Criação de Bibliotecas Comunitárias Vaga Lume

certificada 2009

Instituição
Associação Vaga Lume
Endereço
R. Aspicuelta, 678 - Vila Madalena - São Paulo/SP
E-mail
info@vagalume.org.br
Telefone
(11) 3032-6032
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Sylvia de Albernaz Machado do Carmo Guimarães(11) 3032-6032sylvia@vagalume.org.br
Resumo da Tecnologia

A metodologia Vaga Lume de criação de bibliotecas comunitárias é baseada no tripé Estrutura-Capacitação-Gestão, ou seja, a entrega de recursos materiais é acompanhada da formação de pessoas e do incentivo à gestão comunitária, sempre valorizando a cultura local.*{ods3},{ods4}*

Tema Principal

Educação

Problema Solucionado

A Amazônia Legal Brasileira representa 60% do território e 12% da população nacional, e concentra mais de 30% da biodiversidade do planeta. A região enfrenta grandes desafios para seu desenvolvimento cultural e educacional, especialmente no que se refere à leitura. O crescimento populacional da região Norte foi marcado por estratégias do Governo Federal para ocupação de fronteiras e integração com o restante do país. As políticas desenvolvidas nos anos 70 e 80 tinham o objetivo de desenvolver economicamente a região e tiveram impacto decisivo para o fortalecimento da migração. Porém, as políticas para desenvolvimento cultural e educacional não tiveram a mesma atenção. Um estudo realizado pelo IBGE 2006 mapeou os equipamentos culturais disponíveis em todos os municípios brasileiros, e os resultados mostraram que a região Norte é a que apresenta o índice mais baixo. A região da Amazônia Legal possui a menor quantidade de bibliotecas públicas do país e, segundo o IBGE 2009, 41,1% da população rural com 15 anos ou mais, é analfabeta. Nesse contexto, a Vaga Lume atua desenvolvendo projetos e investindo no potencial das pessoas como agentes de transformação.

Objetivo Geral

Promover o acesso ao livro e à leitura em comunidades rurais da Amazônia Legal Brasileira, valorizando a cultura local.

Objetivo Específico

- Criar e fortalecer bibliotecas comunitárias; - Formar mediadores e multiplicadores Vaga Lume; - Estimular a gestão comunitária visando a sustentabilidade das bibliotecas; - Valorizar a cultura local.

Solução Adotada

Investir no empoderamento das pessoas é a melhor maneira de torná-las agentes da transformação social. A metodologia para criação de bibliotecas comunitárias e formação de voluntários é baseada no tripé Estrutura-Capacitação-Gestão, pois para a efetividade do trabalho da Vaga Lume é necessário que a entrega de recursos materiais seja acompanhada de ferramentas para sua inserção no cotidiano e formação de pessoas. Estrutura: os livros do acervo são selecionados considerando a diversidade de estilos de texto, linguagens, assuntos e gêneros. São priorizados livros que promovam o contato do leitor com diferentes visões de mundo, como clássicos da literatura nacional e estrangeira, além de mitos, contos de fada e folclóricos, fábulas e lendas que mostrem diferentes épocas e culturas. Por isso, a Vaga Lume distribui somente livros novos, acompanhados de uma estrutura básica composta por estantes, produzidas com madeira certificada em parceria com a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (SUSIPE), livreiras confeccionadas com lona reciclada e tapetes. Capacitação: a mediação de leitura é uma ação cultural que possibilita a vivência da leitura em um ambiente prazeroso, promovendo o contato com o livro e suas narrativas. O papel do Mediador de Leitura é dar voz ao livro e despertar o gosto pela leitura, diferente do contador de histórias, que interpreta o livro, e do professor, que precisa verificar o aprendizado. Nas palavras do Multiplicador de Ponte Alta do Tocantins (TO), Noé Bezerra, “a função do Mediador é ler para o outro. Até que ele possa sair de cena e dar lugar ao livro apenas. O livro se basta”. A distribuição de materiais da Vaga Lume é acompanhada de um curso para formação de mediadores de leitura, com carga horária entre 24 e 40 horas. Os participantes do curso são professores, moradores das comunidades e técnicos das Secretarias de Educação interessados em se envolver com as atividades na comunidade. O curso incentiva o voluntário a realizar sessões de mediação, inserindo a leitura em seu cotidiano. A capacitação também aborda a cultura local, valorizando a memória oral e as histórias das comunidades. São promovidas rodas de histórias, nas quais os moradores mais antigos contam os “causos” e lendas, e os participantes fazem o registro e a ilustração, produzindo livros artesanais, que passam a fazer parte do acervo das bibliotecas comunitárias. Multiplicadores Desde 2007, a Vaga Lume investe na formação de Multiplicadores da metodologia com o objetivo de dar maior escala e garantir a continuidade da ação em longo prazo. Podem ser formados Multiplicadores representantes da Secretaria de Educação e mediadores de leitura envolvidos nas atividades das bibliotecas. Os Multiplicadores são executores diretos do trabalho da Vaga Lume em seus municípios. Atuando sob orientação da equipe técnica de São Paulo, eles são responsáveis pela articulação e mobilização de parcerias locais, pela realização dos cursos de mediação e pelo acompanhamento do trabalho dos mediadores. Gestão comunitária: as regras de funcionamento, a localização da biblioteca, os responsáveis pela manutenção e a realização de atividades culturais são definidos pelos moradores da comunidade. Eles elegem voluntários, responsáveis pelo funcionamento do espaço e também por estimular a gestão comunitária. As parcerias com as Secretarias de Educação são importantes para a sustentabilidade do programa. Elas viabilizam a execução do projeto, disponibilizando técnicos, professores, apoio logístico e mobilizando as comunidades para participação.

Resultado Alcançado

Nos 23 municípios da Amazônia Legal onde atua, a Vaga Lume já criou 154 bibliotecas comunitárias, distribuindo aproximadamente 78 mil livros novos de literatura. Já foram formados 2.396 mediadores de leitura (pessoas da comunidade formadas para atuar em ações voltadas à promoção do livro e da leitura) em 97 cursos. Desde 2007, também foram formados 312 multiplicadores (pessoas da comunidade e funcionários das Secretarias de Educação formados para monitorar e formar novos mediadores, multiplicando, assim, a metodologia). Do ponto de vista qualitativo, os principais resultados são: a inclusão do hábito de leitura no cotidiano escolar e das comunidades, melhorias nos processos de aprendizagem, a participação dos moradores na gestão da biblioteca e a ampliação do potencial de transformação social e econômica das comunidades. A organização também obteve importantes premiações como Prêmio Objetivos do Milênio da ONU em 2005, Prêmio VivaLeitura em 2008, Prêmio JK do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) em 2009. Os dados coletados sobre os efeitos nas práticas escolares parecem muito promissores e são os mais expressivos. Todos os atores envolvidos no processo, do gestor público ao aluno, reconhecem mudanças trazidas pelo projeto: diversificação da prática do professor, estímulo ao uso da biblioteca, valorização da leitura e incentivo ao comportamento leitor dos alunos. Essas mudanças podem ser percebidas em um depoimento do diretor de uma escola de São Miguel dos Macacos, comunidade de Breves (PA) “... desde que foi implantado o projeto aqui na comunidade de São Miguel a escola teve um avanço de 60%, 70%, na questão da leitura. Verificamos isso através das próprias notas, porque antigamente o aluno pegava a prova e ficava tipo um cego, e agora com a biblioteca, ele passou a ter um interesse maior pela leitura, teve interesse da comunidade também”. Foi observado um envolvimento maior da comunidade na valorização de histórias e da cultura local pelas oficinas de produção de livros artesanais. Desde 2001, foram produzidos 241 livros a partir de histórias contadas por pessoas de referência em cada comunidade. As comunidades foram incentivadas a criar espaços de diálogo entre as diferentes culturas, durante eventos e atividades promovidas pela equipe Vaga Lume.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Cruzeiro do Sul / Acre12/2005
Barcelos / Amazonas12/2005
Carauari / Amazonas12/2002
São Gabriel da Cachoeira / Amazonas12/2002
Tefé / Amazonas12/2008
Uarini / Amazonas03/2010
Macapá / Amapá12/2005
Barreirinhas / Maranhão12/2002
Guimarães / Maranhão12/2006
Mirinzal / Maranhão12/2002
Campinápolis / Mato Grosso12/2002
Chapada dos Guimarães / Mato Grosso12/2007
Belém / Pará12/2007
Breves / Pará03/2010
Castanhal / Pará12/2002
Portel / Pará12/2004
Santarém / Pará12/2002
Soure / Pará12/2006
Ouro Preto do Oeste / Rondônia12/2005
Caracaraí / Roraima12/2002
Pacaraima / Roraima12/2002
Ponte Alta do Tocantins / Tocantins12/2002
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Povos indígenas
Quilombolas
Assentados rurais
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Coordenador Geral1
Educadores2
Coordenadora de Produção1
Coordenadora Administrativo Financeiro1
Assistente Administrativo Financeiro1
Analista de Desenvolvimento Institucional1
Assistente de Desenvolvimento Institucional1
Analista de Comunicação1
Assistente de Comunicação1
Voluntários nas comunidades interessadas em atuar nas bibliotecas e serem formados como mediadores e multiplicadores1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

-Despesas Fixas (aluguel, água, luz, telefone, despesas administrativas, recursos humanos); -Formação continuada de multiplicadores (Congressos); -Gestão - Expedições de Monitoramento; -Para implantação de 1 biblioteca: Kits para Bibliotecas (no mínimo 300 livros, 2 estantes, 1 livreira e 2 tapetes) Formação - Cursos de mediação de leitura (material pedagógico, alimentação e transporte) Expedições de Diagnóstico – seleção de comunidades e potenciais voluntários (logística) Expedições de Monitoramento – avaliação e acompanhamento (logística)

Valor estimado para a implementação da tecnologia

R$ 50.000,00

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Secretarias Municipais de EducaçãoAs parcerias com as Secretarias de Educação são importantes para a sustentabilidade do programa. Elas viabilizam a execução do projeto, disponibilizando técnicos, professores, apoio logístico e mobilizando as comunidades para participação.
Forma de Acompanhamento

São avaliados aspectos quantitativos e qualitativos: infraestrutura e funcionamento da biblioteca; mediação de leitura: tipo e frequência das mediações, mediadores formados, cursos realizados, mudanças no comportamento leitor na escola e comunidade; gestão comunitária: atuação dos voluntários, utilização da biblioteca, frequência de monitoramento, parcerias estabelecidas. Dadoslevantados in loco pelos multiplicadores e equipe técnica nas expedições de monitoramento, via telefone, carta e email.

Forma de Transferência

O potencial de replicação do projeto é a transferência da tecnologia social para a comunidade. Desde 2007, a Vaga Lume formou 312 multiplicadores, que auxiliados pela equipe de São Paulo de forma presencial e à distância, fazem a articulação de parcerias, facilitam processos de gestão comunitária e a avaliação do projeto. Os multiplicadores já capacitaram mais de 2.396 mediadores para disseminar a prática da mediação de leitura com a qualidade exigida pela Vaga Lume, demonstrando o potencial de replicabilidade da iniciativa e o grau de apropriação da metodologia pela comunidade. A Vaga Lume produz manuais de formação para mediadores e multiplicadores, e vídeos institucionais que ilustram as atividades desenvolvidas nas comunidades e retratam as oficinas dos Congressos e Encontros.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Comunidades de implementacaoBaixar
ApostilaBaixar
ClippingBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

“Os benefícios da Biblioteca Vaga Lume na comunidade são muitos, os livros chamam a atenção de jovens e adultos, despertando o interesse pela leitura. Os alunos já confeccionaram seus próprios livros, fazem paródias com as histórias dos livros.” (Domingas Ferreira, Murumuru, Santarém/PA) “Antes a gente tinha até um relacionamento com a mediação, mas quando a gente participou do curso foi uma 'vitamina na veia' que incentivou ainda mais.” (Relato anônimo feito pela equipe de avaliação, comunidade Menino Deus, Portel/PA) “Quando se fala da gestão das bibliotecas pela dinâmica da questão da coletividade que já existe na comunidade, foi mais fácil discutir o que seria preciso para ter uma biblioteca, para fazer o trabalho acontecer.” (Francisco Cunha, Boca da Mata, Pacaraima/RR)