Revista Descolados

certificada 2013

Instituição
Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC)
Endereço
SCS Quadra 01 Bloco L - 13 andar. Cobertura - Ed. Márcia - Asa Sul - Brasília/DF
E-mail
inesc@inesc.org.br
Telefone
(61) 3212-0200
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Marcia Hora Acioli(61) 3212-0200marcia@inesc.org.br
Resumo da Tecnologia

É uma revista toda elaborada por adolescentes e jovens na abordagem de educomunicação - a comunicação em uma perspectiva educativa. A revista tem a linha editorial de direitos humanos e orçamento público. Trabalho desenvolvido pelo projeto Onda: Adolescentes em Movimento pelos Direitos do Inesc.*{ods4}*

Tema Principal

Educação

Problema Solucionado

Ao desenvolver a TS Adolescentes Protagonistas em uma escola, identificamos um grupo de adolescentes profundamente afetados por notícias nos jornais que os ofendiam, sendo que a mídia não os escutava. O problema resolvido foi a conquista de espaço na mídia (uma mídia própria) que respeita as diversas vozes, opiniões e posições dos adolescentes, especialmente de periferia. A Descolad@s é toda feita por adolescentes e jovens e, neste sentido, garantimos a repercussão de imagens positivas dos jovens. Nas oficinas de comunicação, eles ressaltaram que o jovem pouco aparece na mídia e quando aparece ou é associado à violência, ou é de forma fútil em revistas especializadas que tem caráter comercial e consumista. A revista Descolad@s foi uma resposta a este vazio e ela tem servido como material pedagógico nas escolas. A revista não tem a pretensão de ser dona da verdade, mas de ser provocadora do movimento de ideias e é centrada na lógica dos direitos humanos. Como a revista publica dados orçamentários, ela exige que os adolescentes pesquisem o orçamento público do DF com relação aos diversos temas, e assim, façam o controle social sobre as políticas públicas que os interessam.

Objetivo Geral

Elaborar e produzir a Revista Descolad@s com e para adolescentes estudantes de escolas públicas com enfoque nos Direitos Humanos e Orçamento Público com a periodicidade anual.

Objetivo Específico

Instigar o controle social/monitoramento sobre o orçamento público tendo em vista a promoção dos direitos da criança e do adolescente; Criar espaço de articulação de adolescentes e jovens para debaterem seus direitos e elaborar formas de intervir na realidade; Sistematizar e divulgar a experiência pedagógica de formação em Direitos Humanos e Orçamento Público para o público infanto-juvenil, profissionais da área de educação e ativistas políticos na área de direitos. Envolver a novos grupos no trabalho de formação em direitos humanos e orçamento público / monitoramento do orçamento público voltado para a realização dos direitos humanos.

Solução Adotada

Após um episódio que colocou determinada comunidade escolar diariamente na mídia, numa abordagem que ofendia à comunidade inteira, os adolescentes fizeram um evento na escola para provocar uma reflexão sobre os fatos, convidando a mesma mídia que os mostrava como pessoas problemáticas. A mídia não compareceu. Suas vozes não queriam calar. Inspirados na revista Viração pensamos em criar um veículo que mostrasse uma imagem dos/as adolescentes (especialmente de periferia) como pessoas sérias, que têm boas ideias, preocupação com suas comunidades, como pessoas talentosas e solidárias. O mais importante é que falassem de suas realidades do ponto de vista deles/as mesmos/as. Criamos então, sem dinheiro, a ideia de fazermos uma revista. Ao longo do processo buscamos parcerias e conseguimos publicar o primeiro número com apoio do Conanda - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Para escrever, os adolescentes passaram por muitas oficinas e formações para garantir um olhar respeitoso sobre os direitos humanos. Todos os temas (a pauta da revista) são escolhidos por eles em reuniões periódicas. O lançamento da primeira edição da revista Descolad@s na Câmara dos Deputados foi amplamente noticiada pela mídia e, os meninos e as meninas que figuravam na mídia como pessoas inadequadas, apareceram com muito mérito, como autores de um trabalho sério e bonito. O trabalho exige muito esforço e estudo por parte dos adolescentes e além de tudo, a revista passou a ser material pedagógico nas escolas e foi até usada na formação de orientadores escolares.

Resultado Alcançado

A revista elevou a auto estima dos alunos da escola que estava em foco na mídia de modo negativo. Hoje os adolescentes estão mais maduros e conscientes de seus direitos, ocupando espaços públicos com propriedade para debater sobre problemas sociais e a situação orçamentária de cada ação que lhes interessam. Adolescentes solidários que compreendem outros contextos e caminham lado a lado com as diversidades humanas. Com a revista os/as adolescentes aprendem a dialogar mais e modificam suas relações nas famílias e nas escolas e em seus outros espaços de convivência social. A revista foi adotada por alguns professores como material pedagógico em toda a escola. A revista orientou o Conselho Tutelar de Brasília a lidar com um caso que envolvia crianças indígenas e escola. A partir da matéria Direitos em Movimento, o conselheiro tutelar convocou uma comissão intersetorial incluindo Conselho Tutelar, Funai - Fundação Nacional do Índio e a Secretaria de Educação para encontrar solução para tal problema. A revista impactou de um modo especial, adolescentes que cumprem medida socioeducativa (um dos grupos integrantes do projeto), que passaram a compreender o papel da comunicação e do diálogo para as suas conquistas pessoais e coletivas.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Brasília / Distrito FederalAsa sul, Asa Norte,01/2010
Gama / Distrito FederalCentro01/2010
Planaltina / Distrito FederalVale do Amanhecer01/2010
SCIA - Setor Complementar de Indústria e Abastecimento / Distrito FederalEstrutural01/2010
Cristalina / GoiásSão Bartolomeu01/2010
Cidade Ocidental / GoiásQuilombo Mesquita01/2010
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adolescentes
Jovens
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Jornalista1
Educador1
Designer gráfico1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

A revista é um trabalho pedagógico baseado em formação em direitos humanos e orçamento público. O material necessário é material da formação básica em Direitos Humanos, Orçamento Pùblico e Comunicação. Usamos papéis diversos, tintas, canetões, e alguns filmes (DVDs) que debatem os temas específicos em questão e o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição Federal. Para o trabalho de elaboração da revista usamos câmaras fotográficas, gravadores e computadores. Na etapa de impressão - os recursos gráficos.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

18 mil reais (sem contar com recursos humanos)

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Fundação Banco do BrasilApoio financeiro ao projeto de formação em São Bartolomeu, Mesquita e Vale do Amanhecer
KNHApoio e parceria para a formação de adolescentes no DF nas áreas de Direitos Humanos, Orçamento Público e comunicação
UnicefApoio para o desenvolvimento de formação de professores e adolescentes na comunidade quilombola de Mesquita
Impacto Ambiental

Tratamos de temas ambientais como o Cerrado, o rio São Bartolomeu e Resíduos Sólidos. Acrescentamos a seção sobre animais tratando da exploração dos cavalos nas grandes cidades. Quanto ao rio São Bartolomeu, os adolescentes entraram numa articulação com 3 comunidades que vivem em torno do rio. Publicaram um boletim revelando a péssima execução orçamentária na área ambiental por parte do Governo do DF. No momento participam de articulação sobre a política de resíduos sólidos - lixão!

Forma de Acompanhamento

O trabalho se dá com o acompanhamento diário por parte da equipe do Inesc em contato com as escolas. O Inesc identifica um profissional da escola para servir como referência e o diálogo se dá por meio de e-mail, telefonemas e visitas. Os/as adolescentes criaram uma página no facebook para fazer seus combinados, propor ações e debater temas que sejam de seus interesses. A página é movimentada diariamente. As reuniões são semanais em determinados momentos, aos sábados.

Forma de Transferência

A revista é desenvolvida de tal maneira que todos se apropriam de sua dinâmica. Não há estruturas hierárquicas, mas Conselhos: Editorial (formado só por adolescentes) e o Pedagógico (profissionais e ativistas que atuam e tenham domínio sobre os temas demandados pelos adolescentes - na área de direitos humanos). O trabalho se inicia na escola com uma densa formação nos temas direitos humanos, orçamento público e comunicação. Com os grupos, identificamos os temas específicos de interesse de cada escola, como: racismo, drogas e violência, exploração sexual, cultura, desigualdades, educação, direitos sexuais x homofobia... Organizamos rodas de conversa para que se apropriem melhor, com mais profundidade. Publicamos um anexo com todas as atividades do ano para compartilhar a experiência.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Matérias publicadas sobre a revistadownload
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

"O mais bonito foi perceber que os adolescentes não apenas falaram sobre direitos, mas os vivenciaram. Era comum ouvir o quanto gostariam de viver aquela experiência no cotidiano escolar, de aprofundar temas, debater, expressar opiniões, ponderar o contraditório e expandir tudo aquilo a outros adolescentes. Durante toda a produção da revista o exercício do olhar crítico, de desconstrução do senso-comum e de superação de preconceitos esteve presente. Um exercício de liberdade, afetividade e compromisso com um mundo mais justo. Entrevistamos numa edição, adolescentes internos do Caje e noutra meninos que nasceram com HIV, todo o conselho editorial participou. Eles se prepararam, tiraram suas dúvidas, sempre de forma amorosa e extremamente delicada na forma de perguntar." - Renina Valejo