Banco Comunitário de Desenvolvimento - A Moeda Social KIRIRI

certificada 2015

Instituição
Grupo de Arte-Educação, Esporte e Cultura - GAEEC
Endereço
Rua Cândido Ferreira de Moura, Loteamento Encanto da Cidade. Nº 42, - Centro - Ouriçangas/BA
E-mail
gaeec@hotmail.com
Telefone
(75) 3447-2274
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Naiane de Sousa Santos(71) 8181-1998gaeec@hotmail.com
Resumo da Tecnologia

Mais do que a ação pontual de oferta de microcrédito, o propósito de um Banco Comunitário de Desenvolvimento é o fomento de uma outra lógica de desenvolvimento local. Trata-se de promover o desenvolvimento de territórios de baixa renda, através do fomento à criação de redes locais de produção e consumo, baseado no apoio às iniciativas de economia solidária em seus diversos âmbitos, como: empreendimentos sócioprodutivos, de prestação de serviços, de apoio à comercialização. A moeda social KIRIRIS tem o mesmo valor do dinheiro vigente, mas o grande desafio da moeda social é fazer com que o dinheiro circule dentro da própria comunidade.*{ods8},{ods12}*

Tema Principal

Renda

Problema Solucionado

Diante da proposta de trabalho que a Instituição vem construindo com outras organizações da sociedade civil organizada, no processo de identificação dos problemas locais, através de questionários e diagnósticos aplicados com os moradores da comunidade, pode-se afirmar que um dos grandes problemas do desenvolvimento econômico local: é o fato dos moradores gastar seu dinheiro nas cidades vizinhas. “Muita das vezes o problema da pobreza não é a falta de dinheiro! Mas sim, a falta de organização da renda que circula em torno da comunidade”. Além disso, a cidade não conta com agência bancaria, dificultando a população ter acesso aos seus serviços bancários, visando a logica da educação financeira. Devido a esses fatores pontuados pelos moradores relatando a falta de acesso a credito produtivo, falta de agência bancaria, enfraquecimento da feira livre e dos comércios, falta de trabalho e geração de renda, baixo índice de desenvolvimento econômico local entre outras variáveis que chegamos ao entendimento da implantação do Banco Comunitário–Fonte de Água Fresca (que significa o nome da cidade OURIÇANGAS) e a moeda social Kiriris (nome dos primeiros habitantes indígenas na região).

Objetivo Geral

Desenvolver através do Banco Comunitário de Desenvolvimento os princípios da economia solidária, potencializando e investindo pequenos empreendedores visando o desenvolvimento local sustentável. Reforçando a comercialização dos produtos locais através da moeda social KIRIRIS.

Objetivo Específico

Refletir com a população o espírito comunitário e de empreendedor solidário. Ampliar a capacidade aquisitiva da comunidade como um mecanismo ou estratégia de democratizar os meios de acesso a bens econômicos e simbólicos. Estimular e facilitar o intercâmbio de produtos, serviços e saberes entre os participantes. Apoiar a iniciativa dos grupos de produção do município, na perspectiva da economia solidária cooperando com os empreendimentos produtivos auto-gestionários. Criar estratégia às transformações das condições de vida e ao consumo para a inclusão social através da moeda social.

Descrição

Estrategicamente descreveremos aqui uma metodologia dinâmica e participativa que envolveu durante um período de 08 meses de reuniões, formações temáticas, palestras e oficinas sobre banco comunitário, economia solidária, fundo de crédito, moeda social e feiras solidárias, até a criação do banco e a formação do conselho gestor o qual é responsável junto com a comunidade pela funcionalidade do banco. A repercussão da atuação do Instituto Banco Palmas em replicar a metodologia do Banco comunitário começou no final de 2004, com a implantação do Banco PAR, em Paracuru/CE. No ano seguinte, o Ministério do Poder Popular para a Economia Popular (MINEP) do Governo da Venezuela aproximou-se do Instituto Banco Palmas e demonstrou interesse em replicar a experiência dos Bancos Comunitários naquele país. O modelo de banco comunal/comunitário assumido como política pública de desenvolvimento é então assimilado pelo governo venezuelano e já no ano seguinte, em Maio/2006, é aprovada a Lei dos Conselhos Comunais que estabeleceu os bancos comunais como administradores de recursos outorgados pelo executivo para desenvolvimento de projetos locais. Foi com base na experiência do Banco Palmas citado anteriormente no tópico do problema, fundado em 1998 e sua reaplicação da tecnologia social, resultando hoje em mais de 103 novos bancos comunitários em todo o Brasil, tendo apoio e reconhecimento do Banco Central. O nosso Banco Comunitário de Desenvolvimento – Fonte de Água Fresca teve inicio em 2013 com apenas R$ 300,00 em caixa, que conseguimos captar do evento realizado no dia dos professores. Após esse dinheiro em caixa, convidamos para uma reunião, em divulgação com carro de som e convite formal, os moradores, comerciantes, associação do loteamento encanto da Cidade além da representação do governo local. Nesta reunião apresentamos a proposta de um banco comunitário, sua importância para o desenvolvimento econômico local, sua finalidade, seus objetivos, a moeda social como forma de potencializar os pequenos empreendedores visando o principio da economia solidaria. Formamos o Conselho Gestor com um representante da comunidade, um dos comerciantes, um da associação e um do governo. Depois de o conselho gestor ter estabelecido a taxa de % (porcentagem) dos empréstimos e descontos iniciamos as atividades do banco com crédito rotativo de produção fazendo empréstimo para 05 empreendedores (baiana de acarajé, vendedora de doces e salgados, vendedora de peças íntimas, vendedora de bijuterias), sendo R$ 50,00 para cada dividido em 2 X 27,50 totalizando um lucro de R$ 5,00 por empreendedor. Hoje temos R$ 2.000,00 em caixa e 25 empreendedores cadastrado no banco, aumentamos o empréstimo para R$ 150,00 a R$ 200,00 para cada um. Ainda sim, consideramos um valor muito pouco para fazer um investimento nos empreendimentos local. O agente de crédito do banco consulta assim a rede de relações de vizinhança como fonte de conhecimento. Por sua vez, a cobrança do crédito passa pela introdução de um mecanismo de controle social extremamente original: são os próprios moradores do território que passam a ter a função de estabelecer mecanismo de pressão moral junto aos demais. Os bancos comunitários de desenvolvimento (BCDs) podem ser definidos como uma prática de finanças solidárias de apoio às economias populares de territórios com baixo índice de desenvolvimento humano. Estruturados a partir de dinâmicas associativas locais, os BCD se apoiam em uma série de ferramentas para gerar e ampliar a renda no território. Para tanto, são articulados quatro eixos centrais de ações em seu processo de intervenção: fundo de crédito solidário, moeda social circulante local, feiras de produtores locais e capacitação em economia solidária: Fundo de crédito solidário - Os créditos em reais possibilitaram um crescimento econômico na comunidade gerando novas riquezas. Moeda social circulante local – A moeda social torna-se uma estratégia às transformações das condições de vida e ao consumo para a inclusão social. Feiras de produtores locais – um espaço para integração e de conhecimento entre as pessoas, gerando novos saberes e ideias. Capacitação em economia solidária – São discutidos conceitos da economia solidária, realização de oficinas que aborda noções básicas de gestão de pequenos empreendimentos. Em suma, as quatro características resumem a especificidade dos BCD enquanto experiência de finanças solidárias. Este projeto funciona como um amplificador das parcerias e como catalisador de esforços para tornar os bancos comunitários uma referência de política de incentivo a geração de trabalho e renda para populações excluídas socialmente. Ainda será necessário o aperfeiçoamento processual para que os BCDs possam se multiplicar de modo sustentável, constituindo-se em uma política pública eficaz de mitigação das desigualdades sociais e de desenvolvimento socioeconômico de um território.

Resultado Alcançado

Para este procedimento criamos um planejamento estratégico que facilitou avaliar e identificar os resultados esperados: no primeiro momento avaliamos a participação e envolvimento das famílias, comerciantes e comunidade no banco comunitário / Como os clientes e comunidade estão reagindo frente às temáticas trabalhadas / Desenvolvimento socioeconômico e político na comunidade / Formas de vendas dos produtos / Possibilidades de ampliação das vendas e o espírito de solidariedade entre as pessoas envolvidas. Utilizamos como instrumento para esse levantamento a aplicação do diagnóstico dos empreendimentos acompanhados. Realizamos reuniões e encontros mensais com a equipe do banco e o conselho gestor (composto por a comunidade, associação e comerciantes), as famílias envolvidas no banco. Esse processo é acompanhado pelos Agentes de Créditos e o Conselho Gestor, tendo como suporte tais indicadores sociais que possibilitou a avaliação do resultado: Capacidade para resolver problemas do cotidiano / distribuição da riqueza local / cadeias produtivas nas comunidades rurais / melhoria da qualidade de vida e a geração de emprego e renda / combate à exclusão social e a pobreza / possibilitar a inclusão bancária / promover o desenvolvimento sustentável do território étnico / fazer com que a riqueza seja gerada e consumida localmente. Hoje no Banco Comunitário de Desenvolvimento – Fonte de Água Fresca a população além de ter acesso ao credito e moeda social, pode pagar sua conta de água, luz, boletos e faturas através do serviço do Correspondente bancário. 06 membros no conselho gestor 02 agentes de credito 01 operador de caixa Uma media de 10 empréstimos por semestre Um media de 50 empréstimos já concedidos Total de 25 empreendimentos cadastrado 02 feiras de economia Solidária já realizadas. Participação na Conferencia Nacional de Economia Solidaria Curso de certificação para Correspondente Bancário. Curso e capacitação em Economia Solidária pela ITES – Incubadora Tecnológica de Economia Solidaria. Nesse sentido observamos o fortalecimento comunitário e familiar, a comunidade capaz de criar estratégias de enfrentamento aos problemas vivenciados através do banco comunitário, o comprometimento da comunidade com a luta pela inclusão social e cidadania, e capazes de propor ações político-sociais conscientes visando a maioria, comunidade capazes de elaborar estratégias de geração de renda a partir do Banco de Desenvolvimento Comunitário.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Ouriçangas / BahiaLoteamento Encanto da Cidade11/2012
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Empreendedores
População em geral
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

O2 computadores 01 notebook 02 impressora 01 data show 02 mesas 06 cadeiras 09 mochilas 09 camisas 09 bonés 09 garrafas poliesportiva 09 pranchetas 05 resma de papel oficio 01 caixa de caneta 01 caixa de Lápis 01 caixa de borracha 30 adesivos 30 banner 02 Faixas 300 Cartazes 900 Folders 500 panfletos Impressão das moedas

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Para um bom desenvolvimento do bano comunitário é necessário um fundo de credito para finalidades dos empréstimos produtivo e de consumo, sendo assim estipulamos um valor de R$ 40.000,00 para implantação e reaplicação do banco comunitário de desenvolvimento.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
ITES - Incubadora Tecnológica de Economia SolidariaFormação e capacitação em economia solidária, assessoria nas atividades
GAEEC - Grupo de Arte-Educação, Esporte e CulturaEntidade mantenedora
Rede baiana de banco comunitários de desenvolvimentoArticulação e mobilização das ações e projetos
Rede brasileira de bancos comunitários de desenvolvimentoArticulação e mobilização das ações e projetos
Banco Central do BrasilApoio no projeto Educação Financeira
Fundação CapitalApoio no projeto Educação Financeira
Caixa Econômica FederalServiço de correspondente bancário
Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Modelo das Moedas KirrisBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Aqui descrevemos a fala de três pessoas, a primeira do morador local a segunda do comerciante e a ultima do feirante: Eu prefiro comprar na cidade vizinha, porque lá tem banco onde eu saco meu salario, ai eu aproveito que já estou lá e faço minhas compras do mês que é mais barato! Se aqui tivesse um banco seria bem melhor... Eu tenho esse comercio, mas as pessoas preferem comprar em outra cidade! Tenho que fazer meus pagamentos e depósitos fora também, porque os valores são altos e aqui não aceita, corremos muito risco de ser assaltado na estrada... Sou feirante a mais de 15 anos! Antigamente era bem melhor, hoje já penso em desisti... Planto milho, feijão, mandioca, quiabo na minha terra e vou vender na feira. Não temos acesso a crédito e nem apoio do governo...