Construção Compartilhada de Soluções Locais

certificada 2005

Instituição
Centro de Promoção de Saúde (CEDAPS)
Endereço
Rua do Ouvidor, 86, 5 andar. - Centro - Rio de Janeiro/RJ
E-mail
direcao@cedaps.org.br
Telefone
(21) 3852-0080
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Daniel Becker(21) 3852-0080danielb@cedaps.org.br
Kátia Maria Braga Edmundo(21) 3852-0080katia@cedaps.org.brSkype: katiaedmundo Twitter.com/cedaps
Resumo da Tecnologia

Metodologia de planejamento conjunto a partir de diagnóstico participativo, planejamento de intervenções, sistematização e avaliação de ações formuladas pelos atores sociais que vivenciam os problemas identificados. Aplica-se a diferentes segmentos, cenários e contextos sociais.*{ods3},{ods16}*

Tema Principal

Saúde

Problema Solucionado

As origens dos principais problemas sociais que afligem a população brasileira estão, acima de tudo, na desigualdade social, pobreza, problemas estruturais da sociedade e do Estado. Na periferia das grandes cidades comunidades vivenciam a exclusão em níveis catastróficos. Além da escassez de serviços públicos de saúde e educação, muitas vezes estes utilizam programas verticais, implantados sem levar em conta as necessidades locais, usando processos diretivos que “ensinam” aos participantes quais os seus problemas e a melhor forma de resolvê-los. As pessoas são vistas como recipientes de programas pouco efetivos. Sem o envolvimento da comunidade reduz-se a efetividade das intervenções sociais. Moradores de comunidades populares têm poucas oportunidades de participação em políticas públicas e contribuir para a solução de seus problemas. Dessa maneira, muitos talentos, habilidades e recursos são desperdiçados.

Objetivo Geral

Capacitar representantes comunitários e profissionais de serviços públicos e outros setores da sociedade a partir de uma metodologia de planejamento que permita desenvolver e implementar intervenções sociais sistemáticas em comunidades e instituições para a resolução de problemas locais.

Objetivo Específico

Promover a permeabilidade de políticas públicas à participação de profissionais e residentes de comunidades populares, melhorando sua efetividade e adequando-as aos reais problemas das comunidades populares nas cidades brasileiras.

Solução Adotada

A tecnologia social Construção Compartilhada de Soluções Locais foi desenvolvida pela equipe do Centro de Promoção da Saúde (CEDAPS) com base na experiência com comunidades populares, utilizando elementos de diversas metodologias: Planejamento Estratégico Situacional; programa Cidades e Comunidades Saudáveis da Organização Mundial da Saúde (OMS); e o programa Problem Solving for Better Health (PSBH), criado pela Dreyfus Health Foundation, desenvolvido no Brasil pelo CEDAPS desde 1991; além da conjunção de diversas técnicas e dinâmicas participativas. A tecnologia baseia-se na crença de que o núcleo central dos processos de transformação social é a comunidade e que seus moradores são o recurso crítico para a solução dos problemas. Proporcionando-lhes oportunidade para desenvolver suas habilidades, talentos e potenciais, oferecendo-lhes espaços de participação e interação com a sociedade civil e o poder público, eles podem transformar a estrutura econômica, social e cultural de suas comunidades. O programa funciona como uma “incubadora” de projetos. Permite que os participantes aprendam novas formas de pensar, priorizar e analisar os problemas de suas comunidades ou organizações, elaborando projetos de intervenção que solucionem ou contribuam para resolver esses problemas. O resultado são projetos práticos e concretos, com soluções criativas que causam impacto na vida das comunidades. A tecnologia se desenvolve em três fases: preparação, oficinas de projetos e acompanhamento. Essas fases correspondem a Ciclos da Metodologia que podem ser: abertos, focalizados (cenários, segmentos ou temáticas), territoriais e organizacionais. Na fase preparatória, são definidos os parceiros institucionais, selecionados os temas e problemas e feitas a seleção e inscrição dos participantes. Os seminários e oficinas participativas alternam plenárias e trabalho em pequenos grupos, estimulando a troca e a construção compartilhada. Começam com a definição, priorização, seleção e análise dos problemas. Com a discussão em grupo, o participante define uma ideia para uma intervenção que solucione ou atenue o problema. Esta ação é expressa sob forma de síntese. A intervenção é então planejada em maiores detalhes, resultando num protocolo de projeto. Quatro aspectos são enfatizados: justificativa, objetivos, metodologia e avaliação. A maioria dos projetos é realizada pelo participante em um prazo de seis meses a um ano. A partir do projeto redigido em forma de documento, é possível disseminar a proposta e mobilizar recursos locais e/ou externos. Em seguida começa a fase de acompanhamento, que dura de nove a 18 meses (em média 12 meses) para cada intervenção. Seus objetivos são apoiar os projetos para que cheguem à sua conclusão, gerando os benefícios propostos; sistematizar, avaliar e divulgar os projetos; colocá-los em rede, promovendo sua replicação e expansão. Quando a tecnologia é utilizada em uma intervenção territorial, como no caso do Desenvolvimento Local ou do Programa de Saúde da Família, um trabalho prévio deve ser realizado. Através de metodologias de mobilização e capacitação, a Construção Compartilhada envolve a comunidade desde a fase preparatória. Há ênfase no diagnóstico comunitário, um processo participativo que ajuda a conhecer melhor a comunidade, seus problemas, recursos e vocações, assim como compreender as estratégias sociais construídas pelos diversos grupos para o enfrentamento cotidiano das dificuldades. O Diagnóstico Participativo é realizado a partir do Mapeamento dos Recursos e Problemas Locais para subsidiar o planejamento de ações. Com o diagnóstico é possível selecionar áreas e temas prioritários, pactuar uma agenda de desenvolvimento e planejar as ações mais importantes; selecionar os participantes das oficinas – moradores e agentes sociais com melhor capacidade de contribuir para a solução destes problemas – e obter indicadores de avaliação de programa em consenso com a comunidade, baseados em seus interesses e demandas.

Resultado Alcançado

Foram realizados 42 ciclos, com mais de 1.200 planos elaborados (mais de 900 detalhados em quadro abaixo). Os resultados quantitativos dos ciclos apontam mais de 1.300 pessoas capacitadas em planejamento e elaboração de projetos, entre profissionais da saúde, da educação, jovens, representantes comunitários e moradores, beneficiando diretamente mais de 50.000 pessoas pelos projetos.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Rio de Janeiro / Rio de Janeiro01/2005
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
facilitadores, com formações profissionais diversas: médicos, enfermeiras, psicólogos, educadores, assistentes sociais, jornalistas, urbanistas, historiadores, economistas, agentes comunitários26
coordenador4
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

- Computadores e impressoras para gerenciamento da tecnologia - Impressos, boletins e folders sobre a metodologia para cada participante - Manuais e guias para participantes com roteiro para redação do projeto - Materiais de apoio (pastas, canetas, blocos)

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Em média R$ 750,00 (setecentos e cinquenta reais) por participante, incluindo- horas técnicas e despesas de materiais e logística.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Fundação Ford -
UNICEF -
Dreyfus Health Foundation -
Danone -
J&J -
Ministério da Saúde -
Secretarias de Saúde Estadual e Municipal do Rio de Janeiro -
Forma de Acompanhamento

Após a elaboração dos planos de ação é gerado um Caderno personalizado de Acompanhamento cujas ações seguem sendo registradas e documentadas para fins de monitoramento e avaliação. O registro dos autores é inserido em um banco de dados, a fim de facilitar a sistematização do conhecimento e aprendizagem gerada pelo plano local de ação desenvolvido. São feitos encontros presenciais, telefonemas, e-mails e contatos via visitas de campo.

Forma de Transferência

A metodologia é replicada a cada ciclo, visto que é uma metodologia a ser apropriada pelos participantes em sua estrutura e organização, além do plano de intervenção propriamente dito elaborado como resultado da participação no processo. Outras transferências de tecnologia vêm sendo realizadas para organizações parceiras e profissionais de serviços públicos e empresas. Foram produzidos Manuais e Guias publicados por parceiros diversos, dentre estes, o Manual de Prevenção sobre Aids e Comunidades Populares - MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. PROGRAMA NACIONAL DE DST/AIDS. Manual de Prevenção das DST/HIV/Aids em comunidades populares. Série Manuais, nº 83. Brasília, 2008

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
publicaçãoBaixar
manualBaixar
manualBaixar
Depoimento Livre

Atualmente no Brasil existem inúmeras metodologias participativas e cursos/oficinas de elaboração e gerenciamento de projetos. A metodologia Construção Compartilhada de Soluções Locais se diferencia na medida em que o planejamento das ações é realizado a partir de um coletivo, de um grupo de pessoas que contextualizam os problemas que vivenciam e, sobretudo, dialogam com a realidade local. Os elementos sistematizados na composição de um projeto social e acompanhados processualmente, por sua vez, produzem uma diretriz à mobilização da sociedade em geral, muitas vezes pautada mais no “fazer” que no “pensar e atuar sobre a realidade”.