Comércio Ribeirinho da Cidadania e Solidário

certificada 2011

Instituição
Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC)
Endereço
Rua Castelo Branco, 380 - Centro - Carauari/AM
E-mail
asproc.associacao@gmail.com
Telefone
(97) 3491-1023
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Antônio Adevaldo Dias da Costa(92) 3342-2455adevaldodias13@ig.com.br
Resumo da Tecnologia

O arranjo em torno da produção e comercialização do ribeirinho – indivíduo que produz, vende, compra e troca o que precisa para viver, sem explorar ou ser explorado – requer uma rede de cooperação autogestionária, justa e solidária que viabilize a geração de renda na comunidade.*{ods1},{ods2},{ods3},{ods8},{ods10},{ods12}*

Tema Principal

Renda

Tema Secundário

Alimentação

Problema Solucionado

Na Amazônia, um dos principais problemas das comunidades ribeirinhas é o isolamento em decorrência de fatores geográficos da região. A distância entre o rural e o urbano chega a 52 horas de viagem de barco. Os custos de deslocamento da produção inviabilizavam qualquer atividade econômica. Além do alto custo de deslocamento, para escoar a produção até os centros urbanos, o ribeirinho tinha que ficar muito tempo longe do seu local de trabalho na busca de mercado. Por falta de oportunidades para comercialização, as famílias não produziam excedentes para fins comerciais e acabavam realizando atividades ambientalmente erradas como a pesca predatória, a caça comercial de animais silvestres e extração ilegal de madeira, consumidos intensamente pelos regatões. Estes, ainda presentes na região, são comerciantes que se deslocam em barcos, vendendo mercadorias industrializadas à preços exorbitantes, utilizando os recursos naturais como moeda de troca. Neste cenário, havia uma produção sem planejamento, com gerenciamento limitado e sem estrutura para produzir e comercializar, o mercado local era restrito, a produção de baixa qualidade e a comunicação frágil.

Objetivo Geral

Viabilizar oportunidades de geração de renda nas comunidades ribeirinhas, elevando os ganhos familiares e promovendo a cidadania na região através de processos de organização, gestão e comercialização da produção sustentável.

Objetivo Específico

- Comercializar, de forma coletiva, a produção das comunidades ribeirinhas por preço justo; - Garantir a segurança alimentar das famílias ribeirinhas; - Capacitar os ribeirinhos para a autogestão de seus processos produtivos e de comercialização; - Agregar valor a produção sustentável das comunidades ribeirinhas através da melhoria da qualidade dos produtos; - Viabilizar estruturas de produção e comercialização coletiva dos produtos sustentáveis da região; - Contribuir com a manutenção da cobertura vegetal e reduzir o desmatamento; - Reduzir a pressão sobre os recursos naturais explorados de forma insustentável e ilegal, fomentando a produção sustentável; - Fortalecer as organizações comunitárias dos ribeirinhos.

Solução Adotada

O espaço de comercialização foi idealizado pelos ribeirinhos, organizados coletivamente, e concretizado por meio de um processo de simples compreensão, fácil aplicabilidade, com custos reduzidos e significativos impactos sociais. Em meio ao modo de vida tradicional, surge esta proposta de desenvolvimento inovador capaz de amenizar problemas sociais, econômicos e ambientais na região do Médio Juruá. 1 – Inicialmente, foi feita uma reflexão sobre a realidade social da população local seguida da conscientização da necessidade de organizar um sistema de comercialização apto a solucionar problemas sociais; 2 – Para implantar um sistema de comercialização viável economicamente, colocou-se em avaliação o volume de produção e os custos de escoamento da produção; 3 – A articulação de parcerias foi um mecanismo impar para operacionalizar a proposta ao possibilitar a divisão de custos e de responsabilidades; 4 – A capacitação dos colaboradores envolvidos foi imprescindível na promoção, incentivo e divulgação da proposta do comércio e da contribuição específica de cada um em ações voltadas para um fim: reduzir as desigualdades econômicas e sociais na região; 5 – Em coletividade, os próprios comunitários definiram os produtos e mercadorias a serem priorizados no processo de comercialização. Metodologia de funcionamento: A região do Médio Juruá foi dividida em 14 polos. Cada um destes polos tem um entreposto de comercialização, que consiste em uma construção em madeira medindo 48m2, um rádio fonia com painel solar, computador e impressora sob o gerenciamento de dois comunitários treinados, que atendem três vezes por semana os ribeirinhos agregados ao polo. O atendimento consiste na compra da produção e venda de mercadorias industrializadas. 1. Compras de mercadorias: A elaboração da lista das mercadorias que irão abastecer cada entreposto é feita com base na demanda mensal de cada um que, após somadas, compõem uma lista de compras que é cotada e comprada em Manaus, a preço de atacado. Essa mercadoria é enviada por barco até a sede do município de Carauari. Ao chegar é transferida para o barco da associação dos produtores e em seguida segue para ser entregue nos entrepostos. 2. Viagens de comercialização: Compreendem visitas a todos os entrepostos para a entrega de mercadorias e recebimento da produção. A viagem, que dura em média 12 dias, acontece a cada dois meses. Primeiro é feito o planejamento da viagem, entrega-se as mercadorias nos entrepostos e, simultaneamente, é feita a prestação de contas e o embarque da produção para a sede do município. Esta etapa é concluída com o retorno do barco à Carauari, onde é realizado o desembarque e entrega da produção na sede. O resultado da viagem é sistematizado em um relatório entregue ao presidente da associação. 3. Comercialização nos entrepostos comunitários: O atendimento dos comunitários acontece três vezes por semana em cada entreposto. O produtor leva seu produto até o entreposto, onde é classificado, medido, pesado, registrado e pago. Com base no valor de sua produção, o produtor realiza a compra de mercadorias industrializadas. A produção vendida/trocada pelos comunitários fica armazenada no entreposto e transportada na próxima viagem do barco. 4. Comercialização da produção no polo sede: Caracteriza-se principalmente pela venda dos produtos dos ribeirinhos, vindos dos entrepostos comunitários, à sociedade em geral no atacado e varejo, na sede da Associação, denominada polo sede. Neste ato é feito o registro da comercialização diária, sistematizado uma única vez no fim do mês. 5. Prestação de contas dos entrepostos comunitários: É feita mensalmente a fim de subsidiar a direção da Associação quanto a eficiência do gerenciamento financeiro do comércio. Estes procedimentos compreendem desde a sistematização da comercialização de cada comunitário, levantamento físico do estoque, até o preenchimento de planilhas e o encaminhamento das informações ao polo sede.

Resultado Alcançado

O resultado mais impactante alcançado foi a oportunidade gerada a mais de 500 famílias ribeirinhas, que hoje comercializam 100% da produção em seu próprio local de trabalho. Os comunitários, que antes necessitavam se descolar até 52 horas de viagem com alto custo de combustível e perda de tempo para vir a cidade comercializar seus produtos, hoje estão no máximo a 100 minutos de um entreposto comercial onde entregam sua produção e adquirem mercadorias industrializadas a preços mais acessíveis. A partir de uma pesquisa realizada por duas instituições externas à Associação constatou-se que, com a implantação do Comércio Ribeirinho, os comunitários dobraram o poder de compra. Os mesmos produtos que antes eram adquiridos por R$ 100,00 (cem reais) nos regatões, hoje são comprados com apenas R$ 51,00 (cinquenta e um reais). Outro resultado importante foi a redução do desmatamento e da pressão sobre os recursos naturais explorados de forma insustentável e ilegal, como a caça de animais silvestres, pesca predatória, extração de madeira sem manejo, etc. O Comércio Ribeirinho não comercializa produtos que degradam o meio ambiente, mas incentiva a produção sustentável e dá condições para práticas sustentáveis, como o manejo de sementes oleaginosas, a extração de látex e práticas de agroecologia. O fato é que os ribeirinhos têm migrado das atividades predatórias ao meio ambiente para práticas produtivas sustentáveis. A capacitação é, também, um grande resultado. São 30 administradores de entrepostos e 12 diretores da organização capacitados, que compreendem e gerenciam esta tecnologia de inclusão social. Estas capacitações têm fortalecido a organização comunitária. Já foram capacitadas também 225 famílias em boas práticas de fabricação de farinha de mandioca, principal produto comercializado. Estas capacitações melhoraram a qualidade dos produtos e agregaram valor aos mesmos. Em agosto de 2009 eram cinco entrepostos de comercialização, hoje são 15. Este crescimento poderá ser expandido através da utilização de um barco de médio porte com capacidade de 40 toneladas que está em construção, dado o apoio da FBB. O Fundo Social (capital de giro) inicial desta tecnologia era de R$ 80 mil, hoje já ultrapassa R$ 300 mil. Estes dados demonstram a eficácia financeira e gerencial desta tecnologia que, comprovadamente tem sido capaz de promover o desenvolvimento local sustentável no Médio Juruá.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Carauari / AmazonasComunidade Novo Horizonte08/2009
Carauari / AmazonasComunidade Roque08/2009
Carauari / AmazonasComunidade Nova Esperança08/2009
Carauari / AmazonasComunidade Bauana09/2009
Carauari / AmazonasComunidade São Raimundo09/2009
Carauari / AmazonasComunidade Santo Antônio09/2009
Carauari / AmazonasComunidade Cachoeira12/2009
Carauari / AmazonasComunidade Goiabal06/2011
Carauari / AmazonasComunidade Barreira do Idó06/2011
Carauari / AmazonasComunidade Maracajá12/2009
Carauari / AmazonasComunidade Boa Vista12/2009
Carauari / AmazonasComunidade Bom Jesus01/2011
Carauari / AmazonasComunidade Chué01/2011
Carauari / AmazonasComunidade Boca do Xeruã01/2011
Carauari / AmazonasCentro08/2009
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Seringueiros
População Ribeirinha
Agricultores Familiares
Famílias de baixa renda
Outro (Especificar no campo Solução Adotada)
Quantidade: 200
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Administrador de entreposto de comercialização: (pessoa com ensino fundamental);1
Tripulante de embarcação (pessoa com experiência na atividade);2
Gerente de Comercialização (pessoa com ensino médio concluído);1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Os recursos materiais necessários são: - um entreposto de comercialização, medindo aprox. 50 m2; - um barco regional; - uma mesa e duas cadeiras; - um computador e uma impressora (opcional); - um rádio fonia com painel solar (caso não exista outro meio de comunicação).

Valor estimado para a implementação da tecnologia

A implementação da primeira unidade sai ao custo de R$ 49.350,00, mas o custo médio para a implementação de 13 unidades (conforme feito por esta experiência) sairá por R$ 16.350,00 (cada).

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
PETROBRASDois anos de apoio na implantação e fortalecimento desta tecnologia, com pagamento de colaboradores, capacitações e estruturas de produção e comercialização
Fundação Banco do BrasilBarco com capacidade de 40 toneladas e capacitação em gestão aos administradores de entrepostos;
Companhia Nacional de Abastecimento – CONABPagamento do preço mínimo aos produtos da sociobiodiversidade produzido na região, como: açaí, borracha e óleos vegetais; Orientação para implementação o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA.
Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas - ADSArticulação de mercado aos produtos agroextrativistas, das comunidades ribeirinhas; Pagamento da subvenção estadual da borracha natural, já previsto em Lei;
Prefeitura Municipal de CarauariPagamento da subvenção municipal da borracha natural, prevista em Lei;
Conselho Nacional das Populações Extrativistas – CNSApoio na mobilização das organizações de base e na proposição de políticas públicas para continuidade desta tecnologia;
Associação dos Moradores Agroextrativistas da RDS Uacari – AMARUApoio na mobilização dos Moradores da RDS UACARI para participar das ações;
Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas – IDAMApoio na assistência técnica e na elaboração de planos de manejos florestal e pesqueiro;
Secretaria de Estado de Articulação de Políticas Públicas aos Movimentos Sociais e Populares – SEARPApoio técnico na gestão do projeto e da organização e na articulação de parceiros para uma boa execução deste projeto e sua continuidade;
Fundação Amazonas Sustentável - FASApoio na implementação das atividades de geração de renda em base sustentável, no âmbito de seu programa Bolsa Renda;
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRAImplementação dos Créditos de Fomento a Produção, dos beneficiários dos Programas de Reforma Agrária presentes na região;
Impacto Ambiental

Os impactos ambientais obtidos foram a redução do desmatamento e das atividades predatórias na região, além do incentivo às atividades sustentáveis.

Forma de Acompanhamento

O acompanhamento ocorre através de encontro trimestral com os coordenadores dos entrepostos, assembleias anuais com todos os comunitários, pesquisas de satisfação, prestação de contas mensal (em cada entreposto) e consolidação da prestação de contas de todos os entrepostos.

Forma de Transferência

A replicação da tecnologia se dará a partir do conhecimento do Manual de procedimentos do Comércio Ribeirinho, que orienta cada etapa do processo e oferece capacitação sobre a implantação (ministradas periodicamente através da visitação in loco).

Anexos da tecnologia
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Endereços eletrônicos associados à tecnologia