Hb: tecnologia social de combate à anemia ferropriva

vencedora 2013

Instituição
Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação
Endereço
Avenida Beira Mar 83 - Povoado do Crasto - Santa Luzia do Itanhy/SE
E-mail
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Telefone
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Responsáveis pela tecnologia
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Saulo Faria Almeida Barretto(79) 8843-2171saulo@ipti.org.br
Resumo da Tecnologia

A Tecnologia Social Hb foi desenvolvida para reduzir a alta prevalência da anemia ferropriva em alunos nas escolas da rede pública de municípios brasileiros para níveis próximos ao recomendado pela OMS.

Tema Principal

Saúde

Tema Secundário

Alimentação

Problema Solucionado

A anemia ferropriva é a carência nutricional de maior prevalência em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ela atinge 25% da população mundial, sendo as crianças e as gestantes os grupos mais vulneráveis. A anemia está associada ao baixo desempenho motor e mental em crianças, baixa produtividade em adultos e problemas com o binômio mãe-feto na gravidez. A prevalência de anemia entre alunos matriculados na rede pública de ensino brasileira tem alcançado níveis alarmantes. Estudos apontam entre 20 e 50% o percentual de crianças com anemia por deficiência de ferro. Além disso, convivemos com dois outros problemas nutricionais: a desnutrição que, apesar de uma drástica redução nas últimas duas décadas, ainda existe no país, e a obesidade infantil, distúrbio causado principalmente por maus hábitos alimentares, que tem aumentado significativamente neste mesmo período. Em Santa Luzia do Itanhy, um dos municípios mais pobres do Brasil (IDH: 0,545), localizado no Território da Cidadania Sul Sergipano, a prevalência média de anemia ferropriva entre alunos da rede pública era de 32%, atingindo o valor máximo de 57% para crianças na faixa dos 3 anos de idade.

Objetivo Geral

Diagnosticar e combater a anemia ferropriva entre alunos matriculados do ensino regular da rede pública municipal de ensino, buscando manter sua prevalência num patamar abaixo de 5%, como recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

Objetivo Específico

Realizar o levantamento dos dados antropométricos (peso e altura) em alunos da rede municipal de ensino; calcular o Índice de Massa Corporal (IMC), permitindo identificar problemas nutricionais (obesidade, desnutrição); diagnosticar os alunos que apresentam quadro de anemia ferropriva Tratar os casos diagnosticados como de anemia ferropriva, com suplementação de sulfato ferroso e vermífugo, e encaminhar os demais casos (ex: anemia falciforme) para exames complementares; monitorar a prevalência de anemia ferropriva nas escolas, através do acompanhamento e tratamento de 12 semanas com o apoio dos agentes de saúde da família, com uma medição intermediária (6 semanas) para eventual reforço do tratamento.

Solução Adotada

A construção da tecnologia Hb teve início a partir da criação de um equipamento de baixo custo, fácil de manusear, robusto e portátil para medir a taxa de hemoglobina no sangue (hemoglobinômetro). Em 2008, realizamos uma experiência piloto com 200 alunos de Santa Luzia do Itanhy (SE) e 200 alunos de Ilha Bela (SP), quando identificamos 25% e 19,8% dos alunos com anemia ferropriva, respectivamente, taxa que conseguimos reduzir para 4,6% e 4,8%, após 12 semanas de tratamento. Contudo, por se tratar de uma experiência piloto, a solução adotada não poderia ser considerada uma tecnologia social, uma vez que sua sustentabilidade, e conseqüente reaplicabilidade, ainda não tinha sido testada. Além disso, seu desenvolvimento até então não havia envolvido a comunidade. O desafio da tecnologia Hb é envolver a maior quantidade de escolas municipais possíveis para obter a autonomia, dos atores locais para que possam dar continuidade ao controle e combate à anemia, independente da presença de uma instituição como o IPTI. O desenvolvimento da tecnologia social foi iniciado em meados de 2010 e o primeiro passo foi identificar os atores locais que poderiam compor a equipe principal de pesquisa do IPTI. Neste caso, encontramos no(a)s técnico(a)s de enfermagem dos postos de saúde dos povoados o perfil ideal de parceiro. Todos têm tempo disponível, boa vontade, ascendência sobre os agentes de saúde da família, profissionais essenciais na etapa de acompanhamento juntos às famílias,. O processo de desenvolvimento da solução incluía atividades da equipe técnica de Santa Luzia nas escolas e junto às famílias e reuniões periódicas de avaliação e aperfeiçoamento. Um dos principais desafios foi equacionar o momento da prescrição da medicação, que requer a presença do médico e, no caso de municípios como Santa Luzia do Itanhy, estamos falando do médico de saúde da família, sendo que em muitos municípios há carência de tais profissionais. Para isso, criamos um questionário de anamnese que possibilita separar os casos de anemia entre simples, intermediários e complexos. Nos casos simples o médico simplesmente assina a prescrição, já elaborada pela técnica ou pelo agente de saúde, nos casos intermediários ele avalia se requer ou não avaliação e nos casos complexos ele examina a criança. Essa estratégia reduziu extremamente a necessidade de dedicação do médico ao projeto, a um nível médio de 10 horas/ano para cada unidade da TS. Além deste, diversos outros problemas tiveram que ser equacionados, tais como: i) os primeiros resultados mostravam que a adesão das mães ao tratamento e mudanças nos hábitos alimentares era baixa. Para isso, criamos a revista Guerra nas Artérias, a partir de sugestão de alguns agentes de saúde, sendo que todo o texto da revista foi construído de maneira participativa, e intensificamos o acompanhamento dos agentes às casas com crianças com quadro de anemia. Paralelamente, criamos uma ?folhinha? para reforçar a questão da alimentação saudável, também por sugestão das equipes locais de saúde; ii) problemas com a gestão de dados e informações. As escolas não tinham nenhum sistema de gestão da educação, de forma que nunca sabíamos quantos alunos a escola tinha, afora o problema de gestão da própria campanha de combate à anemia, que requer a separação dos alunos com anemia, para posterior acompanhamento. Para isso, desenvolvemos o TAG (Tecnologia de Apoio à Gestão - ? www.ipti.org.br/ts/tag), que é uma solução em Java, que roda online e offline, já que muitas escolas não têm acesso à Internet, e tem um sistema de sincronização de dados via pen drive; iii) problemas de comunicação entre as áreas de educação e saúde, com relação às datas da campanha de combate à anemia, principalmente levando em conta o sinal de telefonia em muitos povoados. A solução foi criar um cartaz, que é afixado na escola e no posto de saúde, com todas as datas importantes, previamente definidas em comum acordo entre as duas áreas.

Resultado Alcançado

Na primeira fase de teste e re-aplicação da tecnologia social (2010/2011), dos 4.291 alunos matriculados na rede pública de ensino em Santa Luzia do Itanhy, medimos peso e altura em 3.036 deles e a taxa de hemoglobina no sangue em 2.755 alunos, das 22 escolas municipais e 1 estadual, envolvidas no desenvolvimento da TS. É importante salientar aqui que a medida da hemoglobina requer a prévia autorização dos pais ou responsáveis, ao passo que medir peso e altura não requer. Como já mencionado anteriormente, prevalência média de anemia ferropriva foi de 32%, atingindo o valor máximo de 57% para crianças na faixa dos 3 anos de idade e um percentual de crianças com baixo IMC de 16,5%, valor considerado alarmante. Nesta fase nós conseguimos obter uma redução média de 35% dos casos de anemia ferropriva, baixando de 32% para 20%, valor ainda muito acima do desejado. Na época, a TV Sergipe fez uma reportagem sobre a tecnologia, que foi veiculada no programa Terra Serigy (http://www.youtube.com/watch?v=1GspOnmHk34). Com a nova versão da tecnologia (2012), aperfeiçoada em função dos problemas observados na fase anterior, conseguimos chegar a uma diminuição de 80% nos casos de anemia ferropriva entre os alunos que aderiram ao tratamento, atingindo a meta principal da TS.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Santa Luzia do Itanhy / Sergipe04/2010
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adolescentes
Alunos do ensino básico
Alunos do ensino fundamental
Alunos do ensino médio
Crianças
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Técnico de enfermagem1
Médico do Programa Saúde da Família1
Agentes de saúde4
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Considerando uma unidade da Tecnologia Social Hb como sendo uma escola com 200 alunos, matriculados no ensino regular, sua implementação requer os seguintes recursos: Material permanente – 1 hemoglobinômetro Agabê, 1 pipetador Digipet (2 a 20 microlitros), 1 suporte para as ampolas. A indicação da marca Agabê é por se tratar do único equipamento nacional portátil e de menor custo por exame. No caso do pipetador Digipet é por conta dele ter apresentado o melhor custo/benefício em relação a 10 modelos testados, com preço variando na época de R$ 70,00 a R$ 1.000,00. O Digipet teve preço estimado em R$ 200,00 e mostrou-se fácil de ser operado pelo pessoal técnico dos postos de saúde. Material de consumo – 1 caixa com 50 pares de luvas, 360 lancetas descartáveis, 360 lenços com álcool, 360 ponteiras para pipetador (2 a 20 microlitros), 1 rolos de papel toalha, 360 reagentes para Agabê, 3 coletores para material perfurocortante, 520 frascos de Sulfato Ferroso (25 mg) de 30 ml, 5.200 comprimidos de Sulfato Ferroso (40 mg) e 80 comprimidos de Albendazol. No que se refere à equipe, todos são funcionários da rede municipal de saúde, de forma que não há custos adicionais envolvidos com recursos humanos.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Considerando uma unidade da TS como sendo uma escola com 200 alunos, o custo estimado da implementação seria de R$ 13.170,00, sendo R$ 3.420,00 referente aos custos com material permanente e R$ 1.950,00 com material de consumo. Deste último, R$ 1.360,00 refere-se à medicação, a qual pode ser obtida pelo município com recursos do Programa Farmácia Básica.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Prefeitura Municipal de Santa Luzia do ItanhyApoio logístico e disponibilização de pessoal técnico da rede
Organização Pan Americana da SaúdeApoio financeiro
Banco do Nordeste do BrasilApoio financeiro
Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência e Tecnologia de SergipeApoio financeiro e apoio da disseminação para outros municípios sergipanos
Impacto Ambiental

não se aplica

Forma de Acompanhamento

A principal forma de acompanhamento é através do sistema TAG (Tecnologia de Apoio à Gestão), através do qual é possível monitorar a evolução do tratamento e as taxas de prevalência da anemia ferropriva entre os alunos, bem como o IMC (Índice de Massa Corporal). Outra forma extremamente importante de acompanhar é através das visitas dos agentes de saúde da família, que recebem uma lista das crianças que estão com quadro de anemia, da região de sua atuação.

Forma de Transferência

Para orientar a reaplicação foi criada uma cartilha, com o passo-a-passo da implementação da tecnologia Hb, que está gratuitamente disponível no respectivo site (www.ipti.org.br/ts/hb), junto com o material da campanha (cartaz, revista, etc.). No caso de um município desejar apoio no processo de reaplicação, é possível contar com o IPTI, sendo que as oficinas de capacitação são conduzidas pela equipe de técnicos de Santa Luzia do Itanhy, a mesma que nos ajudou a desenvolver a tecnologia Hb.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Cartilha-HbBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

“O IPTI tem se empenhado em difundir e consolidar o conceito brasileiro de Tecnologias Sociais, por consideramos que ele estabelece uma relação contemporânea entre ciência, tecnologia, inovação e sociedade (http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252012000400002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt). O projeto Hb serve como uma ótima referência, porque foi iniciado como uma inovação social (equipamento de baixo custo e experiência piloto), mas somente graças à interação com a comunidade de Santa Luzia do Itanhy e ao aprendizado com nossas falhas foi possível atingir o nível de uma Tecnologia Social, sustentável, apropriada e de reaplicável.”