Carbonosocial: Baixo Carbono & Alta Inclusão

certificada 2011

Instituição
Instituto Ecológica - Palmas
Endereço
Rua Doutor Bacelar, 368, conjunto 132 - Vila Clementino - São Paulo/SP
E-mail
camilla@socialcarbon.org
Telefone
(11) 2649-0036
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Cecília Mariano Michellis(11) 6352-0027cecilia@socialcarbon.org
Resumo da Tecnologia

O Carbonosocial é uma metodologia para incluir pequenas organizações no mercado de carbono. Através da receita dos créditos é possível implementar práticas sustentáveis cujos resultados são monitorados utilizando indicadores sociais, humanos, finananceiros, naturais, de biodivesidade e carbono.*{ods8},{ods13}*

Tema Principal

Meio ambiente

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

Os mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) foram criados com o objetivo de transformar a preservação do meio ambiente em algo financeiramente mais atrativo do que sua exploração. Dentre os modelos de PSA o mercado de carbono é atualmente o mais estruturado e atingiu R$ 150 bilhões em 2010. No entanto, as pequenas e médias organizações, justamente as que mais necessitam de incentivos para adotar práticas sustentáveis, são frequentemente excluídas do mercado de carbono devido a: - Dificuldade de acesso a novas tecnologias; - Burocratização dos procedimentos de certificação de projetos; - Alto investimento e riscos de não aprovação do projeto; - Baixa capacidade institucional, falta de assessoria e desconhecimento; - Baixa quantidade de créditos gerados e pouca atratividade financeira. Apesar das populações rurais e indústrias de pequeno porte serem capazes de contribuir de forma significativa para a conservação do meio ambiente mais de 70% dos projetos de carbono aprovados pelo governo brasileiro pertencem a grandes organizações, e as pequenas só são capazes de participar nesse mercado através de intermediários (Organizações que se beneficiam do MDL no Brasil, 2009).

Objetivo Geral

O objetivo do Carbonosocial é promover o acesso de pequenas organizações ao mercado de carbono, garantindo que a redução de emissões beneficiem as comunidades locais e promovam uma mudança no comportamento dos atores envolvidos em busca da sustentabilidade.

Objetivo Específico

- Incluir indústrias de pequeno porte do setor de cerâmica vermelha no mercado de carbono através de projetos de troca de lenha nativa por biomassa renovável nos fornos, totalizando 60 empresas já beneficiadas, 2 milhões de tCO2 reduzidas e 8 milhões de tCO2 a serem reduzidas nos próximos 10 anos; - Incluir pequenos agricultores no mercado de carbono através do desenvolvimento de projetos floretais: dois projetos desenvolvidos beneficiando mais de 50 familias no entorno da Ilha do Bananal no Tocantins totalizando 60.000 tCO2 sequestrada nos próximos 20 anos; - Incluir pequenos produtores rurais no mercado de carbono através do desenvolvimento de projetos de suinocultura. O projeto pretende beneficiar 12 suinocultores de pequeno porte através da compostagem que irão reduzir aproximadamente 180.000 tCO2 em 10 anos; - Difusão: o Carbonosocial está sendo aplicado em seis projetos internacionais através da capacitação de outras cinco organizações multiplicadoras.

Solução Adotada

Para facilitar a inclusão das pequenas e médias organizações no mercado de carbono, o Instituto Ecológica desenvolveu o conceito do Carbonosocial, que é baseado no Sustainable Livelihood Approach (SLA), um método rápido e participativo utilizado ao redor do mundo para planejar, implementar e avaliar projetos de desenvolvimento. Suas principais vantagens são a simplicidade e o foco em soluções. A aplicação inicia com a identificação de uma oportunidade de projeto de carbono que envolva organizações de pequeno porte ou produtores rurais, por exemplo, reflorestamento, tratamento de dejetos, substituição de combustível, etc. Um ponto chave para viabilizar projetos de carbono com pequenas organizações é a articulação com diferentes atores, feita através do Carbonosocial. Pequenas indústrias e produtores são agrupados para gerar a escala necessária para o desenvolvimento de um projeto de carbono (ex: 12 suinocultores). O Instituto Ecológica articula parcerias para viabilizar o projeto (ex: fornecedor da tecnologia de compostagem, técnico para elaboração do projeto de carbono, auditor, comprador dos créditos, instituições de apoio como o SEBRAE, entre outros). Na sequência são realizadas duas componentes em paralelo. Uma delas é a elaboração do projeto de carbono: documentação e procedimentos de auditoria para certificação dos créditos de carbono, que garantirá a sustentabilidade financeira do projeto em longo prazo e servirá de incentivo para que os produtores e pequenas indústrias adotem práticas mais sustentáveis. A segunda é a aplicação da metodologia do Carbonosocial, onde os principais atores envolvidos identificados, incluindo produtores, compradores de créditos e fornecedores de tecnologia são envolvidos para um diagnóstico de sustentabilidade com a seleção de indicadores para os aspectos sociais, humanos, financeiros, naturais, de biodiversidade e de carbono do projeto. Através de consulta às partes interessadas esses indicadores são avaliados e recebem uma “nota” de um a seis, sendo seis o melhor índice. As informações são consolidadas e representadas em um gráfico de hexágono. Em seguida, as partes estabelecem um plano de ação para melhoria da sustentabilidade e desenvolvimento do projeto, que é monitorado periodicamente. Após a elaboração do projeto de carbono e a aplicação da metodologia do Carbonosocial o projeto passa por um processo de certificação (auditoria). Em seguida os creditos são comercializados no mercado. As receitas dos créditos são transferidas para os produtores ou empreendedores para execução das atividades do projeto (ex: manutenção das atividades de compostagem). O Instituto Ecológica e seus parceiros acompanham e oferecem suporte técnico para os desenvolvedores do projeto e anualmente é feito um monitoramento para emissão de novos créditos de carbono, além de um novo diagnóstico com os indicadores de sustentabilidade do Carbonosocial. Com a emissão de novos créditos o ciclo se reinicia. Como dito inicialmente, o sistema de produção de créditos em carbono é possível por via de diferentes atividades, como reflorestamento, tratamento de dejetos e a substituição de combustível. Apresentamos na sequencia a metodologia utilizada para o tratamento de dejetos suínos, um dos nossos eixos de ação: - Primeiro o efluente (dejeto) gerado pelos suínos é armazenado em uma calha de retenção, após é canalizado até uma caixa de captação e distribuição diária; - Da caixa de captação o dejeto é bombeado até a leira de compostagem, onde se encontra o substrato maravalha, serragem, palhas etc. Na leira o revolvedor automático é encarregado de fazer a homogeneização dos compostos para que ocorra a compostagem; - Para segurança, a leira possui drenos que canalizam o excesso de efluentes novamente à caixa para que não ocorram riscos de vazamento no sistema; - O resultado final do composto é um adubo seco e rico em nutrientes, passível a ser usado em jardins, hortas, lavouras e facilitando o transporte para longas distâncias.

Resultado Alcançado

A metodologia do Carbonosocial surgiu durante a implantação do projeto de sequestro de carbono da Ilha do Bananal em 1998 pelo Instituto Ecológica (IE) para garantir que os projetos de carbono beneficiassem às comunidades locais. A partir dessa experiência de sucesso o IE passou a replicar essa tecnologia social em diversos projetos, dando origem a um padrão de certificação internacionalmente reconhecido denominado Socialcarbon Standard (www.socialcarbon.org). Através desse programa o IE atingiu os seguintes resultados: - 43 projetos certificados com o selo Socialcarbon em países como Brasil, China, Turquia e Indonésia; - 5 milhões de tCO2 reduzidas e 14 milhões esperadas para os próximos 10 anos; - Mais de 85 organizações diretamente beneficiadas entre desenvolvedores de projeto e parceiros; - Principais compradores de créditos de Carbonosocial: Banco Mundial, BID, JP Morgan, Natura e Petrobras; - Metodologia aplicada em diferentes tipos de projetos: i) dois florestais (o projeto de sequestro de carbono na Ilha do Bananal, patrocinado pela National Aeronautics and Space Administration (NASA) e pela Audio Engineering Society Educational Foundation (AES) e o projeto carbono florestal patrocinado pela Natura); ii) 40 projetos de biomassa renovável, incluindo mais de 60 pequenas indústrias do setor de cerâmica vermelha; iii) oito projetos de energia renovável: dois no Brasil com o objetivo de criar um fundo para projetos de responsabilidade socioempresarial e seis internacionais através da replicação da metodologia por outros parceiros (South Pole, Mavi, Ekobil e Turkuaz); iv) projeto de compostagem: em desenvolvimento envolvendo 12 suinocultores; - Dois livros publicados: "Carbono Social: agregando valor à sustentabilidade" e "Carbono Social & Biodiversidade"; - Em 2010, o Carbonosocial passou a ser aplicado Internacionalmente, sendo o único padrão de certificação para projetos de carbono originado em um país em desenvolvimento. Além disso, através de outro programa denominado Valorização do Cerrado através da Multiplicação da Metodologia do Carbono Social, 110 familias foram capacitadas para a produção de produtos sustentáveis. Nossa motivação é renovada a cada dia através dos resultados obtidos com a aplicação do Carbonosocial para as populações locais. Indústria cerâmica: Ilha do Bananal: http://www.youtube.com/watch?v=pFSCfRxUiUg China: http://www.youtube.com/watch?v=Ppoq89sMHYg

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Itaboraí / Rio de JaneiroPolo de Cerâmicas do Rio de Janeiro (12 Cerâmicas)02/2008
Crato / CearáPolo de Cerâmicas do Ceará (02 Cerâmicas)06/2008
Capela / AlagoasPolo de Cerâmicas de Alagoas (02 Cerâmicas)10/2007
São Miguel do Guamá / ParáPolo de Cerâmicas do Pará (05 Cerâmicas)09/2007
Paudalho / PernambucoPolo de Cerâmicas de Pernambuco (06 Cerâmicas)03/2009
Panorama / São PauloPolo de Cerâmicas de São Paulo (10 Cerâmicas)08/2007
Taquaralto / TocantinsPolo de Cerâmicas do Tocantins (03 Cerâmicas)03/2006
Acrelândia / AcreProjeto de Energia Renovável na China08/2010
Acrelândia / AcreProjeto de Energia Renovável na Indonésia (Musi)03/2010
Acrelândia / AcreProjeto de Energia Renovável na Indnésia (Renun)10/2010
Acrelândia / AcreProjeto de Energia Renovável na Turquia (Cakit)07/2010
Acrelândia / AcreProjeto de Energia Renovável Turquia (Darica)12/2010
Acrelândia / AcreProjeto de Energia Renovável Turquia (Çirakdami)12/2010
Baixo Guandu / Espírito SantoProjeto de Energia Renovável Mascarenhas08/2007
Costa Rica / Mato Grosso do SulProjeto de Energia Renovável Paraiso10/2007
Ituiutaba / Minas GeraisPolo de Cerâmcas de Minas Gerais (03 Cerâmicas)03/2008
Concórdia / Santa CatarinaSuinocultores da Região05/2011
Pium / TocantinsProdutores do entorno da Ilha do Bananal02/2000
Caseara / TocantinsAssentamentos do INCRA08/2008
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Empreendedores
Produtores rurais - Pequenos
Agricultores Familiares
Quantidade: 51
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Técnico em carbono1
Tecnico em compostagem1
Técnico para análise da qualidade do composto1
Auditor1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

O IE está captando recursos para replicar o Carbonosocial com 12 suinocultores na região de Santa Catarina para implementar e manter um projeto de compostagem de dejetos animais nas granjas. Embora a tecnologia seja simples os suinocultores encontram dificuldades financeiras para instalar e manter os equipamentos de compostagem. Os créditos de carbono seriam um grande incentivo para garantir a correta operação das atividades de compostagem. Para desenvolver o projeto de Carbonosocial seriam necessários: - Compra de equipamentos para controlar a qualidade do composto gerado e medição de redução de emissões de gases de efeito estufa; - Contratação de técnico para aplicação e monitoramento composto; - Elaboração dos procedimentos para aplicação e monitoramento do composto; - Contratação de técnicos para elaboração da documentação de Projeto de Carbono, denominado PDD, e diagnóstico do Carbonosocial; - Contratação de auditor para certficação do projeto para que os créditos possam ser comercializados no mercado; - Cinco visitas a campo para coleta de dados, instalação de equipamentos, auditoria do projeto. Através de parcerias o Instituto Ecológica já captou recursos para executar a maior parte dessas atividades, com exceção da compra de equipamentos. Após essas etapas os créditos serão comercializados. A receita será distribuída entre os produtores e no ano seguinte se iniciarão as etapas de monitoramento e geração de novos créditos, dando sustentabilidade financeira ao projeto.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Serão necessários R$ 62.000,00 como investimento inicial em equipamentos para monitoramento da qualidade do composto e quantidade de crédito de carbono gerado, para incluir 12 suinocultores em um projeto de carbono piloto. Após a instalação dos equipamentos, os créditos de carbono podem ser gerados, certificados e comercializados, garantindo a sustentabilidade financeira do projeto em longo prazo.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Sustainable CarbonParceiro que disponibilizará um técnico para elaboração do projeto de carbono
TUV RheinlandParceiro que disponibilizará um técnico responsável pela auditoria do projeto de carbono
LPC - Tecnologia AmbientalFornecedor da tecnologia de compostagem e assessoria técnica
Impacto Ambiental

Além promover a redução de 4 Milhões de tCO2 o Carbonosocial teve um impacto positivo: - Para as cerâmicas: substituição do uso da lenha nativa por biomassa renovável em mais 60 indústrias, reduzindo o impacto sobre o desmatamento; - Para os projetos florestais: recuperação de 300 hectares e 2.300 hectares conservados, além da produção de diversos estudos científicos; - Para os projetos de suinocultura: tratamento adequado dos dejetos evita a contaminação do solo, da água e diminui odores.

Forma de Acompanhamento

Assim como os demais, o projeto dos suinocultores será monitorado anualmente através da metodologia do Carbonosocial até o período do fim creditício do projeto de carbono (10 anos). Serão utilizados 24 indicadores que avaliam os aspectos sociais, humanos, financeiros, ambientais, de tecnologia e carbono do projeto. As avaliações serão feitas através de reuniões em grupo com os suinocultores e demais parceiros. Um relatório é elaborado anualmente consolidando o resultado do diagnóstico.

Forma de Transferência

Atualmente o Carbonosocial é um padrão de certificação para projetos de carbono reconhecido internacionalmente. Outras cinco organizações aplicam essa metodologia social em seus projetos conforme requisitos e orientações estabelecidas pelo IE. A replicação é feita através de treinamentos com técnicos locais responsáveis através de workshops. Manuais e documentação para replicação do Carbonosocial encontram-se disponíveis em português e inglês em: http://www.socialcarbon.org/Documents/ O IE está em fase final de fechamento de um contrato com outras cinco instituições de pesquisa nacionais e internacionais para estudo de tecnologias sociais e replicação em projetos de pagamento por serviços ambientais que incluirá materiais de divulgação e workhops para replicação.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Power Point - pdfBaixar
Power Point - pdfBaixar
Power Point - pdfBaixar
Details of carbon offset projectsBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

O Instituto Ecológica se compromete a aplicar os recursos do Prêmio Tecnologia Social exclusivamente na aquisição de equipamentos e assessoria aos suinocultores de Santa Catarina. Estamos trabalhando nesse projeto desde agosto de 2010 e fomos capazes de articular parcerias para cobrir custos de elaboração do projeto de carbono, auditoria e viagens a campo. No entanto, ainda não identificamos um parceiro para auxiliar na compra dos equipamentos e os suinocultores esperam uma alternativa para viabilização do projeto. Depoimento de alguns suinocultores em nossa última visita: Grassi e Basso: "a operação da compostagem é cara, preciso de um incentivo posso continuar". Piovezan: "nós estamos conservando o meio ambiente e deveríamos receber algum apoio, pois não temos muitos recursos".