Agrofloresta baseada na estrutura, dinâmica e biodiversidade florestal

vencedora 2013

Instituição
Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo e Adrianópolis (Cooperafloresta)
Endereço
Praça da Bíblia, 36 - Centro - Barra do Turvo/SP
E-mail
cooperafloresta1@yahoo.com.br
Telefone
(15) 3577-1652
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Nelson Eduardo Corrêa Netto(15) 3577-1652cooperafloresta1@yahoo.com.br
Resumo da Tecnologia

Agrofloresta é uma forma de agricultura baseada na estrutura, dinâmica e biodiversidade florestal, entendendo e usando os processos de sucessão natural, as relações entre as espécies e os ciclos naturais para a produção de alimentos, permitindo ao mesmo tempo, a recuperação e conservação ambiental.*{ods8},{ods13}*

Tema Principal

Meio ambiente

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

No Vale do Ribeira, a população rural vive uma situação de exclusão resultante de um modelo agrícola concentrador e gerador de graves impactos econômicos, sociais e ambientais, concentração fundiária, desestruturação dos agroecossistemas tradicionais, diminuição da produção para o autoconsumo e empobrecimento da dieta alimentar, ampliação das restrições para a geração de renda, degradação dos recursos naturais, perda de identidade cultural, etc. As condições de vida das famílias agricultoras e quilombolas são precárias, havendo pouquíssimas perspectivas de superação de sua exclusão social. A maioria dos jovens abandona a atividade agrícola e migra para os centros urbanos. Nesse contexto, 120 famílias agricultoras e quilombolas organizam-se em torno da Cooperafloresta. Na busca por alternativas, adotam a agrofloresta, que é um caminho de harmonização entre a agricultura e a natureza, gerando alimentos saudáveis e renda e, ao mesmo tempo, resgatando práticas como a observação da natureza e da estrutura e dinâmica da floresta, o manejo sustentável da biodiversidade, uso do componente arbóreo na produção, os mutirões, as coletas de sementes, a diversidade alimentar, entre outros.

Objetivo Geral

Viabilizar junto à agricultura familiar e comunidades tradicionais, através da prática agroflorestal, uma agricultura que produza alimentos saudáveis, gere renda, recupere e conserve os recursos naturais.

Objetivo Específico

- Planejar, implantar e manejar agroflorestas junto à agricultura familiar e comunidades tradicionais; - Recuperar e conservar os recursos naturais; - Viabilizar a geração de trabalho e renda para as comunidades tradicionais e famílias agricultoras; - Diversificar e qualificar a alimentação das famílias agricultoras; - Ofertar produtos agroflorestais ecológicos para a sociedade.

Solução Adotada

Plantar e manejar espécies úteis contando com o processo de regeneração das florestas é um jeito de fazer agricultura que sempre esteve presente na história de várias sociedades. A Agrofloresta é um grande avanço prático no sentido das pessoas e da agricultura voltarem a fazer parte da natureza, gerando enorme fartura de alimentos e água. A fertilidade da terra e do ambiente é produzida de forma coordenada, cooperativa e sequencial pelos consórcios de seres vivos que nela vivem. Procurando imitar os processos naturais, busca os sistemas altamente produtivos e eficientes em funções ambientais mais amplas como a fixação de carbono e a manutenção da integridade do ciclo hidrológico. Para tal, adotam-se técnicas como: planejamento das agroflorestas; plantio simultâneo de plantas que ocuparão todos os andares e nichos ao longo do processo sucessional; uso de cada planta conforme o nicho e função que exerce no ecossistema do qual se origina; plantio predominantemente por sementes e em quantidade suficiente para que se desenvolvam plântulas em quantidades geralmente 100 vezes maiores que as que se tornarão adultas; capina seletiva, raleio e poda de acordo com estado sanitário e a função ecológica que cada indivíduo está realizando no ambiente em que está inserido. Na implantação de uma agrofloresta, a área que pode ter sido coberta antes por um pasto, uma lavoura ou uma capoeira ou capoeirão (floresta secundária). As plantas existentes na área são cortadas e colocadas sobre o solo de forma ordenada, sem o uso de fogo. O plantio é realizado em "berços" - faixas de terra em que é feita uma capina seletiva e um afofamento do solo -, cobrindo-o com o material vegetal podado, em duas linhas de pedaços de troncos e galhos (de aproximadamente um metro de largura cada uma), ficando uma pequena faixa de solo entre elas (de 8 a 10 cm de largura). É nesta pequena faixa que se colocam as sementes, tubérculos ou manivas. Entre um "berço" e outro, planta-se gramíneas, como o capim napier, após uma capina seletiva. Esse capim é roçado algumas vezes por ano, colocando-se o material cortado sobre o "berço" e também sobre a área de capim, para incrementar a fertilidade do sistema. O capim acaba controlando outras espécies que forçariam o sistema para uma fase ainda inicial de sucessão. Conforme a agrofloresta vai crescendo, o espaço e a luz para o capim vão ficando menores e, aos poucos, ele vai saindo do sistema, após ter cumprido um importante papel. Ao longo do tempo, vão surgindo várias espécies de plantas por regeneração natural. Na agricultura convencional, essas espécies seriam eliminadas. Em uma agrofloresta, procura-se manter, a cada etapa de sucessão, espécies adequadas às situações de fertilidade do solo, conjunto de espécies companheiras ao redor e luminosidade nos diferentes andares. Nas agroflorestas, há um manejo intensivo das plantas, especialmente no plantio, na poda e na organização do material podado no solo. Em vários momentos são plantadas novas espécies, aproveitando-se espaços adequados; ao mesmo tempo, retiram-se galhos ou árvores inteiras de espécies que contribuíram no processo de sucessão, mas que não devem mais fazer parte do sistema, por não estarem mais adaptadas. Todo o material podado é picado e colocado de maneira a facilitar o processo de decomposição, garantir a cobertura do solo e reduzir a regeneração de espécies inadequadas àquele momento da sucessão da agrofloresta. Cabe destacar que as agroflorestas, conduzidas sob uma lógica agroecológica, transcendem qualquer modelo pronto e incorporam a sustentabilidade quando se desenham agroecossistemas adaptados ao potencial natural do lugar, aproveitando os conhecimentos locais. Assim sendo, não existe um modelo, e sim, princípios, fundamentos e práticas que têm que ser adaptados a cada realidade.

Resultado Alcançado

120 famílias agricultoras e quilombolas organizadas localmente e desenvolvendo agroflorestas, recuperando e conservando os recursos naturais; - 235ha de agroflorestas implantadas e manejadas juntamente com 800 ha de áreas em processo natural de regeneração florestal; - 1000 ton de produtos agroflorestais em 2012, sendo 25% destinado ao consumo das famílias e 75% à comercialização; - Comercialização coletiva em vários canais de comercialização: mercado institucional, Programa de Aquisição da Agricultura Familiar (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) ); Feiras Ecológicas e Empreendimentos de Economia Solidária em Curitiba; Circuito Sul de Comercialização da Rede Ecovida de Agroecologia; pequeno varejo de Curitiba; pequeno varejo de outros estados (produtos processados). - Ampliação dos volumes comercializados em 2005: R$ 83.000,00; 2.009: R$ 500.000,00; 2012: R$ 800.000,00. - Aumento da renda agrícola das famílias agricultoras, que apresentam renda mensal bem superior à renda mensal média da região, que é de R$ 450,00/mês. Em torno de 40% das famílias recebem entre R$ 551,00 e R$ 1.110,00/mês e cerca de um quinto das famílias, justamente aquelas que mais praticam agrofloresta, tem renda acima de R$ 1.600,00/mês. - Melhoria e diversificação da dieta alimentar e da saúde das famílias agricultoras; - Resgate e valorização da riqueza cultural das comunidades quilombolas e tradicionais, ampliando os espaços de convívio e de afirmação da sua identidade; - Aproximadamente 4.000 pessoas entre agricultores, pesquisadores, técnicos, gestores públicos, estudantes envolvidos em atividades de sensibilização, formação, capacitação e intercâmbio ocorridos na Escola Agroflorestal da Cooperafloresta nos últimos 5 anos.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Bocaiúva do Sul / ParanáAreia Branca01/2011
Adrianópolis / ParanáEstreitinho01/2011
Adrianópolis / ParanáTrês Canais01/2011
Adrianópolis / ParanáCórrego do Franco01/2011
Barra do Turvo / São PauloAroeira01/2011
Barra do Turvo / São PauloIndaiatuba01/2011
Barra do Turvo / São PauloTerra Seca01/2011
Barra do Turvo / São PauloSalto Grande01/2011
Barra do Turvo / São PauloCedro01/2011
Barra do Turvo / São PauloSão Pedrinho01/2011
Barra do Turvo / São PauloRio Turvo01/2011
Apiaí / São PauloAssentamento Profº Luiz de Macedo01/2011
Ribeirão Preto / São PauloAssentamento Mário Lago01/2011
Morretes / ParanáAssentamento Pantanal01/2011
Lapa / ParanáAssentamento Contestado01/2011
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adolescentes
Agricultores Familiares
Assentados rurais
Jovens
Lideranças Comunitárias
Mulheres
Povos Tradicionais
Quilombolas
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Técnico Agroflorestal1
Agentes multiplicadores5
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Exemplo dado para 0,5 ha: Mudas unidade Citrus 4 Graviola 1 Carambola 1 Abio 1 Biribá 1 Lichia 1 Caqui 1 Sapoti 1 Abacate 1 Cajá-Manga 1 Rambutam 1 Manga 1 Cereja do Rio Grande 1 Grumixama 2 Uvaia 2 Lima da Pérsia 3 Limão galego 2 Cabeludinha 2 Guabioroba 2 jaboticaba 2 Pupunha 32 Banana nanica 32 Banana Florestal 32 mudas de abacaxi 300 Mudas frutíferas total 427 Sementes Sementes de café 1kg Mistura de sementes de 1kg Babosa; Amendoim bravo; Mutamba; Gliricídia; Urucum; Guandu; Ingá Sementes de capim mombaça 5kg Sementes frutíferas diversas 10 kg Sementes de milho 10kg Sementes de guandu 5kg Bandejas de Mudas de hortaliças 20 bandejas Outros insumos esterco 1 ton. Resíduos orgânicos 6 m³ Calcário 1 ton. Espécie Total Stª Barbara 96 Mutambo 4 Aroeira V. 240 Eucalipto urofila 120 Eucalipto urocam 7 Cedro 55 Araribá 33 Tamboril 15 Mogno 16 Teca 16 Pequi do Xingu 16 Copaíba 2 Jequitibá 4 Gonçalo Alves 4 Jatobá 4 Peroba Rosa 4 Ipê Roxo 4 Angelim 4 Barú 4 Castana da Amazônia 2 Cajá Manga 2 Cajá-mirim 2 Totais 654

Valor estimado para a implementação da tecnologia

R$ 2500,00

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Assoc. de Rem. de Quilombos: Três Canais, Estreitinho, Areia Branca, Boa Esperança(Cedro)Organização das famílias agricultoras quilombolas
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)/Floresta Nacional do AçunguiEstudos, sistematizações e pesquisa
Embrapa FlorestasEstudos, sistematizações e pesquisa
Parque Estadual do Rio TurvoAdequação ambiental e legal das áreas
Reserva do Desenvolvimento Sustentável do PinheirinhoAdequação ambiental e legal das áreas
Rede Ecovida de AgroecologiaIntercâmbio técnico e certificação participativa
Impacto Ambiental

-Recuperação e conservação da biodiversidade: a diversidade e densidade de espécies de plantas nas agroflorestas é semelhante ou maior do que em florestas secundárias nativas, no bioma Mata Atlântica (média: 47 espécies/agrofloresta e 7.231 plantas/ha); - Recuperação e formação de florestas na Região do Vale do Ribeira como fonte de pólen e sementes; - Recuperação e aumento da fertilidade dos agroecossitemas; - Manutenção da integridade do ciclo hidrológico; - Fixação de carbono: 6,6 ton de carbo

Forma de Acompanhamento

O monitoramento das agroflorestas está inserido nas dinâmicas dos grupos de agricultores(as) e da associação, que avaliam continuamente seus avanços e limites, juntamente com a equipe técnica. A sistematização das experiências oportuniza um olhar qualificado para a tecnologia social, gerando referenciais para serem socializados na perspectiva da sua multiplicação. Para tal, existem parcerias com institutos de pesquisa e universidades, que têm realizado estudos e pesquisas.

Forma de Transferência

A evidência de que esta tecnologia social tem um grande potencial de replicabilidade é o fato da Cooperafloresta receber 1.000 pessoas/ano em sua Escola Agroflorestal, espaço informal de formação, onde são realizadas visitas técnicas, oficinas, mutirões, cursos, estudos, pesquisas, estágios e vivências. A geração e sistematização de conhecimento e indicadores, na esfera técnica e metodológica, é outro elemento importante que compõe a estratégia de transferência desta tecnologia social. No esforço de socialização desta tecnologia social, foram produzidos vários materiais: livro, cartilhas, vídeos, informativos técnicos e boletins que evidenciam a agroflorestal como uma alternativa de compatibilização entre conservação ambiental e geração de emprego e renda para a agricultura tradicional.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Manual Digital da TS Sistemas AgroflorestaisBaixar
Manual Impresso da TS Sistemas AgroflorestaisBaixar
Material de divulgaçãodownload
Mapas e tabelas de um plantio de 0,5 hadownload
Cartilha AgroflorestarBaixar
Folder Agricultura em Harmonia com a NaturezaBaixar
Fazer agrofloresta é fazer uma boa agriculturaBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

“A mudança dentro da agrofloresta é grande demais. Eu vejo a mudança por mim, eu vejo a esperança por mim. Pra mim foi uma mudança fora do sério, é como você virar uma camisa ao avesso. Eu metia veneno, enxada, queimava o cisco todo, pra ficar uma terrinha bem limpinha. E hoje a gente vê depois de 2, 3 anos, a mudança que essa área pegou através do sistema de agrofloresta, da plantação consorciada, através de leguminosas, através de plantas e mais plantas! Deus do céu!" - José Baleia, grupo Indaiatuba. “Hoje pra mim não tem outra forma de agricultura que não seja no sistema agroflorestal, onde tem vida, fartura, diversidade, renda e ainda contribuímos com o meio ambiente.” - Ademir, Assentamento Pantanal, Morretes, PR.