Jardins Filtradores - Sistema de Saneamento Ecológico

certificada 2017

Instituição
Instituto Ambiental Daterra de Permacultura e Sustentabilidade
Endereço
Rua Portão, 4003 - Lago Azul - Estância Velha/RS
E-mail
Contato@ambientaldaterra.com.br
Telefone
(51) 51999-8609
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Débora Cristina da Silva(51) 3590-8508cmtsinos@unisinos.brhttps://www.facebook.com/Projeto-VerdeSinos-1434675293483894/ www.comitesinos.com.br
Jeferson Müller Timm(51) 9998-6096jeferson@ambientaldaterra.com.br
Resumo da Tecnologia

Os jardins filtradores (banhados construídos ou zonas de raízes) aliam a dinâmica de depuração da matéria orgânica dos banhados naturais com conceitos de engenharia e biologia, mitigando impactos antrópicos decorrentes do lançamento de esgoto doméstico. Consistem em filtros de areia, brita, vegetados, para o tratamento do esgoto. De fácil construção e manutenção, constitui tecnologia social de difusão acessível. Solução simples e eficaz para demandas de saneamento, contribui para saúde pública e conservação ambiental. Respaldada pelo Comitê da Bacia do Rio dos Sinos e do Rio Ibicuí, a tecnologia tem sido implantada e difundida aliando educação e resolução de problemas socioambientais.*{ods3},{ods6}*

Tema Principal

Recursos Hídricos

Tema Secundário

Saúde

Problema Solucionado

No Brasil, a maior parte das cidades carece de sistemas adequados de tratamento de esgoto, o que causa contaminação das águas subterrâneas e superficiais, um dos maiores problemas ambientais e de saúde pública. Na bacia hidrográfica do Rio dos Sinos são gerados mais de 215mil m³ de esgotos domésticos diariamente. Menos de 10% deste volume é tratado antes do lançamento nos cursos d’água. Neste cenário, os jardins filtradores despontam como alternativa de saneamento de fácil acesso econômico e social. Até o momento, foram implantadas unidades em centros de educação ambiental, escolas e propriedades rurais que são referência para multiplicação destas práticas. Pelo monitoramento feito nas unidades, houve remoção acima de 80% para coliformes fecais (E. coli) e acima de 90% da carga orgânica (DBO). Atualmente, os estudos e objetivos deste projeto visam expandir as ações para outras comunidades, rurais e urbanas, como forma de sanar ou reduzir a carga orgânica e patogênica destinada ao ambiente.

Objetivo Geral

Difundir e popularizar os jardins filtradores como tecnologia de saneamento ecológico e ferramenta de promoção da saúde pública por meio da participação social, contribuindo para as condições de qualidade das águas da bacia do Rio dos Sinos e demais regiões do país.

Objetivo Específico

Durante o período de 24 meses: - Oferecer cursos de capacitação para agricultores, professores e sociedade civil em geral, afim de empoderar a população acerca dos conceitos de funcionamento e construção de jardins filtradores; - Implantar e monitorar unidades de tratamento de esgoto empregando jardins filtradores em diversos centros de referência no estado do Rio Grande do Sul, especialmente na bacia do Rio dos Sinos; - Construir sistemas em forma de mutirão, empregando o poder da comunidade como ferramenta de transformação social; - Elaborar material técnico, na forma de um manual impresso e virtual para distribuição gratuita nas comunidades de interesse; - Elaborar vídeos didáticos sobre o tema.

Descrição

A disseminação de tecnologias de saneamento simples e descentralizadas pode ser uma alternativa para sanar a falta de tratamento de esgoto no Brasil. O tratamento de esgoto com plantas existe à centenas de anos, sendo difundido e popularizado em diversos países do mundo. Consiste basicamente em leitos impermeabilizados, preenchidos por substratos de brita e areia e vegetado com macrófitas aquáticas. O esgoto é destinado para estes filtros, onde os substratos retêm a poluição que é depurada pelas plantas. Após passagem pelos sistemas a água pode ser devolvida limpa para natureza, sem oferecer riscos de contaminação do ambiente ou danos à saúde humana. As unidades já implantadas e monitoradas apresentaram desempenho satisfatório na remoção da carga orgânica, turbidez e estabilização do pH. Os sistemas atenderam a legislação em todas as médias do esgoto tratado para DBO, DQO, Turbidez e pH, comprovando sua eficiência. Passo-a-passo da implantação: a) Diagnóstico do local de implantação, inventário de recursos e usuários do sistema; b) Abertura dos leitos (Escavação); c) Implantação do sistema de impermeabilização; d) Instalação do sistema de drenagem (Tubulações e brita); e) Preenchimento do filtro fino (areia); f) Preenchimento do filtro grosso (brita) g) Instalação do sistema de distribuição do esgoto; h) Cobertura do sistema de distribuição do esgoto (brita); i) Plantio das macrófitas. O Instituto Ambiental Daterra é parceiro do Projeto VerdeSinos, coordenado pelo Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos – COMITESINOS, que mobilizou diretamente mais de 17mil pessoas entre 2014 e 2016, em ações que possibilitaram qualificação e implantação de soluções ambientais com o intuito de contribuir com as condições de qualidade e quantidade das águas. Com 41 entidades parceiras, o VerdeSinos tem o potencial de alavancar a participação social, assegurando pelo menos 10 (dez) espaços beneficiados. Tais espaços deverão estar habilitados e comprometidos com a disseminação da tecnologia social, podendo ser: instituições de ensino, pequenas comunidades através de suas formas de organização social, centros de educação ambiental, propriedades privadas voltadas ao lazer e turismo (desde que empenhadas para a multiplicação didática da tecnologia de jardins filtradores). A participação ativa de, no mínimo, 20 (vinte) pessoas por espaço beneficiado se dará desde a identificação da necessidade e do potencial multiplicador, passando pela qualificação teórica, depois a construção propriamente dita, funcionamento, ajustes e monitoramento (prática e discussão conjunta dos resultados). É desejável o envolvimento direto de mais pessoas nas diferentes etapas. O Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2017 possibilitará a edição, impressão e distribuição de manual técnico-didático sobre jardins filtradores, a ser utilizado durante e após as atividades para disseminação da tecnologia social.

Resultado Alcançado

Até o momento, o Instituto Ambiental DaTerra implantou 10 unidades de tratamento de esgoto empregando jardins filtradores, em cursos e oficinas visando a capacitação de pessoas para construção e multiplicação da tecnologia. Destas unidades, 5 (cinco) foram viabilizadas pelo Projeto VerdeSinos, patrocinado pela Petrobras até 2016, e monitoradas através da análise dos efluentes tratados para comprovação da eficácia dos sistemas. Ao todo, mais de 9mil pessoas foram contempladas pelos cursos e oficinas. Em conjunto, as estações tratam efluentes gerados por mais de 600 pessoas/dia que frequentam os locais de implantação de forma permanente ou esporádica.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Araricá / Rio Grande do SulSilva Reich - Rua Urtigão, 251.07/2016
Igrejinha / Rio Grande do SulCentro de Educação Ambiental Augusto Kampff - Rua João Kampff, s/nº09/2014
Sapiranga / Rio Grande do SulFábio Dias - Rua Bela Hu, 08. Bela Hu Zona Rural10/2016
Estância Velha / Rio Grande do SulInstituto Ambiental Daterra - Rua Portão, 4003. Lago Azul09/2016
Nova Hartz / Rio Grande do SulComunidade de Solitária Alta, Estrada Solitária03/2015
Triunfo / Rio Grande do SulComunidade Quilombola Morada da Paz, BR 386, Km 410, Distrito de Vendinha.07/2016
Porto Alegre / Rio Grande do SulNaturalmente Espaço Alternativo, Praia do Lami03/2016
Alegrete / Rio Grande do SulPolo Educacional de Mariano Pinto, Zona Rural (lat -29,36051° long -56,01098°)05/2017
Sapiranga / Rio Grande do SulJair Camilo - Estrada Pedro Wagner, s/nº09/2016
Canela / Rio Grande do SulOficina Consciência Ambiental - Localidade do Chapadão, Canela RS.02/2012
Três Coroas / Rio Grande do SulSede do ARIP, Rua Itajaí, Bairro Mundo Novo04/2012
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Alunos do ensino fundamental
Gestores Públicos
Jornalistas
Lideranças Comunitárias
População em geral
Professores do ensino fundamental
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

A tecnologia proposta permite diversas configurações, podendo ser empregada de formas mais simples ou complexas, em termos de materiais requeridos, conforme a situação em que se aplica. De forma geral, emprega-se sistemas convencionais de fossa séptica e filtro anaeróbico para pré tratamento do esgoto, seguidos pelos jardins filtradores, tema central da proposta. Os jardins filtradores devem contar com sistema de impermeabilização (geralmente empregando geo-membrana, alvenaria ou caixas d’água), sistemas de tubulações para entrada e saída do esgoto e preenchimento do filtro com camadas de brita e areia (Cerca de 0,5 m³ de brita e 0,3 m³ de areia por m² de filtro). A vegetação empregada é geralmente obtida no local da implantação. A área necessária é de cerca de 1 metro quadrado por pessoa. A construção é simples e requer treinamento básico, não precisando de mão de obra especializada.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Varia conforme complexidade e possibilidade de reaproveitamento de materiais de R$ 50,00 a R$ 500,00/pessoa. Em contrapartida, as parcerias locais assegurarão suporte para realização de cursos e oficinas. O Prêmio BTS possibilitará a produção e impressão de 1000(mil) exemplares de manual e a produção de 10(dez) vídeos didáticos, que serão disponibilizados gratuitamente para multiplicadores.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Instituto Ambiental DaterraCoordenação executiva
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos SinosMobilização Social
Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
5_Carta de recomendaçãoBaixar
6_Relatório Jardins Filtradores – Projeto VerdeSinosBaixar
9_Clipagem de noticias sobre a tecnologiaBaixar
Apostila wetlandsBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Desde que começamos a promover o emprego dos sistemas de saneamento ecológico com jardins filtradores na região, a tecnologia tem despertado interesse de muitas pessoas e tem ganho apoio de instituições públicas e privadas, como centros de Permacultura e Educação Ambiental, prefeituras municipais, da Emater e em especial do Comitê de Bacia do Rio dos Sinos (e mais recentemente, do Comitê de bacia do Rio Ibicuí). Junto com estas instituições, o projeto tem ganhado força e respaldo ao ser levado a prova através de análises de efluentes e monitoramentos realizados dentro das universidades da região. Atualmente, o projeto tem maturidade para avançar em novas etapas, como a divulgação de materiais de orientação e inclusão das técnicas em planos de saneamento básico.