Cadeia produtiva do óleo de amêndoas de Gueroba

vencedora 2013

Instituição
Articulação Pacari
Endereço
Rua da Indústria, Quadra 03, Lote 58 - Central - Buriti de Goiás/GO
E-mail
jaqueline@pacari.org.br
Telefone
(62) 9900-3232
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Jaqueline Evangelista Dias(62) 9900-3232jaqueline@pacari.org.br
Resumo da Tecnologia

A cadeia produtiva do óleo de gueroba reúne atividades e procedimentos para o cultivo e manejo da palmeira, coleta de frutos, extração do óleo e agregação de valor através da produção de cosméticos. O óleo é rico em ácido graxo láurico, com potencial terapêutico e cosmético.*{ods1},{ods8},{ods9},{ods10},{ods13}*

Tema Principal

Meio ambiente

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

A gueroba foi escolhida para esta iniciativa empreendedora, porque além de seu potencial oleaginoso, está presente na paisagem e faz parte da cultura dos habitantes do Território do Rio Vermelho, Goiás. A gueroba já foi estratégica para a vida dos primeiros agricultores que chegaram à região, sendo usada como madeira, forrageira, medicinal, ornamental e principalmente como alimento através da extração do seu palmito de sabor amargo. Os usos tradicionais da gueroba eram sustentados por sua abundância na vegetação nativa e nos sistemas agropastoris tradicionais consorciados com a palmeira. Atualmente com a quase inexistência de áreas conservadas de Cerrado e com a substituição dos sistemas tradicionais agropecuários para novos modelos tecnológicos, o valor cultural da gueroba vem cada vez mais se restringindo ao uso alimentar de seu palmito, muitas vezes comprado pelos próprios agricultores familiares de monocultivos comerciais. A produção do óleo de gueroba, através do aproveitamento de seus frutos, está revitalizando a importância cultural, ambiental e econômica da palmeira, através da sinergia entre agrobiodiversidade e geração de renda para agricultores familiares.

Objetivo Geral

Promover geração de renda para agricultores familiares e contribuir com a conservação do bioma Cerrado, através do desenvolvimento da cadeia produtiva do óleo de amêndoas de gueroba.

Objetivo Específico

Implantar sistemas de cultivo da gueroba visando a coleta de cocos, através da prática da agrobiodiversidade; utilizar técnicas sustentáveis de coleta de cocos, deixando parte da produção para alimentar animais silvestres; formar bancos de germoplasma da gueroba visando a conservação de sua variabilidade genética; criar logística eficiente de entrega de cocos para a agroindústria na época da safra e estabelecer critérios de classificação dos cocos e preços; implantar agroindústria com infra-estrutura para a extração a frio do óleo de gueroba e capacitar os operadores em boas práticas de processamento; organizar os agricultores familiares em uma associação ou cooperativa e capacitá-los para a gestão de um empreendimento comunitário; agregar valor ao óleo de gueroba, utilizando-o como ingrediente principal na produção de cosméticos e utilizar os seus sub-produtos: farinha de amêndoas, sedimento (borra) e o endocarpo (caroço); estruturar estratégia de marketing e comercialização.

Solução Adotada

A cadeia produtiva do óleo de gueroba envolve principalmente agricultores familiares que possuem a palmeira gueroba plantada em suas propriedades e extrativistas que fazem acordos com fazendeiros para a coleta de cocos em suas respectivas fazendas. A gueroba possui uma importante função ecológica, pois alimenta um grande número de animais silvestres, o que é respeitado no manejo de coleta de cocos. O sistema de plantio da gueroba além de produzir cocos, também oferece folhas para alimentar o gado na época da seca, sendo que as folhas possuem 12,1 % de teor protéico. Os cocos coletados, antes de serem comercializados, também podem ser oferecidos ao gado como alimento, que retira apenas a sua polpa, se constituindo em um complemento alimentar animal na época da seca. Os cocos coletados, com ou sem polpa, são colocados para secar e logo após são comercializados para a agroindústria. Na agroindústria, as operadoras, principalmente mulheres, lavam e quebram os cocos e retiram as amêndoas que ficam aderidas à parede interna de seu endocarpo (caroço). Essas atividades são executadas de forma manual. A extração do óleo é feita a frio, através de prensa elétrica, com o rendimento médio de 36% em volume. O principal subproduto do óleo é a farinha de amêndoas que é aproveitada para a produção de doces e bolos e a borra (sedimento) do óleo que é utilizado para fazer sabão artesanal com diquada de cinzas. Para agregação de valor, o óleo de gueroba é usado para a produção de uma linha de cosméticos: óleo hidratante, loção para a pele, shampoo e sabonete vegetal. Os cosméticos são produzidos por uma indústria terceirizada que atende a todos os critérios legais e sanitários exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Para isso, é elaborado um contrato de terceirização entre a associação e a indústria cosmética, sendo as formulações dos cosméticos elaboradas de forma conjunta, com assessoria técnica disponibilizada pela associação, e o direito do uso do óleo de exclusividade da associação. A comercialização dos cosméticos é realizada diretamente ao consumidor através de feiras e principalmente pela parceria realizada com uma central de comercialização formada por cooperativas e associações de agricultores familiares. O empreendimento comunitário é gestado por uma associação, tendo os coletores de cocos como associados. Para se levantar informações sobre a cadeia produtiva do óleo de gueroba foi realizada uma pesquisa popular, com a participação do grupo de mulheres gestoras da associação como pesquisadoras populares. A realização da pesquisa envolveu e capacitou o grupo de mulheres da associação desde a concepção, planejamento e realização da pesquisa de campo, até a análise dos resultados obtidos. A pesquisa proporcionou às pesquisadoras populares conhecerem o contexto de vida dos coletores de cocos, assim como a sensibilização destes para conhecerem melhor o trabalho da associação, na perspectiva de um maior envolvimento junto ao empreendimento comunitário. A partir da pesquisa popular foi elaborada uma pesquisa científica, como uma forma de sistematização dos conhecimentos gerados e uma publicação, em forma de cartilha, que está em fase final de publicação. A cartilha tem a autoria dos coletores de cocos, das operadoras da agroindústria e das pesquisadoras populares. Esta publicação tem o objetivo de divulgar que o óleo de gueroba é um produto da sociobiodiversidade do Cerrado, pois a gueroba é uma planta nativa que possui muitos usos tradicionais, e a cadeia produtiva do seu óleo foi desenvolvida com o objetivo de promover a agrobiodiversidade e gerar renda para agricultores familiares e povos tradicionais. Assim, a gueroba pode vir a ser incorporada ao Programa Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade, na perspectiva de receber apoio para o desenvolvimento de novos produtos e com isso ampliar o potencial de geração de renda do coco gueroba para muitas comunidades.

Resultado Alcançado

Desenvolvimento de um produto inédito no mercado brasileiro, o óleo de amêndoas de gueroba é rico em ácido graxo láurico, com propriedades medicinais e cosméticas, com estabilidade oxidativa, podendo ser usado em processos industriais; geração de renda para 94 beneficiários, sendo: agricultores familiares, extrativistas e operadoras da agroindústria. É importante destacar que a renda gerada se dá na época da seca, quando a renda com a produção leiteira diminui consideravelmente; protagonismo de um grupo de mulheres na gestão do empreendimento comunitário que produz o óleo de gueroba; desenvolvimento de uma experiência de terceirização com um indústria para agregação de valor a uma matéria-prima (óleo de gueroba) e com isso se eximir dos custos de infra-estrutura e responsabilidade técnica para a produção de cosméticos; implantação de sistemas de cultivo da gueroba, através da prática da agrobiodiversidade, o que contribui para a manutenção de serviços ecológicos: conservação dos solos, polinização, presença de microorganismos no solo, inflitração de água das chuvas, etc.; contribuição para a preservação da variabilidade genética da palmeira gueroba, através de seu plantio em APP?s ? (Áreas de Proteção Ambiental); contribuição para a conservação da palmeira gueroba como alimento para a fauna silvestre; contribuição para a continuidade da valorização cultural da gueroba, como uma espécie da sociobiodiveridade do Cerrado, que possui diversos usos: alimentar, medicinal, oleaginoso, ornamental e madereiro.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Buriti de Goiás / Goiás06/2007
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adulto
Agricultores
Agricultores Familiares
Desempregados
Famílias de baixa renda
Idosos
Jovens
Lideranças Comunitárias
Mulheres
Organização não Governamental
Produtores rurais - Médios
Produtores rurais - Pequenos
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Assessoria técnica para levantamento do potencial de produção de cocos gueroba junto aos agricultores familiares e extrativistas, assim como orientações para o seu cultivo orgânico e manejo de coleta de cocos. Logística de transporte de cocos das propriedades rurais para a agroindústria; Implantação de uma agroindústria para a extração do óleo de gueroba contendo estruturas para: recepção e classificação de cocos; lavagem de cocos; secagem de cocos lavados; quebra de cocos; secagem de amêndoas; extração do óleo; filtragem do óleo; armazenagem e dispensação do óleo; escritório. Equipamentos: prensa elétrica de extração do óleo; balança. Opcional: equipamento de lavagem de cocos; quebrador de cocos; secador de amêndoas; filtro prensa. Utensílios e embalagens; Capital de giro para a compra de cocos gueroba; Capital de giro para agregar valor ao óleo de gueroba e sub-produtos; Assessoria técnica para operacionalização da agroindústria; Assessoria técnica para o desenvolvimento de produtos elaborados com o óleo e seus subprodutos; Assessoria técnica para o desenvolvimento de embalagens dos produtos e peças de marketing; Assessoria técnica em gestão administrativa do empreendimento comunitário; Assessoria técnica em estratégias de comercialização;

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Assessoria produção: R$12.000,00 Ass. Agroindústria: R$12.000,00 Ass. desenvolvimento produtos: R$ 12.000,00 Ass. gestão: R$ 6.000,00 Ass. marketing e comercialização: R$ 12.000,00 Capital de giro (cocos): R$ 12.000,00 Capital de giro produtos terceirizados: R$ 12.000,00 Agroindústria: R$ 50.000,00 Equipamentos básicos: R$ 34.000,00 Utensílios e embalagens: R$ 3.000,00 Total: 165.000,00

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Associação dos IpêsImplementadora local da tecnologia
Instituto Sociedade, População e Natureza - PPP-ECOSApoio financeiro
Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDAApoio Financeiro
MISEREORapoio financeiro
A Casa VerdeParceria na gestão de projetos
Central do CerradoParceria para comercialização de produtos
Forma de Transferência

A tecnologia para o manejo da palmeira gueroba e produção de óleo será divulgada em uma cartilha, em fase final de publicação, pelo Instituto Sociedade, População e Natureza - ISPN. A tecnologia está sistematizada na dissertação de mestrado de Jaqueline Evangelista Dias, Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), denominada: "Cadeia Produtiva do Óleo de Gueroba (Syagrus oleracea Becc.): geração de renda para agricultores familiares e promoção da agrobiodiversidade, Buriti de Goiás (GO).”

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
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Endereços eletrônicos associados à tecnologia