Cisternas nas Escolas

vencedora 2011

Instituição
Centro de Assessoria do Assuruá
Endereço
Rua Itália, 349 - Fórum - Irecê/BA
E-mail
caa@caabahia.org.br
Telefone
(74) 3641-1483
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Ademário Sousa Costa(71) 9958-7470isasalomao@gmail.com
Resumo da Tecnologia

Uso de cisternas, em 43 comunidades escolares rurais de 13 municípios do semiárido baiano, para captação da água da chuva, abastecimento humano e produção de alimentos. Integra ações de capacitação da comunidade escolar, educação contextualizada e segurança alimentar e nutricional.*{ods2},{ods3},{ods4},{ods6}*

Tema Principal

Alimentação

Tema Secundário

Recursos Hídricos

Problema Solucionado

No semiárido, a escassez de água para o consumo humano ainda é um drama social, principalmente durante a seca. Nesse período, a necessidade diária de água para o consumo doméstico obriga mulheres e crianças a realizar longas caminhadas em sua procura. A cada quatro crianças que morrem na região, uma tem como causa a diarreia, consequência do consumo de água imprópria. Os custos desta situação, financeiros e sociais, são imensos e se repetem com frequência. Por outro lado, os trabalhos de diversas organizações vêm mostrando que é possível mudar esse quadro. Existem ações bem sucedidas de captação de água de chuva através da utilização de cisternas rurais, porém são escassas as experiências de construção de cisternas para abastecimento humano e produção de alimentos em escolas públicas. Esta situação implica na necessidade de elaboração de um novo desenho de ações, que contemple a construção das cisternas como instrumento referencial para a melhoria da qualidade da educação, proporcionando uma melhor capacitação da comunidade escolar, maior envolvimento da comunidade local, melhor aproveitamento pedagógico dos alunos e garantindo melhor segurança alimentar e nutricional.

Objetivo Geral

Beneficiar 43 comunidades escolares rurais sem acesso à água, através da construção de uma cisterna de consumo, uma de produção e uma horta em cada escola e 811 cisternas para famílias dessas comunidades, capacitando e formando para a convivência com o semiárido, professores, alunos e famílias.

Objetivo Específico

- Mobilizar as 43 comunidades escolares para os temas da convivência com o semiárido, segurança alimentar e nutricional e educação contextualizada; - Fortalecer a ação e organização comunitárias; - Capacitar estudantes, professoras e as famílias sobre o uso adequado da cisterna, convivência com o semiárido e segurança alimentar e nutricional; - Desenvolver formação contextualizada para professores das escolas contempladas no projeto, a fim de trazer elementos práticos para as aulas ministradas por eles no ambiente escolar; - Realizar pesquisa científica na área educacional a fim de visibilizar os impactos das tecnologias na educação das crianças beneficiadas; - Garantir o acesso à água para o consumo humano nas comunidades escolares; - Garantir o acesso à água para produção de alimentos em hortas escolares através das cisternas de produção; - Contribuir com a melhoria da segurança alimentar e nutricional das famílias e de 43 comunidades escolares em 13 municípios do semiárido da Bahia.

Solução Adotada

A ideia do Projeto Cisternas nas Escolas (PCE) surgiu a partir da assinatura do pacto nacional “Um Mundo para a Criança e o Adolescente do Semiárido”, assinado em 2007 pelo governo federal, governos estaduais e a sociedade civil organizada. Cabe ressaltar que o desenvolvimento da região do semiárido também é condição essencial para o cumprimento dos objetivos de Desenvolvimento do Milênio, assumidos pelo governo brasileiro na Assembleia das Nações Unidas, em 2002. O Projeto Cisternas nas Escolas é uma ação pioneira executada pelo CAA, fruto de um convênio celebrado com a SEDES/BA e desta com o MDS, para disponibilização de tecnologias de acesso à água em 43 comunidades escolares rurais em 13 municípios do semiárido baiano. São eles: Araci, Boa Nova, Boquira, Central, Chorrochó, Iacú, Ibitiara, Lajedo do Tabocal, Marcionílio Souza, Oliveira dos Brejinhos, Pindaí, Quijingue e Ribeirão do Largo. As ações do projeto piloto focaram na segurança alimentar e nutricional destas comunidades, possuindo quatro eixos de referência: 1) Construção de tecnologias de captação de água da chuva; 2) Formação de professores; 3) Comunicação; 4) Pesquisa científica. Os eixos do projeto se entrelaçam de forma que, todos eles, estão a serviço de um resultado comum: alterar positivamente a situação da segurança alimentar e nutricional de crianças e demais membros destas 43 comunidades escolares selecionadas, utilizando a tecnologia social da cisterna no fortalecimento da identidade cultural/social destas comunidades e na promoção de uma educação contextualizada e inclusiva. Na metodologia utilizada, os processos de construção foram permeados pela participação da própria comunidade, principalmente de jovens. Os membros da comunidade foram capacitados e empoderados pela tecnologia, o que estimulou uma maior participação popular no processo de desenvolvimento local e trouxe para as mãos do povo sertanejo o domínio das técnicas a serem implementadas. É este processo de apropriação do conhecimento que favorece a replicação destes instrumentos em outras áreas e comunidades. A formação de professores, executada em quatro módulos, foi construída em conjunto com os próprios professores e teve como principais instrumentos educativos sua valorização e o fortalecimento da imagem positiva do semiárido. A complexidade do projeto, capaz de atender a diversas variáveis ao mesmo tempo, tornou sua execução um grande desafio. Um exemplo disso foi a necessidade, apontada pela equipe técnica e pedagógica e os organizadores das atividades de formação de professores, de aprofundamento dos temas de educação contextualizada e o fortalecimento da relação escola-água-comunidade. A cada seminário de formação surgiam outros temas necessários ao desenvolvimento não só do projeto, mas das comunidades escolares atendidas por ele. A comunicação e a pesquisa científica foram utilizadas de maneira a demonstrar e esmiuçar, respectivamente, esses novos paradigmas de fortalecimento comunitário, cidadania, saúde e educação, trazidos pela tecnologia social (cisterna). Registrar, comunicar e publicizar foram ações importantes para a consolidação do PCE. O centro da política de comunicação implementada foram os valores e conteúdos referentes à convivência com o semiárido. A educomunicação foi o referencial do plano de comunicação, facilitando a ação direta com o público do projeto. Dessa forma, as peças de comunicação foram confeccionadas e utilizadas como instrumentos pedagógicos, sendo possível trabalhar aspectos cognitivos, críticos e comportamentais do público prevalecendo uma postura formativa e emancipadora. É por estes motivos expressos aqui que, no ano de 2010, o projeto Cisternas nas Escolas foi apropriado pelo o MDS como uma nova ação a ser implantada em outros estados pertencentes ao semiárido, deixando de ser um simples projeto.

Resultado Alcançado

Para além dos resultados alcançados previstos nas metas do projeto, elencados abaixo, vale reforçar os resultados não previstos, mas que trouxeram ao projeto uma maior e mais importante vitória. Resultados Esperados e Alcançados: - 43 comunidades escolares mobilizadas e atuantes nos temas da convivência com o semiárido, segurança alimentar e nutricional e educação contextualizada; - Ação e organização comunitárias fortalecidas em, pelo menos, 40 comunidades beneficiadas; - Estudantes, professores e famílias capacitadas sobre o uso adequado da cisterna, a convivência com o semiárido e segurança alimentar e nutricional; - Formação contextualizada, desenvolvida em quatro módulos, para professores das escolas contempladas pelo projeto, a fim de trazer elementos práticos para as aulas ministradas por eles no ambiente escolar; - Pesquisa científica realizada na área educacional tornando visível os impactos das tecnologias na educação das crianças beneficiadas; - Acesso à água para o consumo humano garantido nas comunidades escolares, através das cisternas de consumo; - Acesso à água para produção de alimentos garantido, através das cisternas de produção; - Acesso à produção orgânica de alimentos garantido, através dos canteiros instalados nas 43 hortas das escolas beneficiadas; - Melhoria na segurança alimentar e nutricional das famílias e 43 comunidades escolares de 13 municípios do semiárido da Bahia, cerca de quatro mil pessoas atendidas diretamente pelo projeto. Resultados não Esperados e Alcançados: - 43 comunidades escolares tendo diversas produções culturais e artísticas de estudantes (poemas, músicas, peças teatrais, etc.) sobre os temas da convivência com o semiárido, segurança alimentar e nutricional e educação contextualizada (estamos em processo de construção da Mostra Cultural do PCE); - Escolas com hortas produzindo grande volume de alimentos que, uma vez não consumidos pelas crianças e professores, estão sendo comercializados, tornando possível a compra, com esses recursos excedentes, de outros gêneros alimentícios e elementos necessários à escola.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Araci / Bahia04/2009
Boa Nova / Bahia04/2009
Boquira / Bahia04/2009
Central / Bahia04/2009
Chorrochó / Bahia04/2009
Iaçu / Bahia04/2009
Ibitira / Bahia04/2009
Lajedo do Tabocal / Bahia04/2009
Marcionílio Souza / Bahia04/2009
Oliveira dos Brejinhos / Bahia04/2009
Pindaí / Bahia04/2009
Quijingue / Bahia04/2009
Ribeirão do Largo / Bahia04/2009
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Alunos do ensino básico
Famílias de baixa renda
Professores do ensino básico
Gestores Públicos
Outro (Especificar no campo Solução Adotada)
Quantidade: 839
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Coordenador Geral1
Coordenador Regional3
Pedagogo/a2
Administrador/a1
Engenheiro Agrônomo1
Comunicador/a Social2
Animadores (Técnicos Agrícolas)4
Pedreiro9
Ajudante de pedreiro9
Pesquisador/a3
Auxiliar administrativo2
Designer gráfico/a1
Estagiários6
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

- Aço CA-50 de 4,8 mm, 8,0 mm e 1/4 mm; - Arame recozido nº 18 e 12; - Arame Galvanizado nº 8 e 10; - Areia Grossa Lavada; - Ferro ¼; - Brita nº 0 e 1; - Bucha nº 5; - Cadeado haste longa 30 mm; - Cal hidratada; - Cimento; - Impermeabilizante; - Joelho de PVC 75 e 100 mm; - Parafuso nº 5; - Te de 75 mm; - Tubo de 75 e 100 mm; - Zinco de 30 cm; - Coador; - Placa identificadora; - Tampa da cisterna; - Tampa em chapa de ferro; - Adap. 25X20 mm (25-cola, 20-rosca externa); - Adap. para caixa d'água - frange 40 mm X 1. ¼; - Adaptador 40 mm X 1. 1/4 bol/ Rosc; - Adesivo 17g; - Cap. Soldável 25 mm; - Curva Soldável 40 mm; - Luva Soldável LR 40 mm; - Te de 25 mm; - Te de 40 mm com redução para 32 mm; - Joelho LR 32 mm; - Tubo Plástico soldável 25 mm; - Tubo Plástico soldável 40 mm; - Bola de gude; - Caixa d'água 250 l; - Tela de galinheiro; - Sementes de olerícolas; - Lona 150 micras 4X1 m; - Tijolo de cerâmica (oito furos); - Mangueira; - Regador; - Prego 18X27 mm; - Tubo PVC 150mm; - Tábua de madeira 30X2 cm. Materiais informativos: - Cartilha de convivência com o semiárido, para implantação de pequenas hortas e para professores (convivência com o semiárido, meio ambiente, etc.); - Gibi educativo; - Publicação e sistematização de experiências; - Livros didáticos para professores; - Cartazes de cuidado com as cisternas; - CD educativo com canções para convivência com o semiárido; - Kit escolar; - Campanhas educativas em rádios; - Material de consumo, didático e kit de ferramentas.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Unidade composta por uma cisterna de produção, uma de consumo e uma horta: R$ 12.400,00 (doze mil e quatrocentos reais), valor aproximado. Neste valor não estão computadas as capacitações, visitas de assessoria técnica, pesquisa social, formações e estratégias de comunicação social adotadas pelo do projeto, nem valores relativos ao custeio fixo e demais despesas operacionais.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Governo do Estado da Bahia / Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza - SEDESAgente financiador e Co-realizador do projeto
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - MDSAgente financiador e Co-realizador do projeto
Ministério da Educação e Cultura - MEC -
Impacto Ambiental

- Aproveitamento de água da chuva para consumo humano e produção agrícola; - Produção de hortas agroecológicas nas escolas e aumento do consumo de hortaliças pelos alunos e seus familiares; - Aumento da segurança alimentar e nutricional daquelas populações; - Melhoria na percepção ambiental de professores e alunos acerca do ecossistema do semiárido; - Uso produtivo e sustentável do solo e preservação de afluentes e mata circunvizinhas à escola.

Forma de Acompanhamento

O monitoramento é feito por comissões municipais, compostas por membros da comunidade, responsáveis pelo acompanhamento do projeto. Cada cisterna é marcada por GPS e possui uma placa, onde se especificam a origem dos recursos, parcerias e data de construção. As famílias e escolas beneficiárias são cadastradas e assinam termo de recebimento da TS. São realizados encontros pedagógicos de formação e avaliação com corpo docente e gestor das escolas. A SEDES acompanha todas as fases do projeto.

Forma de Transferência

O PCE apresenta vasto potencial de replicação, uma vez que oferece uma solução barata, de fácil instalação e manejo para enfrentamento da questão da falta de água potável nas escolas do semiárido brasileiro. A partir dele foi possível perceber a viabilidade da formação de uma rede (envolvendo governos federal, estadual e municipal, organizações sociais locais e comunidade escolar) para implantação e gestão de uma TS em pequenas comunidades rurais. Seus resultados demonstram a necessidade de replicação dessa tecnologia, uma vez que populações de regiões contíguas às contempladas e prefeituras municipais parceiras demandam a ampliação do projeto, atestando seu sucesso. Ademais, os materiais produzidos neste projeto poderão ser usados em novas edições, bem como no cotidiano das escolas.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Cartaz da Campanha EducativaBaixar
Cartaz da Campanha EducativaBaixar
Mini Cartilha_Hortas na escolaBaixar
Gibi do Projeto Cisterna nas EscolasBaixar
Mini Cartilha_Hortas na escola _CapaBaixar
Revista de Sistematização de ExperiênciasBaixar
Revista de Sistematização de Experiências_capaBaixar
Capa CD e DVD Proj_Cisternas_nas_EscolasBaixar
Boletim_3_Cisterna_nas_EscolasBaixar
Boletim_3_Cisterna_nas_Escolas_p02Baixar
Cartilha_Capacitação_PedreirosBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

O PCE nasce de uma necessidade real e cruel: a falta d'água para consumo humano e insegurança alimentar e nutricional em escolas rurais sertanejas. Além de cumprir seus objetivos, ampliou as perspectivas das comunidades atingidas. O projeto resulta, hoje, não somente em escolas com água e hortas comunitárias, mas em professores mais engajados nas conquistas comunitárias, alunos influindo positivamente nos hábitos alimentares de suas famílias, escolas se preparando para implantar pomares comunitários e pais, alunos, professores e gestores familiarizados e sensibilizados com a perspectiva da convivência com o semiárido. Tais fatos indicam a necessidade de promover o reconhecimento desta TS e de ampliação de seu raio de atuação, motivo pelo qual foi inscrita nesse prêmio.