Barraginhas de Captação de Águas Superficiais de Chuvas

certificada 2003

Instituição
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Milho e Sorgo
Endereço
Rodovia MG424 - Km 65 - Sete Lagoas (MG) - Belo Horizonte/MG
E-mail
cnpms@cnpms.embrapa.br
Telefone
(31) 3027-1207
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Luciano Cordoval de Barros(31) 3027-1207luciano.cordoval@embrapa.br
Resumo da Tecnologia

Trata-se de pequenos açudes que, além de proporcionar melhores condições para as famílias do meio rural, diminuem os danos ambientais, principalmente a erosão e o assoreamento, desenvolvido pela Embrapa Sorgo e Milho, de Sete Lagoas/MG.*{ods6},{ods13},{ods15}*

Tema Principal

Recursos Hídricos

Tema Secundário

Meio ambiente

Problema Solucionado

O desmatamento desorganizado no Brasil Central, acelerado a partir da década de 70, para a produção de carvão vegetal e a conversão desses ecossistemas naturais em lavouras e pastagens, sem a utilização de tecnologias adequadas, resultou em danos irreparáveis ao meio ambiente, principalmente em relação à conservação da água e do solo, em particular na compactação do solo, causada por patas de bois e por pneus de tratores. A conseqüência imediata foi a redução da taxa de infiltração da água no solo, dando início ao escorrimento superficial da água de chuvas, provocando erosão, principalmente do tipo laminar, que degrada e empobrece o solo, além de carrear assoreamento e poluentes aos rios, também provocando enchentes e diminuindo a sustentabilidade produtiva agrícola

Objetivo Geral

* Recuperar as áreas degradadas do Estado, provocadas pelos escorrimentos superficiais das águas de chuvas; * Perenização dos mananciais com água de boa qualidade; * Tornar exemplo demonstrativo para serem reaplicados em outras regiões.

Objetivo Específico

* Cultivo em áreas úmidas que dispensam irrigação; * Abertura de cisternas; * Reflorestamento; * Plantação de diferentes culturas, como canaviais e frutíferas.

Solução Adotada

A difusão dessa tecnologia iniciou-se no ano de 1995 com a criação de uma Unidade Demonstrativa, em uma propriedade de 70 hectares na microbacia do Ribeirão Paiol, em Sete Lagoas/MG, onde foram construídas 30 barraginhas. O êxito dessa Unidade Demonstrativa (veiculação na mídia, dias de campo, visitações) inspirou, depois de dois anos, a criação do Projeto Piloto I do Ribeirão Paiol, com a construção de 960 barraginhas, durante o ano de 1998, em 60 pequenas propriedades envolvendo toda a microbacia do Ribeirão Paiol, na comunidade da Estiva, em Sete Lagoas. Isso só foi possível graças à mobilização e conscientização dos produtores durante os eventos citados, na aceitação dessa tecnologia e gerando expectativas. Naquela ocasião, foi muito importante a parceria entre a Embrapa, Secretaria Municipal de Agricultura, Emater MG, Secretaria Nacional de Recursos Hídricos e Associação Comunitária da Estiva. O baixo custo, a simplicidade e eficiência dessa tecnologia, com resultados nítidos, contagiam os prefeitos, os técnicos e os produtores que visitam o Projeto Piloto e passam a sonhar com a implantação do projeto em seus municípios, comunidades e propriedades. A parceria com a Embrapa na implantação do projeto se consolida com a execução de quatro fases: A, B, C e D. A fase A é o primeiro contato dos beneficiários com a tecnologia, que ocorre, geralmente, através de uma reunião em que um técnico ou líder de comunidade que visitou o Projeto Piloto e foi treinado pela Embrapa apresenta, voluntariamente, os benefícios da captação de águas de chuva. Considerando que já foram ministrados em torno de 500 palestras sobre esse tema, apenas pela instituição do projeto, estima-se que centenas de outras já ocorreram através desses multiplicadores. As comunidades rurais localizadas em áreas com estágio avançado de degradação, escassez de água e sustentabilidade agrícola comprometida ficam sensibilizadas e motivadas a adotar a tecnologia, estimulando a visita de uma delegação do município ou da comunidade ao Projeto Piloto e à Embrapa, o que constitui a fase B. Durante a visita à Embrapa, em Sete Lagoas, a delegação é recebida pela coordenação do projeto, assiste a uma palestra sobre a tecnologia e visita, no campo, o Projeto Piloto do Ribeirão Paiol. É nessa fase que se percebe a motivação do grupo, o brilho nos olhos, gerando expectativas de ambas as partes e também envolvimento e comprometimento para a implantação do projeto em seu município de origem. Entre 1998 e 2010, já ocorreram 130 visitas de delegações ao Projeto Piloto. Retornando ao seu município, o grupo motivado com o que viu reúne-se e transmite aos que não participaram da visita a mensagem e resultados observados no Projeto Piloto, e toda a comunidade passa a sonhar com a possibilidade de trazer aquela experiência para seu município. Nessa reunião definem-se os próximos passos para executar a fase C, que é o treinamento, feito in loco, para a construção das barraginhas. Para o treinamento na comunidade é necessário o envolvimento e apoio do poder público, para disponibilizar a máquina e arcar com as despesas dos técnicos da Embrapa (hotel, combustíveis e alimentação). Ao final do treinamento é feito um desafio: “quando tiverem construído as primeiras 50 ou 100 barraginhas, avisem a coordenação do projeto para que seja feito um 'dia de campo festivo'”. Com gestão própria, as primeiras 50 barraginhas na fase D são construídas. Nessa fase, a comunidade, motivada, parte para a ação e, com gestão da associação comunitária consegue da prefeitura o apoio mais importante, a máquina para construir as primeiras barraginhas. Normalmente, os próprios beneficiários pagam o combustível da máquina. Para esses eventos são convidados comunidades e municípios vizinhos, promovendo sua disseminação na região, gerando filhotes, além de ser uma forma de manter contato com as comunidades, mantendo viva a mobilização, e fazer correções de rumo, se for o caso.

Resultado Alcançado

* Cada barraginha de 150 m³ de volume transfere ao lençol freático de 10 a 15 recargas por ciclo de chuvas, o que equivale de 1.500 a 2.250 m³ armazenados/barraginha/ciclo. Hoje nas 25.000 seria equivalente a 50.000.000 m³ de água que iriam provocar enchentes ou erosões e carrear assoreamentos aos córregos, entre outros danos; * Qualitativamente contribui para o controle de erosões, assoreamentos, amenização de enchentes; * Redução de transporte de água por caminhão pipa para abastecimento rural; * Qualidade da água e diversificação de produtos agrícolas, garantidos pela poupança de água na caixa natural do solo; * Assegurando, assim, a sustentabilidade das famílias, saúde, menos filas hospitalares, sobrando leitos e médicos, sendo também base para o Projeto Fome Zero; * O projeto gera renda, emprego, confiança, esperança, fortalecimento regional, reduzindo o êxodo rural.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Sete Lagoas / Minas GeraisEstiva01/1998
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Alunos do ensino superior
Agricultores Familiares
Jornalistas
Assentados rurais
Lideranças Comunitárias
Organização não Governamental
Professores do ensino fundamental
Quilombolas
Quantidade: 0
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Engenheiro agrônomo especialista em irrigação e conservação de água e solo1
Agrônomo especialista em manejo de florestas1
Agrônomo especialista em conservação de solo1
Profissional em administração e especialista em Propriedade Intelectual1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

• Recursos financeiros: R$ 57.500,00 ao ano.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Uma unidade composta de 100 barraginhas e mobilização custa, em média, R$20.000,00, alugando a máquina; se a prefeitura fornecer a máquina, o produtor pagará apenas o óleo e ficará por 1/3, R$7.000,00 por unidade de 100 barraginhas.

Impacto Ambiental

Controle das erosões, revitalização de áreas degradas, revitalização de mananciais e consequentemente revitalização de nascentes, córregos e riachos, amenização de enchentes e controle de assoreamentos. Mobilização, educação ambiental, resgaste motivacional e da dignidade.

Forma de Acompanhamento

* Todas as 361 barraginhas com GPS; * Instalação de tubos em torno de algumas barraginhas para acompanhamento da elevação do lençol freático no período de chuvas e o rebaixamento na seca; * Os dados servirão para extrapolarmos a outras regiões que são companhadas com visitas, entrevistas, dias de campo etc; * Em localidades não monitoradas instrumentalmente, o acompanhamento se dá por visitas; * Existe ainda acompanhamentos pela coordenação local, que é o mais importante, mostra que criou cultura e comprometimento mútuo;

Forma de Transferência

Após a construção da vitrine e do Projeto Piloto Paiol, inicia-se uma demanda de visitações, tendo ocorrido 32 de 1998 a 2003, “fase B da mobilização”, sempre após um 1º contato, que pode ser uma palestra ou reunião, constituindo a “fase A”. Todas as visitas (fase B) foram complementadas com treinamentos e construção de duas barraginhas demonstrativas em suas comunidades, “fase C”, sendo possível cortar o cordão umbilical e, a partir daí, caminharem com os próprios passos, dando início à “fase D”, que é a disseminação na própria comunidade e vizinhanças, gerando filhotes. Na fase D, após 3 a 6 meses, são realizados dias de campo, comemorando a barraginha de número 50, 100, 200 etc., sendo uma forma de estabelecer contatos, mantendo viva a mobilização, ficando marcado um próximo evento.

Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Inicialmente, em 1998, existia somente a equipe na base: um agrônomo e uma assistente social que mobilizava e ministrava os treinamentos. Foi se formando uma rede, e hoje existem centenas de polos disseminadores das fases A, B, C e D. Em cada polo estão ONGs parceiras, Sindicatos, Igrejas, prefeituras e outras, compostas de uma equipe mínima: geralmente com um técnico, um líder comunitário e voluntários que coordenam as ações em municípios. Uma máquina pá carregadeira para construção das barraginhas. Cada barraginha gasta 1,5 horas de máquina em média. Numa unidade demonstrativa por município, são construídas 100 barraginhas. Também há gastos com a mobilização, palestras, treinamentos e dias de campo demonstrativos.