Meninas de Sinhá - Cultura Transformadora

certificada 2013

Instituição
Grupo Cultural Meninas de Sinhá
Endereço
Rua Fernão Dias, 1131 - Alto Vera Cruz - Belo Horizonte/MG
E-mail
meninasdesinha@gmail.com
Telefone
(31) 3466-6881
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Bernardina de Sena(31) 3483-8926seninhadesena@gmail.comnão possui
Patrícia Mara Lacerda Santos(31) 3434-7148tissabh@gmail.comfacebook - tissabh@gmail.com
Valdete da Silva Cordeiro(31) 3466-6881meninasdesinha@gmail.com
Resumo da Tecnologia

O grupo Meninas de Sinhá atua em sua comunidade e também em outras há mais de 17 anos e tem primado por restaurar a saúde física e mental de mulheres a partir dos 50 anos, inserindo-as em um compromisso cultural de difusão das cantigas de roda em escolas, creches e shows variados.*{ods3},{ods4},{ods5},{ods10}*

Tema Principal

Saúde

Tema Secundário

Educação

Problema Solucionado

Como resultado dos encontros promovidos por Valdete Cordeiro, muitas mulheres passaram a não consumir remédios destinados à depressão e falta de sono que era de uso constante e exagerado pelas mulheres da comunidade do Alto Vera Cruz em Belo Horizonte. Foi conversando, contanto seus problemas mais íntimos e histórias, realizando artesanatos, cantando, dançando e repartindo os saberes que o grupo, hoje reconhecido por vários seguimentos das ciências humanas, educacionais e culturais veem neste um modelo a ser replicado em grupos que trabalham com mulheres e pessoas idosas, o respeito mútuo, a valorização do saber e o empoderamento comunitário a partir do seu próprio saber, como atitudes que fortalecem o ser humano e podem provocar modificações profundas no ser humano independente de sua classe social e gênero, como foi no caso de várias integrantes que foram curadas de males psicológicos graves e consequentemente melhoraram fisicamente, emocionalmente e intelectualmente ao se sentirem valorizadas como parte de um todo atuante e, que poderiam esperar por algo a mais na vida, além do sofrimento e rejeição com que estavam acostumadas.

Objetivo Geral

Encontrar uma solução viável para comunidades carentes para promover atividades que fortaleçam a própria comunidade e as famílias a partir do trabalho com mulheres na valorização de seus saberes, sentimentos, fazeres e quereres criando um interesse por mudança comunitária a partir disto.

Objetivo Específico

- Levar alegria a todos a partir de sua própria motivação e modificação emocional e cultural, - Considerar cada integrante do grupo, uma multiplicadora de alegria, - Respeito pelos demais, - Auxílio às mulheres e idosas que sofrem de violência doméstica e exploração em seus lares, - Inclusão das famílias em assuntos específicos, - Valorizar a opinião do idoso e nunca rejeitar sua vontade de ajudar, - Fazer com que as mulheres idosas do grupo se sintam importantes multiplicadoras culturais, - Desenvolver um amplo trabalho de resgate e difusão das cantigas de roda e antigas brincadeiras infantis promovido por idosos para o público infantil e educadores, - Conquistar uma sede para futuramente construir um espaço de atividades voltadas para a saúde e integração sociocultural entre idosos e crianças na comunidade do Alto Vera Cruz e Taquaril.

Solução Adotada

O projeto foi fundado há 16 anos por Valdete Silva Cordeiro, uma militante dos direitos civis. Na época, Valdete morava em frente ao posto de saúde do aglomerado Alto Vera Cruz, em Belo Horizonte, e olhava mulheres saindo com sacolas com remédios e antidepressivos. “Elas tomavam remédio para comer, para dormir, para preocupação, enfim, para viver, e isso me entristecia. Então, comecei a conversar com elas, que me diziam que tomavam remédio porque se sentiam angustiadas, tristes. Comecei a notar que precisavam melhorar a auto estima e cuidar mais de si mesmas”, explica Valdete. Para ajudar, ela resolveu chamá-las para um bate-papo semanal. No início, foi tudo muito difícil. “Elas diziam que tinham mais o que fazer, uma até chegou a me dizer que o tanque dela estava cheio de roupa para lavar.” No começo eram somente três, aos poucos, outras começaram a participar. Além da conversa, uma passava para a outra aquilo que sabia fazer: fuxico, tapete, bichinhos e bonecas. Era uma terapia e elas ganhavam um dinheirinho extra. CHUTANDO A DEPRESSÃO Mas o principal objetivo das reuniões ainda não havia se cumprido: as mulheres continuavam fazendo uso de antidepressivos. Até que surgiu na escola do bairro o Ação Global, com várias atividades, entre elas, a expressão corporal para idosos. Valdete fez, se sentiu muito bem e teve certeza que era disso que o grupo de mulheres precisava. Ele cedeu a professora por seis meses e, durante esse período, ela me ensinou as atividades que posteriormente passei às outras integrantes do grupo”, relembra Valdete. Os encontros continuavam três vezes por semana. Às segundas e quartas, elas faziam expressão corporal e às sextas-feiras, relembravam brincadeiras de infância como chicotinho queimado, passa anel, barra manteiga e brincadeiras de roda. Muitas delas não tiveram a oportunidade de brincar quando criança devido ao trabalho precoce e podiam curtir sua infância agora. Até então, o grupo se chamava Lar Feliz e foi com esse nome que ocorreu a primeira apresentação para um público de duas mil pessoas em uma festa de rua no bairro. “Nesse evento teve várias apresentações de grupos de capoeira, dança afro, hip hop, essas coisas de jovens. Quando elas viram aquelas garotas lindas em cima do palco dançando, as senhoras do grupo falaram: ‘Não vamos subir lá de jeito nenhum’. Dona Isabel chegou a dizer: ‘Morro de medo de rirem de mim’. Decididas, pensaram em desistir e ir embora do local”, relembra Valdete, que se manteve firme com palavras de incentivo. “Vamos, gente, vai ser bonito, todo mundo vai gostar.” Mas ninguém queria subir ao palco, até Valdete começou a ter receio de ser vaiada. Enfim, lá estavam aquelas senhoras no palco. “Quando nós subimos, houve aquele silêncio, a gente escutava até o barulho dos carros passando. Pensei: ‘Meu Deus, depois desse silêncio, o que virá?’ Então fizemos a expressão corporal. A gente só escutava coisas como ‘eu não consigo fazer aquilo que elas fazem’. Quando terminou, fomos aplaudidas e muita gente chorou porque nunca tinha visto gente idosa fazendo essas coisas bonitas.” Dona Isabel, feliz, chegou a exclamar: “Você viu, agora nós somos artistas!”. Desde então, as senhoras integrantes do grupo têm se empenhado em visitar creches e escolas na difusão das brincadeiras e cantigas de roda, o que virou seu trabalho artístico mais requisitado. Além disto, na própria comunidade influenciou desde sua criação, também outros grupos culturais de ritmos variados como Hip-Hop, grupos de capoeira, grupo de crianças, grupos de Maculelê. Pode-se afirmar que o grupo Meninas de Sinhá, que na época de sua criação em 1989 se chamava "Lar Feliz" foi o pioneiro grupo de terceira idade, pois na época não tínhamos conhecimento de nenhum grupo destinado para idosos, e além disto não existia e ainda é difícil vermos grupos culturais de pessoas idosos realizando shows em teatros e dando oficinas, realmente não temos conhecimento.

Resultado Alcançado

O grupo "Meninas de Sinhá" é formado por mulheres com idade entre 50 e 93 anos, moradoras das favelas Alto Vera Cruz e Taquaril, região Leste de Belo Horizonte. Foi criado em 1996 movido, em grande parte, pela preocupação e pelo idealismo de uma de suas principais componentes, Dona Valdete, que buscava entender os problemas comuns de tantas mulheres que viviam no Alto Vera Cruz e compartilhavam das mesmas carências e angústias. Neste sentido, os encontros sociais, iniciados no grupo Lar Feliz, em 1989, tinham como proposta de trabalho a valorização pessoal dessas mulheres, vislumbrando a melhoria da qualidade de vida de cada uma delas e, conseqüentemente, da própria comunidade. Nos encontros semanais nasceu a vontade de cantar, dançar e relembrar antigas cantigas de roda, cirandas e brincadeiras infantis, o que se transformou no principal objeto de trabalho artístico do grupo: a preservação da memória e a difusão da cultura popular. Ao longo desses anos, as Meninas de Sinhá vem se afirmando no cenário cultural de Belo Horizonte. Suas características são o perfil marcante de suas componentes, a qualidade e expressão artística nas apresentações, a intrigante história de cura entre suas integrantes, além de uma história de luta e grande potencial inovador. Já se apresentaram com shows, oficinas e palestras motivacionais para empresas e congressos em diversas cidades do estado, as principais cidades do Brasil e inclusive em Wroclaw, na Polônia. MAIS QUE MENINAS Depois da primeira apresentação, o grupo continuou com seus encontros, cantando e dançando como nunca. A estreia oficial com o novo nome foi em dezembro de 1996 e, de lá para cá, As Meninas de Sinhá já levaram a sua graça a diversas cidades brasileiras; dividiram o palco com artistas reconhecidos, como Jair Rodrigues e Daniela Mercury; se apresentaram para figuras ilustres, como o músico Gilberto Gil, Dilma Rousseff; conquistaram diversos prêmios culturais; participaram de um filme. Em 2007, receberam o PRÊMIO CULTURA VIVA , em 2008 o PRÊMIO AVAL DO RIVAL PETROBRÁS DE MÚSICA, em 2008 PRÊMIO TIM DE MÚSICA CATEGORIA MELHOR GRUPO REGIONAL com o CD patrocinado "Tá Caindo Fulô” e em 2012 lança seu segundo albúm “Na roda da vida”. Além de shows, realizam oficinas lúdicas em instituições sociais e trabalhos filantrópicos em asilos, creches, penitenciárias escolas e hospitais. E agora sonham em gravar um DVD e viajar por cidades que ainda não conhecem.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Belo Horizonte / Minas GeraisAlto Vera Cruz12/1996
Santo Antônio do Jacinto / Minas Geraisna cidade06/2007
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Idosos
Mulheres
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Coordenação Geral1
Facilitadora1
Monitoras3
Produção2
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Um local cedido gratuitamente para realização de pelo menos 2 encontros semanais, este local deve ser coberto e ventilado, apto para receber inclusive pessoas com idade avançada e mobilidade reduzida, com cadeiras inclusive reforçadas, mesas para realização de atividades artísticas; espaço adequado para realização de atividades corporais como ginástica e dança, sonorização básica ambiente. Material para oficinas de artesanatos como: tesouras, papéis diversos, tecidos, lápis de colorir, canetinhas, giz de cera, tinta à base de água, pincéis etc * No valor estimado abaixo sugerimos um acompanhamento desde a sua implantação até a aceitação do próprio grupo de seu destino sociocultural em sua comunidade, destacando suas próprias opções de abordagem, não sendo necessariamente música, poderia ser teatro, artesanato, dança, contação de história. E imprescindível aceitar e compreender que cada comunidade tem a capacidade de escolher qual caminho seguir e isto virá com o tempo de trabalho. Já conhecemos comunidades em Araçuaí, que tinham um grupo de mulheres que cuidavam de hortas comunitárias e isto uniu a comunidade e fortaleceu laços familiares e de compromisso social.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

O valor estimado considera um trabalho evolutivo em 1 ano de intervenções na comunidade escolhida, com visitas anteriores, reuniões com coordenadores locais e pessoas influentes na comunidade como igrejas, associações e, principalmente, o reconhecimento dos problemas e atrativos do bairro ou localidade. O valor estimado total é de R$ 85.200,00 (oitenta e cinco mil e duzentos reais) para 12 meses.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Queromais Arte e Cultura LtdaGestão de projetos incentivados
Associação Vera CruzCessão de espaço para realização dos encontros no Alto Vera Cruz
Impacto Ambiental

Os impactos ambientais referentes ao projeto são praticamente inexistentes pois os CD´s produzidos possuem capas de papel e não de plástico. Somente a mídia CD que ainda não inventaram outro modo de gravação que não seja deste tipo largamente utilizado.

Forma de Acompanhamento

- Pela visualização da transformação das mulheres (cabelo, maquiagem, roupas etc); - Pela maneira que passam a se interessar umas pelas outras e pela comunidade; - Através de depoimentos escritos e orais; - Através de apresentações que podem ser teatrais, música, artesanato, contação de histórias, etc; - Relatórios mensais das alunas; - Relatórios de seus familiares ou de patrões; - E, enfim, da própria decisão das alunas em se tornarem um grupo atuante em sua comunidade.

Forma de Transferência

Existem opções de palestras motivadoras, cursos e oficinas ministradas pelas integrantes do grupo Meninas de Sinhá, além da opção do show com depoimentos das mulheres que foram curadas por terem se inserido no trabalho do grupo e que, antigamente estavam determinadas á aguardar a hora da morte ou renegadas a solidão familiar. Hoje, essas mesmas mulheres contam com um público extremamente emocionado em seus shows, palestras ou encontros e se tornam multiplicadoras dos ideais transformadores do grupo. Existem vídeos gravados com depoimentos de suas integrantes a disposição no youtube. O conhecimento do grupo pode ser repassada também para líderes comunitários, estudantes ou qualquer pessoa que tenha interesse em trabalhos comunitários e sociais.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Participação Meninas de SinháBaixar
Clipping 15 anosBaixar
Lançamento do livro Histórias de MeninasBaixar
Nova geração - crianças encantadas com as avósBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Isabel Carlos, integrante: "Na época que entrei no grupo, não se chamava Meninas de Sinhá ainda...eu fui pela primeira vez e pensei que era interessante ficar juntos. Não foi por causa da dança não foi por causa do canto... mas porque estávamos juntas, aprendendo umas com as outras, isso me fez sentir bem ... porque eu era uma pessoa muito fechada e guardava tudo dentro de mim."Julho/2006 Bernardina de Sena, integrante: “Para mim, o Meninas de Sinhá veio para resgatar nossa história, nossas raízes...nos levar de volta à nossa infância, ser como crianças outra vez, quando costumávamos brincar de esconde-esconde e outros jogos infantis. Cada uma relembrou o seu tempo de infância e outras que não brincaram quando crianças e hoje, embora adultas, estão aprendendo a brincar." Maio/2007