Central de Comercialização: Comercialização de Recicláveis em Redes de catadores

certificada 2015

Instituição
Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA)
Endereço
Rua Padre Rossini Cândido, 131 - Coração Eucarístico - Belo Horizonte/MG
E-mail
insea@insea.org.br
Telefone
(31) 3295-7270
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Diogo Tunes Alvares da Silva(31) 3295-7270diogotunes@yahoo.com.br
Resumo da Tecnologia

A venda de recicláveis em rede surge como uma TS capaz de gerar escala e aumentar a competitividade dos grupos de catadores. Rompendo com estruturas de um mercado de oligopólios de grandes aparistas. A central de comercialização, aumenta ainda mais a escala das redes de catadores, agregando EEs de diferentes redes/regiões ela potencializa os resultados financeiros e de articulação, além de otimizar gastos para operacionalização do sistema. A negociação dos recicláveis através da Central exige uma estrutura de composição de custos simples (fretes, administrativos e de pessoal) e enxutos que permite a negociação com preços capazes de cobri-los além de gerar uma maior renda aos catadores.*{ods8},{ods12},{ods13}*

Tema Principal

Renda

Tema Secundário

Meio ambiente

Problema Solucionado

Na história da organização dos catadores a comercialização de recicláveis se mostra um ponto crítico dentro da cadeia, mesmo porque, especialmente em MG, o mercado sempre foi controlado por grandes aparistas e sucateiros que detêm parcela considerável deste. Para além, o mercado se caracteriza pela formação de preços a partir da demanda imposta por quem compra, não são os grupos organizados de catadores que fazem a composição de custos para formar o preço de seus materiais, ficando desta forma submetidos a esta lógica que tem grande influência negativa em sua renda. Esta situação é observada em todo estado e também em todo país, a dificuldade de grupos ligados à economia solidária, principalmente catadores, de realizarem a comercialização de seus produtos por valores satisfatórios, sem que ocorram grandes variações ou mesmo a imposição de preços baixos ditados por que faz a compra. A aplicabilidade da lógica de Central de Comercialização de redes pode, desta forma, ser aproveitada por grupos produtivos que a partir da cooperação intra e entre as redes cria um novo arranjo econômico solidário que rompe com a lógica tradicional ao negociar grandes volumes coletivamente.

Objetivo Geral

A comercialização em Rede, através da Central, visa o aumento na renda dos catadores a partir da articulação solidária entre os grupos em redes (constituídas por cooperativas de segundo grau), e da articulação entre as Redes, otimizando processos (diminuindo gastos) e potencializando resultados.

Objetivo Específico

-Negociar maiores volumes, garantindo à Rede maior estabilidade no mercado, garantia de um melhor preço e menores flutuações nos valores unitários, em decorrência da garantia de escala e frequência produtiva; -Aumentar o faturamento de cada grupo de catadores dentro do sistema de comercialização; -Otimizar custos operacionais, através: 1-Análise de custos de operação do caminhão de venda, com motorista e ajudante (ou até mesmo sem este último) sendo possível determinar um valor global capaz de cobrir essas despesas e ser rateado entre as bases conforme o uso deste equipamento; 2-compartilhamento de estrutura administrativa e pessoal por mais de uma rede para operação de seus negócios (venda dos recicláveis), partilhando esforços comuns(equipamentos, insumos e mão de obra) de maneira a compartilhar os gastos e torná-los menores do que quando absolvidos individualmente; 3-Integração dentro na central e consequente adoção de padrões de controle de processos e até mesmo produtivos;

Descrição

A comercialização em redes de catadores se deu a partir da articulação dos EES, e da formalização das cooperativas de segundo grau. O processo remete a história de organização e se torna indicador que demonstra a necessidade em se obter escala e representatividade em níveis mais consolidados. Catadores não organizados buscam nos EES a segurança e representatividade para o trabalho. A catação individual faz a imposição de preços baixos uma frequente, se organizando os catadores conseguem escala suficiente para romper laços com pequenos e médios sucateiros. Com a organização dos EES as condições de mercado são mais favoráveis porém, a mesma prática se repete em diferente escala, estes se mantem ligados a médios e grandes aparistas que apesar de pagarem um maior valor pelo material, não repassam preços compatíveis com o real valor dos materiais e há grande disparidade em preços pagos por um mesmo produto de um empreendimento para o outro. A comercialização em rede teve inicio em 2012 a partir da articulação dos EEs fundadores da CATAUNIDOS que com troca de experiências percebeu grande disparidade nos preços praticados, sendo observado que um mesmo comprador praticava um preço mais elevado para um tipo de material na base “A” e mantinha outro material em um nível mais baixo e invertia essa lógica para a base “B”, conseguindo desta maneira comprar o material de um grande número de EES praticando uma tabela de preços diferente. Inicialmente fez-se valer a articulação para nivelamento de preços para com as afiliadas. Intercâmbios entre as bases para um maior alinhamento na estratégia se tornaram frequentes e com isso a rede fez com que os grandes atravessadores passassem a adotar um preço único.Um catador fazia cotação para repasse as afiliadas. Porém, mesmo com esta articulação, e a partir do crescimento da rede, de 9 afiliadas para 33 (Jan/12), a articulação não se mostrou totalmente eficaz já que os compradores continuavam com a prática de diferenciação dos preços. Com a filiação de EES num raio de 200 km da capital, os preços apresentavam diferença sob alegação da distância e mesmo do padrão produtivo dos diferentes EES, porém sem demonstrar uma lógica e proporção nas diferenças, foi então perceptível que a prática de tabelas diferentes se mantinha nas regiões Centro Oeste e Campo das Vertentes. Fez-se necessária desta forma a articulação em outro nível que permitisse uma ação mais contundente no mercado. A partir daí nasce a Central de Comercialização-CC representando afiliadas da CATAUNIDOS (Jul/14) e Rede Sul Sudoeste de MG desde (Nov/14), ambas assessoradas pelo INSEA. A CC foi concebida a partir de reuniões com todos os representantes da rede Cataunidos e da perspectiva de utilização de um caminhão da rede. Um planejamento foi elaborado para conciliar a utilização do veículo com a demanda produtiva de cada EE, desta forma foram levantados os seguintes aspectos: -Área para estoque de fardos e produção; -Padrão de produção: como é a classificação dos materiais e a produção de fardos; Após estas análises foi notado que o padrão de produção não era homogêneo e que as condições para fazer a carga não eram as ideias, desta forma dentro da composição de custos e arranjo operacional foi designado um ajudante para montagem das cargas. Além disso, para alinhamento do padrão uma oficina de produção foi elaborada e aplicada nos EES com o intuito de tornar a produção homogênea. A logística de operação foi então determinada: A CC solicita a cotação aos compradores em nome de todos os EES; Elabora um calendário mensal de cargas e calcula os custos para cada EES que fará a utilização do veículo. A partir da elaboração do calendário o veículo vai ao EES para montagem da carga e encaminhamento ao comprador, onde o gerente faz a conferencia analisando junto com o comprador a quantidade e qualidade dos materiais; Custos foram estimados e aplicados a realidade de cada EES, os itens de custo são aqui descritos, o cálculo do valor total é baseado no calendário de vendas e no custo fixo de operação: Km rodado no mês + os custos com pessoal, administrativos e custos fixos do caminhão. Custo por base: Km em cada venda + custo fixo “diluído” da CC, ou seja, quando o EES solicita utilização do caminhão os custos mensais são aplicados considerando a demanda total e a “unitária”, de cada EES. Ao se aplicar todos os custos ao total de EES se estabeleceu a lógica de compartilhamento, sendo que quanto maior o número de EES na operação, menor é o custo para cada, já que os fixos se diluem e os variáveis são de acordo com a quilometragem para atender cada EES. Com a consolidação da modelagem, outra rede, aderiu a CC, assim além de um aumento na representatividade, os custos envolvidos passaram a ser ainda mais diluídos. O sistema envolve grande número de atores, desde fóruns e espaços nos municípios para temática que envolve o trabalho dos catadores até outros atores parceiros do INSEA e do MNCR.

Resultado Alcançado

O principal resultado no início do processo (2012) foi o nivelamento dos preços para as nove fundadoras da CATAUNIDOS. Já com a implantação da CC os EES ligados a CATAUNIDOS e Sul Sudoeste passaram a apresentar resultados ainda mais significativos. A operação da CC que iniciou com 10 EES da CATAUNIDOS, e 15 cargas/mês, passou para 15 grupos com 22 cargas mensais em outubro de 2014 e no mês seguinte, com a adesão da rede Sul Sudoeste MG, passou a representar 30 bases com 37 cargas. Há por parte do INSEA um acompanhamento diário do andamento e resultados da operação da CC. E como o Instituto já fazia o acompanhamento dos EES e das redes, foi também possível estabelecer indicadores de desempenho, ligados a aumento de renda, gestão da central e demais indicadores que demonstram a consolidação e crescimento do processo: -Aumento no preço médio dos materiais de 22% (CATAUNIDOS) de 35% (REDE SUL); -Aumento no faturamento mensal de 20% (CATAUNIDOS) e de 30%(REDE SUL); -Aumento de 90% na quantidade comercializada pela CATAUNIDOS de Ago/2014 a Abr/2015 e de 109 % na Rede Sul de Out/2014 a Abril/2015; -Melhoria no padrão de produção, fazendo com que os descontos passassem a não ser constantes. -Diminuição na especulação e flutuação de preços por parte dos aparistas; -Maior sentimento de pertença às redes; -Integração gerando benefício mútuo entre diferentes redes; -Fortalecimento da categoria;

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Belo Horizonte / Minas GeraisCoopesol Leste - Bairro Granja de Freitas01/2015
Barroso / Minas GeraisASCAB02/2015
Belo Horizonte / Minas GeraisASMARE - bairros: Barro Preto e Prado01/2012
Igarapé / Minas GeraisAPAIG01/2012
Itaúna / Minas GeraisCOOPERT01/2012
Ibirité / Minas GeraisASTRAPI01/2012
Contagem / Minas GeraisASMAC01/2012
Betim / Minas GeraisASCAPEL01/2012
Nova Lima / Minas GeraisASCAP01/2012
Brumadinho / Minas GeraisASCAVAP01/2012
Pará de Minas / Minas GeraisASCAMP01/2012
Poços de Caldas / Minas GeraisAção Reciclar - Estância São José10/2014
Florestal / Minas GeraisASTRIFLORES07/2014
Mateus Leme / Minas GeraisASCALEME07/2014
Juatuba / Minas GeraisCRT07/2014
Carmo do Cajuru / Minas GeraisRECICARMO07/2014
Papagaios / Minas GeraisASCAMRRP07/2014
Ouro Branco / Minas GeraisASCOB07/2014
Santo Antônio do Monte / Minas GeraisASCASAM08/2014
Formiga / Minas GeraisRECIFOR08/2014
Divinópolis / Minas GeraisASCADI07/2014
São Gonçalo do Pará / Minas GeraisASCAM07/2014
Divinópolis / Minas GeraisASCAMARE09/2014
Cachoeira de Minas / Minas GeraisACLAMA - Bairro Rosário10/2014
Três Pontas / Minas GeraisATREMAR - Distrito Industrial10/2014
Três Corações / Minas GeraisACAMTC -10/2014
Lavras / Minas GeraisACAMAR - Nova Lavras10/2014
Jacutinga / Minas GeraisCooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Jacutinga -10/2014
Machado / Minas GeraisAMARE - Zona Rural10/2014
Piranguçu / Minas GeraisUNICAP - Zona Rural10/2014
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Catadores de material reciclável
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Como explicitado a Central atualmente abrange duas redes sendo que a utilização dos recursos materiais se da de maneira diferente por rede. A Central possui em seu corpo de funcionários um motorista, um ajudante de carga e um gerente de comercialização, todos eles cooperados da rede CATAUNIDOS. Esta conta ainda com um veículo (caminhão FORD cargo com capacidade de carga líquida de 15T), utilizando-se deste diariamente, e também do motorista e ajudante de carga, além do gerente de comercialização que atua representando as duas redes. O escritório da CC, instalada na Unidade industrial da rede cataunidos (processamento de sucatas plásticas), opera em uma sala com um computador conectado a internet, uma linha telefônica com limite de 100 minutos. A luz e água das instalações são custeadas por outras atividades exercidas no local. Como observado a instalação, e até mesmo manutenção, dessa TS é de simples execução já que todo o processo operacional é efetuado de forma quase que virtual, permitindo desta feita um resultado e representatividade de grande expressão sem que haja um custo elevado, principalmente se consideramos outras centrais de catadores que dependem de um espaço físico para acúmulo, reclassificação e retriagem das cargas além de capital de giro para os participantes em função da operação de venda não ser imediata. As fases de capacitações para estabelecer os padrões de produção contaram com uma equipe de catadores e acompanhamento técnico do INSEA.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Veículo: Aquisição de veículo: R$ 200.000,00 (opcional); Depreciação: R$ 1.333,33/mês; IPVA/Seguro Obrigatório: R$ 133,33/mês; Manutenção/Pneus/óleo: 0,42 R$/km; Mão de obra (R$/mês): Motorista: 2109,00; Ajudante: 1950,00; Gerente: 2400,00; Oficina de padronização: R$ 80,00/profissional/oficina; Outras R$ 300,00/mês plano net+fone R$ 500,00/mês com despesas gerais/administrativas

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
DanoneParceira do INSEA no Projeto Novo Ciclo que viabiliza assessoria técnicas nos empreendimentos das Regiões Sul e Sudoeste de MG.
PetrobrasParceira do INSEA no Projeto CATAUNIDOS/PETROBRAS (2013-2015) que viabiliza assessoria técnicas nos empreendimentos das Regiões Metropolitana de BH, Centro Oeste e Campo das Vertentes.
MNCR - Movimento Nacional dos Catadores de Materiais recicláveisParceiro estratégico na articulação, mobilização e formação das Redes de catadores
Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Cartilha distribuída aos EES explicando tanto o processo da CC bem como o padrão para classificação dos materiaisBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

A CC foi concebida para dar representatividade às Redes, desta feita sua replicação se dará de acordo com a demanda de cada rede, sendo que a utilização dos recursos de sua operação pode ter pequenas variações porém, a negociação em escala cada vez maior,garantia de padrão e volume se mantem e na prática aumentam para todas. Os itens de custo comum são compartilhados potencializando o resultado financeiro para os catadores, como no caso da Rede Sul que não faz utilização de veículo comum mas compartilha do pessoal e sistema administrativo. Já há planejamento para inclusão de outras redes na CC e se espera que esta possa operar com as redes do Norte de Minas, Zona da Mata, Vales do Aço e Mucuri e até mesmo com o estado do Espírito Santo, todas contando com apoio do INSEA e MNCR.