Biodigestor Sertanejo

certificada 2015

Instituição
Diaconia
Endereço
Rua Marques Amorim, nº 599 - Boa Vista - Recife/PE
E-mail
alyne@diaconia.org.br
Telefone
(81) 3221-0508
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Carmo Fuchs(81) 3221-0508carmo@diaconia.org.br
Resumo da Tecnologia

O Biodigestor é uma tecnologia social que produz biogás a partir de esterco animal, o qual é utilizado em fogões para a preparação da alimentação familiar. Tem grande relevância devido a sua simplicidade de manutenção e manejo, baixo custo econômico de instalação, substituição do gás butano pelo biogás, redução de emissão de gás metano e gás carbônico na atmosfera e produção de adubo orgânico e biofertilizante. O biodigestor é uma estratégia eficiente de redução do desmatamento e consequentemente da desertificação, além de se caracterizar como uma ação mitigadora dos efeitos das mudanças climáticas. Ele gera autossuficiência energética das famílias para a preparação de sua alimentação.*{ods7},{ods13}*

Tema Principal

Energia

Tema Secundário

Meio ambiente

Problema Solucionado

O problema econômico foi o 1º que motivou a Diaconia a implementar o Biodigestor Sertanejo. Hoje toda alimentação das famílias beneficiárias já é preparada com o uso do biogás, gerando assim autossuficiência energética para este fim. Elas não dependem mais da compra do botijão de gás, nem do carvão e da extração de lenha, já que ele produz todo o biogás necessário que é utilizado em qualquer fogão a gás comum. Isso gera uma economia real de R$ 75,00 mês/família. Essa tecnologia também evita a emissão de gases causadores do efeito estufa presentes no esterco animal, que são o gás metano (CH4) e gás carbônico (CO2), os quais são acondicionados no biodigestor e queimados no fogão. A degradação do meio ambiente é mais um problema que vem sendo reduzido, já que a lenha e o carvão para cozinhar deixam de ser extraídos da vegetação nativa. Com o desuso do fogão à lenha, há uma melhoria na saúde das pessoas, principalmente das mulheres que assumem a responsabilidade de cozinhar, que eram afetadas sofrendo com a fumaça causadora de problemas respiratórios. Com a retirada do esterco dos currais há uma melhora na sanidade animal, pois se reduz a quantidade de material exposto e de moscas.

Objetivo Geral

Biodigestores adaptados à realidade das famílias agricultoras produzindo biogás a partir da utilização de esterco animal, gerando economia, reduzindo a liberação de gases de efeito estufa e preservando a natureza.

Objetivo Específico

a) Contribuição para a redução do desmatamento, de modo a reduzir a incidência nos processos de desertificação; b) Economia de recursos financeiros das famílias agricultoras; c) Produção de biofertilizante e adubo orgânico para a produção de frutas e hortaliças; d) Redução da emissão de gases para a atmosfera contribuindo com a diminuição do efeito estufa; e) Melhoria da qualidade de vida, geração de renda e respeito ao meio ambiente.

Descrição

O biodigestor consiste numa caixa de carga de 0,50cm de altura por 0,50cm de comprimento onde se coloca o esterco misturado a água; num tanque circular de fermentação de 1,80m de altura por 1,70m de largura, que é feito por 52 placas de 50 por 50cm que são sobrepostas em 04 fileiras, onde a biomassa sofre a digestão anaeróbica pelas bactérias resultando na produção do biogás (basicamente metano - CH4); e a caixa de descarga, que tem um formato retangular, é formada por 02 partes interligadas e construída por tijolos, tendo a primeira 01m de comprimento por 0,70cm de largura e 30cm de profundidade (para o recebimento dos dejetos) e a segunda com 15cm abaixo da primeira, tendo 60cm de comprimento e 30cm de profundidade, onde sai o biofertilizante e o adubo orgânico ricos em nutrientes, resultado final da fermentação do esterco animal. A capacidade de produção é de 26kg de biogás/mês, o que equivale ao consumo médio duma família de cinco pessoas durante 04 horas/dia em fogões domésticos. O modelo de biodigestor construído pela Diaconia é feito com placas à base de cimento e areia, de forma cilíndrica, onde é colocado o esterco animal; tem uma caixa de fibra de vidro de 3 mil litros que é colocada emborcada sobre o esterco no tanque de fermentação, a qual é a câmara de armazenamento do biogás; um filtro feito com garrafão de água de 20 litros, que é o filtro de impurezas que serve para eliminar o mau cheiro gerado pelo biogás; um anel de zinco que fica em cima da câmara de armazenamento onde se coloca terra para fazer pressão para o biogás chegar ao fogão, o qual pode ser aproveitado para fazer um canteiro de verduras; e a tubulação de saída do gás que é feita com cano de PVC de 20mm, medindo 30cm de comprimento, de maneira que fique mais alto do que o anel de zinco. Na extremidade do cano instala-se um registro de gaveta, uma união e em seguida um cano curto para conexão da mangueira flexível. A mangueira flexível permite que a caixa de armazenamento suba e desça livremente. A ligação da mangueira com o cano de PVC que vai até o fogão é feita com o auxílio de um adaptador e uma braçadeira de cano. Há o sistema de drenagem que é feito com um buraco no ponto mais baixo da tubulação, onde se cava um buraco com 70cm de profundidade e 85mm de diâmetro e se colocado um cano de 75mm de diâmetro e 70cm de comprimento. Para a vedação do dreno usa-se um CAP de PVC esgoto de 75mm. Esse dreno tem a função de retirar a água do biogás. Para conectar o fogão à tubulação instala-se no fogão uma outra mangueira flexível e coloca-se na tubulação um segundo registro antes da mangueira. Esse registro tem a função de liberar o gás na hora do cozimento. Em alguns fogões será necessário abrir e retirar os giclês para furá-los. Deve se fazer isso com uma broca de 1,5 mm e depois colocar os giclês novamente no fogão. A chama que sai do fogão deve ter cor azul, não ter cheiro e deve apresentar um leve barulho de maçarico. O custo de implantação desse tipo de biodigestor é de R$ 2.800,00 com mão-de-obra. Para fazer o abastecimento diário são utilizados 10kg de esterco que são misturados a 10 litros de água. Para isso, basta que a família agricultora tenha 02 bovinos adultos, ou 10 suínos, ou 20 caprinos, ou 100 aves. Fácil de construir, um pedreiro capacitado faz a parte de alvenaria em três dias e um técnico instala a caixa e faz a ligação até o fogão em um dia.

Resultado Alcançado

Ao longo dos últimos 07 anos a Diaconia implantou 270 biodigestores nos municípios em que atua e a previsão é que até meados de 2016 chegaremos a 500 unidades. Acreditamos que essa tecnologia tem todas as condições para se tornar uma Política Pública. Isto porque ela é sustentável, traz benefícios econômicos importantes e contribui para a qualidade de vida das famílias, bem como se constitui em ganhos relevantes na dimensão do meio ambiente. O Biodigestor Sertanejo é uma tecnologia social que apresenta aspectos de inovação, reaplicabilidade e sustentabilidade. Isso porque ela é socialmente justa (está voltada para famílias que necessitam de apoio), economicamente viável (porque sua implantação tem baixo custo – R$ 2.800,00 e ela gera uma economia mensal de 9,32% de um salário mínimo para cada família, pois não necessitam mais comprar o botijão de gás) e é ecologicamente correta (evita a emissão de gás metano e carbônico na atmosfera, o desmatamento e doenças respiratórias porque elimina a fuligem resultante da queima de carvão e lenha). Além disso, há a minimização da degradação do bioma CAATINGA através da diminuição do uso de carvão vegetal e lenha (se evita o desmatamento); a redução da liberação na atmosfera do gás metano e carbônico produzido nas propriedades pela fermentação das fezes dos animais, evitando sua emissão e assim contribuindo para a preservação da camada de ozônio; a contribuição para minimização do aquecimento global; a produção de biofertilizante para o cultivo de hortas. O biodigestor, além de ser uma tecnologia com baixo custo econômico e feito com materiais simples, consegue gerar independência para a família durante a preparação de seus alimentos, pois todo gás necessário é produzido na sua propriedade. Além disso, os processos de mobilização e capacitação dos técnicos, pedreiros e das famílias, aliados a simplicidade do manejo da tecnologia, incentivam as pessoas para preservarem e fazerem a sua adequada manutenção. O Biodigestor tem conquistado resultados relevantes também na geração de trabalho e renda fortalecendo a economia local, pois a região passa a ter pessoas capacitadas para construir e ensinar a construir o biodigestor e a manejar a produção do biogás.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Afogados da Ingazeira / PernambucoLAJEDO, POÇO DE PEDRA, CAIÇARA, SERRINHA, CARNAUBINHA, MONTE ALEGRE, SANTO ANTONIO II01/2011
Bom Conselho / PernambucoASSOCIAÇAO QUILOMBOLA SITIO ANGICO, SITIO FLORES, SITIO FEIJAO, SITIO LAJERO DOS CABRAL09/2014
Umarizal / Rio Grande do NorteCAMPOS, PROJETO ASSENTAMENTO REMÉDIO, MURICI11/2011
São José do Egito / PernambucoRETIRO, FAZENDA NOVA, BAIXA DO VEADO, CARACOL, FELIPE06/2011
Tuparetama / PernambucoBOM SUCESSO, ASSENTAMENTO BARRIGUDA08/2011
Ipirá / BahiaCOMUNIDADE DO SITIO01/2015
Serra Preta / BahiaCOMUNIDADE DO BRAVO E BOM JESUS01/2015
Várzea do Poço / BahiaCOMUNIDADE ITAPEMIRIM E NOVA ESPERANÇA01/2015
Anitápolis / Santa CatarinaVARGINHA, MARACUJÁ, POVOAMENTO, RIO DA PRATA, RIO SALTO, RIO DO OURO, RIO ALFA10/2014
Santo Antônio das Missões / Rio Grande do SulTAQUARA MANSA11/2014
São Nicolau / Rio Grande do SulBARRA DO SERAFINO, PEDRA, RINCÃO DOS MACIEL, SÃO GREGÓRIO, PASSO, SANTA MARIA, RINCÃO DOS POTREIROS03/2015
Pontalina / GoiásFAZENDA SÃO JOÃO, AGUAPÉ, SÃO BENTO, SÃO PATRÍCIO.02/2015
Itaberaí / GoiásOLHOS D´AGUA, MUCUMBA, CÓRREGO BRANCO, CORDEIROS, SÃO JOSÉ, SAPEZAL.02/2015
Alexandria / Rio Grande do NorteMANIÇOBA, SERROTA12/2014
Caraúbas / Rio Grande do NorteABDERRAMANTE, CACIMBA DO MEIO, PROJETO ASSENTAMENTO URSULINA, MARRECAS02/2011
Guaraíta / GoiásSANTA ROSA, VALENÇA, RIBEIRÃO.02/2015
Piracanjuba / GoiásAREA VIRGÍNIA02/2015
Itapuranga / GoiásSANTO ANTÔNIO, LARANJAL, MUNDO NOVO.02/2015
Divino / Minas GeraisTAQUARAÇU, VARGEM GRANDE, VILETES, FROSSARD, SÃO JOSÉ DO NORTE.01/2015
Orizânia / Minas GeraisTOMBOS, SÃO PEDRO, IGREJINHA, CATUNÉ.12/2014
Pedra Dourada / Minas GeraisSÍTIO BANQUINHO, SÃO BENTO.02/2015
Jupi / PernambucoLAGOA PRIMEIRA10/2014
Carnaíba / PernambucoRIACHO FUNDO02/2012
Carnaíba / PernambucoLAGOA DO CAROÁ03/2013
Tabira / PernambucoINVEJA, CACHOEIRA GRANDE, POÇO REDONDO04/2014
Doutor Severiano / Rio Grande do NorteCATINGUEIRA, MEREJO, SÃO PAULO, JARDIM10/2012
Doutor Severiano / Rio Grande do NorteLAGOA DE DENTRO12/2014
Caraúbas / Rio Grande do Norte1º DE MAIO12/2011
Alexandria / Rio Grande do NorteSERROTA, CASTELIANO12/2014
Afogados da Ingazeira / PernambucoSANTO ANTONIO II02/2009
Afogados da Ingazeira / PernambucoCAIÇARA05/2010
Umarizal / Rio Grande do NortePROJETO ASSENTAMENTO REMÉDIO02/2010
Caraúbas / Rio Grande do NortePROJETO ASSENTAMENTO URSULINA08/2009
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adulto
Agricultores Familiares
Jovens
Mulheres
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

LISTA DE MATERIAIS DE CONTRUÇÃO - Abril/2015 ITEM DESCRIÇÃO UND QTDE p/ 01 biodigestor 1 Cimento Saco 9 2 Ferro 6,3 mm Barra 2 3 Arame 12 galvanizado Kg 5 4 Arame 18 pré-cozido Kg 0,5 5 Brita 01 Lata 6 6 Adaptador de cano p/ mangueira de 20mm (Cano rosca ext. e mangueira do outro lado) Unidade 3 7 Caixa de fibra 3.000 l (FORTLEVE) Unidade 1 8 Zinco 0,40 m Metro 5 9 Tijolo 08 furos Unidade 100 10 Cano PVC esgoto 100 mm Metro 6 11 Cano PVC ígido 50 mm Metro 3,5 12 Cano de ferro 40 mm Metro 3,5 13 Cano PVC rígido 60 mm Metro 1,5 14 Cano PVC esgoto 75mm Metro 1 15 Cola PVC grande Unidade 1 16 Cano PVC rígido 20 mm Barra 4 17 Cap PVC esgoto 75 mm Unidade 1 18 T PVC rígido 20 mm Unidade 1 19 Parafusos 29 cm 3/8 Unidade 1 20 Joelho PVC rígido 20 mm Unidade 8 21 Flange 60X60 mm Unidade 1 22 Luva L/R 20mm Unidade 2 23 Adaptador Curto de 20mm( rosca externa de um lado e cano soldável do outro) Unidade 2 24 Flange 20 mm Unidade 3 25 Botijão 20l Fibra Unidade 1 26 Registro de esfera 20 mm Unidade 2 27 Mangueira plástica 20 mm (trançada) Metro 5 28 Abraçadeiras rosca sem fim de 1/2" Unidade 4 29 Tabua 0,15 x 0,04 m Unidade 1 30 Parafusos 10 cm 3/8 com porca, todo roscável Unidade 6 31 Tela de nylon 1,50 x 0,80 Metro 1 32 União roscável de 20mm Soldável Unidade 1 33 Fita veda roscável Unidade 1 34 Barrote 7 x7 de madeira Unidade 3 35 Areia fina ou areia lavada Metro 2 36 Massa Epoxi 100 G Embalagem 1 37 Cola de Silicone 50 G Embalagem 1

Valor estimado para a implementação da tecnologia

O seu custo não é elevado, atualmente o Biodigestor Sertanejo custa em torno de R$ 2.800,00 a unidade.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
CAIXA ECONÔMICA FEDERALAcordo de Cooperação Financeira firmado com o Fundo Socioambiental CAIXA para realização do projeto Biodigestores - uma Tecnologia Social no Programa Nacional de Habitação Rural..
ITAUDoação do PROGRAMA ECOMUDANÇA para o projeto Biodigestor Sertanejo: tecnologia social ambientalmente sustentável.
AIN - Ajuda da Igreja da Noruega (Programa Ambiental)Parceria para o projeto de construção de biodigestores no Pajeú em PE e no Oeste Potiguar.
Projeto Dom Helder Câmara do MDAInicialmente houve uma parceria estratégica com o Projeto Dom Helder Câmara do MDA para o desenvolvimento da tecnologia e a sua disseminação através de parceria com famílias agricultoras, Associações de Agricultores/as, Sindicatos de Trabalhadores/as Rurais e Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável.
Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Cartilha “12 PASSOS PARA CONSTRUIR UM BIODIGESTOR”Baixar
Clipagem matéria JC BiodigestorBaixar
Encontro Projeto Biodigestor em PEBaixar
Matéria em jornal local sobre o BiodigestorBaixar
Matéria em jornal local sobre o BiodigestorBaixar
Matéria em jornal local sobre o BiodigestorBaixar
Matéria em jornal local sobre o BiodigestorBaixar
Recursos materiais + mão de obra necessários para implantação do biodigestordownload
Capa do Manual do Biodigestor _ versão em inglêsBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

O agricultor Manoel Alves e sua família perceberam mudanças positivas nas suas vidas com a chegada do biodigestor em 2011. “Já tinha visto uma foto em uma publicação e fui conhecer o biodigestor na casa de um agricultor e vi que é muito importante. Imagine ter gás de cozinha a partir das fezes do gado. Só a economia que vamos ter vai melhorar e muito a nossa vida”, disse o agricultor que mora em Tamboril, no município de Carnaíba/PE. No mesmo ano, na comunidade de Santo Antônio II, em Afogados da Ingazeira/PE, o Biodigestor também trouxe mudanças para a família da Dona Maria da Paz e seu Gilmar Galdino: ´´Depois do Biodigestor deixei de comprar gás. Nem botijão eu tenho mais em casa. Ganhei mais espaço na cozinha e, principalmente, tenho uma despesa a menos´´, assegura Maria da Paz.