Bolsa Verde

certificada 2011

Instituição
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Semiárido
Endereço
BR 428 km 152 - Zona rural - Petrolina/PE
E-mail
Telefone
(87) 3862-1711
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Tadeu Vinhas Voltolini(87) 3862-1711tadeu.voltolini@embrapa.br
Resumo da Tecnologia

Consiste na identificação de áreas, realização do corte da forragem, confecção de silagens e fenos e distribuição para associações de produtores visando a alimentação animal. Em geral, o material forrageiro vem da área irrigada dos produtores que cultivam plantas frutíferas, voluntários da ação.*{ods2},{ods3},{ods8}*

Tema Principal

Renda

Tema Secundário

Alimentação

Problema Solucionado

A microrregião de Juazeiro/BA possui um dos maiores rebanhos de caprinos e ovinos do Brasil. No entanto, os sistemas de produção são baseados no uso da vegetação nativa (caatinga), os rebanhos apresentam elevada taxa de mortalidade, baixo ganho de peso e baixos índices reprodutivos, o que se reflete na renda da propriedade que, em geral, é baixa. Há uma grande escassez de alimentos para os animais na época seca do ano e os produtores ficam impossibilitados de obterem animais comercializáveis e, em conseqüência, renda. Além disso, não há geração de excedentes dessa produção, que é destinada principalmente ao autoconsumo, não havendo também canais de comercialização para escoar possíveis excedentes.

Objetivo Geral

Contribuir com o desenvolvimento da cadeia produtiva de caprinos e ovinos da região com interesse na inclusão social dos produtores por meio da pecuária.

Objetivo Específico

-Contribuir na ativação de uma potencialidade importante na região, a criação de caprinos e ovinos; -Contribuir com o melhor aporte nutricional aos animais a fim de obter maior número de caprinos e ovinos comercializáveis; -Realizar, por meio de métodos participativos, a inserção de produtores e jovens das comunidades nas atividades relacionadas à produção de caprinos e ovinos; -Contribuir com o aumento da renda das comunidades por meio do aumento da caprinovinocultura; -Fortalecer as associações de produtores familiares da região por meio da caprinovinocultura, para que, com maior renda e por meio da produção agrícola e pecuária, possam buscar outras questões fundamentais como saúde e educação; -Reduzir os impactos ambientais promovidos pela criação de caprinos e ovinos de forma extensiva, protegendo as aguadas naturais e artificiais e o superpastejo da caatinga; -Criar canais de comércio.

Solução Adotada

A bolsa verde identifica possíveis áreas para o corte do material vegetal na região de Petrolina/PE e Juazeiro/BA. Normalmente, as áreas que serão submetidas ao corte são de cultivo de plantas frutíferas como manga, goiaba e outras que possuem espaços consideráveis entre plantas e entre linhas, possibilitando o crescimento de material vegetal, que em geral é de plantas forrageiras. Assim, visando ter aporte alimentar nas áreas secas e diminuir os impactos provocados nas áreas irrigadas, a bolsa verde pode cortar, recolher, transportar e armazenar esse material vegetal. Após o corte, ele é repassado a pequenas associações de produtores rurais que têm criação de caprinos e ovinos. Nas associações, a forragem é utilizada para a engorda dos animais, com criação em confinamento. Essas ações são realizadas essencialmente em parceria com outras instituições e iniciativa privada, a exemplo de indústrias frigoríficas que absorvem os excedentes de animais produzidos por essas comunidades. Com a engorda confinada, é reduzido o número de animais que pastejam indiscriminadamente na caatinga (podendo degradar algumas áreas), além de diminuir o uso das aguadas naturais e artificiais pelos animais, evitando contaminações químicas, físicas e biológicas dessa água, que muitas vezes é compartilhada com os seres humanos. As ações, de um modo geral, são realizadas com a efetiva participação dos produtores regionais, tanto na etapa de busca de alimentos quanto na engorda e comercialização dos animais. Com o aumento na oferta de animais para a indústria e sua regularização, garantiu-se um interesse maior da indústria, que tem perenizado as ações de compra dos animais dessas comunidades. Com maior renda, os produtores têm atentado para outras questões como saúde, educação, água, luz e outros, de ordem social, cobrando mais seus direitos como cidadãos e, assim, beneficiando de toda a região.

Resultado Alcançado

Foi implantada a Bolsa Verde, com colheita de material forrageiro de diversas áreas e o posterior repasse desse material às associações da região, especialmente àquelas localizadas na região do entorno da Fazenda Icó. A partir dessa forragem, aproximadamente 500 animais foram engordados em confinamento, com a venda e o abate da grande maioria. Foram realizados mais de 20 confinamentos experimentais, com aumento na taxa de desfrute da propriedade e na geração de renda aos produtores rurais. Atualmente, há uma ligação direta com dois frigoríficos que compram os animais. Pelo efeito irriadiador, outros produtores "não-experimentais" já estão usando de elementos introduzidos pela Bolsa Verde, como a obtenção de alimentos para a época seca. A redução de 500 animais nas aguadas e na caatinga foi benéfica para as áreas, promovendo a redução dos impactos provocados pelos animais. Esse impacto é ainda maior, considerando que um módulo da Bolsa Verde como política pública poderá engordar 10.000 animais/ano e reduzir esse número de "roçadeiras" da caatinga. A associação da Barra Bonita e região, que representa o conjunto de pequenas associações, está mais ativa, buscando resolver outras questões sociais como a instalação de rede elétrica, melhoria das estradas e outros. Foi criado um comitê gestor que integra os parceiros como o Sebrae, a CAR, a Univasf, a Uneb, os bancos e as indústrias. A partir desse comitê, fica mais fácil resolver os problemas, uma vez que os moradores não precisam procurar por essas instituições, já que elas participam diretamente das ações.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Juazeiro / BahiaAssociações do entorno da Fazenda Icó, distrito de Itamotinga - Juazeiro/BA01/2010
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Produtores rurais - Pequenos
Quantidade: 400
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Técnico graduado em ciências agrárias ou administração1
Auxiliar-técnico1
Motorista1
Tratorista1
Auxiliares2
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

-Um kit para corte, colheita, enfardamento e transporte da forragem, contendo um caminhão com capacidade para transportar 5.000 quilos; -Um mini trator, uma roçadeira, um enleirador e uma enleiradeira. Há necessidade também de dois microcomputadores e impressora para controle e relatórios.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

O investimento necessário para a aquisição dos recursos materiais são de R$ 156.000,00 ao passo que o custo anual com salários mais encargos, depreciação de máquinas, manutenção de máquinas e equipamentos, combustíveis e lubrificantes, reparos, material de consumo e escritório e taxas são estimados em R$ 200.000,00. Porém, com renda bruta de R$ 515.000/ano, a bolsa verde é autosustentável.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Frigorífico LammCompra de animais
SebraeGestão e controle
EBDAAssistência técnica e apoio técnico
Impacto Ambiental

Redução na aplicação de produtos químicos para o controle das plantas invasoras presentes nas áreas de cultivo de plantas frutíferas, com possibilidade de redução na contaminação do solo, água e frutos. Com as engordas confinadas, pode-se reduzir o número de animais que pastejam a vegetação nativa e que utilizam as aguadas coletivas, reduzindo os impactos sobre o solo, a degradação da vegetação nativa e as contaminações química, física e biológica.

Forma de Acompanhamento

Os acompanhamentos são realizados por meio de métodos participativos, com o envolvimento efetivo dos produtores. São realizados registros das informações, acompanhamento com a presença de técnicos (incluindo técnicos da própria comunidade), realização de planejamento participativo e avaliação das atividades para traçar os anos seguintes. As ações são realizadas na forma de pesquisa participativa em que os resultados obtidos (bons ou ruins) retornam a instituições de pequisa e demais parceiros.

Forma de Transferência

A principal forma de transferência é como política pública, implantando um ou mais módulos da Bolsa Verde. Um módulo permite a engorda de mais de 10.000 animais/ano, necessitando do investimento em máquinas e equipamentos iniciais, já que a Bolsa Verde é economicamente viável e seguiria por conta própria. Além disso, há produtores implantando os conceitos da Bolsa Verde por conta própria, a partir de conhecimento que obteve em dias de campo e/ou visitas técnicas. É tecnologia replicável, podendo ser usada nos moldes avaliados em todo o semiárido brasileiro, especialmente onde há perímetros irrigados. Em outras regiões do país, pode-se mudar os cultivos, mas os conceitos da Bolsa Verde poderão também ser aplicados.

Depoimento Livre

A bolsa verde é uma tecnologia social em avaliação pela Embrapa Semiárido e parceiros, mas que já apresenta muitos resultados animadores. É um processo tecnicamente viável pois visa o uso de um recurso natural considerado problema para a agricultura irrigada, para a engorda e ativação de outra potencialidade regional que é a criação de caprinos e ovinos. É ecologicamente sustentável pela redução na aplicação de químicos na área irrigada e pela redução em animais na vegetação nativa e aguadas, além de ser economicamente viável uma vez que estima-se custos anuais da ordem de R$ 200.000,00 e arrecadação em torno de R$ 515.000,00. É socialmente justa, inserindo pessoas por meio de sua vocação e afinidade. Integra setores como a área irrigada e o sequeiro, sendo replicável e perene.