Cores do Cerrado - Rede Solidária Artesanal

certificada 2011

Instituição
Central Veredas
Endereço
Praça Emília Pereira Araújo, S/N, Coreto - Centro - Arinos/MG
E-mail
centralveredas@hotmail.com
Telefone
(38) 9110-0090
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Dionete Figueiredo Barboza(38) 9908-7610dionete016@hotmail.comTwitter, Facebook, Orkut, Skype, MSN.
Taís Buane Estrela Alves(38) 9961-1498taisbuane@hotmail.comTwitter, Facebook, Orkut, Skype, MSN.
Resumo da Tecnologia

Mobilização de mulheres para recuperação de atividade artesanal tradicional, com foco no trabalho em rede e conceitos do comércio justo, possibilitando a geração de emprego e renda em atividades de fiação artesanal, tingimento com corantes naturais e tecelagem.*{ods1},{ods8},{ods10},{ods13}*

Tema Principal

Meio ambiente

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

No ano de 2000 foi feito um diagnostico na região do Vale do Urucuia, constatando-se a presença de várias mulheres no meio rural detentoras de saberes tradicionais da cadeia produtiva do algodão (plantio, preparo do algodão para produção do fio, fiação, tingimento a partir de corantes de plantas do cerrado e tecelagem de peças). Havia ricos trabalhos em peças guardadas no fundo de baús, peças tratadas por estas mulheres como relíquias e lembranças de seus pais, avós e bisavós, os responsáveis pelo repasse desse conhecimento. O risco de extinção da atividade estava eminente, uma vez que já não havia mais a prática desta atividade pela maioria das mulheres. Os motivos eram diversos: êxodo rural, implantação de lojas de tecidos nas cidades e até vergonha de praticar a atividade, dado que seu aprendizado sobre este processo decorreu da necessidade de complementação à renda familiar. Sem renda no campo o que se percebe é o incremento do êxodo rural, causando excesso de pessoas nas cidades e agravamento do desnível de renda.

Objetivo Geral

Promover o aumento da renda familiar por meio do resgate de técnicas artesanais tradicionais e agregação de valor às peças através do tingimento com pigmentos naturais.

Objetivo Específico

- Mobilização e organização das mulheres do meio rural; - Capacitação em associativismo e cooperativismo; - Melhoria da qualidade de vida; - Aumento da autoestima; - Recuperação dos saberes tradicionais através do repasse e da produção continua; - Agregação da atividade na cultura local e regional; - Melhoria da produção e desenvolvimento de novos produtos a partir das técnicas já existentes; - Conscientização sobre as questões ambientais e preservação dos recursos naturais existentes no cerrado.

Solução Adotada

A metodologia adotada por esta TS prevê projetos em localidades com baixo IDH e com poucas oportunidades de emprego e renda. A proposta é atuar na cadeia artesanal do algodão no meio rural, com produção do fio em rocas, ênfase no tingimento através da utilização de pigmentos e corantes extraídos da flora local e tecelagem desses fios (tintos ou naturais) para produção de peças artesanais de acordo com a demanda do mercado. A mobilização tem como objetivo alterar a perspectiva de produção apenas para a subsistência, propondo o retorno da produção para a manutenção da tradição, permitindo que estas mulheres ampliem sua renda sem necessitar sair de suas propriedades. O dialogo com as mulheres se dá em três dimensões: - Entre as próprias artesãs, mobilizando-as para o trabalho artesanal; - Entre as artesãs e seus produtos, respeitando a identidade cultural e vislumbrando seu potencial para renovação; - Entre as artesãs e o mercado consumidor, adequando técnicas, ritmos e estéticas próprias às exigências do mercado. Para esta ação foram propostos vários cursos e oficinas em associativismo, gestão do trabalho coletivo, gestão da produção, formação de preços e análise de sustentabilidade da cadeia produtiva, permitindo a organização e preparo dos produtos, sua adequação ao mercado consumidor (principalmente no que tange a tamanhos e padrões) e o desenvolvimento de novos produtos, etiquetas e embalagens que identificassem a origem, forma de produção e os conceitos do comércio justo. Foram criadas a associação dos artesãos de Sagarana (Tecelagem das Veredas), a de riachinho (Tecendo o Sertão de Minas), a de Uruana de Minas (Cores do Cerrado), a de Bonfinópolis de Minas (Casa das Artes) e a de Natalândia (Fio Ação), garantindo a organização e gestão formal das atividades. Toda a gestão é feita pelas próprias artesãs, contando com apoio de uma pessoa para as questões administrativas e controle. A participação dos filhos e netos das artesãs é incentivada. Para as atividades de tingimento, foram recuperadas as receitas dos pigmentos, levando em conta a disponibilidade das plantas para a composição de uma cartela com cores para produção constante e outra com plantas sazonais. Para garantir uma partida de pelo menos 50 kg de linhas de uma mesma cor, o grupo de Uruana de Minas ficou responsável pelo tingimento de todos os fios produzidos por todos os grupos, fortalecendo a rede de produção. Foi instalada uma tinturaria com capacidade de 150 kg de tingimento por dia e uma fossa ecológica, permitindo a realização de encomendas maiores e a confecção de coleções no mesmo padrão. Foram adquiridas rodas de fiar para as fiandeiras e elas foram estimuladas a retomar o plantio de algodão. O algodão é adquirido em grandes cooperativas e distribuído em pacotes de cinco ou dez quilos às artesãs, permitindo que a fiação seja feita em suas residências de acordo com os padrões estabelecidos pela associação. Depois de fiada, a linha volta para a sede da associação e é classificada, podendo ser usada na produção de tecidos em sua cor natural ou enviada ao grupo de Uruana de Minas, onde é tingida para depois voltar à sede de origem. Para a tecelagem, foram adquiridos quatro teares para cada associação. As fiandeiras realizam, anualmente, os mutirões de fiação, onde um grande número de fiandeiras se reúne em uma das associações para trabalhar coletivamente, cantar e confraternizar. Cada ano esta ação ocorre em uma localidade, promovendo a cultura local dos saberes e fazeres rurais. Na rede produção o trabalho de uma artesã depende do trabalho de outra e a qualidade do produto final depende do bom desempenho de todos. As fiandeiras e tecelãs conquistaram parceiros locais.

Resultado Alcançado

Estas mulheres passaram a se ver como artesãs, artistas detentoras de um conhecimento que as legitima como representantes da cultura local. Isto permitiu sua inserção na comunidade, sendo chamadas para apresentações culturais locais, regionais e nacionais. Foram trabalhados os conceitos do comércio justo e da equidade de gênero. Não é permitido o trabalho infantil, nem escravo. Todas as artesãs têm boas condições de trabalho e são as responsáveis pela formação de preços dos produtos. Toda a cadeia produtiva respeita os critérios de sustentabilidade ambiental. Na seleção dos corantes naturais foram eliminadas as cores que, embora tradicionais, colocavam em risco a planta (ex.: barbatimão, que produz a cor vinho, mas é feito a partir da casca da árvore, atividade que sem manejo pode matar a planta). A maioria das artesãs se mantêm no projeto pela inserção social que ele proporciona, no caso das fiandeiras houve aumento da renda complementar, já para as tingideiras e tecelãs a atividade passou a ser sua principal renda. O grupo de Natalândia é um dos cem Pontos de Cultura de Minas Gerais. Esta ação é exemplo da economia solidária e do trabalho em rede. As associações já foram classificadas em diversos editais e foram alvo de diversas reportagens em jornais, revistas e programas de TV (Globo Rural, TV Cultura, Prêmio Revista Casa Claudia, etc.). Houve melhoria na qualidade de vida destas pessoas. A TS foi classificada em segundo lugar no do MDA “Talentos do Brasil Rural”. Diversas parcerias foram consolidadas e os produtos estão à venda em outros estados (RJ, SP e DF).

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Uruana de Minas / Minas Geraiszona rural01/2002
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Artesãos
Mulheres
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Consultorias especificas (para capacitações)1
Coordenador (noção de produção, gestão e comercialização)1
Assistente administrativo1
Mestre artesão (repasse do saber tradicional)1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

- Galpão de 60 m² (área aberta com fornos de alvenaria para tachos, tanques para lavagem das meadas e varais para secagem. Área fechada com deposito para matéria prima do tingimento, escritório administrativo e banheiros); - Um metro cúbico de lenha plantada; - 100 kg de linhas de algodão ou de fibras (milho, banana, lã); - Três bacias grandes de plástico; - Dois baldes; - Seis colheres de pau; - Uma balança de 30 kg; - 500 g de alúmen de potássio; - 500 g de sulfato de ferro; - 500 g de sulfato de cobre; - Sal comum; - Água oxigenada, água sanitária e sabão em pó ou barra; - Um rolo de arame encapado; - Serragens de madeira, cascas de cebola, folhas de manga, urucum, açafrão e anileiras (plantas tintores); - Meadeiras manuais (sugere-se cinco); - Duas estantes de madeira para o armazenamento dos fios; - Uma fossa séptica ecológica; - Uma conicaleira (para fazer cones dos fios. Uma unidade atende à vários grupos e uma produção inteira de fios); - Tachos de cobre, alumínio e ferro, respectivamente (sugere-se três); - Dez diárias por mês; - 500 l de combustível por mês; - Rocas para cada fiandeira envolvida (sugere-se dez ou mais); - Teares (serão usados no galpão para produção das peças de tecelagem); - Uma urdideira (para urdir fios para tecer).

Valor estimado para a implementação da tecnologia

- Galpão R$ 36.000; - Equipamentos R$ 24.800 (meadeiras, bacias, colheres, balança, baldes, arame, estantes, fossa séptica, conicaleira, tachos, roca, teares e udideira); - Materiais de consumo R$ 2.910 (linhas de algodão ou fibras, alúmen de potássio, sulfato de ferro e de cobre); - Despesas mensais R$ 11.900 (combustível, coordenador, assistente administrativo e dez diárias). TOTAL R$ 75.610

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
ArtesolFortalecimento
FBBFortalecimento
SEBRAE-MGFortalecimento
Centro CapeFortalecimento
Impacto Ambiental

Positivo, uma vez que as artesãs necessitam conservar as matas do cerrado para garantir a produção dos pigmentos que formam a cartela de cores de tingimento dos fios.

Forma de Acompanhamento

A TS é acompanhada e seus impactos mensurados através de controles, planilhas sobre a produção e participação das mulheres, ficha de produção individualizada e avaliação da melhoria da qualidade de vida destas mulheres. Esta metodologia é empregada em encontros periódicos ou durante os mutirões anuais.

Forma de Transferência

É possível reaplicar toda a metodologia com a criação de uma cartilha com o passo a passo dos trabalhos desenvolvidos no âmbito da mobilização, capacitação, institucionalização, produção, padronização e comercialização para geração de renda. Como este material ainda não foi desenvolvido, divulgamos nosso trabalho através de catálogos de produtos e folders.

Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Este trabalho, ao longo de sua implantação, conquistou diversas parcerias e um reconhecimento publico pela valorização do resgate cultural, bem maior do que a dimensão econômica, objetivo inicial da ação. Hoje as mulheres sentem-se muito mais orgulhosas por estarem no projeto do que pela comercialização de seus produtos. Assim, diante de um contexto tão rico de informações, conceitos e princípios, é que esta ação vem conquistando diversas parcerias no âmbito de logística, estruturação e comercialização. “Assim, no vão do Urucuia, fios entrelaçam saberes!”