Filtro Biológico- Sistema de Filtragem de Águas Cinzas

certificada 2015

Instituição
Verde
Endereço
RUA 1º DE MAIO Nº 0 PRAÇA ILHA DAS COBRAS - Ilha das cobras - Parati/RJ
E-mail
permaculturacaicara@gmail.com
Telefone
(24) 9990-11073
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Francisco Xavier Sobrinho(24) 99901-1073permaculturacaicara@gmail.com
Resumo da Tecnologia

O Filtro biológico é um sistema de filtragem de águas cinzas, ou seja, águas provenientes dos ralos das pias, chuveiros e tanques de lavar roupas. Este sistema é composto por quatro caixas filtradoras e um círculo de bananeiras. A 1ª caixa consiste em uma caixa de gordura comum; a 2ª uma caixa com brita; a 3ª uma caixa com areia e a 4ª uma caixa com carvão. Dessa forma a água que sai das casas retorna ao ambiente com mais de 70% de pureza, evitando excesso de matéria orgânica, sabões, gorduras e produtos químicos nos córregos das comunidades. O Sistema filtra o material mais grosso e a gordura, e propicia o desenvolvimento de bactérias que realizam a decomposição do material particulado.*{ods4},{ods6},{ods13},{ods17}*

Tema Principal

Recursos Hídricos

Tema Secundário

Educação

Problema Solucionado

O Pouso da Cajaíba é uma das doze comunidades caiçaras pertencentes à Reserva Ecológica da Juatinga (REJ). São comunidades sem energia elétrica, com escolas que vão apenas até o ensino fundamental e com acesso apenas a barco. Essas comunidades recebem um número crescente de turistas a cada ano e sofrem com a falta de assistência do Poder Público. Os córregos da Comunidade do Pouso da Cajaíba há muito tempo sofrem com os impactos ambientais causados pelo aumento da população de moradores e visitantes na região. Como não há tratamento de esgoto, as águas cinzas caem direto nos rios ou no solo, as vezes passando apenas por uma caixa de gordura que não é suficiente para remover os poluentes. Com isso, os rios têm se tornado cada vez mais poluídos e o isolamento da comunidade dificulta o atendimento do serviço público. O filtro biológico vem sanar um problema ambiental que interfere diretamente na saúde dos moradores e visitantes, de forma barata e fácil de fazer. O IPECA (Instituto de Permacultura e Educação Caiçara da Verde Cidadania) tem implantado o Filtro Biológico em comunidades da REEJ e formado pessoas de dentro e fora das comunidades que possam replicar a tecnologia.

Objetivo Geral

Evitar a contaminação de córregos e do solo pelas águas cinzas que saem das casas, tornando-os novamente propícios para o uso. Acabando com a cena comum de córregos esbranquiçados por gorduras, produtos químicos e matéria orgânica trazendo mau cheiro e doenças de pele aos moradores e visitantes

Objetivo Específico

1-Valorizar a cultura caiçara- As oficinas para a construção dos filtros sempre são espaços de muita troca de saberes e experiências. Através destes espaços pretende-se difundir a técnica do filtro mas também estreitar laços e resgatar antigos hábitos dos caiçaras como os mutirões. Durante as oficinas, quem é de fora também escuta as histórias e casos do pessoal local que falam do cotidiano nas comunidades e da cultura ancestral, aprendendo a valorizar a identidade do povo caiçara; 2- Tratamento de água em todas as comunidades da REEJ- O Filtro biológico como Tecnologia Social pretende ser difundido por todas as comunidades isoladas da Reserva para que estas tenham acesso a uma forma de tratamento das águas que seja barata e fácil de construir; 3- Aperfeiçoar a tecnologia- buscar sempre formas de melhorar a tecnologia para torná-la cada vez mais adaptada à região e com um valor cada vez mais acessível.

Descrição

Após diversas experiências em Permacultura e uma formação CPDC (Permaculture Design Certificate) na ONG Taipal-SP, o responsável pela difusão da tecnologia, Ticote (Francisco Xavier Sobrinho), fez o primeiro filtro em sua casa em uma oficina em 2011 com o apoio do grupo “Raízes e Frutos”- Projeto de Extensão da UFRJ. A experiência ficou tão boa que decidiram mobilizar outras pessoas para implantar o filtro em outras casas também. As famílias começaram a conhecer o funcionamento do filtro e observar que ele é uma alternativa viável para a região. Para divulgar a tecnologia e seus beneficios, durante a implantação dos filtros são realizadas oficinas com a presença de jovens e adultos de diversos locais (tanto das comunidades próximas como de lugares distantes, como o de São Miguel no Paraná) e a partir daí a tecnologia é divulgada e implantada em outras comunidades. As oficinas são encontros que duram geralmente um fim de semana e o grupo interessado em conhecer a nova tecnologia, fica na casa onde será instalado o filtro (ou próximo). Este momento de vivência, entre os participantes da oficina e os oficineiros, é também de grande aprendizado. É nessa hora que conhecemos as histórias do lugar, das pessoas e revivemos um pouco da cultura caiçara. O Filtro Biológico consiste em quatro caixas conectadas por cano de PVC e um círculo de bananeiras ao final. Cada caixa possui uma função distinta de filtragem: promovem a separação da gordura, a retenção do material particulado e a decomposição de compostos químicos e orgânicos. O círculo de bananeiras promove a remoção/decomposição do restante dos compostos que não ficaram retidos nas caixas, através de um processo realizado por fungos e bactérias presentes na cava das bananeiras. As bananeiras ainda têm a função de evapotranspirar a água contida no circulo de bananeiras, e são muito eficientes nisso. Etapas de construção: 1- Construção das placas de plastocimento (0,5 x 0,5 m): o plastocimento é a mistura do cimento com o material plástico dos sacos de cebola. Faz-se a massa com areia média e cimento (2 para 1). São utilizados moldes de madeira (0,5 x 0,5 m) sobre uma lona onde é colocada uma camada de cimento, depois a tela de plástico e ao final, mais uma camada de cimento. Lembrando de colocar pedaços de arame nos vértices das placas para facilitar a montagem das caixas depois. São feitas 24 placas, sendo 8 com buracos 40 mm por onde sairão os canos PVC; 2- Montagem das caixas (0,5 m3 – 125 L): Depois das placas secas elas serão emendadas, com ajuda dos arames e da massa de areia e cimento (desta vez 1 para 1). A montagem consiste em formar um cubo, ainda sem a tampa final e com furos em dois lados opostos e localizados na parte mais superior da caixa (a parte sem a tampa); 3- Instalação das caixas e círculo de bananeiras: nesta etapa fazemos as correções necessárias no terreno para que exista um declive que favoreça o escoamento da água pelas 4 caixas até a parte final do sistema de filtragem. É quando faremos a cava do círculo de bananeiras e as cavas para as caixas (se necessário). Fixamos as caixas e para o círculo de bananeiras faz-se uma cava de 40 cm de profundidade por 1m de raio, preenchendo com restos de galhos, folhas, terra e as touceiras de banana; 4- Montagem e fechamento do Filtro: a sequência de filtragem é a seguinte: Caixa 1 > Caixa 2 > Caixa 3 > Caixa 4 > Círculo de bananeiras. Sendo que a caixa 1 é a caixa de gordura tradicional; a Caixa 2 é preenchida com brita sem que se tape a saída do cano; a Caixa 3 é preenchida com areia grossa e a Caixa 4 é preenchida com carvão. Para fechar as caixas com as placas-tampa, utilizamos uma massa mais leve, fácil de ser retirada para limpeza periódica do sistema: areia + barro + cimento (1 para 1 para 1/3). Depois de seca a massa, o filtro está pronto para funcionar! 5- Monitoramento do Sistema: é importante observar o funcionamento do filtro implantado. Criar com ele uma relação de cuidado. Afinal ele também está cuidando da água que sai da sua casa. Se houver qualquer mau cheiro, é bom checar. As limpezas periódicas geralmente acontecem a cada ano, dependendo do volume de água utilizado nas casas. A tecnologia tende a ser melhorada cada vez mais em um processo dinâmico e coletivo de construção e aprendizagem.

Resultado Alcançado

Até o momento foram instalados 5 filtros Biológicos: O primeiro Filtro na casa do Ticote, instalado ao final de 2011, funcionou a todo vapor por mais de 2 anos e, no momento, já necessita de uma das limpezas periódicas que ajudam a manter a qualidade do sistema; O Filtro do Sr. Manuel na Sumaca foi feito em 2013 em uma oficina com participantes das comunidades próximas, participantes do INEA (Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro), participantes da UFRJ e da comunidade de São Miguel no Paraná. Está funcionando perfeitamente. O participante que veio de São Miguel no Paraná, levou a tecnologia para lá é já replicou na Escola da comunidade pesqueira de São Miguel, em uma oficina com a supervisão do Ticote em 2014; O Filtro da Maria, na comunidade do Pouso, foi montado também em 2014 durante uma aula da Escola da Comunidade, onde as crianças puderam conhecer o funcionamento do sistema e participar de sua montagem. Este sistema faz a filtragem das águas cinzas do Bar da Maria, bem próximo da praia. Por se tratar de uma questão ambiental referente à água, um bem comum da comunidade, incontáveis pessoas são beneficiadas direta e indiretamente pela implantação da tecnologia, não só agora, mas também no futuro. De acordo com a Lei 3.325/99 do Rio de Janeiro, um dos objetivos de EA é o incentivo à participação comunitária ativa, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania. A participação dos grupos sociais neste processo é de suma importância para a construção de um processo educativo democrático, estimulando a formação crítica do cidadão voltada para a garantia de seus direitos constitucionais a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. A equipe que instalou o filtro biológico na Escola da comunidade de São Miguel- PR, realizou análises do afluente e do efluente (agua que entra e água que sai do sistema) para avaliar o funcionamento do filtro (vide “Análise” nos anexos). Como foi utilizada areia fina demais, a caixa de areia não estava filtrando bem e foi retirada, o que influenciou negativamente nos resultados. Nos deram o seguinte retorno: O monitoramento da água e do solo no sistema de filtros de águas cinzas implantado na escola de São Miguel demonstrou enorme eficiência. Para o Filtro alcançar os padrões das normas CONAMA, a complementação do círculo de bananeiras se torna essencial.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Parati / Rio de JaneiroPouso da Cajaíba11/2011
Parati / Rio de JaneiroSumaca05/2013
Paranaguá / ParanáSão Miguel03/2014
Parati / Rio de JaneiroPouso da Cajaíba10/2014
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Pescadores
Povos Tradicionais
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

As ferramentas são levadas durante as oficinas, reduzindo os custos de implantação: balde, enxada, lona (5x5), alicate, réguas de madeira (gabarito), bucha de cozinha para acabamento, colher de pedreiro e os moldes de madeira para as placas. Os 12 sacos de cebola- embalagens de plástico que irão ser divididas ao meio para compor as placas de plastocimento- são conseguidas como doação em hortifruti e sacolões. Os materiais que geram custos e seus respectivos preços são (para detalhes- vide planilha em anexo): Saco de brita 20 Kg (pedra de construção)-R$ 3,00; Em média 3 metros de Cano de PVC 40mm- R$ 3,46; Seis conexões para PVC- R$ 8,94; Um saco de carvão 5 Kg- R$10,80 Um saco de cimento 25 Kg- R$ 20,50 Um kg de arame- R$ 20,00 (essa quantidade serve para 10 unidades de filtragem. Para uma unidade seriam= R$ 2,00) Os preços dos materiais seguem segundo ofertas recentes na região como mostram os sites abaixo: (http://www.leroymerlin.com.br/pedra-britada-1-saco-de-20kg-larivoir_85189062); (http://www.taqi.com.br/produto/tubos/tubo-amanco-marrom-40mm-6-metros/041395); (http://www.cec.com.br/material-hidraulico/tubos-e-conexoes); (http://quero-comprar-vender.produtosrurais.com.br/carvoaria-1617/carvoaria-distribuicao-e-atacado-de-carvao-certificado-com-procedencia/151034); (http://www.sinduscon-rio.com.br/mediana.pdf); (https://www.google.com.br/search?q=arame+pre%C3%A7o&biw=1366&bih=623&source=univ&tbm=shop&tbo=u&sa=X&ei=QTJmVeXoJImzyQSoioKwBg&sqi=2&ved=0CBwQsxg).

Valor estimado para a implementação da tecnologia

O valor estimado para a implantação de uma unidade de filtragem é de R$ 48,25. Considerando que as ferramentas são disponibilizadas durante as oficinas.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
INEA- Instituto Estadual do AmbienteApoio logístico e de pessoal
Escola de São Miguel- PRReplicação da Tecnologia em comunidades pesqueiras no Paraná
Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Analise do Efluente e afluente do Sistema de FiltragemBaixar
Tabela de custos para uma unidadedownload
Projeto do Filtro na Escola de São Miguel- IPECA/Escola de São Miguel/DTA EngenhariaBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Observações: 1-O calculo de pessoas favorecidas pela tecnologia não é um calculo simples de se fazer: todo o ambiente é afetado, desde o morador vizinho ao filtro até o morador que mora rio abaixo; há um fluxo contínuo de visitantes que é beneficiado pela qualidade das águas cujo cálculo é inviável; Muitas pessoas são atingidas indiretamente, pois menos águas contaminadas estão caindo no mar e no solo; 2-Não conseguimos alterar o nome da ONG. O correto é Verde Cidadania; 3- Acreditamos que com o dinheiro do prêmio possamos multiplicar o filtro pela comunidade e formar mais pessoas; 4- O IPECA implantou recentemente a fossa de evapotranspiração para águas negras na comunidade da Praia do Sono (uma parceria IPECA da Verde Cidadania e a Fiocruz), é um projeto que já está em andamento.