A DOULA NO PRE NATAL - INFORMAÇÃO E RESGATE SOCIAL

certificada 2015

Instituição
Associação de Voluntariado Shiatsu-Do
Endereço
Setor Comercial Norte Quadra 6 Conjunto A Bloco A Sala 506 / 507 - Asa Norte - Brasília/DF
E-mail
voluntariadoshiatsu@gmail.com
Telefone
(61) 8172-1722
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Vanja Bastos Mendes(61) 8172-1722voluntariadoshiatsu@gmail.com
Resumo da Tecnologia

Doula e Educadora Perinatal é a profissional capacitada para dar apoio físico e emocional a mulheres na gestação, parto e amamentação, assim como apoio no pós parto. Doula é uma tecnologia leve de assistência à mulher grávida. Faz o acolhimento integral a mulher, favorece a assiduidade ao pré-natal, reduz o tempo de parto, aumenta as chances de amamentação exclusiva até os seis meses de vida do bebê, promove vínculo precoce entre o pai e a criança pois favorece a inserção dele desde o inicio da gestação. Para a implementação da tecnologia Doula, se faz necessária sua capacitação entre mulheres nas comunidades mais carentes e a inserção desta Educadora Perinatal nas rodas de conversas.*{ods3},{ods4}*

Tema Principal

Saúde

Tema Secundário

Educação

Problema Solucionado

A assistência ao nascimento no Brasil é centralizada e hospitalocêntrica. A qualidade dos serviços que assistem aos partos deixam a desejar na capacidade de acolhimento e escuta. O pré-natal é a principal fase de preparação para o parto e amamentação, mas este também deixa a desejar em informação e acolhimento às dúvidas da mulher grávida, seja no serviço público ou no privado. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil vive uma epidemia de cirurgias cesarianas. Nas últimas décadas a taxa nacional de cirurgias cesarianas tem aumentado progressivamente e a cesariana é hoje o modo mais comum de nascimento em nosso país, em média de 56% (público 40%/privado 85%). Quando bem indicada, a cirurgia cesariana é efetiva na redução da mortalidade materna e perinatal. Entretanto, as evidencias científicas apontam que a cirurgia cesariana de rotina traz implicações e afeta diversos aspectos como a formação do vínculo materno-infantil e o futuro reprodutivo da mulher. Estão sendo estudadas outras possíveis repercussões de longo prazo no modo de nascer. A OMS orienta que as taxas populacionais de cesariana superiores a 10% não contribuem para a redução da mortalidade materna, peri ou neonatal.

Objetivo Geral

1) Implementar Rodas de Conversa para mulheres grávidas e seus acompanhantes nos serviços públicos do DF; e 2) Capacitar Doulas nas comunidades.

Objetivo Específico

As Rodas de Conversa favorecem CONSTRUÇÃO da prática dialógica e o exercício de pensar compartilhado. Sua principal finalidade entre mulheres grávidas e acompanhantes é reduzir a VIOLÊNCIA DE GÊNERO (doméstica, institucional e social), propiciar o EMPODERAMENTO DA MULHER grávida, da família e da comunidade que se fortalece ainda no pré-natal para a gestação, parto e nascimento. A INSERÇÃO DA TECNOLOGIA DOULA nas rodas de conversa de mulheres grávidas otimiza a formação de uma REDE DE APOIO durante o acompanhamento do parto, puerpério e amamentação, e favorece a HUMANIZAÇÃO do atendimento, conforme determina o Governo Federal que recomenda a oferta de INFORMAÇÕES sobre o parto e nascimento ainda no pré-natal. Assim, nossos objetivos específicos são: 1) construção de prática dialógica; 2) redução violência de gênero; 3) empoderamento da mulher grávida, da família e da comunidade; 4) Humanização na gestação, parto e nascimento; e 5) inserção da Doula capacitada na comunidade.

Descrição

Ao longo dos anos a implementação de rodas de conversa nos serviços públicos vem recebendo mais apoio dos profissionais de saúde, mas não foi sempre assim. Para atingir nossos objetivos promovemos uma variada gama de atividades práticas e lúdicas no intuito de interagir com o público-alvo e com os gestores. Destacamos: Incentivo a realização de atividades sociais coletivas (dia das mães, páscoa, natal); Escuta atenta às dúvidas e dificuldades na gestação; Fortalecimento da importância do pré-natal; Apresentação de estudos da medicina baseada em evidência na obstetrícia e neonatologia; Informação sobre tipos e locais de parto; Atividades físicas para alongamento e fortalecimento na gestação; Exercícios para o trabalho de parto e parto; Ultrassonografia natural (pintura de barriga); Orientações individualizadas; Relatos de parto; Relatos de amamentação; Alimentação equilibrada e diversificada, de qualidade; Introdução alimentar com manutenção da amamentação até 2 anos; Oficina de papinhas; Uso do sling (exterogestação). Todas as atividades são gratuitas, as rodas de conversa são semanais ou quinzenais, não sequenciais e extensivas à família ou acompanhante da mulher grávida. Não é raro a presença de crianças mais velhas nas rodas junto com suas mães grávidas, de mães e sogras que apoiarão o pós parto; de prima, irmã e amigas que pensam em engravidar com qualidade. Considerando a evolução do processo de inserção das rodas de conversa nas comunidades, iniciamos a caminhada no sentido de capacitar doulas nas comunidades. Essas Doulas são mulheres-mães, ativas socialmente mas sem emprego formal. A Doula é a profissional responsável pelo apoio emocional e físico da mulher grávida, apoio técnico e prático à família, orienta de acordo com a medicina baseada em evidência e se compromete no acompanhamento direto e individualizado à família grávida. Ainda hoje, muitas mulheres, após a maternidade, permanecem em casa cuidando dos filhos e da família. Algumas priorizam trabalhos alternativos para subsistência, por não terem a possibilidade de qualificar-se para retornar ao mercado de trabalho. Como forma de reduzir essa desigualdade de gênero é que, naturalmente, houve a necessidade de capacitá-las para o exercício de uma atividade profissional, conjugando profissionalização e empregabilidade, também como forma de melhorar a participação social e, num momento em que o Governo Federal busca uma mudança do paradigma para os procedimentos de parto e pós-parto no Brasil, a capacitação de Doulas na comunidade, além de tornar mais humano o momento do parto e trazer segurança física e emocional à parturiente, promove a reinserção de mulheres da comunidade, mãe e dona-de-casa, no mercado de trabalho, gerando renda, favorecendo a qualidade de vida da família brasileira e a inclusão social. A Doula na comunidade sensibiliza a mulher grávida, seu acompanhante e sua família para a humanização do parto, para o respeito as suas decisões. Gestar e maternar com apoio de profissionais capacitadas são ações que vão ao encontro da necessidade urgente da humanização do atendimento no ciclo gravídico-puerperal, e da redução da violência de gênero que já constitui o foco da estratégia Rede Cegonha, promovida pelo Ministério da Saúde. A capacitação de Doulas está formatada com uma carga horária de 100hs/aula onde desenvolve-se tópicos específicos da qualificação, como: o que faz a Doula; práticas de educação perinatal; fisiologia da gestação e do parto; puericultura; amamentação; saúde pública; tipos e locais de parto; depressão, morte e situações especiais; exercícios para a gestação e parto; massagens e deslizamentos; terapias integrativas na gestação; vivencias com arteterapia e psicodrama. Na intenção de dar continuidade ao projeto inicial – rodas de conversa – as cursistas deverão abrir uma roda de conversa com mulheres grávidas e acompanhantes da sua comunidade ou da sua rede social. A Doula na comunidade trabalha com rodas domiciliares, nas casas das famílias envolvidas com a gestação e amamentação, de acordo com articulação prévia da Doula e mulheres grávidas da região. Conforme o projeto se desenvolve, outras necessidades de aprimoramento vão surgindo, como a oficina de captação de imagens pelas próprias Doulas que está na fase de estudos para implantação. A capacitação acontece em locais públicos ou privados conforme articulação para tal. A capacitação de Doulas para a comunidade inicialmente esteve inserida no curso de formação de doulas tradicional, onde as pagantes eram maioria, mas manteve-se a gratuidade na capacitação de mulheres entrevistadas em diversas comunidades carentes do DF e com o perfil que atendesse ao nosso projeto social. Nesse ano de 2015 está em curso a capacitação de mulheres do Paranoá, Itapoã, Brazlândia e mulheres de baixa visão da Associação Brasiliense de Deficientes Visuais. Nessas cidades satélites do Distrito Federal está em implementação o apoio de Doulas nas rodas de conversa locais.

Resultado Alcançado

A implementação de Rodas de Conversa para mulheres grávidas beneficiou e beneficia centenas de mulheres e seus familiares. Não há um registro exato desta ação. Sejam rodas com 10, 20 ou 30 mulheres, muitas que precederam a atual formatação social da Associação. Rodas vivenciadas desde 1996 no interior da Bahia, em 2003 no Rio de Janeiro e a partir de 2004 em Brasilia que se materializaram nessa proposta de apoio e multiplicação das rodas de conversa para mulheres grávidas. O Projeto Doula no pré-natal em curso no Paranoá, Itapoa e Brazlândia beneficia diretamente 50 mulheres maiores de 18 anos de idade, com o segundo grau completo ou cursando, com baixa visão ou não, que se identifiquem com o ciclo gravídico-puerperal e estejam fora do mercado de trabalho, e morem na região do entorno do Distrito Federal. Hipoteticamente, se considerarmos que cada uma Doula habilitada pelo Projeto atende a apenas 1 (uma) família por mês, em um ano são beneficiadas 12 (doze) famílias por Doula. Ora, 50 (doze) Doulas beneficiam 600 (seiscentas) famílias por ano. Diretamente o Projeto fomenta a empregabilidade e a valorização da mulher; o acompanhamento pré-natal; o apoio e acompanhamento à amamentação; o acompanhamento das vulnerabilidades e necessidades familiares e sociais; a diminuição da violência doméstica, institucional e social; a redução da incidência de morte materna; a redução da incidência de morte neonatal e infantil; a diminuição de depressão pós-parto; o encaminhamento das famílias atendidas a projetos sociais; a utilização de remédios caseiros, e valorização das práticas da cultura local. Alguns depoimentos de mulheres que participaram das rodas de conversa relatam que o grupo é: de vital importância para seu empoderamento; decisivo na manutenção do equilibrio frente as pressões sociais e de profissionais da obstetrícia; local de fazer novas amizades e contar com o apoio emocional nessas novas relações sociais. Algumas mulheres relatam que só conseguiram chegar ao parto natural, sem ocitocina e sem intervenções, graças aos esclarecimentos gerados nas rodas de conversa. Usualmente as rodas não tem tema fixo e já na apresentação de cada mulher as situações-problemas vão surgindo e sendo debatidas por todas as participantes. As Rodas de conversa contam com o apoio profissional de enfermeira, assistente social, psicóloga, nutricionista, Doulas de várias formações acadêmicas, e não raro é fonte de estudo de alunos de graduação de vários cursos superiores.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Brasília / Distrito FederalGrupo de Gestantes do HUB08/2004
Brazlândia / Distrito FederalPSF Brazlândia05/2015
Itapoã / Distrito FederalPSF Itapoã03/2015
Paranoá / Distrito FederalPSF Paranoá05/2015
Taguatinga / Distrito FederalAguas Claras - VIRTUAL01/2015
Recanto das Emas / Distrito FederalComunidade Católica do Recanto04/2013
Brasília / Distrito FederalPaná Paná PARIDAS03/2014
Gama / Distrito FederalComunidade Católica do Novo Gama07/2011
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adolescentes
Adulto
Afrodescendentes
Alunos do ensino superior
Crianças
Famílias de baixa renda
Gestantes
Jovens
Lideranças Comunitárias
Mulheres
População em geral
Povos indígenas
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Cartazes (20un); Banners (2); Criação de Blog - contrapartida social; Alimentação / Coffe brack; Auxilio transporte para cursistas mais necessitadas - contrapartida social; Escritório de Articulação (sala de reunião, wifi, água, café, lanche) - contrapartida; Grupo Gestor do Projeto - contrapartida; Papelaria; Material para cursistas; Telefone - contrapartida; Tarifas bancárias, fax, fotocópias, combustível, equipamentos - contrapartida. Observação; 1) Contrapartida - investimento de pessoas comprometidas com a capacitação; 2) contrapartida social - investimento de pessoas da comunidade convidadas a colaborarem com o projeto.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Distribuição financeira: 1. Recursos Humanos - R$ 37.980,00 2. Divulgação, comunicação e material de apoio - R$ 900,00 3. Formação, eventos, oficinas e reuniões - R$ 15.300,00 4. Material de Consumo - R$ 1.800,00 5. Outras despesas - R$ 2.200,00 TOTAL - R$ 58.180,00 (cinquenta e oito mil, cento e oitenta reais).

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Fibra & PsiApoio com estrutura física para reuniões e aulas
ABDV - Associação Brasiliense de Deficientes VisuaisApoio logístico com secretaria, telefonia, impressão, reuniões
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Desde 2004 estamos inseridos no Projeto de Sexualidade e Orientação à Gestação, Parto e Nascimento da prof.Mestre e Dra.Silvéria Maria dos Santos, discente de obstetrícia do curso de Enfermagem da UnB/DF. Estamos nos movimentos sociais do DF em prol do parto e nascimento humanizado e respeitoso, implementamos várias Rodas de Conversa de mulheres grávidas e seus acompanhantes, com informações da medicina baseada em evidência para o parto e nascimento, com exercícios para a gestação e parto e com a inserção de Doulas nas rodas. Em 2013 começamos modestamente a capacitação de Doulas e Educadora Perinatal assim como sua supervisão nas primeiras experiências. Neste ano expandimos o projeto de capacitação de Doulas levando a proposta às comunidades de Brazlândia, Itapoã e Paranoá no DF