Assentamentos Rurais Sustentáveis

certificada 2009

Instituição
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Meio Ambiente
Endereço
Rodovia SP-340, km 127,5 - Tanquinho Velho - Jaguariúna/SP
E-mail
sac@cnpma.embrapa.br
Telefone
(19) 3311-2678
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
João Carlos Canuto(19) 3311-2678joao.canuto@embrapa.brjoacarloscanuto@yahoo.com.br skype – joaocarloscanuto
Resumo da Tecnologia

Conhecimentos técnicos e científicos em agroecologia suficientes para provocar processos de transição para a sustentabilidade. O principal objetivo da ação é promover o estabelecimento de sistemas complexos e biodiversos, com objetivos econômicos e ambientais associados.*{ods13}*

Tema Principal

Meio ambiente

Problema Solucionado

De modo geral, os assentamentos carecem de uma base técnica mais sólida em agricultura sustentável, em parte pela perda dos conhecimentos tradicionais ancestrais, especialmente nas camadas mais jovens, em parte pela adesão parcial ao modelo agrícola da modernização. O problema que centralizou as ações da Embrapa Meio Ambiente e de suas parcerias foi a fragilidade e, frequentemente, a ausência de conhecimentos técnicos em agroecologia e ferramentas metodológicas que, associados, pudessem provocar processos locais de transição para a sustentabilidade, com especial atenção à viabilidade das propostas para as condições ecológico-econômicas dos assentamentos rurais.

Objetivo Geral

Construção e apropriação social de conhecimento agroecológico para a transição para a sustentabilidade em realidades de assentamento rural.

Objetivo Específico

- Aplicação de métodos de diagnóstico participativo de agroecossistemas e levantamento de demandas de conhecimento; - Articulação de conhecimentos populares com acervos de conhecimento científico; - Validação das alternativas potenciais; - Monitoramento da evolução de parâmetros econômicos, sociais e ambientais; - Capacitação dos agricultores; - Consolidação de experiências para a constituição de Unidades de Referência; - Constituição de Redes de Referência em conhecimento agroecológico; - Sistematização de informações e divulgação dos resultados.

Solução Adotada

Acordos de parceria entre Embrapa Meio Ambiente, Incra/SP e diversas representações formais e informais dos agricultores assentados das regiões de Andradina, Itapeva e Ribeirão Preto (cooperativas, associações, grupos de afinidade) para construção do conhecimento agroecológico aplicado no âmbito dos assentamentos rurais. A solução em desenvolvimento para o avanço dos sistemas agroecológicos em assentamentos rurais inclui forte interação com as comunidades na aplicação de um conjunto de processos técnicos e pedagógicos. A tecnologia social proposta se define como um conjunto de princípios e métodos de construção da sustentabilidade dos assentamentos rurais, estreitamente vinculado a aplicações locais na forma de unidades referenciais de conhecimento agroecológico. Solução com impactos concretos em termos de mudança social, potencial de reaplicação, com ajustes, a outras realidades locais. O diferencial que a agroecologia apresenta é o de possibilitar que agricultores com recursos mínimos acessem formas de manejo ajustados às suas condições ecológico-econômicas. Nesse contexto, despontam os sistemas agroflorestais, agroecossistemas desenhados para potencializar as relações ecológicas entre cultivos agrícolas e componentes arbóreos. Procura-se conceber desenhos harmônicos, que explorem espaços horizontais e verticais de maneira a dar lugar aos estratos herbáceo, arbustivo e arbóreo e que podem também incluir produção animal. Tais combinações produzem sinergias e complementaridades que minimizam ou anulam os efeitos negativos de pragas e doenças, recuperam a biodiversidade geral e funcional, a fertilidade dos solos e mananciais de água, e geram grande diversidade de produtos. Do ponto de vista dos métodos e estratégias utilizados no desenvolvimento do trabalho, o envolvimento da comunidade se deu por diversas formas de ação: 1. Aplicação de métodos de diagnóstico participativo de agroecossistemas e levantamento de demandas de conhecimento – trabalho sistemático que forneceu elementos para orientar as demais ações; 2. Articulação de conhecimentos – busca resgatar conhecimentos populares e mobilizar acervos de conhecimento científico disponíveis como alternativa de resposta às demandas levantadas; 3. Validação das alternativas potenciais – de posse de informações técnicas iniciais, ocorrem testes locais nos lotes dos assentados, onde se verificava a potencialidade em condições de campo; 4. Monitoramento da evolução de parâmetros econômicos, sociais e ambientais – ações que têm o objetivo de conhecer acertos e erros nos sistemas implantados, facilitar ajustes técnicos, detectar novas demandas de pesquisa e reunir dados para dar apoio à expansão das experiências. A definição dos indicadores mais relevantes a monitorar é feita conjuntamente com os assentados; 5. Capacitação dos agricultores – a formação é considerada um processo contínuo de aprendizagem e não uma etapa específica, a partir da apropriação do conhecimento socialmente construído. As ferramentas utilizadas são mutirões, dias de campo, oficinas, cursos, viagens de intercâmbio, unidades de observação e experimentação; 6. Consolidação de experiências para a constituição de Unidades de Referência – que compreendem o conjunto da família e dos sistemas de produção manejados nos lotes e devem apresentar grau razoável de consolidação, ou seja, uma real apropriação social dos processos agroecológicos; 7. Constituição das Redes de Referência – tem sido de suma importância colocar em prática uma estratégia de disseminação do conhecimento do tipo “de agricultor para agricultor”, fundamentada em Redes de Referência, ou seja, coletivos articulados de Unidades de Referência; 8. Sistematização de informações e divulgação dos resultados – permite a organização de informações sobre uma experiência social, base para a geração de inúmeros materiais de apoio a eventos de sensibilização ou formação, para a elaboração de cartilhas e vídeos e para divulgação nos meios de comunicação.

Resultado Alcançado

Construção de três redes de agricultores agroecológicos, que desenvolvem sistemas agroflorestais ou leiteiros nas três regiões de atuação do Projeto. Isto tem se mostrado fundamental nas fases de mobilização para atividades de campo ou eventos de observação, experimentação, validação e ajuste tecnológico. Estas redes agregam agricultores experimentadores e consubstanciam as Unidades de Referência em agroecologia. Apropriação, pelos agricultores, do conhecimento para o desenho e manejo de sistemas sustentáveis (sistemas agroflorestais, leiteiros e sítio diversificado) como proposta viável de agricultura. O conhecimento dos agricultores era tímido: a maioria (84%) nunca havia ouvido falar em agroecologia e, das famílias que tinham alguma ligação com o meio rural, mais da metade (52%) não fazia uso de práticas conservacionistas, como adubação verde e rotação de cultivos. Como consequência do trabalho, encontramos nos assentamentos desenhos mais abertos que privilegiam cultivos anuais, cultivos perenes clássicos (café, frutas) em linhas e um estrato arbóreo pouco denso, permitindo o cultivo de adubos verdes. Outros desenhos mais fechados buscam reflorestar as áreas, incorporando antes o componente arbóreo e incluindo concomitantemente ou depois diversos cultivos anuais e frutas. Ao final de maio de 2009 o saldo global é de 25 agricultores com participação direta, com parcelas planejadas, implantadas e acompanhadas como Unidades de Referência para a irradiação dos sistemas sustentáveis. Participação de 480 agricultores com benefícios indiretos, como capacitação técnica por meio da participação em eventos . Materiais de apoio pedagógico, com destaque para duas cartilhas, uma sobre sistemas agroflorestais e outra sobre sistemas de produção sustentável de leite. O conjunto destas unidades de referência ou sistemas “adequados às condições reais dos agricultores” apresenta-se como um laboratório, onde se ensaiam as mais variadas formas de desenho e manejo de sistemas agroflorestais. Os sistemas instalados, manejados e monitorados nos vários lotes deverão assumir o papel de novas unidades de observação e consolidar-se como referência futura para reaplicação dos princípios e métodos construídos. O estudo desta diversidade e das lógicas inerentes aos desenhos e manejos criados pelos agricultores, deverá ser a base para ampliação do conhecimento agroecológico e sua aplicação a outros assentamentos da região.

Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Assentados rurais
Quantidade: 0
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Pesquisadores2
Técnicos de nível superior3
Estagiários2
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Mudas de árvores nativas e frutíferas, sementes de adubos verdes, combustível e diárias para a equipe da Embrapa.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

R$ 5.000,00 por unidade por ano.

Impacto Ambiental

São vários os impactos negativos da atividade agrícola: comprometimento da disponibilidade e qualidade das águas superficiais e subterrâneas, pelo uso de fertilizantes solúveis e pesticidas; esgotamento da fertilidade, estrutura física e vida microbiana dos solos, pela redução da biodiversidade e estreitamento das bases genéticas de interesse alimentar. O projeto procura construir conhecimento para sanar estes impactos, unindo os objetivos econômicos aos socioambientais, conforme descrito.

Forma de Acompanhamento

Acompanhamento das Unidades de Referência, visando o desenho, implantação e manejo dos sistemas agroecológicos. Relatórios e reuniões de avaliação e planejamento com os agricultores . Plano de Monitoramento objetivando acompanhar parâmetros econômicos, sociais e ambientais, acertos e erros nos sistemas, ajustes técnicos, detectar novas demandas de pesquisa e reunir dados para apoio à expansão das experiências. A definição dos indicadores a monitorar é feita com os assentados.

Forma de Transferência

A tecnologia pode ser reaplicada a partir das Unidades de Referência, mobilizando as Redes de Referência locais e ampliando-as. Visitas de intercâmbio nos lotes que desenvolvem sistemas agroflorestais e produção sustentável de leite são forma de sensibilização para agricultores da região. É importante que a reaplicação dos processos, insumos, técnicas e conhecimentos passe por avaliação e adaptação quanto a espécies vegetais empregadas, mão de obra e recursos disponíveis, clima e solo. Materiais de apoio, como cartilhas, têm papel importante na disseminação das experiências. Conhecimentos técnicos e metodológicos construídos podem ser fonte de ideias para expansão de sistemas sustentáveis para assentamentos rurais no estado de São Paulo e outras regiões do Brasil.