Comunidade extrativista de jaborandi: biodiversidade e geração de renda

finalista 2013

Instituição
INSTITUTO FLORAVIDA
Endereço
Povoado de Rosápolis, S/N - Zona Rural - Parnaíba/PI
E-mail
fabricia@floravida.org.br
Telefone
(86) 3315-3122
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Fabrícia Meireles Menezes da Silva(86) 9431-1701fabricia@floravida.org.brskype: briciabio
Resumo da Tecnologia

A Vegeflora Extrações do Nordeste, Instituto Floravida e GIZ iniciaram o Projeto de Valorização do Jaborandi que visa promover o manejo sustentável do Jaborandi e conservação da biodiversidade, através do apoio à organização da base produtiva de agricultores familiares colhedores de jaborandi.*{ods8},{ods13}*

Tema Principal

Meio ambiente

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

Os territórios dos Cocais no Piauí, Mata Roma e Barra do Corda no Maranhão e São Félix do Xingu (PA), representam as regiões de maior ocorrência de extrativismo do jaborandi. Essas regiões, todas localizadas no Norte e Nordeste do Brasil, apresentam não apenas a maior ocorrência da espécie, mas também o maior uso tradicional da espécie pelas comunidades silvícolas e rurais, sendo este muitas vezes essencial para o sustento das mesmas. Contudo, devido ao extrativismo desordenado, sem políticas de regulamentação, contando com esforços pontuais de manejo sustentável, os últimos 50 anos de extrativismo, aliado com pressões de desmatamento para fins de pecuária e agricultura, resultaram quase que na extinção da espécie. Atualmente, a espécie encontra-se na Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção (Instrução Normativa Nº 06, de 23/09/2008 do MMA). O jaborandi tem incidência apenas nas regiões citadas e não existe em outros países, o que faz com que a sua preservação torne-se mais importante devido ao seu uso medicinal. O desmatamento promove impacto ambiental negativo devido à descaracterização do habitat natural não só do jaborandi mas de todo o ecossistema.

Objetivo Geral

Promover o manejo sustentável do jaborandi e conservação da biodiversidade para extrativismo sustentável, através do apoio à organização de povos e comunidade tradicionais e agricultores familiares para a exploração sustentável, produção e comercialização do jaborandi em integração com empresas.

Objetivo Específico

Apoiar o processo de organização dos colhedores, a estruturação e consolidação dos Núcleos de Produção Municipais a partir da especificidade das comunidades, buscando a construção de uma visão integrada dos processos extrativistas, visando a conscientização para preservação e o desenvolvimento sustentável das comunidades; Estimular a formação dos colhedores de modo que facilite os processos de produção, relacionamento com o mercado e com as empresas parceiras, ocorrendo dentro de uma abordagem que respeite a organização de cada grupo, criando redes de inovações e transferência de tecnologia; Promover ações socioambientais para conter o desmatamento e/ou recuperação das áreas com incidência de jaborandi e reflorestamento com jaborandi; Promover a capacitação dos colhedores voltada para manejo sustentável e conservação do uso sustentável da biodiversidade, gerenciamento dos grupos produtivos, captação e gestão de recursos financeiros/créditos disponíveis para povos e comunidades.

Solução Adotada

A metodologia contempla abordagens participativas que permitem o empoderamento das comunidades e colhedores de jaborandi. Para melhor visualização do processo, a metodologia é dividida em partes, contendo 5 etapas: diagnóstico, organização da base extrativista, elaboração dos Planos de Manejo e Pagamento por Serviço Ambiental (PSA), capacitação e conscientização dos envolvidos na cadeia produtiva e monitoramento e melhoramento contínuo. 1ª etapa: divulgação do projeto e mobilização; reuniões nas comunidades para identificação dos colhedores; reuniões municipais com proprietários; informar sobre Plano de Manejo Florestal Não Madeireiro (etapas e pré-requisitos); reuniões com atravessadores; visita às áreas; sistematização do diagnóstico. 2ª etapa: I. Oficinas de planejamento participativo para construção de proposta para exploração sustentável do jaborandi, II. Construção da Base Zero (levantamento do histórico e da situação atual do extrativismo de jaborandi) dos atores envolvidos; III. Constituição de comitê gestor: regimento, preço, custos de produção, contratos, logística de compra e venda, manejo, assistência técnica, capacitações. 3ª Etapa: aplicação de formulário para levantamento de propriedades com potencial para a exploração de jaborandi; seleção e priorização das propriedades para elaboração de Plano de Manejo; elaboração de Plano de Manejo; protocolo e acompanhamento junto aos órgãos públicos; liberação de Autorização de Exploração (AuTex); firmação de contrato de PSA de acordo com o volume levantado no inventário; valorização das propriedades sob manejo (PSA); renovação do contrato de PSA após monitoramento da área e averiguação de cumprimento do Plano de Manejo (técnica de poda, preservação de determinados indivíduos). 4ª etapa: I. Realização das oficinas de capacitação para proprietários, colhedores, atravessadores e outros; Educação Ambiental e legislação ambiental; manejo do jaborandi (técnicas de colheita, frequência de colheita, invasividade da colheita); gestão e cooperativismo; comercialização; controle de qualidade e outras. II. Implantação do viveiro de mudas em assentamentos, comunidades e propriedades; III. Identificação de áreas para reflorestamento com jaborandi; IV. Realização de dia de campo de reflorestamento com jaborandi; V. Acompanhamento e avaliação. 5ª Etapa monitoramento e melhoramento contínuo: discussão de políticas públicas para o extrativismo do jaborandi; monitoramento das áreas sob manejo; realização de pesquisas para análise de impactos ambientais e para orientar decisões futuras e sistematização de dados do projeto.

Resultado Alcançado

Primeiros resultados: a perspectiva de renda gerada através do extrativismo do jaborandi era em média, de R$ 162,89, com valor de comercialização em torno de R$ 1,36. Nos primeiros seis meses, a renda obtida a partir desta planta passou para R$ 440,02, um ganho real de 270%. Inclusão social de colhedores na cadeia do jaborandi; planejamento participativo do manejo do jaborandi; valorização do quilograma da folha que passou de R$ 2,00 para R$ 4,00 em dois anos de projeto; Emissão de AuTex´s; consolidação de novas parcerias para a ampliação do projeto para o estado do Maranhão; possibilidade de políticas públicas de fomento ao extrativismo sustentável com a inserção da metodologia da cadeia de suprimentos do jaborandi nas discussões governamentais; Premiação CNI 2009 na linha Desenvolvimento Sustentável. Outros impactos: aceitação dos colhedores quanto a nova forma de manejo do jaborandi; busca por parte dos colhedores e proprietários para a sua inclusão no projeto; apoio das instituições locais para o desenvolvimento de ações do projeto; possibilidade de diversificação da renda de comunidades assentadas; implantação de estrutura (viveiro de mudas) para manutenção de áreas sob regime de manejo sustentável e demais comunidades do território.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Matias Olímpio / Piauí04/2009
Luzilândia / Piauí04/2009
Campo Largo do Piauí / Piauí04/2009
Nossa Senhora dos Remédios / Piauí04/2009
São João do Arraial / Piauí04/2009
Morro do Chapéu do Piauí / Piauí04/2009
Porto / Piauí04/2009
Chapadinha / Maranhão04/2009
Vargem Grande / Maranhão04/2009
Barra do Corda / Maranhão04/2009
Esperantina / Piauí04/2009
São Félix do Xingu / Pará04/2009
Parauapebas / Pará04/2009
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adulto
Agricultores
Agricultores Familiares
Assentados rurais
Famílias de baixa renda
Povos Tradicionais
Produtores rurais - Médios
Produtores rurais - Pequenos
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Coordenador2
Engenheiro Florestal1
Técnico Agrícola2
Biólogo1
Ajudante3
Mateiro1
Auxiliar de Serviços Gerais1
monitores6
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

• Equipe técnica de execução do projeto: Contratação de Engenheiro Florestal, Técnico Agrícola de apoio, Mateiro, Contratação de auxiliar de serviços gerais; Assessor Técnico para acompanhamento do projeto e organização dos agricultores, Consultor para estudo da cadeia produtiva do jaborandi, Monitores para as capacitações específicas, Pesquisadores para realização de levantamento dos colhedores na região e Motorista para acompanhar os técnicos durante a realização das atividades planejadas. • Equipamentos e material de expediente: Disponibilidade de 01 carro para o projeto, Implantação de escritório no Território, Material didático e de expediente; Computador para assessor técnico; Material de moderação para as capacitações (Data-show e Impressora). • Apoio aos eventos locais e regionais Despesa com transporte, hospedagem e alimentação dos agricultores e aluguel de local para eventos.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

R$ 394.137,24

Impacto Ambiental

Visão no território de que preservação e geração de renda podem caminhar de forma conjunta; maior preocupação da comunidade local quanto as questões ambientais.

Forma de Acompanhamento

As variáveis utilizadas para avaliar são renda, boas práticas de manejo, comercialização, organização e gênero. As estratégias utilizadas foram monitoramento das áreas sob manejo, realização de pesquisas para análise de impactos ambientais e para orientar decisões futuras, sistematização de dados do projeto e registro fotográfico.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Informativo institucionalBaixar
Folder institucionalBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologia