Fogão Ecológico para o Semiárido

certificada 2007

Instituição
Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis (IDER)
Endereço
Rua Júlio Siqueira - Dionísio Torres - Fortaleza/CE
E-mail
comunicacao@ider.org.br
Telefone
(85) 3247-6506
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Ákilas Girão(85) 3247-6506akilas@ider.org.br
Jörgdieter Anhalt(85) 3247-6506anhalt@ider.org.brskype: jorge_anhalt.
Luis Massilon(85) 3247-6506massilon@ider.org.br
Resumo da Tecnologia

Substituição de fogões arcaicos a lenha por modelos que diminuem o consumo de lenha e eliminam a fumaça intradomiciliar. A tecnologia já beneficiou 18 mil famílias em mais de 60 municípios do estado do Ceará com melhorias na área de saúde e meio ambiente, além de gerar renda em comunidades rurais.*{ods3},{ods13}*

Tema Principal

Saúde

Tema Secundário

Meio ambiente

Problema Solucionado

Os arcaicos fogões a lenha representam um problema de meio-ambiente e saúde pública. Segundo o MMA , o Ceará e a Bahia foram os estados que mais desmataram nos últimos seis anos, aproximadamente 3 mil km² por ano . São 6 mil toneladas de madeira, diariamente, para uso em fogões, contribuindo para a degradação do bioma da Caatinga. Segundo a OMS, a fumaça dos fogões é tão danosa à saúde quanto fumar dois maços de cigarros por dia, duplicando o risco de pneumonia em crianças e triplicando o risco de adultos, principalmente mulheres, sofrerem doenças pulmonares crônicas. Dados do Grupo de Intermediação do Desenvolvimento Tecnológico ITDG revelam que a poluição intradomiciliar mata mais que a malária e tanto quanto água contaminada e falta de saneamento básico. A OMS revela que anualmente, no mundo, em torno de 1,6 milhão de pessoas morrem por doenças causadas pela fumaça da queima da lenha. De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás de Cozinha, 38% dos brasileiros ainda cozinham com lenha. Este número é explicado pelo alto custo do gás, somado ao valor de transporte para comunidades afastadas.

Objetivo Geral

Promover nova consciência ambiental para comunidades rurais do semiárido brasileiro a partir da implantação de uma tecnologia que revele problemas ecológicos e de saúde pública que até então não eram considerados relevantes.

Objetivo Específico

Reduzir os casos de doenças respiratórias e cardíacas causadas pela poluição intradomiciliar, bem como de alergias, problemas de visão e queimaduras; Reduzir a degradação ambiental a partir do menor consumo de lenha em fogões domésticos da zona rural; Potencializar ganhos para trabalhadores locais com a implantação de unidades da tecnologia social.

Solução Adotada

Para desenvolver essa tecnologia social no Brasil, o IDER observou o fato de que, como em outros países, praticamente toda a população rural utiliza fogões arcaicos de baixa eficiência com alto consumo de lenha, e, em especial as mulheres e crianças, sofrem dos efeitos da poluição intradomiciliar causada pela fumaça do fogo aberto. A partir da observação de práticas da Índia, China, países da África e América Latina, assim como estudando o fogão tradicionalmente usado no Brasil, foi iniciada a busca por uma tecnologia adaptada à realidade local. Assim sendo, o principal aspecto da cultura local para o desenvolvimento dessa nova tecnologia social foi a tradicional utilização do fogão a lenha. Pelo meio desta análise, o IDER desenvolveu um fogão específico, eficiente na queima da lenha e com uma chaminé que elimina a fumaça do ambiente doméstico. Fundamental neste desenvolvimento era a integração dos costumes tradicionais culinários da mulher nordestina. O foco do projeto é a disseminação desta tecnologia limpa, sustentável, acessível, adaptada perfeitamente à região. Inicialmente foram realizadas experiências com unidades demonstrativas junto às mulheres rurais, cujas sugestões foram incorporadas na concepção final. Cabe destacar que a adaptação do Fogão Ecológico à cultura e aos hábitos alimentares brasileiros foi essencial para a aceitação da inovação nas comunidades. Após as adaptações foram introduzidas inovações técnicas tais como uma estrutura metálica e materiais resistentes ao fogo e calor, determinando o modelo que atualmente é instalado em larga escala. O projeto foi desenvolvido com dois objetivos específicos: - Eliminar os casos de infecções respiratórias e doenças cardíacas causados pela poluição intradomiciliar, bem como de alergias, problemas de visão e queimaduras; - Reduzir a degradação ambiental a partir do menor consumo de lenha. Além de ter incorporado a participação do público atendido durante o desenvolvimento da tecnologia, as comunidades participam em todas as etapas da implantação dos fogões, bem como em atividades de recuperação da vegetação nativa e de educação ambiental que ajudam a gerar uma nova cultura de relacionamento com o meio ambiente. Antes de qualquer ação concreta é feita a seleção das famílias de acordo com características socioeconômicas (IDH), privilegiando as de menor renda e maior número de filhos. Na mesma fase são identificados pedreiros locais para a implantação da tecnologia. Em seguida, são realizadas reuniões comunitárias para apresentar cada fase da implantação e princípios de educação ambiental. Em algumas comunidades, as escolas foram envolvidas em atividades de plantio de mudas e mostras da biodiversidade da Caatinga. Os moradores também participam ativamente na coleta de dados sobre o desempenho do projeto e dando sugestões para a melhoria dos fogões. O Fogão Ecológico é conceitualmente simples. A queima da lenha é otimizada e os gases aquecidos são canalizados para melhorar a transferência de calor para as panelas. O isolamento térmico evita o consumo excessivo de lenha, e a tubulação de escape (chaminé) elimina os gases tóxicos da cozinha. A estrutura interna é composta por uma base metálica. Ao ser instalado na residência, tudo é envolto em tijolos refratários, garantindo uma vida útil de 10 anos. A implantação desta tecnologia social acontece com o aproveitamento da mão de obra local, ajudando a gerar renda e dando à população a capacidade de replicar o projeto.

Resultado Alcançado

Melhoria na qualidade de vida das comunidades atendidas. Com a eliminação da fumaça do ambiente doméstico, houve redução nas infecções respiratórias, alergias, queimaduras e irritações causadas pela poluição intradomiciliar. Redução do consumo de lenha, replantio de áreas e atividades de educação ambiental, como envolvimento da população local em atividades de preservação ambiental. Com o acompanhamento de uma engenheira florestal, cada comunidade empreendeu ações para preservar a biodiversidade de acordo com o seu contexto. Inicialmente foi realizada a identificação das principais potencialidades e ameaças à natureza. Com a memória de como a comunidade era há alguns anos, os moradores identificaram problemas como desertificação, perda da qualidade de solo, desaparecimento de espécies, assoreamento de fontes de água e práticas insustentáveis de relacionamento com a natureza. De acordo com a especificidade de cada comunidades seja praia, serra ou sertão, foram promovidas ações concretas para preservar o meio ambiente. Áreas degradadas foram demarcadas como de preservação. Em outras áreas foi feito manejo e replantio. Em parceria com escolas locais, foi feita pesquisa e exposição sobre a biodiversidade local. O impacto é inestimável na preservação da Caatinga, com benefícios que vão da cultura ao combate ao aquecimento global. As ações de educação ambiental reúnem a comunidade, pois a preocupação com a paisagem local e crescente escassez de lenha atinge todas as famílias. As comunidades começam a se organizar para soluções de proteção ambiental. O corte seletivo de arbustos e árvores é uma das medidas mais eficazes, além da coleta de sementes e implementação de viveiros. Quantitativamente, foram alcançados os seguintes resultados: Redução de 40% no consumo de lenha; Eliminação de 100% da fumaça dos domicílios; Geração de renda de R$ 25 para os profissionais de metalurgia e entre R$ 20 e R$ 30 para os pedreiros envolvidos na construção de cada unidade de Fogão Ecológico. No ano de 2006, cem unidades foram instaladas para monitoramento de sua aceitação social, melhorias na saúde e desempenho técnico. Em uma segunda etapa, através de uma cooperação entre o Governo do Estado e o IDER foram instalados mais 13 mil unidades em 46 municípios. 2010 fechou com um total de 18 mil fogões distribuídos em 63 municípios, e outros 8 mil previstos para instalação em 2011. O projeto já beneficiou em torno de 108 mil pessoas.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Acarape / Ceará01/2007
Amontada / Ceará01/2007
Apuiarés / Ceará01/2007
Aracoiaba / Ceará01/2007
Aurora / Ceará01/2007
Barbalha / Ceará01/2007
Baturité / Ceará01/2007
Beberibe / Ceará01/2007
Brejo Santo / Ceará01/2007
Canindé / Ceará01/2007
Capistrano / Ceará01/2007
Cascavel / Ceará01/2007
Cedro / Ceará01/2007
Deputado Irapuan Pinheiro / Ceará01/2007
Farias Brito / Ceará01/2007
Fortim / Ceará01/2007
General Sampaio / Ceará01/2007
Graça / Ceará01/2007
Itapajé / Ceará01/2007
Itapipoca / Ceará01/2007
Limoeiro do Norte / Ceará01/2007
Maranguape / Ceará01/2007
Pacoti / Ceará01/2007
Russas / Ceará01/2007
Saboeiro / Ceará01/2007
Tauá / Ceará01/2007
Umari / Ceará01/2007
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Famílias de baixa renda
Quantidade: 108.000
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
engenheiro responsável pelo desenvolvimento do fogão1
técnico em mecânica1
metalúrgico1
pedreiro1
engenheiro florestal1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

O fogão é composto de uma estrutura de ferro (estrutura base) adicionada com alvenaria e uma chaminé. A estrutura de ferro é composta por perfis redondos lisos com bitolas de 5/16” e ½”, chapas de aço de 1/8” e cantoneiras em “L” de 3/8”. Tijolos e massa refratários (suportam a elevada temperatura) formam a alvenaria do fogão. Para concluir é colocada uma chaminé de aço galvanizado com o intuito de eliminar a fumaça da casa. A estrutura metálica do fogão é produzida na metalúrgica onde o soldador reúne todas as peças já previamente cortadas, encaixa-as nos gabaritos (moldes destinados a garantir a uniformidade e qualidade de todos os fogões) e faz a união através da solda elétrica. Em seguida o fogão (com sua estrutura metálica já pronta) é instalado na residência utilizando o material refratário e, por último, é colocada a chaminé.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Todo o material envolvido custa em torno de R$ 250 por fogão

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Governo de Estado do Ceará - Secretaria das Cidades -
Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional - USAID -
Banco Mundial - Global Village Energy Partnership (GVEP)/ Washington/ EUA -
INWENT -Capacity Building International / Berlim /Alemanha -
PCIA -Partnership for Clean Indoor Air / Washington /EUA -
REEEP - Renewable Energy and Energy Efficiency Partnership / Vienna / Áustria -
Impacto Ambiental

Preservação da vegetação da Caatinga, graças ao menor consumo de biomassa para cocção de alimentos. O consumo desordenado de biomassa acarreta o rápido desmatamento, fator-chave para o acelerado processo de desertificação. Promoção de nova cultura ambiental para comunidades rurais do semiárido com a implantação de uma tecnologia que revele problemas ecológicos e de saúde pública até então não considerados relevantes. O Fogão Ecológico transforma-se em ferramenta de educação ambiental.

Forma de Acompanhamento

Ao final do projeto, visita às comunidades beneficiadas para obter dados do impacto alcançado, e informações sobre a construção das unidades. Possíveis falhas de construção são corrigidas e sugestões dos usuários incorporadas. No âmbito dos programas Global Village Energy Partnership e Energia Renovável e Desenvolvimento da USAID, relatórios trimestrais sobre o programa. O IDER elabora relatórios trimestrais para a Secretaria das Cidades do Governo do Estado do Ceará sobre o projeto.

Forma de Transferência

Instituições parceiras do IDER reaplicaram a tecnologia nos estados de Alagoas, Paraíba, Piauí e Amazonas. O Instituto Mamirauá produziu manual e vídeo de construção do Fogão Ecoeficiente, adaptando desenhos e linguagem à realidade local.O IDER tem um banco de dados constantemente atualizado. Envia informações, manual de construção e cartilhas educativas a serem usadas nas comunidades rurais. Reaplica a metodologia de capacitação dos trabalhadores e sensibilização dos futuros usuários dos fogões eficientes. As comunidades podem replicar por sua conta os fogões ecológicos. Em paralelo, divulgação na mídia eparticipação em feiras nacionais e internacionaisajudam a expandir a ideia. A tecnologia social é certificada pela Fundação Banco do Brasil e apoiada pela Rede de Tecnologia Social-RTS.

Anexos da tecnologia
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Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Dona Raimunda preparava os alimentos em rústico fogão a lenha. No Nordeste, é estimado um consumo diário de 6 T de madeira, sem uma gestão planejada do aproveitamento da biomassa, uma biodiversidade com 320 espécies exclusivas de vegetais. Ela se preocupava com a grande incidência de gripes, infecções respiratórias, pneumonias e alergias, resultantes da exposição à fumaça produzida na queima da lenha. Queimaduras também eram comuns. Isso mudou no final de 2006 com a tecnologia social desenvolvida pelo IDER. Dona Raimunda e sua família sentiram as melhoras de imediato. Acabaram as doenças respiratórias e até as panelas ficaram mais limpas, livres da fuligem. De tão feliz, ela aproveitou e mandou pintar a parede de branco, certa de que o seu novo fogão não expele fumaça como o anterior.