Criação de uma unidade de Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA)

certificada 2015

Instituição
ASSOCIACAO COMUNITARIA CSA-BRASIL
Endereço
Rua Joaquim da Silva Martha, 2-49 - Vila Santa Izabel - Bauru/SP
E-mail
wgn_sp@hotmail.com
Telefone
(14) 9979-59792
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Wagner Ferreira dos Santos(14) 99795-9792wgn_sp@hotmail.com
Resumo da Tecnologia

CSA – Community Supported Agriculture, significa em tradução livre: Comunidade que Sustenta a Agricultura. Neste modelo de Agricultura Apoiada pela Comunidade, o agricultor orgânico e familiar deixa de vender seus produtos através de intermediários e conta para a organização e financiamento de sua produção com a participação de membros consumidores, colaborando para o desenvolvimento sustentável da região, estimulando o comércio justo. A tecnologia social se propõe a auxiliar a criação de novas unidades de CSA em localidades nas quais ela ainda não existe, com agricultores e consumidores locais.*{ods2},{ods3},{ods8},{ods12}*

Tema Principal

Alimentação

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

Em nosso mundo os sentimentos e ações são permeados por uma ideia mercantilista de que tudo tem seu preço. Este preço é o que determina o valor das coisas: "Quanto mais caro melhor", "Você vale o que ganha" são frases comuns que expressam esta ideia. O agricultor familiar sofre com essa relação, pois representa uma ponta da cadeia produtiva que está longe do consumidor final, sofrendo ação de intermediários que encarecem o produto final para o consumidor e afastam estes da realidade do dia-a-dia no campo. Além disso, o agricultor sempre arca sozinho com as responsabilidades de produção, sofrendo com as intempéries e nuances mercadológicas. Outra problemática muito evidente é a falta de recursos para investimento em novas tecnologias para poder melhorar sua produtividade e manejo com a terra, afim de melhorar o uso dos recursos naturais disponíveis e também o esforço dispendido para a produção no dia-a-dia. E por fim, com a baixa disponibilidade de recursos financeiros, o próprio homem do campo vê seus filhos abandonarem a vida no campo para buscar condições de vida melhores em outras atividades e, muitas vezes, ele mesmo se vê obrigado a tomar o mesmo caminho.

Objetivo Geral

Estabelecer uma ponte entre agricultores e consumidores de forma que deixem de ter uma relação de comércio focada no preço, mas passem a ter apreço nas relações e busquem partilhar em conjunto o financiamento da produção, bem como os riscos e benefícios ligados com o manejo agrícola no campo.

Objetivo Específico

Criar formas de aproximar agricultores familiares de consumidores (potencialmente) dispostos a trabalhar em conjunto; Conscientizar consumidores sobre sua co-responsabilidade no processo produtivo, com vistas a apoiar o trabalho do homem no campo; Por meio do contato local e direto tornar o consumidor ciente das dificuldades vividas pelo agricultor; Liberar o agricultor das demandas de mercado que o sobrecarregam; Conscientizar pessoas sobre os aspectos de co-responsabilidade num trabalho de economia associativa; Resgatar a dignidade (econômica e social) do homem do campo; Buscar uma alimentação sadia e nutritiva; Buscar atrair crianças e jovens para a vida no campo, buscando aproximá-los novamente do trabalho com a terra; Buscar maior respeito com o meio ambiente e a mãe terra com um manejo responsável dos recursos naturais disponíveis e diminuição do uso de embalagens e transporte de produtos para localidades distantes do ambiente produtivo; Manutenção da biodiversidade.

Descrição

Concepção da idéia: O resgate da valorização do trabalho agrícola, como ofício imprescindível à existência saudável humana, ambiental e social. O trabalho natural agrícola, sem uso de agrotóxicos, apoiado pela comunidade, é base para a saúde, alimentação e manutenção dos recursos hídricos. Porém, existem hoje cada vez menos pessoas dispostas a trabalhar no campo, na agricultura. Assim, a TS busca estruturar um modelo para criação de uma CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura) em uma determinada localidade. Detalhamento da implementação: Esse modelo é detalhado num curso de formação, no qual através de exercícios artísticos e reflexões, nos acercamos destes temas e buscamos traçar um caminho para criação de uma unidade de CSA. No curso, estruturado em um módulo filosófico e um módulo prático é apresentado um passo-a-passo para formação de uma CSA através do qual se busca responder às seguintes questões: • Como podemos desenvolver este nova cultura de relacionamento sem que eu abandone o desenvolvimento da minha própria personalidade, que reconheço necessário, sem ferir a igualdade do outro, e ao mesmo tempo agir fraternalmente? • Quantas pessoas nós precisamos para começar um CSA? • Onde nós encontramos membros para um CSA? • Como preparar um primeiro encontro com os interessados? • Como podemos divulgar a ideia do CSA? • Como nós encontramos um agricultor? • Qual perfil o agricultor precisa ter? • Qual o tamanho da área necessária? • Onde está o sitio hoje? • Onde se pode desenvolver? • Quais são os custos do sítio hoje? • Qual seria o custo do sítio no futuro? • O trabalho deve ser feito no sítio? • O trabalho pode / deve ser feitos pelos consumidores? • Como vamos coordenar grupos de trabalho para: contabilidade; logística; organização do trabalho; comunicação interna (jornal, festas); comunicações externas (website, blog, e-mails, mídias de redes sociais; relações públicas (imprensa, rádio, televisão)? • Quais produtos o CSA pode oferecer? • Como planejar a diversidade no campo? • Qual a relação entre CSA e agricultura orgânica/biodinâmica? • Como criar uma rede local para juntar vários agricultores? • Como organizar o trabalho no campo com os membros? • Como calcular os custos do projeto? • Como dividir os custos entre os membros? • Como nos podemos dividir o trabalho voluntario? • Como criar uma contabilidade? • Como criar uma coordenação? • Como podemos administrar o projeto? • Que formas legais nós precisamos? • Como nós planejamos a abertura do projeto? • Como criar os entrepostos? • Quais contratos nós precisamos? Findado o curso, o participante volta para a sua localidade e passa a buscar formas para implementar a TS seguindo basicamente os passos a seguir: 1 - Promoção de uma chamada pública entre amigos e conhecidos para formar uma CSA em sua localidade 2 - Organização de um encontro explicativo para os potenciais participantes da futura CSA - tanto agricultores, quanto consumidores (futuros co-responsáveis dentro da CSA) 3 - Encontro com os potenciais participantes para se estabelecer os acordos, necessidades, regras e valores da CSA 4 - Organização de um grupo gestor (ou núcleo gestor) para organizar os pontos definidos no encontro anterior (definição sobre qual agricultor será apoiado, local de plantio, papéis e responsabilidades dos membros, definição de orçamento anual a ser rateado entre os participantes, definição de política de adesões e formas de pagamento, definição de variedades e quantidade de alimentos que serão fornecidos) 5 - Recolhimento de adesões para a primeira temporada/colheita 6 - Assinatura dos contratos de compromisso entre os participantes para que o financiamento da produção agrícola seja iniciado 7 - Estabelecimento dos prazos para que as primeiras colheitas sejam entregues para os participantes, conforme acordos prévios discutidos 8 - Realização das entregas Em paralelo aos 8 pontos descritos anteriormente busca-se o registro constante dos custos de produção para que seja possível realizar uma previsão orçamentária para o próximo período agrícola afim de definir o novo rateio financeiro entre os cotistas no próximo ano fiscal. Da mesma forma, busca-se constantemente manter viva entre os membros participantes a idéia da economia associativa na qual se prega que: “O bem estar de uma comunidade de pessoas que trabalham em conjunto é tanto maior quanto menos cada um reivindicar para si os frutos de seu trabalho, isto é, quanto mais ele der esses produtos aos seus colegas, e quanto mais suas próprias necessidades forem satisfeitas não pelo que ele produziu, mas pela produção dos outros”. Envolvimento da comunidade: a comunidade é envolvida a partir da chamada pública organizada pelo participante do curso que almeja criar uma CSA em sua localidade. A partir da aceitação em atuar nessa comunidade, as pessoas deixam de ter um papel de mero consumidor e passam a ser co-responsáveis para que a TS aconteça plenamente no seu meio.

Resultado Alcançado

Desde a criação dessa TS, houve uma multiplicação das unidades de CSA pelo Brasil. A partir de 2011, quando a primeira unidade de CSA foi fundada no bairro Demétria em Botucatu, essa TS foi desenvolvida e estruturada através desse modelo inicial. Com base na experiência da CSA no bairro Demétria, 4 novas unidades de CSA foram criadas no Brasil. Mas o processo de criação de novas unidades se mostrou lento, uma vez que não estava estruturado. Foi decidido em 2013 que a CSA Brasil criaria e estruturaria um curso de Formação em CSA para criar novas unidades de CSA. E tudo foi organizado no curso de formação citado na descrição da TS acima. Desde então outras 25 novas unidades de CSA foram criadas pelo Brasil e há 16 novas iniciativas em formação. Isso representa um crescimento de 480% apenas levando em conta o número de novas unidades, sem contar as iniciativas em implantação. O número de membros participantes nas 5 unidades surgidas antes do desenvolvimento da TS era de aproximadamente 400 pessoas. A partir da criação da TS, com o incremento das novas unidades citadas, esse número saltou para cerca de 3000 pessoas. Outros resultados alcançados são: . Até o momento chegou-se a: 50% de aumento dos salários dos trabalhadores do campo, combinado entre os membros por meio de pequeno aumento na mensalidade. . Redução do uso dos recursos hídricos em 80% por meio de troca da tecnologia de irrigação, substituindo métodos de aspersão aérea por sistema de gotejamento ou santemo, com base em iniciativas surgidas das sugestões da comunidade . Diminuição de participação em feiras livres, diminuindo os prejuízos por meio de retorno de produtos, custos de transporte, alimentação, embalagens, transporte e pessoal. . Garantia de uma entrada fixa anual, paga inclusive durante as férias pelos membros, mesmo que estes não retirem suas cotas de produtos. . Acesso constante e frequente à horta por meio de atividades organizadas chamadas de "Dia de Campo". . Acesso à horta pelas escolas, com apoio e organização dos membros. . Parcerias com as universidades, por meio de estágios, elaboração de mestrados e doutorados nas áreas de nutrição, biologia, geografia, agroecologia, agronomia, economia, pedagogia e arte. . Diminuição do impacto ambiental por meio da eliminação de embalagens e melhoria no sistema de uso dos recursos naturais. O acompanhamento destes resultados é realizado em cada unidade de CSA pelos próprios membros, no mínimo anualmente.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Botucatu / São PauloDemétria06/2011
Maria da Fé / Minas GeraisAPANFÉ08/2011
Campinas / São PauloBarão Geraldo09/2011
São Carlos / São PauloVERACIDADE11/2013
São Paulo / São PauloEscola Micael09/2013
Vinhedo / São PauloSitio Macaene03/2015
Boituva / São PauloCentro da cidade03/2015
Tatuí / São PauloCentro da cidade05/2015
Belo Horizonte / Minas GeraisCentro da Cidade01/2015
São Vicente / São PauloCentro da cidade06/2014
Brasília / Distrito FederalCentro da cidade01/2015
Rio Claro / São PauloCentro da Cidade03/2015
Corumbataí / São PauloCentro da Cidade04/2015
Itirapina / São PauloCentro da Cidade04/2015
Porto Alegre / Rio Grande do SulRecanto da Folha11/2014
Santa Maria / Rio Grande do SulCentro da cidade01/2015
Rio de Janeiro / Rio de JaneiroLaranjeiras11/2014
Presidente Prudente / São PauloMinha Vida no Campo01/2015
Rio de Janeiro / Rio de JaneiroArca Urbana11/2014
São Paulo / São PauloZona Norte06/2014
Bauru / São PauloVIVER, IGREJA MESSIANICA e CENTRO DA CIDADE01/2014
Ourinhos / São PauloCasa Pangea01/2014
Pompéia / São PauloCentro da cidade06/2014
São Paulo / São PauloGranja Julieta, Zona Sul01/2014
Botucatu / São PauloTimbó, Giramundo06/2014
Bauru / São PauloAltos da Cidade08/2014
Recife / PernambucoCentro da cidade05/2015
Nova Friburgo / Rio de JaneiroCentro da cidade05/2015
Belo Horizonte / Minas GeraisRestaurante Salada Saudável05/2015
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adolescentes
Adulto
Agricultores Familiares
Artesãos
Criadores bovinos
Crianças
Empreendedores
Famílias de baixa renda
Jovens
Lideranças Comunitárias
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

1-Participação no curso de formação. 2-Confecção de material de divulgação para a chamada para reunião de membros potencialmente interessados em participar da unidade de CSA. 3-Salas para realização dos cursos e reuniões citados anteriormente, bem como palestras e eventos de divulgação. 4-Galpão ou salão para funcionar como ponto de entrega de produtos uma vez por semana. 5-Disponibilidade de pelo menos um agricultor em cada unidade de CSA. 6-Disponibilidade de terra para ser cultivada (própria do agricultor ou arrendada, alugada, emprestada). 7-Disponibilidade de trabalho voluntário entre os membros participantes para atuar nas atividades de: contabilidade; logística; organização do trabalho nos locais de entrega; comunicação interna (jornal, festas); comunicações externas (website, blog, e-mails, mídias de redes sociais e relações públicas (imprensa, rádio, televisão). 8-Administrador geral do grupo. 9-Eventual necessidade de apoio consultivo da equipe da CSA-Brasil para necessidades pontuais.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Valor estimado para ítens descritos anteriormente-R$ 11300,00 sendo: Inicial: 1-R$ 1500 2-R$ 1000 3-R$ 1000 Inicial e depois mensal: 4-São utilizados lugares gratuitos para este ítem. 5,6 e 8-R$ 7000-remuneração agricultores, administrador e bens de produção são rateados entre os membros mensalmente 7-realizado voluntariamente pelos membros Pontual, conforme necessidade: 9-R$ 800,00

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
ABD - Associação BiodinâmicaParceiro no apoio técnico agrícola ao agricultor familiar
Escola Waldorf VIVERCessão de espaço para reuniões e entrega dos produtos para os participantes da TS. Parceiro estratégico na divulgação da Tecnologia Social e nas atividades envolvendo pedagogia e agricultura.
Casa PangeaCessão de espaço para reuniões e entrega dos produtos para os participantes da TS
APANFE - Associação de Produtores Familiares de Maria da FéDisponibilização de grupo de agricultores para implementar a TS no município de Maria da Fé.
VP - Consultoria NutricionalContribui financeiramente com aporte de recursos para pagamento de mão-de-obra especializada para trabalho na TS
Fundação Mokiti OkadaParceiro estratégico na divulgação da Tecnologia Social
Escola Waldorf AitiaraParceiro estratégico na divulgação da Tecnologia Social e nas atividades envolvendo pedagogia e agricultura
Grupo Timbó de AgroecologiaCessão do espaço para realização da entregas e parceiro estratégico na divulgação da Tecnologia Social e nas atividades envolvendo pedagogia e agricultura
VERACIDADE - São CarlosCessão do espaço para realização de entregas. Parceiro estratégico na divulgação da Tecnologia Social.
Associação Comunitária Monte AzulParceiro estratégico na divulgação da Tecnologia Social e nas atividades envolvendo pedagogia e agricultura
UFSCAR - Campus Sorocaba - Núcleo de AgroecologiaParceiro estratégico na divulgação e apoio técnico da Tecnologia Social e nas atividades envolvendo pedagogia e agricultura
Instituto MahleContribui financeiramente com aporte de recursos para estruturação da TS
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e TecnológicoParceiro estratégico no financiamento e na divulgação e apoio técnico da Tecnologia Social e nas atividades envolvendo pedagogia e agricultura
SAB - Sociedade Antroposófica do BrasilParceiro na divulgação da Tecnologia Social.
Apete CaapuaParceiro na divulgação da Tecnologia Social
Giramundo MutuandoCessão do espaço para realização da entregas e parceiro estratégico na divulgação da Tecnologia Social e nas atividades envolvendo pedagogia e agricultura
Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Jornal - news letter - exemploBaixar
Cartaz de divulgação do I e II curso de formação em CSA, realizado pela CSA-Brasil para explicar como implementar a TSBaixar
Cartaz de divulgação do I e II curso de formação em CSA, realizado pela CSA-Brasil para explicar como implementar a TSBaixar
Material de divulgação do III Curso de Formação em CSA - curso criado para explicar como criar uma CSABaixar
Cartaz de divulgação do II Encontro de Pedagogia e AgriculturaBaixar
Cartaz de divulgação do III curso de formação em CSA, realizado pela CSA-Brasil para explicar como implementar a TSBaixar
Texto de divulgação da ideia macro da CSABaixar
Exemplo de apresentação enviada às pessoas interessadas em participar da CSA em Bauru-SPBaixar
Flyer de divulgação da CSA em BauruBaixar
Cartaz de divulgação de Visita Técnica de Nutricionistas a um sítio no qual é aplicada a Tecnologia Social da CSABaixar
Exemplo de apresentação realizada pela CSA-Brasil no Simpósio de Agricultura Biodinâmica em Pardinho-SP - junho de 2015download
Programação do II Encontro de Pedagogia e Agricultura reunindo educadores, pedagogos, agricultores ligados a Tecnologia Social da CSABaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Em nosso tempo devemos reconhecer que sem o direito da mãe Terra não há direitos humanos. No momento em que nós reconhecemos isso, estabelece-se um laço sagrado entre ser humano e Terra. Um laço que se encontra nas cosmologias espirituais de várias culturas. Atingimos uma época empolgante se, no caminho para um novo estado de consciência, podemos renunciar aos velhos cismas entre produtores e consumidores e entre agricultores e cientistas. Nesse processo, a Terra é o fundamento da nova civilização. Quando começamos a encarar o mundo não mais como um grão de poeira no universo, mas como uma semente de uma planta que quer germinar, cheia de futuro, alcançamos possibilidades totalmente novas. E devemos aceitar apenas que somos nós que criamos uma boa base para o germinar.