divulgar o aproveitamento/reciclagem de materiais; - Exaltar a importância do uso adequado da água, reaproveitando e minimizando o consumo durante a fabricação do papel; - Melhorar a qualidade de vida das mulheres e suas famílias; - Buscar parcerias com outros órgãos no município que também tenham como meta a geração de renda; - Realizar oficinas de produção de objetos decorativos; - Desenvolver o material didático para as visitas dos alunos e ampliar a quantidade e qualidade dessas iniciativas.

Solução Adotada

Na confecção de artesanato com fibra de bananeira são utilizados insumos naturais que, muitas vezes, eram descartados. Além do fruto, a bananeira possui entre cinco e oito tipos de fibras diferentes, desde uma fibra mais áspera até outra de textura mais fina e delicada. A produção começa com o trabalho de colheita, o que gera um benefício adicional ao aproveitar o tronco, material normalmente deixado no chão e que, ao ser abandonado, facilitaria a produção de fungos que prejudicam toda a lavoura. O tronco da bananeira é formado por camadas (capas) que se soltam facilmente, podendo dele serem extraídos cinco tipos diferentes de fibras. A primeira fibra, por sua resistência, serve para costura, outra tem uma forma peculiar - de um lado ela é lisa e de outro áspera, algumas são melhores para o tingimento, etc. É preciso selecionar a fibra adequada para o tipo de artesanato a ser realizado. Após a separação das fibras, é iniciado o trabalho de secagem e proteção contra fungos. O processo completo leva mais de três dias e só após este período tem início o trabalho de artesanato. Este segundo processo de confecção de artesanato é dividido em: acessórios, peças e papel. Além da fabricação do papel, este curso propicia a confecção de outros produtos (abajures, porta retratos, porta vinho, luminárias, agendas, cadernos, caixas e outros objetos decorativos) e fornece capacitação e aperfeiçoamento em técnicas de tear. No caso da confecção dos acessórios, são usadas quatro fibras (linha, clássica, renda e pobre) na fabricação de caixas, bandejas, cestos, chapéus, almofadas, bonecas, tapetes, objetos de adornos, porta-retratos, balsas, jogos americanos, bijuterias, etc. As etapas para essa produção são: - Colheita do tronco; - Retirada das capas; - Retirada dos fios (das capas); - Desinsetização; - Secagem (o processo de secar as fibras pode ser feito naturalmente ao sol ou no forno); - Produção do artesanato. Em relação às peças, depois de retiradas as capas das bananeiras chega-se ao “miolo” do tronco. Esse miolo é também utilizado na confecção das peças, como as luminárias. As etapas deste processo são: - Cortar o miolo em pedaços pequenos; - Triturar num liquidificador; - Prensar; - Fazer uma massa; - Modelar as peças; - Por para secar (naturalmente ao sol - mais ou menos oito dias - ou no forno); - Lixar manualmente (depois de seca); - Pintar com pigmentos naturais; - Impermeabilizar. Na produção do papel são usados os troncos mais macios. As etapas são: - Cortar o miolo em pedaços pequenos; - Triturar num liquidificador; - Peneirar; - Adicionar pigmentos; - Espalhar bem a massa em uma folha de bananeira, dobrá-la e pôr para secar. Desde Setembro de 2008, as mulheres artesãs recebem acompanhamento regular, passaram por cursos de aperfeiçoamento, relacionamento interpessoal e associativismo, fizeram duas viagens para conhecer a realidade de outros grupos, trabalharam em oficinas de planejamento, receberam orientações em design, desenvolvimento de produtos e custo de produção, desenvolveram um método de controle de qualidade dos produtos e subprodutos da oficina, participaram e aprovaram a criação da logomarca e materiais de divulgação do projeto e iniciaram a participação em feiras. Alunos de uma escola vizinha começaram a visitar o grupo e, durante esse processo, surgiu à ideia de agregar um aspecto educacional às atividades da oficina. Desde então várias visitas aconteceram e alunos de outras escolas e outros municípios (como Santos) agendam visitas ao grupo. Nestes encontros estes jovens têm uma pequena vivência da área rural e podem tomar conhecimento sobre noções de atividades sustentáveis, que respeitam o meio ambiente, aproveitam materiais (como a bananeira) e fazem uso racional da água.

Resultado Alcançado

Apesar da estrutura simples de trabalho, a produção alcança cerca de 500 folhas de papel por mês. Com o aumento da produção do papel, além da agregação de valor no processo de customização, a tendência é de aumento na produção dos subprodutos do papel. Além disso, o grupo participou de 17 feiras sendo: seis locais (Mongaguá, São Vicente e Itanhaém), seis regionais (Santos e São Paulo), duas estaduais (Campinas e Agudos) e uma nacional (Brasília), o que trouxe visibilidade ao trabalho e novas oportunidades de conhecimento sobre o mercado consumidor. Em Mongaguá, o trabalho da oficina de fibra tem boa divulgação e conta com o apoio do governo municipal e dos meios de comunicação regionais. Outros resultados são: - Duas artesãs foram convidadas a participar de um circuito de palestras promovidas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, tendo como tema a “Capacitação em Políticas Públicas”; - Ganho ambiental para o município através do reaproveitamento de um “resíduo” antes descartado pelos agricultores; - Valorização da mulher, que passa a ter uma atividade produtiva além dos afazeres domésticos; - Fortalecimento da associação de produtores rurais através da participação mais ativa das mulheres nas reuniões e assuntos da comunidade. Em 2009, as artesãs foram reconhecidas pela Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades (SUTACO) , órgão do governo do Estado de São Paulo, e a tecnologia de artesanato em fibra de bananeira obteve o reconhecimento da Fundação Banco do Brasil.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Mongaguá / São PauloBairro Rural da Água Branca06/2008
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Artesãos
Quantidade: 10
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Técnico extensionista1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Os recursos necessários são: - Um galpão de 50 m2. Pode ser viabilizado através de parcerias com o poder público; - Duas mesas de madeira; - Estantes de madeira; - Liquidificador industrial; - Facão; - Prensa; - Telas com estrutura de madeira; - Tesouras; - Material de divulgação: cartões e folders; - Fogão e panelas; - Tanques para lavagem e tingimento; - Tear; - Material para o início dos trabalhos: cola, corantes, linhas.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Os valores para implementação são: - Recursos Humanos: R$15.600,00/ano, incluindo benefícios - Recursos Materiais: R$39.600,00 que inclui o custo de construção de galpão em R$30.000,00, custo que varia com tipo de solo e localidade. O valor do galpão poderá ser desconsiderado nos caso de parcerias com o poder público. O valor total estimado é de R$56.200,00 com galpão ou R$25.200,00 sem galpão.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica IntegralExtensão, apoio logístico, mobilização e capacitações
Prefeitura da Estância Balneária de MongaguáApoio Logístico e Estrutural, extensão e sede
Cachaçaria FazendaConsumo e divulgação dos produtos
Pesqueiro Tô na BoaConsumo e divulgação dos Produtos
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e TecnológicoFinanciamento e pesquisa
Impacto Ambiental

O pseudocaule da bananeira causa problemas ao meio ambiente quando não é retirado do cultivo após o período de colheita. Este trabalho reaproveita esta matéria-prima para cumprir seu papel de geração de renda, promovendo a educação ambiental e ações como o turismo de base comunitária, que propiciam a divulgação dos conceitos de economia solidária e sustentabilidade.

Forma de Acompanhamento

A geração de renda é uma das principais formas de avaliação desta tecnologia, sendo necessário analisar se os resultados esperados foram atingidos. Outra ponto importante é a avaliação sobre o impacto ambiental da ação. O trabalho é desenvolvido de forma participativa, a comunidade opina sobre os profissionais envolvidos, cursos oferecidos e decisões a serem tomadas. O acompanhamento sobre os rumos das atividades e resultados obtidos é feito duas vezes por semana, durante as reuniões do grupo.

Forma de Transferência

A tecnologia social desenvolvida pode facilmente ser multiplicada para diversas comunidades (quilombolas, indígenas, grupos de mulheres, agricultores familiares, população de baixa renda). Este processo ocorre através de cursos de capacitação e oficinas, realizadas com o acompanhamento de integrantes deste projeto. Materiais didáticos simples (apostilas) podem ser elaborados e utilizados pelos grupos, além de recursos audiovisuais. O fator principal para a apropriação é a prática das atividades, é através dela que novos integrantes se familiarizam com a técnica. Como requer poucos recursos materiais para sua execução, pode ser desenvolvida em comunidades distantes que possuam a matéria-prima, tenham interesse na ação, capacidade de cooperação e apoio de entidades locais.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Folder de Divulgação - FrenteBaixar
Folder de Divulgação - VersoBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Obtenção de renda através do aproveitamento de um subproduto abundante na agricultura local e que era descartado: o pseudocaule da bananeira. Trata-se de um grupo em que a maioria das integrantes estava fora do mercado de trabalho ou desenvolviam atividades com remuneração muito baixa. A decisão de se trabalhar em grupo deve-se a uma valorização da convivência como meio para melhoria dos conhecimentos e troca de informações, além de propiciar melhores condições de acesso ao mercado e apoio do Poder Público. Apesar de a geração de renda ser o principal objetivo da Oficina de Fibra, é preciso mencionar os ganhos pessoais e sociais que esta iniciativa possibilitou. Valorização dos conceitos de economia solidária e sustentabilidade.