Criação de Peixes em Canais de Igarapés

finalista 2009

Instituição
Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA)
Endereço
Av. André Araújo 2936 - Petrópolis - Manaus/AM
E-mail
coti@inpa.gov.br
Telefone
(92) 3643-3078
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Jorge Daniel Indrusiak Fim(92) 3643-1905fim@inpa.gov.br
Resumo da Tecnologia

Sistema de criação no qual é mantida elevada densidade de estocagem de peixes em uma pequena secção de canal de igarapé, apresentando uma produção suficiente para suprir a necessidade anual de proteína e garantir uma renda extra que contribui para a melhoria do padrão de vida familiar.*{ods2},{ods3},{ods8}*

Tema Principal

Renda

Tema Secundário

Alimentação

Problema Solucionado

A principal fonte de alimento dos habitantes da região amazônica é o peixe. Segundo Ruffino, M.L. (In: Santos et al. 2006.), o consumo “per capita” de pescado nas cidades de Manaus e Itacoatiara foi estimado entre 100 e 200 g/dia na década de 70 e, mais recentemente, outros autores indicam que as populações rurais ribeirinhas consomem cerca de 500g/dia. Como as populações ribeirinhas residem próximas a rios e lagos, embora já enfrentando um processo de escassez crescente, há possibilidade de acesso ao pescado, o que não ocorre com as populações que vivem em áreas de assentamentos rurais. Em termos gerais, as áreas escolhidas para assentar as famílias ficam distantes de grandes mananciais de água, criando muitas dificuldades para a obtenção de alimentos proteicos, como o peixe. Normalmente, as pessoas se utilizam da caça de animais silvestres para a obtenção de alimento, atividade que está dizimando a fauna originalmente existente naquelas áreas.

Objetivo Geral

Desenvolver um sistema de criação de peixes que apresentasse baixo custo de implementação e manutenção, elevada produtividade de peixes e baixo impacto ambiental.

Objetivo Específico

.

Solução Adotada

Considerando outros sistemas de criação de peixes, tais como viveiros de barragem, tanques escavados e tanques rede, a criação em igarapés apresenta algumas vantagens: (a) construção de fácil execução e baixo custo; (b) reduzido impacto ambiental; (c) maior produtividade; (d) facilidade de manuseio e captura dos peixes e do monitoramento do ambiente de cultivo; (e) peixes com menor teor de gordura que os peixes cultivados em viveiros; (f) peixes menos parasitados que aqueles criados em sistemas de água parada; (g) ambiente com pouca possibilidade de proliferação de mosquitos: (água corrente e pobre em nutrientes); (h) excelente aspecto visual do sistema, com grande potencial para empreendimentos em lazer e turismo. A solução adotada foi o próprio desenvolvimento do processo de criação. Neste trabalho, desde a construção dos criatórios até a finalização da criação dos peixes, houve total participação dos assentados onde os módulos experimentais foram implementados. Posteriormente, as mesmas pessoas capacitadas durante todo o processo, encarregaram-se de divulgar a nova tecnologia de criação, auxiliando outros assentados e, muitas vezes, recebendo ganhos financeiros pelo trabalho. A criação dos peixes Espécie de peixe utilizada: matrinxã (Brycon amazonicus). O matrinxã é uma espécie de peixe considerada muito promissora para a aquicultura e, na região amazônica, possui excelente valor de mercado. É onívoro, cresce rápido em cativeiro alimentando-se à base de dietas artificiais e naturais, é resistente ao manuseio e a condições ambientais difíceis provocadas pela alta densidade de estocagem. Manejo dos peixes: escolha dos alevinos Recomenda-se que o povoamento do criatório seja feito com alevinos saudáveis e que apresentem capacidade para capturar os pelets de ração inicial inteiros (tamanho de ± 5 mm), ou seja, alevinos com tamanho em torno de 5 cm. Densidade de estocagem de peixes (DE) Densidade de estocagem é a quantidade de peixes colocada dentro de um certo volume de água. É importante manter os peixes em uma DE adequada, levando em consideração tanto a espécie de peixe trabalhada, como as características do local. Um número excessivo de peixes mesmo que as condições locais permitam, poderá trazer problemas, principalmente brigas e competição por alimento, provocando crescimento irregular na população. A relação entre a DE e a vazão de água também determina a capacidade de suporte do ambiente, sendo determinante para o bom funcionamento do viveiro e influenciando no crescimento, na saúde dos peixes e na qualidade da água. Alimentação A alimentação dos peixes é feita utilizando, principalmente, rações comerciais para peixes. Para obter melhores resultados na produção, recomenda-se que até 500 gramas de peso, a alimentação seja feita com ração comercial contendo acima de 30% de Proteína Bruta, fornecida diariamente à vontade. Este procedimento trás melhores resultados na produção, pois aproveita a fase de maior crescimento do peixe. Após a fase inicial, pode ser administrada ração com conteúdo de proteína em torno de 28% até a finalização da criação e comercialização dos peixes. Uma prática que pode ser adotada para a alimentação, é introduzir na dieta dos peixes outros ingredientes produzidos no meio rural, tais como Macaxeira, Jerimum , Pupunha , Banana , Goiaba , Goiaba de anta , Acerola , Camu-camu , Jambo. Regime alimentar - Frequência e quantidade de alimento Alimentação uma vez ao dia, pela manhã. Cada local tem características próprias que influenciam o comportamento dos peixes e fazem com que haja diferenças nos horários nos quais os peixes melhor se alimentam. Biometria ou Pesagem O acompanhamento do crescimento dos peixes deve ser realizado através de pesagens mensais ou bimensais. Esta pesagem deve ser feita em uma amostra de peixes em torno de 10% da quantidade total do viveiro.

Resultado Alcançado

Inicialmente, durante o ano de 2003, para a implementação da fase de pesquisa foram construídos 4 módulos experimentais de criação. Ao longo dos trabalhos de pesquisa, os assentados selecionados para colaborar com o projeto participaram de todo o processo, desde a construção dos criatórios até a finalização da criação dos peixes. Este trabalho foi implementado no Projeto de Assentamento Tarumã Mirim, a 50 Km de Manaus. Atualmente, apenas no próprio assentamento, já existem em torno de 150 criatórios em fase de produção. O processo já está sendo aplicado em todo o estado do Amazonas e estados vizinhos. A tecnologia já está regulamentada através da resolução CEMAAM/N° 01/08, publicada no Diário Oficial do Estado do Amazonas n° 31.377 do dia 3 de julho de 2008, a qual estabelece normas e procedimentos para a implementação, funcionamento e regularização ambiental da criação no estado do Amazonas. Atualmente, a SEAP, Secretaria de Aquicultura e Pesca, do Ministério da Pesca e Aquicultura, está concentrando esforços para a regulamentação do processo de criação de peixes em igarapés em todos os estados da Amazônia.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Manaus / AmazonasAssentamento Rural “Tarumã Mirim01/2003
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Famílias de baixa renda
Quantidade: 150
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Pessoas para realizar a construção do criatório3
Condução da criação1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Construção do viveiro de canal Ferramentas diversas - Pá, enxada, machado, picareta, carrinho de mão, serrote, martelo, marreta, facão ou terçado, fita métrica. Outros equipamentos - A motoserra será importante no caso de construção das paredes em madeira, embora possa ser contratado um serrador. Material empregado nas paredes para a construção do viveiro nas dimensões de 30m x 4m x 0,70m: • Tábua de 3m x 0,20m x 0,025m – 9 dúzias; • Esteio de parede de 1,7m x 0,10m x 0,10m – 5,1/2 dúzias; • Esteio de reforço de 0,60m x 0,10m x 0,07m – 5 dúzias • Ripão de 3,0m x 0,08m x 0,02m – 3 dúzias • Ripinha de 3m x 0,08m x 0,015m – 5 dúzias; • Prego de 2,5”x 10 - 2 kg; • Prego de 3,0”x 10 – 2 kg. Construção da Barreira de Contenção de água ? Cimento: 7 sacos; ? Pedra britada: ½ m³; ? Ferro de 3/16: 10 kg ? Arame recozido: 1 kg; ? Areia: 1 m³; ? Tábuas de azimbre de 4m x 0,20m x 0,03m - 01 dúzia; ? Tubo de PVC de 150mm - 1; ? Joelho de PVC de 150mm – 2. Armações de Tela Ripão de 4m x 0,10m x 0,02m - 4 peças; Perna manca de 1m x 0,10m x 0,05m - ½ dúzia; Ripinha de 4m x 0,06m x 0,01m - ½ dúzia; Tela plástica com 1,5 m de largura e 1,0” de diâmetro de malha – 9m; • Tela Plástica com 1 m de largura e 0,5” de diâmetro de malha – 9 m; • Pregos de 1,5”e 2,5“ - 1 kg.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Total 3.857,00

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
INPA -
INCRA -
FUCAPI -
IPAAM -
UFAM -
SECT -
EMBRAPA -
Impacto Ambiental

• Reduzido impacto na qualidade da água utilizada na criação.; • Pouca alteração na condição natural do igarapé e na vegetação que o margeia; • Sem alteração na população de peixes naturais do ambiente; • Sem movimentação de grandes quantidades de terra; • Sem alteração da população bacteriana normal do ambiente; • O distúrbio na água por ocasião do manuseio dos peixes é pequeno; • Sistema adequado para áreas de incidência de malária, pois não contribui para a proliferação de mosquitos.

Forma de Acompanhamento

Biometrias (pesagem para avaliação do desenvolvimento da criação de peixes) mensais ou bimensais.

Forma de Transferência

Manual de Criação de Peixes em Canais de Igarapés; Vídeo elaborado pela equipe de filmagem contratada pela FBB e Vídeo elaborado pela TV Senado; Folders informativos, Apostilas e Cursos de capacitação.