Complexo Hospitalar Móvel-Operando na Amazonia

certificada 2015

Instituição
Associação Expedicionários da Saúde
Endereço
Rua Dr. Heitor Penteado, 1300 - Joaquim Egídio - Campinas/SP
E-mail
marcia@eds.org.br
Telefone
(19) 3298-6033
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Marcia Abdala(19) 3298-6033marcia@eds.org.br
Ricardo Affonso Ferrreira(19) 99177-7295ricardo@eds.org.br
Resumo da Tecnologia

O Complexo Hospitalar Móvel visa atender à demanda cirúrgica em áreas indígenas remotas da Amazônia Brasileira. Assim, os Expedicionários da Saúde, por meio do seu Centro Cirúrgico Móvel, organizam três expedições anuais com tecnologia de ponta e médicos voluntários para atuar nas seguintes frentes: -realização de cirurgias gerais e oftalmológicas com orientação de cuidados pré e pós operatórios (principalmente cataratas, pterígios e hérnias); -atendimentos em clínica médica, pediatria, ginecologia, oftalmologia, ortopedia e odontologia; -encaminhamento dos casos que não sejam passíveis de tratamento in loco; -treinamento e capacitação de profissionais de saúde local.*{ods3},{ods10},{ods13}*

Tema Principal

Saúde

Tema Secundário

Meio ambiente

Problema Solucionado

As comunidades indígenas isoladas na Amazonia Legal Brasileira recebem, por parte do governo,atendimento básico e preventivo à saúde. Além das dificuldades relacionadas ao difícil acesso às comunidades, o atendimento de casos graves, assim como as cirurgias eletivas, dependem do encaminhamento destes pacientes para centros médicos da região. Por conta do intenso contato com a luz solar, há uma alta incidência de doenças degenerativas dos olhos, como cataratas (principal causa de cegueira reversível no mundo) e pterígios.Também é muito comum a existência de hérnias inguinais e abdominais pelo esforço físico realizado por essas populações. Esses casos necessitam de encaminhamento para algum centro médico da região.No entanto, a falta de condições de atendimento nestes centros é uma realidade, pois nem sempre dispõem de tecnologia, médicos especialistas e em geral, lidam com superlotação. Existem ainda, as dificuldades geradas com a mudança do indígena para os centros urbanos enquanto buscam atendimento, fazendo com que se ausentem de sua comunidade, excluindo-os de sua vida produtiva. O simples acesso a procedimentos cirúrgicos pode mudar este cenário.

Objetivo Geral

Contribuir para a melhoria da saúde indígena no Brasil, possibilitando às populações indígenas isoladas da Amazônia Legal Brasileira, acesso a atendimento clínico e cirúrgico especializado, com tecnologia de ponta, sem a necessidade de deslocamento para grandes centros.

Objetivo Específico

- promover expedições compostas por agentes de saúde, antropólogos e demais voluntários inerentes a seu objeto social para prestar assistência médica in loco a populações indígenas e povos tradicionais, especialmente na Amazônia Brasileira; - organizar equipes médicas multidisciplinares que prestem atendimento a populações indígenas e povos tradicionais; - promover a prevenção de moléstias, por meio, especialmente, da construção, melhoria e capacitação de postos de saúde; da formação e capacitação de agentes de saúde; da melhoria das condições de higiene das populações e do estimulo ao uso adequado e racional de medicamentos; - promover a educação, enquanto mecanismo preventivo, por meio, especialmente do fortalecimento e valorização dos sistemas tradicionais de saúde e de fornecimento de material didático coerente com a condição cultural das populações atendidas; - realizar cirurgias e acompanhamentos pós-operatórios; realizar consultas e exames. - proteger a fauna e flora.

Descrição

O preparo de cada expedição dura em média 4 meses e se divide em cinco etapas. 1- Análise e planejamento: o início de cada expedição é marcado pelo acordo entre a EDS, Ministério da Saúde e lideranças indígenas a partir de uma demanda de saúde das comunidades envolvidas.Este primeiro contato com as lideranças indígenas é sempre muito cuidadoso e delicado, e é fundamental para que se estabeleça uma relação de confiança e parceria. A partir daí, parcerias são firmadas com o Ministério da Defesa, SESAIs ( Secretaria Especial de Saúde Indígena) e DSEIs (Distritos Sanitários Especiais Indígenas). São realizadas viagens exploratórias para a escolha do local mais adequado para receber o Complexo Hospitalar Móvel. Esta escolha depende de diagnósticos das condições geográficas locais, avaliação das adequações de infra estrutura que serão necessárias e engajamento da população local neste processo. 2-Preparação e mobilização: neste momento, é realizado o treinamento dos agentes de saúde locais para a triagem dos possíveis beneficiários. Este treinamento é realizado durante uma viagem de capacitação e preparação, na qual médicos e enfermeiros ministram aulas com o objetivo de familiarizar estes agentes locais com as doenças em questão e treiná-los como fazer a suspeita diagnóstica, para que estes pacientes sejam encaminhados para a avaliação médica durante a expedição em si. Muito importante também é orientá-los quanto aos cuidados pré e pós operatórios.Inicia-se o processo de adequação da infra estrutura sob orientação do coordenador de logística e mobilização para obtenção de insumos e equipamentos necessários de acordo com a demanda de cirurgias. É durante esta fase que se forma a equipe de médicos, enfermeiros e logísticos voluntários que participarão da expedição. O envio da carga, em torno de 12 toneladas de insumos e equipamentos, e de uma primeira equipe de logística ocorre em torno de dez dias antes do início da expedição. Neste período, caso se faça necessário, uma equipe composta por três médicos é enviada a comunidades distantes cujo deslocamento é difícil e custoso, para que somente pacientes efetivamente cirúrgicos sejam mobilizados. 3-Expedição: inclui a mobilização da equipe assistencial e dos pacientes triados nas áreas previamente estabelecidas para a comunidade em questão. Estes pacientes serão atendidos conforme sua demanda de saúde pelos médicos especialistas disponíveis. Realiza-se atendimentos nas seguintes especialidades: clínica médica, pediatria, oftalmologia, ortopedia, ginecologia, cirurgia geral e odontologia. Caso se confirme a necessidade de cirurgia, uma avaliação pré operatória é realizada pela equipe de médicos anestesistas. Neste período, em geral de sete dias, são realizados os procedimentos cirúrgicos em nosso Centro Cirúrgico Móvel e posterior encaminhamento dos pacientes para suas comunidades de origem. Ao final de cada dia, são ministradas aulas sobre temas de saúde diversos para a equipe de enfermagem e pacientes. Filmes de expedições anteriores em outras comunidades e etnias também geram bastante interesse por parte da população local. 4-Desmobilização: desmontagem do Complexo Hospitalar Móvel e reenvio da carga, parte para nossa sede em Campinas, parte para Manaus. As melhorias de infra estrutura como cozinha, construção de barracões, banheiros, etc, ficam para a comunidade que recebeu a expedição. Esta estrutura é de uso da comum, e os espaços são utilizados em atividades comunitárias, festividades e no dia a dia da comunidade. O descarte de materiais hospitalares seguindo normas da Anvisa ( Agencia Nacional de Vigilância Sanitária ) é realizado pelos DSEIs. 5- Conclusão: exames e materiais colhidos em área, como biópsias e colpocitologia oncótica (exame de papanicolau), são encaminhados para análise. Os resultados desses exames são então encaminhados aos DSEIs responsáveis por cada paciente juntamente com orientação de conduta. Casos que não puderam ser atendidos in loco devido à sua complexidade são encaminhados e eventualmente transferidos para São Paulo ou Campinas se houver necessidade. Realização do levantamento de resultados e divulgação dos mesmos aos nossos parceiros e colaboradores. Manutenção e eventual conserto de equipamentos e devolução de equipamentos cedidos por empréstimos.

Resultado Alcançado

A EDS orgulha-se dos resultados alcançados desde sua fundação, desenvolvendo um trabalho que respeita a cultura indígena e permite manter os pacientes próximos às suas casas, para que possam cumprir seu importante papel de guardiões da floresta. Tabela de Resultados: (lista completa com Etnias atendidas encontra-se disponível nos documentos anexos) Iauretê, AM (fev/04, nov/04 e abr/05), 430 atends.,205 cirurgias Pari Cachoeira, AM (nov/05 e abr/07),1290 atends., 234 cirurgias Tunuí, AM, (abr/06 e nov/06),1126 atends., 235 cirurgias Tapajós, PA (ago/07, nov/07 e ago/09),1994 atends.,464 cirurgias Vila Nova do Xié, AM, (abr/08), 935 atends.,194 cirurgias Arapiuns, PA, (ago/08),315 atends.,132 cirurgias Novo Paraíso, AM, (nov/08 e abr/09),2845 atends.,491 cirurgias Rio Andirá, AM, (nov/09 e abr/10),2637 atends. 285 cirurgias Médio Rio Negro, AM, (nov/10),1148 atends. 179 cirurgias São Félix do Xingu, PA, (abr/11),1210 atends., 73 cirurgias Arapiuns, PA, (ago/11 e ago/12), 1557 atends., 315 cirurgias Sai Cinza, PA (nov/11),1507 atends., e 179 cirurgias São Gabriel da Cachoeira, AM (fev/12),106 atends., e 61 cirurgias Taracuá Cachoeira, AM, (abr/12)1696 atendimentos e 185 cirurgias Raposa Serra do Sol, RR (nov/12 e nov/13), 4020 atends., e 624 cirurgias Allto Solimões e Vale do Javari, AM, (abr/13), 2219 atends. e 334 cirurgias Surucucu, RR (set/13), 1260 atendimentos e 221 cirurgias; Parque do Xingu, MT(abr/14),1195 atends., 147 cirurgias. São Pedro e Marawasede,MT, (ago/14),1504 atends.,223 cirurgias; General Carneiro, MT, (nov/14), 20 atends., 16 cirurgias; Santa Isabel do Rio Negro, AM,(nov/14), Barés,184 atends.,114 cirurgias Médio Solimões, AM, (abr/15),3031 atends., 290 cirurgias Devido à dificuldade de acesso já descrita, o programa Operando na Amazônia, por meio da tecnologia social "Centro Cirúrgico Móvel" se configura como uma alternativa de resultados comprovados, capaz de mudar vidas. Nos últimos 12 anos, foram realizadas pela equipe EDS 5.221 cirurgias e 32.229 atendimentos, numa área de mais de 500.000 km2 (equivalente ao território da França) e abrangendo 160.000 indígenas. Ao longo destes anos, percebemos que nossa equipe também é grande beneficiaria deste trabalho. É muito fácil perceber a satisfação e realização profissional e pessoal de nossos voluntários, que na sua grande maioria, sempre se dispõem a participar novamente de outras expedições.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Iauaretê / Amazonas02/2004
Iauaretê / Amazonas11/2004
Iauaretê / Amazonas04/2005
São Gabriel da Cachoeira / AmazonasPari Cachoeira11/2005
São Gabriel da Cachoeira / AmazonasPari Cachoeira04/2007
São Gabriel da Cachoeira / AmazonasTunuí04/2006
São Gabriel da Cachoeira / AmazonasTunuí11/2009
Santarém / Pará08/2007
Santarém / Pará11/2007
Santarém / Pará08/2009
São Gabriel da Cachoeira / AmazonasVila Nova04/2008
Santarém / ParáArapiuns08/2008
Santarém / ParáArapiuns08/2011
Santarém / ParáArapiuns08/2012
Tabatinga / AmazonasNovo Paraiso11/2008
Tabatinga / AmazonasNovo Paraiso04/2009
Parintins / AmazonasRio Andirá11/2009
Parintins / AmazonasRio Andirá04/2010
Santa Isabel do Rio Negro / AmazonasCartuxo11/2010
São Félix do Xingu / Pará04/2011
Jacareacanga / ParáSai Cinza11/2011
São Gabriel da Cachoeira / Amazonas02/2012
Pacaraima / RoraimaRaposa Serra do Sol11/2012
Pacaraima / RoraimaRaposa Serra do Sol11/2013
Tabatinga / AmazonasAlto Solimoes-Vale do Javari04/2013
São Gabriel da Cachoeira / AmazonasTaracuá04/2012
Alto Alegre / RoraimaSurucucu09/2013
Canarana / Mato GrossoParque Indígena do Xingu04/2014
Alto Boa Vista / Mato GrossoSão Pedro- Marãiwatsédé08/2014
General Carneiro / Mato Grosso11/2014
Santa Isabel do Rio Negro / AmazonasCartuxo11/2014
Tefé / AmazonasBarreira de Baixo04/2015
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Povos indígenas
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

*Recursos para o centro cirúrgico: -4 barracas cirúrgicas, 2 aspiradores cirúrgicos, 4 bisturis elétricos, 4 monitores cardíacos, 1 carrinho de anestesia, 2 cilindros e 1 concentrador de oxigênio, 2 focos cirúrgicos, mobiliário , instrumental cirúrgico e insumos( fios de sutura, aventais e luvas estéreis, material de curativo, etc), 1 desfibrilador. -2 Facoemulsificadores, 1 microscópio Leica, instrumental cirúrgico específico, 2 esterilizadoras, lentes intra oculares, colírios e insumos cirúrgicos. *Recursos para os consultórios: -2 barracas consultório, balança pediátrica, esfigmomanometros e glicosímetro, 1 aparelho de eletrocardiograma, 1 aparelho de ultrassom portátil, 1 colposcópio, 1 doppler fetal, mobiliário de consultório. -2 cadeiras odontológicas portáteis, 2 clinicas odontológicas portáteis, 4 focos cirúrgicos de cabeça. -equipamentos para consultório oftalmológico: 1 ceratômetro, auto refrator, refrator manual, lampada de fenda, retinoscópio, tonômetro, USG oftalmológico. *Outros: -4 geradores 7 Kva, 4 geradores 10 Kva, 15 notebooks, 2 impressoras, transformadores, 9 aparelhos de ar condicionado 18000 BTUs, 4 autoclaves, suprimentos elétricos hidráulicos, suprimentos e mobiliário de escritório, filtro de água hospitalar, 1 aparelho de GPS, 1 telefone satélite, medicamentos, ferramentas.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

O valor é estimado em R$ 310.000,00 distribuídos da seguinte maneira: 1-infra estrutura e adequação da comunidade: R$50.000,00 2-insumos e medicamentos:R$ 115.000,00 3-transporte de carga: R$ 40.000,00 4-alimentação: R$50.000,00 5-institucional:R$55.000,00 Além disto, contamos com um imobilizado em equipamentos próprios no valor de R$456.000,00 e R$1.100.000,00 em equipamentos emprestados.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Pfizerdoação de recursos financeiros e medicamentos
Positrondoação de recursos financeiros
Abbot/Vistatekdoação de insumos
Johnson & Johnsondoação de insumos
Cristáliadoação de medicamentos
3M do Brasildoação de insumos
Kimberly Clarke do Brasildoação de insumos
Ophtalmos S/Adoação de medicamentos
Cremer S/Adoação de insumos
Uniodontodoação de insumos
Unimed Campinasdoação de recursos financeiros
Ministério da Defesadeslocamento de carga e transporte de equipe médica
Ministério da Justiça-FUNAIlogística local, alimentação dos pacientes e familiares
Ministério da Saúde- Secretaria Especial de Saúde Indígenahospedagem e transporte de pacientes e agentes indígenas de saúde, apoio logístico e de infra-estrutura, transporte de equipes logísticas e médicas durante viagens precursoras e capacitação
Alcondoação de insumos e empréstimo de equipamentos
Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Resultados alcaçandos desde a Fundação da EDSBaixar
Matéria da Equipe da Revista Época que acompanhou a 32a Expedições - Médio SolimõesBaixar
Matéria do Jornal El País sobre a 30a Expedição - Cirurgias de Vesículas em indígenas Xavantes - General Carneiro, MT,Baixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Pico da Neblina, ano de 2002. Um grupo de amigos médicos monta uma expedição para subir o pico mais alto do país. Nesta ocasião, tiveram a oportunidade de conhecer uma aldeia Yanomami. Ao se depararem com a precariedade do acesso à saúde desta população, decidiram se mobilizar para tentar mudar esta realidade. Procuraram as instituições de saúde locais para entender como atuavam e planejar uma ação eficaz. Nasce, assim, a Associação Expedicionários da Saúde. Desde então, foram realizadas 32 expedições para a áreas indígenas e 5 expedições ao Haiti, sendo estas de ajuda emergencial após o terremoto em 2010. Atender e tratar os indígenas próximo à suas comunidade ajuda a preservar sua cultura e a manter seu papel de guardiões da floresta. EDS,cuidando da saúde, preservando a floresta!