Cisterna Chapéu do Pe. Cícero

certificada 2013

Instituição
Associação Cristã de Base
Endereço
Rua dos Cariris, 61 - Seminário - Crato/CE
E-mail
acb.crato@superig.com.br
Telefone
(88) 3521-3005
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Maria Socorro da Silva(88) 3521-3005acb.crato@superig.com.br
Resumo da Tecnologia

É uma cisterna com capacidade de estocar 52 mil litros de água. Ligada a um calçadão circular, que somado ao seu teto obtém-se 80 m², servem como área de captação da água das chuvas que escorre para seu interior através de fendas nas bordas. Utiliza-se bomba elétrica para retirar a água e usar.*{ods2},{ods3},{ods6}*

Tema Principal

Recursos Hídricos

Tema Secundário

Alimentação

Problema Solucionado

A cisterna Chapéu de Padre Cícero é uma reinvenção da cisterna calçadão adotada pela ASA como tecnologia social. Disseminada através do programa Uma Terra e Duas Águas, a cisterna calçadão é composta de uma cisterna de 52 mil litros interligada a um calçadão de placas de cimento de 200 metros quadrados que serve como área de captação da água da chuva. Entretanto, ao longo do trabalho realizado foi observado que o calçadão, assim construído, ocupa uma área substancial do terreno do agricultor familiar. Sabendo que na região do Cariri cearence prevalece o minifúndio e que cada área cultivável é vital para o agricultor, o calçadão compromete a área de produção reduzindo o potencial de cultivo da família. Outra contradição é a necessidade da retirada de árvores de grande e médio porte do entorno da tecnologia. Essa medida é necessária para que as raízes não danifiquem a fundação do calçadão acarretando em problemas na sua estrutura, como rachaduras e afundamentos. Tal procedimento é incompatível com os preceitos agroecológicos desenvolvidos pela instituição devido ao favorecimento da degradação ambiental.

Objetivo Geral

-Garantir a otimização do espaço cultivável em pequenas áreas a médio e longo prazo; -Diminuir o impacto ambiental que a cisterna retangular causa em sua implementação; - Oportunizar a soberania e a segurança alimentar e nutricional;

Objetivo Específico

- Envolver as famílias e a associação local para a construção da cisterna Chapéu de Pe. Cícero; - Capacitar as famílias envolvidas para gestão da água da cisterna de forma correta; - Favorecer a produção e a criação de pequenos animais; - Capacitar as famílias em sistema de cultivo agroecológicos; - Incentivar as famílias envolvidas para a comercialização do excedente de seus produtos para obter melhoria na renda familiar.

Solução Adotada

Solução Adotada: A cisterna Chapéu de Padre Cícero é uma reinvenção da cisterna calçadão adotada pela ASA como tecnologia social. Disseminada através do programa Uma Terra e Duas Águas, a cisterna calçadão é composta de uma cisterna de 52 mil litros interligada a um calçadão de placas de cimento de 200 metros quadrados que serve como área de captação da água da chuva. Essa água escorre do calçadão até a cisterna através de um cano que liga um ao outro. De forma inédita, a cisterna Chapéu de Padre Cícero foi construída pela primeira vez na Serra dos Arrudas, comunidade quilombola, no município de Araripe, interior do Ceará. A cisterna Chapéu de Padre Cícero otimiza a área de captação da água da chuva, uma vez que, utiliza o teto da cisterna para realizá-lo e o complementa com o calçadão circular. A água escorre pelo calçadão e desemboca em decantadores existente nas bordas da cisterna. No decantador, uma tela de proteção é colocada para evitar a entrada de animais e impurezas. A água pode ser retirada através de bomba elétrica ou bomba manual. A metodologia utilizada para o repasse da tecnologia social nas comunidades se dá através de capacitações teóricas e práticas em que um técnico da instituição repassa o conhecimento sobre a construção e o funcionamento da tecnologia. As capacitações teóricas se dão na sede da associação local durante dois dias em que os envolvidos irão receber orientações necessárias para construção, uso e manutenção racional da água e da tecnologia. As orientações praticas se dão através de intercâmbios, trocas de experiência em que os agricultores (as) visitam as cisternas já em funcionamento. Outro momento importante é a capacitação dos agricultores(as) para a construção das cisternas. Esses agricultores(as) empoderados com conhecimentos técnicos específicos transformam-se em agricultores(as)-cisterneiros(as) e, a partir daí irão, supervisionados(as) por técnicos(as) construir, em modelo de mutirão, as cisternas em sua comunidade. A comunidade se envolve nas várias etapas de implementação e construção da tecnologia: cavando buracos, batendo placas, preparando massas, montando as placas, conduzindo água ao local, etc. Nesse primeiro momento, as mulheres que não foram capacitadas para a construção das cisternas, possuem a tarefa de preparar a alimentação dos agricultores(as) envolvidos(as) nos trabalhos.

Resultado Alcançado

A cisterna calçadão Chapéu de Pe. Cícero, por utilizar o teto da própria cisterna para a confecção do calçadão, obtêm-se uma otimização de custos e usos influindo em seus resultados qualitativos: Otimiza a área de captação da água da chuva uma vez que utiliza o teto da cisterna para realizá-lo e o complementa com o calçadão circular; Requer menor área pra ser construída: apenas 80 metros quadrados. Protege a área ao redor da cisterna contra a infiltração, num raio de 3 a 4 metros;Os custos da construção são reduzidos pela utilização da própria cisterna em sua confecção; Pode ser usada como secador; Reduz o índice de evaporação, promovendo maior aproveitamento da água da chuva; Mantém a umidade e consequentemente o resfriamento ao redor da cisterna durante o verão; Protege a cisterna contra o processo de erosão. Qualitativamente, a cisterna calçadão "Chapéu de Pe. Cícero" atende atualmente a 546 pessoas. Só na comunidade do Catolé, no município de Nova Olinda, interior do Ceará, ela atende a 240 pessoas. Ali, a cisterna impulsionou o fabrico de goma na casa de farinha coletiva. Antes da cisterna ser implementada era inviável o fabrico de goma de mandioca devido a falta de água. Assim, apenas a farinha era manufaturada, reduzindo a renda dos agricultores. Após a construção da cisterna os agricultores obtiveram ganhos reais na renda pois passaram a comercializar a goma, produto três vezes mais caro que a farinha de mandioca. Assim, passaram tanto a comercializar a farinha, vendida a R$1,00 o quilo, como a goma que é vendida a R$3,00 o quilo na feira livre.Outro resultado alcançado foi a segurança hídrica conquistada, excluindo o papel, mesmo em tempos de seca, do carro-pipa da vida da comunidade que chega a cobrar R$100,00 por abastecimento. Por tudo isso, a auto-estima, soberania e autonomia da comunidade foram conquistas que se deram com a conquista da tecnologia.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Nova Olinda / CearáSítio Serra do Catolé07/2006
Jardim / CearáSítio Serra Brejinho10/2006
Araripe / CearáSítio Serra dos Arrudas11/2006
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Assentados rurais
Jovens
Lideranças Comunitárias
Mulheres
Quilombolas
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Agricultores- cisterneiros4
Técnico1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Aço CA-50 1/4" (6,35MM) Aço CA-50 5/16" (7,94MM) Arame recozido 18 BWG - 1,25MM - 9,60 G/M Arame galvanizado 12 BWG - 2,60MM - 48,00 G/M Areia grossa Bomba Centrifuga com motor elet. Monof. 1/3 HP BOCAIS 1X3/4 Cap PVC Sold P/ Esg Predial DN 100MM Joelho PVC soldável 90G PB p/ esg predial DN 100MM Pedra britada N. 1 ou 19MM Cadeado latão cromado H = 25MM Impermeabilizante p/concreto e argamassa Tubo PVC p/ esg predial DN 100MM Tubo PVC soldável p/água fria predial EB-892 DN 32MM Cimento portland Comum CP I-32 50kG Cal hidratada p/pintura Tubo PVC leve p/esg predial DN 150MM Placa de identificação Tampa Alimentação Prestação de serviço de escavação Encargos do serviço de escavação (INSS 20%) Remuneração do Pedreiro

Valor estimado para a implementação da tecnologia

O valor atualizado para a construção da cisterna chapéu de Pe. Cícero é de R$ 5.366,34. Valor este que, se comparado com a cisterna calçadão retangular, torna-se R$ 2.133.44 mais barata pois, não utiliza mão-de-obra terceirizada e utiliza menos material em sua construção.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Instituto de Conservação Chico MendesFinanciador
Grupo de Valorização Negra do CaririApoio
Impacto Ambiental

A Associação Cristã de Base, pioneira na utilização da tecnologia social Cisterna Chapéu de Pe. Cícero reconhece os impactos ambientais advindos da construção da cisterna. Entretanto, entende que os impactos são revertidos em melhorias na condição de vida da comunidade, tais como: segurança alimentar e nutricional, segurança hídrica para o cultivo de hortaliças e pequenos animais. No caso da experiência relatada, o funcionamento da casa de farinha e a implementação de cultivos de hortaliças

Forma de Acompanhamento

O monitoramento se dá através das visitas sistemáticas dos técnicos à comunidade assistida. Por meio de relatórios em que é descrito a evolução dos resultados obtidos.

Forma de Transferência

A tecnologia social "Chapéu de Pe. Cícero" já é repassada através de cartilhas, boletins, oficinas, cursos de capacitação, blog e programas de rádio mantidos pelos sindicato dos agricultores.

Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Essa cisterna é diferente das outras , ela é muito melhor que a de calçadão separada. Ela economiza chão e recebe mais água por causa que aproveita o teto. Pra quem tem uma tarefa de chá é um ganho grande. Ela dá pra manutenção da casa, a gente agora faz goma, as outras cisternas quando secam, o pessoal vem buscar água dela, pra gente, ela é uma reserva. Tem dois anos que a gente não lava, porque é agua demais. Ela pega água com qualquer sereno. A gente teve uma mudança grande na renda. Antes, eu fazia um saco de farinha na casa de farinha coletiva, agora eu faço de 40 a 50 saco de goma. Na feira eu vendo o quilo de farinha por R$1,00 e a goma é R$3,00 o quilo na feira. Depoimento de José Valdo Gonçalves de Alencar - Pres. da Associação de agricultores do Catolé.