Cultivo de Ostras Crassostrea Rhizophorae

certificada 2001

Instituição
Fundação da Universidade Federal do Paraná para o Desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Cultura (FUNPAR)
Endereço
Rua dos Funcionários, 1540, Juveve - Centro - Curitiba/PR
E-mail
proec@ufpr.br
Telefone
(41) 3310-2601
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Marlene Ferreira Gomes Mortagua Walflor(41) 3310-2629marlenew@ufpr.br
Resumo da Tecnologia

A tecnologia visa a capacitar pescadores artesanais da Ilha Rasa/Guaraqueçaba/PR para implementar técnicas de cultivo que favoreçam a reposição dos estoques de ostras na baía de Guaraqueçaba.O projeto objetiva também beneficiar e comercializar o produto,com vistas ao aumento de renda dos pescadores.*{ods8},{ods13},{ods14}*

Tema Principal

Meio ambiente

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

A Ilha Rasa, situada na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, tem população aproximada de 400 pessoas distribuídas em quatro vilarejos, num total de 123 famílias. É uma das comunidades pesqueiras mais pobres do estuário, geograficamente isolada (a 40 minutos de canoa de Guaraqueçaba e duas horas de Paranaguá, principal ponto de venda de pescado). A pesca do camarão e a coleta de caranguejo do mangue, ostra e mexilhão são as principais atividades da ilha. A coleta de ostras era feita inadequadamente, os pescadores cortavam as raízes do mangue onde se fixam as larvas da ostra para engorda ou venda para empresas de criação de estados vizinhos. Devido ao modo de exploração, o volume de captura das espécies endêmicas (camarão, caranguejo, ostra e mexilhão) torna-se cada vez mais reduzido, levando à rarefação dos bancos naturais. Considerando que há na região aspectos que favorecem o desenvolvimento de atividades sustentáveis do ponto de vista econômico, social e ambiental, com a tecnologia social procurou-se reverter o elevado grau de vulnerabilidade dos pescadores artesanais frente às dificuldades, para inserção no mercado de trabalho formal.

Objetivo Geral

Implementar técnicas de cultivo que favoreçam a reposição dos estoques de ostras e, ao mesmo tempo, proporcionar o aumento da renda dos pescadores artesanais da Ilha Rasa/ Guaraqueçaba/Paraná.

Objetivo Específico

-Selecionar locais para captação de larvas, e instalação de sítios de cultivo; -Capacitar pescadores artesanais nas técnicas de cultivo de ostras adaptáveis às condições da Ilha Rasa e proximidades; -Implantar com os pescadores, nas áreas selecionadas, sítios de cultivo de ostras; -Desenvolver estudos e instalar estrutura para depuração, conservação e comercialização de ostras; -Capacitar pescadores no processo de depuração, conservação e comercialização de ostras.

Solução Adotada

Pensar a questão aquicultura sustentável a partir de uma postura metodológica participativa exige um posicionamento diferenciado, crítico do padrão convencional e dominante da pesquisa pública. Nesse caso o trabalho participativo é visto como um meio de levantar e analisar os problemas ambientais e sociais e, ao mesmo tempo, buscar soluções, porque são resultados de relações sociais específicas. Deste modo, o conhecimento produzido pode dar ao pesquisador interventor, preocupado com a preservação ambiental, as condições de um diálogo democrático com os agentes sociais em questão, orientando para a solução dos problemas selecionados. Do ponto de vista metodológico, utilizou-se o estudo dos sistemas de cultivo de moluscos, levando em consideração aquilo que tem de mais específico: a possibilidade de resgatar, no âmbito do conhecimento, o sujeito social da unidade de produção analisada, ou seja, o pescador. O processo participativo conduzido envolveu os pescadores em discussões para a escolha das ações de intervenção. Inicialmente, com o objetivo de conhecer o público-alvo, realizaram-se diversas visitas às famílias de pescadores, durante as quais se exercitaram momentos de vivência, troca de conhecimentos entre pescadores, familiares e a equipe do projeto sobre hábitos e costumes (alimentares, recreativos, religiosos) e atividades de trabalho (período de pesca, cata do caranguejo, coleta de ostras jovens, pesca do camarão, conservação de barcos, entre outras). Paralelamente, objetivando conhecer o potencial de mercado, procedeu-se ao estudo de demanda junto aos mercados e restaurantes de Paranaguá, Antonina e Curitiba. Os resultados colhidos nas vivências bem como a demanda dos mercados e restaurantes foram apresentados aos pescadores. Este procedimento despertou nos pescadores o interesse pelo cultivo de ostras. Objetivando a organização destes pescadores, foi propiciado um período de vivência destes junto a grupos de pescadores organizados, atuantes na área de aquicultura (cultivo de ostras e mexilhões) do estado de Santa Catarina – comunidades de São Domingos e Bombinhas. A partir dessa vivência, um grupo de pescadores da Ilha Rasa se organizou e constituiu a Associação dos Maricultores da Ilha Rasa. Pesquisas participativas realizadas forneceram dados referentes aos fatores mesológicos (salinidade e temperatura da água em diferentes lócus, amplitudes das marés, nível batimétrico), visando à determinação de locais mais adequados à captação de larvas e ao cultivo de ostras. Foram ministrados cursos de capacitação de pescadores em anatomia e fisiologia da ostra, técnicas de captação de sementes e de cultivo de ostras, além de técnicas de depuração e conservação de ostras para comercialização.

Resultado Alcançado

A pesquisa inicial indicou a conservação dos produtos do mar como um dos pontos mais vulneráveis da pesca artesanal da região. De fato, é costume na região transportar o pescado sem grandes cuidados. O produto da pesca é exposto ao sol durante todo o período de permanência do pescador no mar, o que acarreta a sua contaminação. A utilização do frio foi a solução técnica indicada para a conservação. Os resultados obtidos com a pesquisa participativa permitiram aprofundar os conhecimentos sobre o ciclo de crescimento e reprodução da ostra, em função de variações mesológicas específicas da ilha, bem como a avaliação dos limites e riscos inerentes ao cultivo, e contribuíram para a formulação de soluções técnicas que abrangeram a experimentação e avaliação de diferentes práticas de captação de larvas e de cultivo de ostras. A Associação dos Maricultores da Ilha Rasa – AMAIR foi estruturada com a participação inicial de 11 famílias, e hoje é representada por cinco famílias, sendo uma da Comunidade de Almeida, três da comunidade de Ponta do Lanço, e uma da comunidade da Praia da Ilha Rasa, as quais implementaram sítios de cultivo em mesa, long line e no lodo. Destas, a de Almeida e uma da Ilha Rasa aplicam todo o conhecimento transmitido pelo projeto, tanto nos cultivos quanto nas técnicas de beneficiamento da ostra. Desde a implementação dos sítios de cultivo, a comunidade mantém uma produção média anual de 3.500 dúzias de ostras. O projeto técnico da unidade de beneficiamento de ostras (depuração e conservação) foi desenvolvido por equipe de professores e técnicos da UFPR. A unidade foi construída pelos pescadores membros da AMAIR orientados por técnicos, professores e bolsistas de extensão da UFPR. A unidade tem capacidade de beneficiar 500 dúzias de ostras por semana.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Guaraqueçaba / ParanáIlha Rasa00/2002
Guaraqueçaba / ParanáPonta do Lanço01/2002
Guaraqueçaba / ParanáAlmeida01/2002
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Pescadores
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Médico Veterinário/Saúde Pública1
Biólogo/Meio Ambiente1
Biólogo/Meio Ambiente1
Engenheiro de Pesca/Ostreicultor1
Engenheiro Civil/Saneamento ambiental e Hidráulica1
Engenheiro Civil e/ou Agrônomo/Construção Rural1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Material para um sítio de cultivo – 2 ha de espelho d`água 1 mesa para coletores de sementes 40 mesas para cultivo, ou 200 m de corda para long line 100 bolsas ou lanternas de malha plástica 8 mm 50 bolsas ou lanternas de malha plástica 6 mm 10 caixas plásticas vazadas de 40 x 70 cm 4 facas de manejoMaterial para a Unidade de Beneficiamento (depuração e conservação) 1 projeto de engenharia civil/ambiental1 construção em alvenaria com 100 m² (sala de seleção e classificação de ostras, sala para depuração, câmara fria, estocagem, WC e chuveiros)2 bacias depuradoras com capacidade de 1.000 litros 3 caixas para água com capacidade de 1.000 litros 1 câmara fria Máquinas, equipamentos e utensílios 1 máquina wap 3 filtros d`água 1 aparelho Ultravioleta 1 tanque aço inox 1 bomba sucção para água salgada 1 balança de precisão 4 facas de manejo 10 bandejas plástico resistente, cor branca de 40 x 70 cm 10 cestas vazadas para ostra depurada4 conjuntos de vestimentas para manipuladores (bota, avental, máscara e gorro)

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Valor aproximado de R$ 100.000,00 (1 sítio de cultivo, R$ 5.000,00, e R$ 95.000,00 unidade de beneficiamento).

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Fundo Nacional do Meio Ambiente e Desenvolvimento – FNDE -
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos recursos Renováveis – IBAMA -
Secretaria Especial da Pesca da Presidência da República -
Secretaria de Planejamento do Estado do Paraná - SEPL -
Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SEMA -
Association de Recherche Interdisciplinaire Pour LÈnvironnement et lê Développement – HOLOS – França -
Prefeitura Municipal de Guaraqueçaba -
Associação dos Maricultores da Ilha Rasa -
Impacto Ambiental

Redução da agressão nos bancos naturais de ostras e do mangue.

Forma de Acompanhamento

O acompanhamento ocorreu em quatro fases: Exploratória ou de diagnóstico: Visitas e reuniões com diferentes atores para detectar problemas e tipos de ações possíveis; Pesquisa participativa: contato direto, observação da ação realizada e registro dos dados; Ação: transferência do conhecimento (minicursos e treinamento em serviço): captação de larvas, confecção de estruturas, manejo de cultivos; Avaliação: constatação da aceitação ou rejeição da solução apontada.

Forma de Transferência

Esta tecnologia é resultante de um processo de intervenção acadêmica em uma área de proteção ambiental e configurou-se como processo de interação social. A reaplicação desta em outras localidades depende, em primeiro lugar, da apreensão da diversidade interna das comunidades, ou seja, a compreensão da sua dinâmica social, e em segundo lugar que estas localidades apresentem disponibilidade de áreas marinhas abrigadas, sem poluentes, com razoável circulação de massa de água, com presença de larvas de ostras, e que permitam a instalação de estruturas de cultivo. Pode ocorrer em comunidades de pescadores da região litorânea do Paraná (baías de Guaraqueçaba, Laranjeiras, Paranaguá, Guaratuba) e de São Paulo ( complexo lagunar Cananéia/Iguape).

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Projeto OstreiculturaBaixar
Depoimento Livre

A introdução de formas de trabalho coletivo e diversificado em comunidade habituada ao trabalho individual e específico provocou mudanças nas relações sociais, nas formas e organização do trabalho. A transferência para o pescador, da comercialização e controle de qualidade do produto, colocando-o frente ao consumidor, provocou atitudes de insegurança que se traduziram por inércias contraditórias com a esperança inicial no projeto. Surgiram mal-entendidos entre membros da comunidade e funcionários de órgãos públicos na demarcação das áreas de cultivo. Os pescadores viam nas medições feitas, uma tentativa de apropriação das áreas pelo estado. Este tipo de problema deveu-se à desconfiança da comunidade, habituada ao comportamento repressivo destes órgãos na execução da legislação ambiental.