Artisans Brasil - Artesanato de Seda no Comércio Justo e Solidário

certificada 2011

Instituição
Incubadora Tecnológica de Maringá
Endereço
Av. Colombo, 5790, bloco 14 - Zona Sete - Maringá/PR
E-mail
Telefone
(44) 3029-9161
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
João Berdu Garcia Jr.(44) 3028-0404jberdu@valedaseda.org.br
Resumo da Tecnologia

O Projeto Artisans Brasil deu origem à Cooperativa dos Produtores de Artesanato de Seda Ltda., formada por 46 mulheres moradoras da área rural de Nova Esperança. Esta cooperativa exporta cachecóis feitos com fios de seda (100%) para lojas da rede francesa de comércio justo Artisans du Monde.*{ods8},{ods12}*

Tema Principal

Renda

Problema Solucionado

O Brasil é o segundo maior exportador de fio de seda do mundo. O Paraná responde por 90% da produção brasileira de casulo de bicho da seda, sendo que esta produção é realizada em propriedades agrícolas com área média de 2,0 ha. As famílias que se dedicam à criação de bicho da seda necessitam de renda adicional. Através do projeto desenvolvido pela Incubadora Tecnológica de Maringá, foi constituída uma cooperativa que orientou e capacitou mulheres moradoras da zona rural na produção de cachecóis feitos com fios de seda, obtidos a partir dos casulos produzidos em Nova Esperança, cidade que mais produz casulo de bicho da seda em todo o Ocidente. Destinando a produção ao comércio justo, o projeto viabilizou a remuneração de R$20,00 por cachecol produzido, sendo que cada artesã é capaz de fazer até dois cachecóis por dia, garantindo assim uma remuneração de R$40,00/dia. Os modelos dos cachecóis foram desenvolvidos em parceria com voluntários da rede francesa de comércio justo Artisans du Monde.

Objetivo Geral

Gerar alternativa de emprego e renda às mulheres moradoras da área rural da cidade de Nova Esperança de forma economicamente viável e socialmente justa. A atividade será desenvolvida a partir dos casulos de bicho da seda produzidos na região, contribuindo com o desenvolvimento regional sustentável.

Objetivo Específico

- Valorizar o trabalho das mulheres moradoras na área rural, possibilitando a utilização de casulos de bicho da seda produzidos na região na produção de cachecóis de tricô exportados para a França; - Disseminar os princípios do comércio justo e da economia solidária como forma de comercialização dos artigos produzidos; - Promover a capacitação das artesãs para a produção de diferentes artigos feitos com seda, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região; - Difundir e fortalecer o cooperativismo como forma de superação de dificuldades e obtenção de resultados; - Elevar a autoestima das mulheres através da participação em atividade de relevância econômica para suas famílias.

Solução Adotada

A criação de bicho da seda é uma atividade que emprega mais de 3.500 pequenos agricultores na região noroeste do Paraná. A necessidade de aumento da renda familiar destes agricultores foi a motivação que uniu a Incubadora Tecnológica de Maringá e a Associação dos Moradores da Vila Rural Esperança, formada por 120 propriedades de 0,5 ha cada uma. A diretoria da Associação dos Moradores da Vila Rural Esperança foi procurada por representantes da Incubadora Tecnológica de Maringá, que propuseram uma reunião com os seus membros para apresentação de uma proposta de produção de artesanato de seda a ser exportado para a França diretamente por uma cooperativa formada pelas mulheres moradoras da Vila Rural. A partir desta reunião, foram identificadas lideranças que possuíam algum conhecimento de tricô e foram desenvolvidos dois modelos de cachecol (modelos que contaram com o auxilio de participantes da rede francesa de comércio justo Artisans du Monde, da cidade de Mulhouse na França). Os modelos foram desenvolvidos de modo a utilizarem em torno de 110 gramas de fio de seda e serem fáceis de ser produzidos com agulhas de tricô, de tal modo que cada artesã pudesse produzir dois cachecóis por dia, concomitantemente com seus afazeres diários. Determinados os modelos, as artesãs passaram a se encontrar na casa de Dona Alice, na Vila Rural Esperança, para receberem informações sobre como produzir os modelos solicitados. Inicialmente foram capacitadas 10 mulheres. Parte dos casulos de segunda qualidade produzidos pelos agricultores de nova Esperança, depois de vendida para a empresa de fiação industrial, foi recomprada pelas artesãs, que pagariam pelo casulo somente depois de recebido o dinheiro da venda dos cachecóis. Os casulos foram fiados e tintos com corantes naturais em uma fiação artesanal parceira do projeto, que também recebeu o pagamento por seu trabalho depois que o pagamento pelos cachecóis foi recebido. Depois de tinto o fio retornou para a casa de Dona Alice, onde ele foi distribuído para as mulheres já capacitadas. Os cachecóis depois de prontos foram exportados diretamente pelas artesãs, através do sistema Exporta Fácil dos Correios. O dinheiro foi recebido diretamente pela Associação dos Moradores da Vila Rural Esperança, que fez o pagamento das artesãs, da fiação industrial (fornecedora dos casulos) e da fiação artesanal (que fiou os casulos e tingiu os fios). Com a utilização dos casulos de segunda qualidade na tecnologia social desenvolvida, todos os membros do processo receberam um preço satisfatório pelo trabalho realizado, sendo que cada artesã ficou com o equivalente a 59% da receita bruta obtida com a exportação do cachecol. Além da confecção de cachecóis de seda feitos a partir dos casulos de segunda qualidade, as cooperadas receberam capacitação para tecelagem em tear de mesa artesanal, sendo que cada cooperada recebeu um tear artesanal do projeto. A cooperativa adquiriu uma maquina de tricô manual e as interessadas receberam capacitação nesta máquina. Cerca de 90% da produção brasileira de seda é exportada como fio cru, com baixo valor agregado. Somente 10% da produção brasileira se transforma em tecido acabado. A cooperativa firmou parceria com tecelagens de seda brasileiras para poder trabalhar também com tecidos 100% seda tintos com a técnica tie dye, para tanto foi oferecida capacitação em tingimento artesanal de tecidos de seda para a fabricação de lenços e bandanas, feitos com tecidos 100% seda produzidos no Brasil. Também foi firmada parceria para o fornecimento de retalhos de tecidos de seda para seu aproveitamento na produção de artigos de patchwork 100% seda, sendo que as artesãs receberam capacitação para produção de bolsas de patchwork de seda oferecida pelo SENAI.

Resultado Alcançado

Em abril de 2010 foi constituída, na cidade de Nova Esperança, a Artisans Brasil - Copraseda – Cooperativa dos Produtores de Artesanato de Seda Ltda, com a participação de 46 mulheres. O município fica na região do Vale da Seda, formado pela bacia do Rio Pirapó, no Noroeste do Paraná, abrangendo 29 municípios e compondo a região que mais produz casulo de bicho da seda em todo o Ocidente. A Artisans Brasil foi a primeira iniciativa a utilizar parte da produção para criação de artigos a serem comercializados na região, gerando novas oportunidades de emprego e renda. A cooperativa conta com um site em seis idiomas e se prepara para iniciar vendas no varejo através do site. A Artisans du Monde conta com 174 lojas na França. Além da loja de Mulhouse, da Artisans du Monde, foram também vendidos cachecóis para as lojas de Romans, Nice, Strasbourg e Saumur, atingindo 234 cachecóis comercializados em 2010. Cada cooperada recebeu um tear manual e curso de capacitação para operá-lo. A cooperativa tem hoje uma máquina de trio manual e oferece cursos de capacitação para as interessadas em operá-la. Em 2010 a Artisans Brasil firmou parceria com a Superintendência de Desenvolvimento Regional do Banco do Brasil do Paraná, tornando possível a oferta de produtos da Artisans Brasil na Loja da Sustentabilidade do Banco do Brasil. Os produtos da Artisans Brasil estão credenciados para venda nas 12 cidades sedes da Copa do Mundo de 2014, dentro do projeto Talentos do Brasil Rural, desenvolvido pelo SEBRAE-RS. Este programa prevê o apoio no desenvolvimento de produtos e sua comercialização através de uma rede de lojas a ser estabelecida pelo projeto “Talentos do Brasil Rural” nas 12 cidades sedes da Copa do Mundo de 2014. Em maio de 2011 a Cooperativa Artisans Brasil foi a vencedora do Segundo Prêmio Sustentabilidade, oferecido pela Fecomercio-SP, na categoria microempresa, concorrendo com mais de 314 empresas inscritas. Os R$15.000,00 recebidos pelo prêmio serão utilizados na compra de matéria-prima e modificação do site, de maneira a tornar possível a venda a varejo através de comércio eletrônico. Em novembro de 2011, será realizada, na cidade de Nova Esperança, a Primeira Feira Nacional do Vale da Seda, iniciativa que só se tornou possível a partir da existência da cooperativa. A realização da Feira já mobiliza lideranças de outros municípios do Vale, possibilitando a replicação desta tecnologia em outras cidades.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Nova Esperança / ParanáVila Rural Esperança04/2010
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Mulheres
Quantidade: 138
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Coordenador do projeto: formação superior em Administração Pública ou de Empresas ou em Ciências Sociais.1
Consultor de campo: formação superior com experiência em desenvolvimento comunitário (não sendo necessária área específica – equipe multidisciplinar).1
Consultor de comércio exterior com atuação na área de comércio justo.1
Agente local: ensino médio completo, liderança comunitária.1
Instrutor especialista em tecelagem manual1
Instrutor especialista em tingimento artesanal1
Instrutor especialista em patchwork1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Inicialmente é necessária a identificação de um local para a realização das reuniões com o público alvo. Pode ser em uma associação de moradores, em salão paroquial, sede de clube ou outro local de fácil acesso onde seja possível reunir pessoas para os cursos de capacitação. A Artisans Brasil contou com a parceria da Prefeitura de Nova Esperança, fazendo as reuniões na Estação do Ofício, um espaço mantido pela Prefeitura em parceria com o SENAI. Determinado o espaço para a reunião, para a implantação de uma unidade da tecnologia desenvolvida, contando com a participação de 46 mulheres, são necessários: - 1.000 kg de casulo de bicho da seda; - 46 teares de mesa (um para cada artesã); - Uma máquina de tricô manual; - 40 kg de fio de seda; - Um fogão; - Quatro panelas para tingimento.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

O valor estimado para a implementação de uma unidade da tecnologia social é de R$89.520,00 sendo que: - R$23.200,00 se destinarão à compra dos materiais necessários descritos no item anterior; - R$54.720,00 para o pagamento de coordenador, consultores, agentes e instrutores de patchwork durante os 18 meses de vigência do projeto; - R$11.600,00 para o pagamento de viagens e diárias.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Secretaria de Ciência Tecnologia do ParanáFinanciamento do Projeto
Fiação de Seda BratacFornecimento de casulo de bicho da seda
EMATER ParanáMobilização das agricultoras
Fiação Artesanal O Casulo FelizFiação artesanal e tingimento natural dos fios de seda
Impacto Ambiental

O impacto ambiental da utilização desta tecnologia ocorre de maneira indireta, na medida em que ela fortalece a criação do bicho da seda, uma atividade que, além de não utilizar qualquer tipo de agrotóxico, deve ser desenvolvida distante de áreas que fazem uso de pesticidas. Da mesma forma, a utilização de corantes naturais fortalece a ideia de produção com menores impactos ao meio ambiente.

Forma de Acompanhamento

- Visitas programadas do coordenador do Projeto durante os trabalhos; - Contato e envolvimento de lideranças empresariais regionais com o projeto, estabelecendo parcerias e contatos comerciais com redes de comércio justo na França, Itália, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos; - Realização de oficinas de capacitação em tecelagem e tingimento artesanal.

Forma de Transferência

A transferência da tecnologia social foi feita a partir da mobilização das agricultoras, do aproveitamento dos saberes de algumas delas e da capacitação da demais. Novas transferências podem ser feitas a partir da criação de novas cooperativas de mulheres moradoras na área rural na região do Vale da Seda (região que envolve 29 municípios no noroeste do Paraná e que possuem baixo IDH), com a capacitação das mulheres interessadas nas técnicas de tricô, tecelagem artesanal, tricô de máquina e tingimento natural. A comercialização dos artigos produzidos será destinada a redes de comercio justo no exterior, como a Artisans du Monde (na França) e a Altromercato (na Itália).

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Produtos da Artisans Brasil oferecidos na Loja da Sustentabilidade do Banco do BrasilBaixar
Site em Português da Artisans Brasil - também estão disponíveis as versões em inglês, italiano, francês, espanhol e alemão.Baixar
Apresentação de produto no site da Artisans BrasilBaixar
Artisans Brasil foi a vencedora na categoria microempresa do Segundo Prêmio Fecomercio de SustentabilidadeBaixar
Matéria do Sebrae sobre a participação da Artisans Brasil no Projeto Talentos do Brasil Rural na Copa do Mundo de 2014.Baixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologia