Metodologia Social para Habitação Popular-Aplicada nas Aldeias Indígenas Pataxós

certificada 2013

Instituição
Grin9 Educação e Gestão Ambiental
Endereço
Rua Alceu Amoroso Lima nº 470 sala 315 - Caminho das Arvores - Salvador/BA
E-mail
celene.grin9@grin9.org.br
Telefone
(71) 3488-0522
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Celene Almeida de Brito(71) 3488-0522celene.grin9@grin9.org.br
Resumo da Tecnologia

• A metodologia social MINTEGRA, aplicada na comunidade indígena de Aldeia Velha, Porto Seguro-Ba, promoveu, além da melhoria imediata das condições de habitabilidade, a qualificação gradativa e continuada dos benenficiários na construção civil, com a formação profissional de pedreiros.*{ods4},{ods8},{ods11}*

Tema Principal

Habitação

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

As comunidades pataxós têm um deficit habitacional e de geração de renda que é reforçado pelo histórico de impactos antropológicos e dificuldade de adaptação à cultura civilizatória, o que gerava desconfianças nas intervenções governamentais e não-governamentais, realizadas por instituições diversas. A conquista da confiança dos parceiros indigenas foi conseguida com o diálogo constante, ações coerentes e cumprimento de todos os pré-requisitos sociais assumidos. A gestão do projeto foi totalmente partilhada com os benenficiários, em número de 142 famílias atendidas. Além da capacitação para formação de pedreiros e ajudantes, a comunidade foi convocada para co-administrar os recursos e cada benenficiário passou a ser um co-administrador das obras, em conjunto com a Grin9. A adoção da metodologia - MINTEGRA, Modelo de Capacitação e Gestão Integradas das Ações Sustentáveis, delineou diretrizes para a integração dos aspectos: social, ambiental, cultural, a tecnologia de obra e o saber popular, resultando no resgate da confiança em projetos de habitação popular. A sinergia criada da informação ciêntifica com o saber popular, influenciou no êxito da intervenção

Objetivo Geral

Melhorar as condições de habitabilidade utilizando a metodologia participativa MINTEGRA, tal como o uso de técnicas e materiais característicos das comunidades, assistência técnica adequada e capacitação em construção civil como conteúdos propulsores da geração de renda.

Objetivo Específico

- Promover a qualificação gradativa e continuada dos beneficiários, a partir da aplicação das técnicas e processos apreendidos pela comunidade na capacitação em construção civil, reproduzindo-os tanto nas reformas e ampliações, quanto na construção de novas moradias; - Atuar em cooperação e estimular o fortalecimento da organização, solidariedade e o espírito comunitário, reforçados pelas ações do trabalho técnico social, fomentando a mobilização, a participação e a capacidade de intervenção das lideranças e moradores para melhoria das condições da vida local. - Integração das Ações Sociais, Ambientais, culturais com a Tecnologia das Obras, construindo a sustentabilidade das aldeias a partir de ações práticas; - Criar campo de sinergia entre o conhecimento científico e o saber das comunidades indígenas; - Comprovar que a partir do resgate da cultura ancestral, solidariedade e cooperação, a construção interativa de saberes e de unidades habitacionais é concretizada com êxito.

Solução Adotada

A alternativa proposta para a solução de Habitação de Interesse Social surgiu de uma agenda pactuada entre as três esferas de governo e a sociedade civil, tendo como entidade executora a Oscip GRIN9. Estes atores, no momento em que se apropriaram do empreendimento - o traçado, o saber, a estética e a particular necessidade das comunidades -, sem dúvida trouxeram à tona a tão buscada sustentabilidade aos empreendimentos habitacionais de interesse social. A metodologia social posta em prática, teve como premissa básica o reconhecimento de que a educação socioambiental tem um papel preponderante na forma de conduzir a mudança de atitude e no desenvolvimento da responsabilidade ético ambiental dos indivíduos. O trabalho técnico social resultou não somente na atenuação dos impactos ambientais e sociais das obras de ampliação do sistema, mas foi o condutor de todo o processo, contribuindo sobremaneira para o êxito da proposta. Trata-se de ações informativas, formativas, de estímulo à participação e de minimização dos transtornos na rotina das comunidades, além de buscar estimular os grupos de interação a criarem espaços para reflexão sobre a interdependência econômica, social, política e ecológica, que foi o principal fundamento do empreendimento. E a comunidade respondeu de forma satisfatória, mostrando-se capaz de gerar mudança de valores no decorrer da intervenção, bem como influenciando positivamente as outras aldeias Pataxós do extremo sul da Bahia. A utilização da metodologia MINTEGRA nas Aldeias Indígenas Pataxós localizadas no município de Porto Seguro nos anos entre 2010 a 2013, promoveu a integração de saberes e o aprendizado, por meio de capacitações e experimentações práticas, com acompanhamento e assistência técnica da GRIN9 para a execução de 142 unidades habitacionais de 50m2 cada uma. As ações desenvolvidas no social possibilitoram a integração dos benenficiários em mutirões assistidos e autoconstrução assistida, buscando o caminho do meio entre os requisitos técnicos e o saber local, conciliando as estratégias adotadas ao longo do prazo com as ações, criações conjuntas, reflexões e reaprendizado coletivo da equipe técnica e dos beneficiários. As premissas eram: desapego das ideias pré-concebidas mas que não estavam dando certo e a realização de correções rápidas. As ações desenvolvidas no contexto da metodologia social MINTEGRA permearam e auxiliaram na integração dos saberes: a) compra e organização dos materiais para a obra; b) capacitação de 142 famílias na construção civil; c) organização e mobilização dos beneficiários; d) acompanhamento das obras com abordagem sustentável; e) assistência técnica da engenharia civil totalmente associada ao trabalho técnico social; f) transparência e coerência das informações e um diálogo franco e contínuo com os benenficiários e as famílias; g) desenvolvimento de oficinas de Educação Ambiental, Resgate da Cultura Local, Permacutura, Geração de Renda, sem perder o foco dos temas principais e interagindo sempre com o tema central da Habitação e Renda, com formação dos pedreiros para inicialmente contribuirem com a construção da própria casa e dos pares e, depois, se profissionalizarem, atuando na construção civil. A formação de 32 pedreiros e 68 ajudantes, representaram fortes indicadores positivos resultantes da interação dos temas: renda e habitação. A metodologia social MINTEGRA tem como diretriz principal o esclarecimento da população quanto à importância de que os sistemas relacionados à engenharia civil, sanitária, conteúdos socioambientais e saberes locais devem estar continuadamente integrados e em total interação prática. Nos Projetos das Aldeias foi considerado o ambiente da casa e o da aldeia na perspectiva de valorização das características sociais, culturais e ambientais e dos saberes locais, tornando o processo de intervenção participativo, interativo e construtor de novos saberes, manifestados nos resultados tangíveis.

Resultado Alcançado

Resultado principal: construção de 142 unidades habitacionais populares e geração de renda para 142 famílias que foram capacitadas e passaram a atuar como pedreiros e ajundantes de pedreiro na construção da sua própria casa e no mutirão. Considerou-se junto aos indígenas as suas percepções sobre a moradia, seu uso e os impactos socioprofissionais na aldeia, após execução da metodologia social MINTEGRA. Utilizou-se como um dos métodos de pesquisa o questionário, aplicado a 61 beneficiários de Aldeia Velha ao final do Projeto. Sobre as mudanças sociais, atitudinais e comunitárias, na dimensão mudanças nos aspectos sociais 42,6% acham que foi ótimo para a aldeia. 39,3% consideram que foi bom, seguidos de 16,3% que avaliam como regular. As mudanças na imagem que a aldeia agora possui para os indígenas, 67,2% acha que é uma boa imagem. 16,3% vêem como uma ótima imagem. Sobre a participação dos beneficiários no mutirão de construção das casas, 34,4% acham que houve uma boa participação; 22,9% acredita que a participação no mutirão foi regular e; 4,9% veem como uma ótima participação. Sobre a cooperação existente entre os beneficiários, 40,9% acredita que se tratou de uma boa cooperação. Dezenove entrevistados avaliam a cooperação entre os indígenas como regular (31,1%) e três viram como uma ótima cooperação. Sobre a comunicação interna durante a execução do projeto esta foi considerada como boa para 60,6% da amostra. 19,6% pontua que se tratou de uma comunicação regular e 6,5% a caracteriza como ótima. Avaliando o fortalecimento dos vínculos familiares durante o projeto, 62,2% acham que houve um bom fortalecimento, 29,5% acha que foi um ótimo fortalecimento e 8,11% acredita que foi regular. Quanto ao fortalecimento dos vínculos comunitários, 52,4% acredita que houve um bom fortalecimento entre os parentes (trinta e dois participantes). Dezoito participantes veem como um fortalecimento regular de vínculos comunitários (29,5%) e três acham que foi ótimo, representando 4,9%. O momento posterior do questionário intentou compreender a aplicação do conhecimento proporcionado pelo curso aos participantes na vida prática. 51,6% dos participantes afirma que já atuou como pedreiro após o curso, dos quais 32 atuam sempre. Pelos resultados alcançados, se considerou a metodologia MINTEGRA como exitosa na sua aplicação em Aldeia Velha.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Porto Seguro / BahiaAldeia Velha- Arraial DÁjuda06/2013
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Lideranças Comunitárias
Organização não Governamental
Povos indígenas
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
coordenadores (metodologia e campo)2
assistente social1
psicólogo1
encarregado de obras1
mestre de obra e mediador de cursos1
engenheiro/arquiteta1
almoxarife1
administrador/contábil1
apoio adm e compras2
pedreiros e ajudantes capacitados por unidade habitacional2
eletricista/encanador1
motorista e/ou apontador1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Empreendimento: Projeto Moradia Socioambiental Pataxó - Aldeia Velha Terra: Aterro e apiloamento (m3) 2,5; Escoramento do Terreno vizinho; Reb. Lençol Freático/Drenagem; Fundações Profundas; Fundações Superficiais (m2) 12,67; Vigas, Baldrames e Alavancas (m3) 1,1; Concreto Armado (m2) 19,6; Pré-moldados; Tijolo cerâmico lajota 19x19x9 (unid) 4500; Tijolo maciço; Alvenarias; Paredes de Concreto; Vergas de Concreto (m3) 1,1; Bloco estrutural (unid) 250; Porta entrada 80x210cm (unid) 2; Portas internas 80x210cm (unid) 1; Portas internas 70x210cm (unid) 2; Esquadrias; Portas internas 60x210cm (unid) 1; Batentes (unid) 5; Basculantes (unid) 2; Janelas (unid) 3; Conj. para porta social (unid) 2; Conj. para porta de serviço; Conj. para porta interna (unid) 2; Ferragens; Conj. para porta banheiro (unid) 1; Conj. porta de garagem; Caixa Sifonada (und) 1; Ramais - esgoto (unid) 5; Rede Térreo - esgoto (tubos, ml) 18; Esgoto e Águas Pluviais; Prumadas - pluvial; Rede Térreo - pluvial (ml) 11; Sumidouro p/ 05 pessoas.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Considerando que o valor da unidade habitacional foi resultado da interação de diversos saberes, tanto da metodologia social como dos métodos e padrões construtivos, aplicados à Moradia Social Indígena o orçamento foi calculado por unidade construída, incluindo o trabalho social. Valor: R$ 38.000,00 (50m2 , 2 quartos, varanda, cozinha, sala, área serviço, cisterna, fossa e sumidouro).

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Governo do Estado da BahiaFinanciamento dos materiais de construção e mão de obra para a construção - Metodologia Social foi financiada pela GRIN9
Impacto Ambiental

Quanto ao meio ambiente e higiene, 59% acredita que o projeto promoveu mudanças boas para quem mora ao lado (trinta e seis entrevistados). A repercussão que a intervenção do projeto promoveu na autoimagem do indígena foi avaliada como boa por trinta e seis beneficiários (59%). Para vinte e um foi ótimo para a autoimagem a construção das casas, representando 34,4%. Na parte de obras, utilizou-se a captação de água de chuva com cisterna, capacitação para outras soluções sustentáveis.

Forma de Acompanhamento

O acompanhamento da metodologia se deu utilizando os seguintes recursos de pesquisa: - questionário; - entrevistas, - avaliação nas reuniões temáticas; - fotografias, registrando as alterações no meio fisico; - depoimentos; - observação da equipe; - avaliação de comportamentos e conteúdos; - estágio de construção das casas; - mobilizações; Investigação antes, durante e depois das intervenções.

Forma de Transferência

A metodologia MINTEGRA foi aplicada anteriormente em projetos e programas de educação ambiental, associados a implantação fisica das soluções de saneamento, esta foi implementada com apoio de instituições financeiras em 1999 na Praia do Forte, litoral norte da Bahia, como um Projeto de pesquisa, como também foi aplicada no Projeto Bahia Azul, nas cidades de entorno da Baia de Todos os Santos e no PEACs - aplicado em 10 municipios da Chapada Diamantina, BA. Sempre associando os conceitos de educação aos de gestão. Foram produzidos vários vídeos e manuais sobre esta metodologia aplicada às intervenções físicas de saneamento. O modelo foi adaptado no ano de 2010 para dar suporte à Habitação Popular nas comunidades indígenas, aplicado até 2013 com resultados satisfátorios como relatado.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
folder do projetoBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Depoimento da Assistente Social: "Em relação aos ritos religiosos, a Pagé, iniciou o evento com um ritual de 'aruanda' e uma oração de agradecimento ao 'Deus Tupã', momento emocionante e reflexivo. Logo depois tivemos o 'awe', uma dança típica. Em seguida a mestra de cerimônia, convidou o cacique, Urubaiá, o vice-cacique Tapurumâ, e demais componentes da mesa para uso da palavra. Vale ressaltar que a GRIN9 foi bastante elogiada pelo governo e pela comunidade pelo trabalho prestado a Aldeia Velha. Em seguida foi feita a entrega dos certificados de capacitação dos pedreiros. A presidente da GRIN9, Celene Brito, destacou o trabalho desenvolvido pela comunidade e agradeceu aos parceiros e a comunidade local."