Banco Comunitário Muiraquitã

vencedora 2011

Instituição
Inclusão Digital da Amazônia (INDIA)
Endereço
Travessa Vitória Régia 223 - Amparo - Santarém/PA
E-mail
coletivopuraque@gmail.com
Telefone
(91) 3087-7738
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Jader Ribeiro Gama(93) 8112-0333gama.puraque@gmail.com
Resumo da Tecnologia

Banco comunitário e moeda social Muiraquitã, que circula nos bairros de Santarém. Criado pelo Coletivo Puraqué, financia microempreendimentos colaborativos, promove consórcios solidários de equipamentos eletrônicos, além de possibilitar a troca de produtos e serviços entre a comunidade.*{ods8},{ods9},{ods12},{ods13}*

Tema Principal

Renda

Tema Secundário

Meio ambiente

Problema Solucionado

O primeiro telecentro montado pelo coletivo foi equipado com materiais doados pelo programa de inclusão digital do Banco do Brasil e funcionava no bairro da Liberdade. Depois de anos trabalhando nessa região os índices Desenvolvimento Humano (IDH) melhoraram bastante e o Puraqué mudou de bairro, indo para a área do Santarenzinho e Maracanã, cujo IDH urbano é o menor de todo o município. Neste momento foi iniciado um trabalho de formação em cultura digital. Foram encontradas muitas dificuldades para a manutenção das atividades do Coletivo Puraqué, percebeu-se que as pessoas tinham poucos recursos financeiros e a questão do lixo era um grave problema para esses bairros. Esta nova situação fez surgir a ideia de criação de uma moeda social que desse um incentivo à vida das pessoas destas comunidades e possibilitasse a melhoria de seu cotidiano. A moeda foi lançada na II Feira Cultura Digital dos Bairros e Comunidades, em 2010, momento em que houve a troca de resíduos sólidos por moedas Muiraquitãs. Esse resíduo é vendido para uma recicladora, sendo que cada quilo de garrafa PET corresponde a um Muiraquitã e vale R$ 1,50. A moeda pode ser trocada por produtos metareciclados.

Objetivo Geral

Motivar as pessoas no fortalecimento das suas iniciativas e gerar renda dentro da própria comunidade, estimulando a criação de negócios colaborativos e inovadores, fortalecendo a sustentabilidade das famílias e fazendo com que os recursos gerados permaneçam dentro dos bairros.

Objetivo Específico

- Trabalhar a questão ambiental dentro das unidades familiares, gerando consciência sobre a preservação e cuidado com os bairros e o meio ambiente; - Incentivar a coleta seletiva do lixo através da troca de resíduos sólidos pela moeda; - Promover a cultura digital, o software livre e a colaboração entre as pessoas; - Promover e estimular a criação de negócios inovadores e colaborativos entre os jovens das comunidades, através das ferramentas tecnológicas livres; - Angariar novos parceiros comerciais no intuito de fechar descontos comerciais com a utilização da moeda; - Abrir novas linhas de consórcios de equipamentos eletrônicos; - Aumentar as linhas de microcrédito; - Promover e possibilitar a realização de iniciativas de entretenimento com grupos artísticos independentes, como bandas, grupos de teatro, dança, cantores, fomentando assim a economia criativa local.

Solução Adotada

O Coletivo Puraqué, formado por um grupo de cyber-ativistas, atua em Santarém há dez anos e tem como objetivo disseminar a inclusão e a cultura digital para os bairros ditos periféricos do município de Santarém, usando software livre e os princípios filosóficos da metareciclagem e da ética hacker. Aliando esses dois objetivos criou-se, em 2010, o Banco Muiraquitã para contribuir com a sustentabilidade das comunidades. A moeda oficial do banco são os Muiraquitãs, que são adquiridos via troca por resíduos sólidos. Para cada quilo de resíduo sólido o indivíduo recebe M$ 1,00 (um muiraquitã), que equivale a R$ 1,50 (um real e cinquenta centavos). Os muiraquitãs podem ser utilizados para adquirir produtos de metareciclagem produzidos pelo Coletivo Puraqué (como computadores e laptops) ou para o pagamento de cursos e oficinas. Além disso, o Banco Comunitário Muiraquitã financia empreendimentos de caráter colaborativo, no valor de até M$ 10.000,00 (dez mil muiraquitãs) com juros baixos. As concessões são feitas aos integrantes da comunidade sem a burocracia exigida nos financiadores “oficiais”, possibilitando assim oportunidades de criação de novos negócios comunitários por todos. Os microcréditos são concedidos para as áreas de comércio e serviço, incluindo entretenimento. As pessoas podem adquirir a moeda social através da coleta seletiva em suas casas, trocando resíduos sólidos como garrafas pet pela moeda social, que pode ser utilizada na aquisição de produtos e serviços, que vão desde computadores metareciclados, participação no consórcio solidário digital, palestras, cursos, gravação de CDs e DVDs, acesso à internet e utilização dos espaços e dependências da Casa Puraqué. São realizadas periodicamente feiras de cultura digital nos bairros de Santarém para fomentar a circulação da moeda e a geração de novos empreendimentos colaborativos, bem como estimular mais comerciantes locais a aderirem à moeda e promover os empreendimentos da economia solidária na região. Isso foi fundamental para que a cultura digital fosse difundida em Santarém e região e para que o Puraqué fosse viabilizado economicamente. Com o aumento do lastro da moeda vislumbramos a possibilidade de fazer outros tipos de negócios colaborativos, criando o consórcio solidário digital muiraquitã, que está financiando a aquisição de laptops para pessoas que fazem parte do Projeto Jovens CodeirXs, grupo que promove a formação na área de programação de computadores em software livre. Até o momento já foram sorteados cinco laptops, sendo um por mês. Além destas iniciativas o Banco Comunitário Muiraquitã também está emprestando dinheiro para que pessoas ligadas a cultura digital possam montar um hibrido de cyber, lan house, escola de informática, cineclube e ponto de cultura que denominamos de CyberXibé. Trata-se de um cyber metareciclado, rodando software livre, que promove a cultura digital através de cursos, oficinas e vivência entre seus usuários. Estes espaços também são usados por oficineiros de vídeo, áudio, metareciclagem e blogs para realização de oficinas que também podem ser pagas com a moeda social Muiraquitã. O desafio agora é através do Estúdio Livre Puraqué, que é um estúdio de ensaio e gravação que usa software livre - financiado pelo Banco Comunitário Muiraquitã -, investir nas bandas locais para promover shows e incrementar a economia criativa em nosso município promovendo a economia solidária, software livre e a cultura digital.

Resultado Alcançado

Com a implementação do Banco Comunitário, que desencadeou e fortaleceu diversas iniciativas de cultura digital e cidadania, obtivemos uma queda significativa na redução da quantidade de lixo nas ruas. Com a conscientização gerada pelas discussões sobre reciclagem, metareciclagem e meio ambiente a população incorporou o espírito coletivo de colaboração e preservação do espaço em que todos vivem. Já foram recicladas cerca de dez toneladas de lixo. Com a troca da moeda por resíduos sólidos, além da população cuidar do seu bairro mantendo-o sempre limpo, ela ganha benefícios com a comercialização da Muiraquitã. Com a circulação da moeda várias atividades de cultura digital puderam ser viabilizadas. Foram realizadas cinco palestras de coleta seletiva nos bairros onde a Muiraquitã é utilizada e dez encontros de conhecimentos livres que promovem oficinas, debates e rodas de conversa sobre software livre, ética hacker e negócios inovadores em vários municípios da Amazônia, nos estados do Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Manaus e Pará. Nos cursos de informática básica e inclusão digital, promovidos dentro da Casa Puraqué, foram atendidas mais de 1.200 pessoas, a maioria jovens. A moeda social possibilitou ao Puraqué, a realização de várias oficinas de metareciclagem e cultura digital, além de consultorias em diversas prefeituras do Pará, onde foram gerados cerca de M$ 32.000,00, o que resultou no fortalecimento das ações de inclusão e cidadania na região, tornando Santarém e o Coletivo Puraqué, referência em Cultura Digital.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Santarém / ParáSantarenzinho04/2010
Santarém / ParáLiberdade05/2010
Santarém / ParáAmparo05/2010
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adolescentes
Adulto
Alunos do ensino médio
Quantidade: 500
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Administrador1
Comunicólogo1
Tecnólogo (Ciência da Computação / Processamento de Dados)3
Matemático1
Secretária1
Economista1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Para a reaplicação do Banco Comunitário Muiraquitã são necessários recursos humanos e materiais, além do lastro da moeda para assegurar os financiamentos e microcrédito. Em termos de materiais, é necessário o espaço físico para a sede do banco, o qual deve ser articulado com alguma associação ou ONG (Organização Não Governamental), em regime de parceria. Para o banco são necessários mobiliários de escritório (como mesas, cadeiras e armários) e, principalmente, aparelhos tecnológicos (computadores, notebooks, impressoras, telefones, etc.), além de materiais de consumo para atender a demanda diária dos colaboradores. Para divulgar e fortalecer as atividades do banco é necessário investimento em comunicação, para melhor esclarecer o funcionamento da moeda. Assim, devem ser produzidos materiais de mídia, como folders, cartazes, cartilhas, blogs e sites. Também encorajamos a realização de ações que fomentem a dinâmica, como eventos, oficinas, encontros e seminários, que promovam a circulação da moeda e sua divulgação.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

- Lastro de R$ 40.000,00 para garantir os financiamentos dos empreendimentos colaborativos; - Compra de materiais permanentes: cerca de R$ 10.000,00; - Material de consumo: aproximadamente R$ 6.000,00 a cada seis meses; - Recursos humanos que deverão trabalhar na parte administrativa: R$ 24.000,00; - Comunicação: R$ 5.000,00; - Total: R$ 85.000,00.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Casa Brasil de Santarém -
Núcleo de Informática Educativa -
Pontão de Cultura Digital do Tapajós -
Ponto de Cultura AMOBAM -
Gaia Digital -
Málaga Eventos -
Impacto Ambiental

Com a implementação da Muiraquitã, as ações e projetos se desdobraram desde então - como palestras sobre reciclagem de resíduos. Foram reciclados dez toneladas de lixo, o que gerou continuidade na cadeia comercial nas comunidades já que os resíduos sólidos são trocados por moedas que pagam produtos e serviços dentro dos bairros. Foram realizadas oficinas de metareciclagem, que ensinam formas de reaproveitamento do lixo tecnológico, transformando máquinas obsoletas em novas.

Forma de Acompanhamento

Podemos visualizar o aumento no número de pessoas interessadas em participar das ações financiadas pela moeda nas palestras, oficinas, cursos e debates. Bem como a procura por informações sobre abertura de novos empreendimentos inovadores. Como financiar, como administrar, gerir e, principalmente, as formas de organização do trabalho devem ser colaborativos e voltado para a sustentabilidade da comunidade.

Forma de Transferência

Todas as metodologias utilizadas pelo Coletivo Puraqué estão disponíveis nos canais de comunicação do grupo. A metodologia e a filosofia de trabalho pauta-se na partilha do conhecimento, colaboração entre todos e liberdade. Portanto, além de fomentarmos a utilização da moeda incentivamos a criação de negócios colaborativos através das ações como cursos, feiras, fóruns, oficinas, encontros, palestras que realizamos. Nestes espaços multiplicamos a ideologia de trabalho e mostramos quais são as ferramentas livres existentes para apoiar a criação de novos projetos. Os materiais utilizados para repassar as informações são disponibilizados por meio da web para todos os participantes presenciais e online dos eventos.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
MuiraquitãBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

"A Moeda Muiraquitã foi confeccionada artesanalmente, com barro, mas seu principal valor está no objetivo de sua utilização, como troca ou bônus que pode promover a educação ambiental ao mesmo tempo em que abre portas para novos conhecimentos no mundo da cultura digital". É como explica um dos idealizadores da Moeda Social, Jader Gama, coordenador do Projeto Puraqué. “Nossa proposta é que a pessoa junte garrafas pets da sua casa, da sua rua, evitando aumentar a poluição ambiental. A cada 20 pets, a pessoa pode trocar por uma moeda Muiraquitã que dá direito a uma rifa para concorrer a pen drives e a um computador que serão sorteados durante a feira”.