Centro de Educação e Cultura Indígena (CECI) – Conhecer para Respeitar

certificada 2011

Instituição
Associação de Pais e Mestres do CECI CEI Jaraguá
Endereço
Avenida Comendador José de Matos, 386 - Vila Clarice - São Paulo/SP
E-mail
cecijaragua@prefeitura.sp.gov.br
Telefone
(11) 3902-3682
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Aliseo Gabriel Tupa Mirim(11) 3902-3682cecijaragua@prefeitura.sp.gov.br
Soraia Alexandra Zanzine(11) 7163-5160cecijaragua@pefeitura.sp.gov.br
Willian Macena(11) 3902-3682cecijaragua@prefeitura.sp.gov.br
Resumo da Tecnologia

Lideranças indígenas que vivem aldeados na cidade de São Paulo, juntamente com a Secretaria Municipal de Educação, construíram uma política pública que atende os índios, especificamente crianças de 0 a 14 anos, em que se valoriza a língua Guarani e os ensinamentos tradicionais do grupo.*{ods2},{ods3},{ods4},{ods16}*

Tema Principal

Educação

Tema Secundário

Saúde

Problema Solucionado

Através dos anos, os indígenas têm sido alvo de discriminação e desrespeito. Desde a violência portuguesa durante a colonização, que pode ser considerada um genocídio, até os recentes índices de qualidade de vida desse grupo compõem um diagnóstico de abandono e negligência do Estado frente a tais indivíduos. Assim, lideranças interessadas em promover a cultura indígena e aumentar os recursos para as aldeias procuraram o poder público a fim de observar uma medida relevante. Constituiu-se um grupo de interlocutores que, depois de dois anos de diálogo, construiu a proposta pedagógica do Centro de Educação e Cultura Indígena (CECI).

Objetivo Geral

Preservar, fortalecer e resgatar a auto-estima das crianças e da comunidade indígena atendida, propiciando o diálogo intercultural com interessados, sob o principio do conhecer para respeitar.

Objetivo Específico

-Aumento e melhoria do vocabulário das crianças indígenas, mediante a proposição de atividades de coral, contação de histórias, adivinhas, etc.; -Aumento de peso das crianças, em torno de 3 kg por pessoa, a partir do oferecimento de quatro refeições ao longo do dia; -Aumento de oportunidades de emprego na aldeia, na contratação de funcionários de educação, oficineiros, limpeza, merendeiras, seguranças, etc.; -Aumento de renda, mediante a produção e comercialização de artesanato tradicional para os visitantes e interessados; -Aumento da auto estima das crianças e da comunidade com a introdução de um espaço próprio de construção de conhecimentos, na língua materna guarani, com professores da comunidade e ainda junto às crianças da própria aldeia; -Desenvolvimento e ações articuladas com a saúde que orientam a limpeza na aldeia, acompanhamento de zoonoze (monitoramento e castração dos cachorros abandonados na área da aldeia) e monitoramento de casos de desnutrição infantil.

Solução Adotada

A partir da instituição de um grupo de interlocutores da Secretaria Municipal de Educação, que estiveram ao longo de dois anos visitando as aldeias à procura das lideranças guaranis da cidade de São Paulo, observou-se que havia alto índice de mortalidade infantil entre as crianças da primeira infância, sobretudo acometidas por doenças como desnutrição, diarréia e pneumonia. Percebeu-se, então, que a comunidade indígena, abatida pelas condições insalubres em que as aldeias se encontravam, estava sendo dizimada pela extrema pobreza. Fato agravado pela escassez de recursos naturais e pela falta de matéria-prima para a construção dos artesanatos tradicionais (cestaria, colares, brincos, pulseiras, esculturas de animais da mata atlântica, chocalho, abano etc.). Assim, mediante esse quadro, sugeriu-se que, junto ao centro cultural inicialmente imaginado para o recebimento de pesquisadores e visitantes, fosse incluída uma escola de educação infantil, fato que a princípio foi considerado estranho pelas lideranças. Após algumas considerações, acordou-se, com certa resistência a instalação da escola, uma vez que as lideranças tinham receio de que essa instituição ignorasse os modos de aprendizagem próprios dos guaranis. Levando em conta tal preocupação, foram construídos três CECIs segundo planta sugerida pela comunidade, com atividades próprias da cultura indígena, pautadas pelo calendário Arà Reko. O regimento escolar foi homologado junto ao Conselho Municipal de Educação e se refere a mais ou menos quinhentas pessoas entre 0 a 6 anos, além das demais crianças e jovens da aldeia que, embora não estejam oficialmente matriculados no sistema, compartilham das atividades desenvolvidas. Assim, entre as atividades de cuidar e educar destinadas às crianças pequenas, jovens da aldeia desfrutam da rotina de conhecimento, que faz uso de meios não-convencionais de aprendizagem como a fotografia, filmagens e uma rádio. Em todas essas atividades, a própria comunidade guarani é protagonista. Hoje, com a introdução de dois núcleos, Educação e Cultura, os respectivos coordenadores acompanham os trabalhos dos monitores e oficineiros pautados pelas atividades tradicionais da aldeia. Isso permite que a população tenha um bom desenvolvimento na primeira infância para que possa seguir a escolaridade com sua auto-estima fortalecida.

Resultado Alcançado

A partir da construção do projeto CECI nas aldeias de São Paulo, pode-se observar o aumento da densidade demográfica, melhoria da qualidade de vida das famílias, aumento de renda na aldeia mediante o aumento da renda das famílias com a venda e a visibilidade da questão indígena na metrópole. Aspecto geral da aldeia melhorado devido às parcerias entre a comunidade e o poder público local. Além disso, vale destacar a importância de iniciativas como esta para a promulgação da Lei Federal 11.645/08, que garante a obrigatoriedade da temática indigena nas escolas públicas de todo país.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
São Paulo / São PauloParelheiros06/2004
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Povos indígenas
Artesãos
Analfabetos
Crianças
Famílias de baixa renda
Lideranças Comunitárias
Professores do ensino fundamental
Médicos
Professores do Ensino Superior
Jornalistas
Profissionais de Saúde
Gestantes
Idosos
Quantidade: 1.200
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Coordenadores Cultural e Educacional2
Monitores e Oficineiros10
Merendeiras4
Auxiliares de Limpeza2
Educomunicadores em rádio, televisão e informática2
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Esta matriz dependerá do numero de usuários; em nosso caso, cerca de 150 crianças regularmente matriculadas mais os outros interlocutores da aldeia: -Alimentação: farinha, fubá, peixe de rio, canjiquinha, feijão preto; -Matéria prima para artesanato: miçangas, sementes, linha nylon, taquara, etc.; -Filmadora, 16 computadores, 02 violões, 01 violino/rabeca, data show; copiadora; -Máquina fotográfica, impressora, data-show, mesa de som, microfone, alto-falantes, material de secretaria etc.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Aproximadamente, contando-se com os contratos e convênios de contração de funcionários, mais alimentação regular fornecida, cerca de 400 mil reais/ano.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Diretoria Regional de Educação de PiritubaAcompanhamento / Supervisão
ONG Opção BrasilContratação de moniteores e oficineiros
Associação República Guarani Amba WeráApoio e incentivo no desenvolvimento das atividades
UNIFESP / Projeto XinguAcompanhamento da saúde das crianças
Impacto Ambiental

Como a metodologia apoia-se na tradição Guarani, muitas aulas são dedicadas à discussão do elo entre o índio e a natureza, o que se torna uma ação formadora da consciência ambiental.

Forma de Acompanhamento

A própria comunidade indígena atendida faz o acompanhamento das lideranças que orientam o trabalho, acompanhado pela ONG Opção Brasil e ainda pela Diretoria Regional de Educação de Pirituba. Tal instituição monitora o programa por meio de relatórios mensais que se referem à prestação de serviços de natureza educacional, alimentar, etc. Além disso, um relatório anual é encaminhado para o Conselho Municipal de Educação de São Paulo e demais instâncias interessadas.

Forma de Transferência

No site da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (www portaleducacao.prefeitura.sp.gov.br), há um link elucidativo sobre o que é o CECI, a proposta, o calendário, materiais produzidos etc. Há palestras locais e visitas em que se pode conhecer melhor a aldeia e a rotina do CECI. Devem ser marcadas por e-mail, preferencialmente, ou por telefone: cecijaragua@prefeitura.sp.gov.br ou (11) 392-3682.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Regimento Escolar Utilizado no ProjetoBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologia