Os Filhos da Água: Autonomia e Gestão Consciente dos Recursos Hídricos

certificada 2017

Instituição
Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico
Endereço
Chácara Santa Ana. Povoado Campo do Marinho, sn. São Cristóvão-SE - Zona Rural - Aracaju/SE
E-mail
gbelchior@hotmail.com
Telefone
(79) 9121-0101
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Marcos Guilherme Belchior de Araújo(79) 9121-0101gbelchior@hotmail.com
Resumo da Tecnologia

Tecnologia social integrada e de amplo impacto social, concebida a partir da necessidade de moradores da comunidade pesqueira de Ilha Grande, em São Cristóvão-SE que enfrenta dificuldades seculares no tocante à gestão e segurança de seus recursos hídricos, através do planejamento, capacitação e execução de sistemas de captação de água da chuva de baixo custo (cisternas de ferrocimento), bacias de evapotranspiração (fossas ecológicas) para tratamento de águas negras e sanitários secos compostáveis. As tecnologias implementadas contribuem para a solução definitiva das dificuldades locais em saneamento básico e segurança alimentar.*{ods3},{ods6}*

Tema Principal

Recursos Hídricos

Tema Secundário

Saúde

Problema Solucionado

A Ilha Grande está situada no município de São Cristóvão (SE) no estuário do rio Vaza-Barris, próximo à sua desembocadura no oceano Atlântico. A comunidade possui uma população estimada em 80 pessoas, que vivem basicamente da pesca e pequena agricultura baseada na produção de mandioca, côco e mangas. Seu único meio de transporte é fluvial entre a Ilha e o continente: o povoado Pedreiras, distando 3km deste último. 80% dos moradores da ilha são formados por adultos e idosos e 20% por crianças e adolescentes, com predominância da cor negra e renda familiar mensal de um salário mínimo ou menos. O abastecimento de água era realizado por meio de poços artesianos, mas dada a proximidade do mar, a água é salobra e imprópria para consumo e para irrigação, sendo utilizada somente para banho e limpeza. Seus moradores eram obrigados a buscar água no continente. A maioria das casas não possui fossa séptica e os sanitários são improvisados do lado de fora com lonas plásticas. Os resíduos sólidos juntamente com as águas cinzas (de pias e chuveiros) são descartadas diretamente nos quintais, contaminando os baixos lençóis freáticos da ilha e produzindo focos proliferantes de doenças.

Objetivo Geral

Auxiliar no equilíbrio e saúde comunitária sustentável dos moradores da comunidade pesqueira de Ilha Grande, através da implementação e capacitação dos moradores locais em tecnologias sociais de captação de água da chuva (cisternas), fossas ecológicas e sanitários secos compostáveis.

Objetivo Específico

1. Realizar cursos teórico-vivenciais sobre educação ambiental, com foco nos temas da permacultura, autonomia hídrica, agroecologia e soberania alimentar, gestão de resíduos sólidos e oportunidades. 2.Facilitar a construção de 25 (vinte e cinco) tecnologias socioambientais através de oficinas de capacitação, sendo 12 cisternas de ferrocimento com capacidade para 12 mil litros cada, 07 bacias de evapotranspiração e 04 sanitários secos compostáveis. 3. Contribuir na melhoria significativa da qualidade de vida e da saúde comunitária do moradores da Ilha. 4. Contribuir na minimização dos impactos negativos causados pela falta de gestão consciente dos resíduos sólidos domésticos. 5. Resolver em definitivo os problemas relacionados ao saneamento básico da comunidade.

Descrição

As tecnologias integradas de gestão consciente dos recursos hídricos englobam 3 momentos: captação (cisternas), tratamento (BET) e tratamento com produção de adubo (sanitários secos compostáveis). 1. Cisterna: o ferrocimento é uma técnica de construção em que se aplica uma camada de cimento sobre uma estrutura de ferro, esta feita de vergalhões envoltos por uma tela do metal. O ferrocimento (conhecido também como argamassa armada) é o material mais apropriado para armazenamento de água potável. Sua estrutura une a solidez do concreto com a flexibilidade do aço, permitindo a construção de cisternas de até meio milhão de litros de água para armazenamento permanente de água potável para residências, vilas, condomínios ou instalações comerciais. O custo de construção de uma cisterna de ferrocimento é aproximadamente a metade das demais tecnologias conhecidas para este fim. Além destas vantagens, esta técnica permite a instalação de filtros, vasos comunicantes, sistemas de captação de água da chuva e a construção de piscinas naturais, sistemas de tratamento biológico de esgoto ou viveiros aquáticos. 2.a Bacia de Evapotranspiração, conhecida popularmente como “fossa de bananeiras” ou “ecofossa”, é um sistema fechado de tratamento de águas negras, aquela usada na descarga de sanitários convencionais. Este sistema não gera nenhum efluente e evita a poluição do solo, das águas superficiais e do lençol freático. Nele os resíduos humanos são transformados em nutrientes para plantas e a água só sai por evaporação, portanto completamente limpa. Esse sistema possui algumas características de construção e desenvolvimento diferentes da Fossa Bio-Séptica ou Canteiro Bio-Séptico, mais usado na região central do Brasil. Mas ambos tem a mesma origem na permacultura e compartilham os mesmos princípios de funcionamento. Consiste basicamente em um tanque impermeabilizado, preenchido com diferentes camadas de substrato e plantado com espécies vegetais de crescimento rápido e alta demanda por água, de preferência com folhas largas (bananeiras, taioba, mamoeiro). O sistema recebe o efluente dos vasos sanitários, que passa por processos naturais de degradação microbiana da matéria org nica, mineralização de nutrientes, e a consequente absorção e evapotranspiração da água pelas plantas. Portanto, trata-se de um sistema fechado que transforma os resíduos humanos em nutrientes e que trata, de forma limpa e ecológica, a água envolvida. Diferente de outros sistemas, a água presente neste processo retorna ao ambiente na forma de vapor através da transpiração das folhas, daí seu nome. Assim, o sistema de evapotranspiração evita a poluição do solo, dos lençóis freáticos, dos rios e mares. A construção da bacia de evapotranspiração apresenta as vantagens de qualificação profissional, reutilização de resíduos sólidos na sua estrutura (pneus, entulhos e sobras de materiais de construção, fibra de côco, areia etc.), replicação da técnica de ferrocimento, produção de frutas, redução do impacto ambiental nos aquíferos subterrâneos em 100%, consciência ambiental, dentre outros. 3.O sanitário seco é uma tecnologia que transforma os dejetos humanos em adubo orgânico, recurso valioso para agricultura. É "seco" porque não utiliza ou desperdiça água. É "compostável", pois se vale de um processo bioquímico que, por meio da ação de bactérias e microorganismos, converte os dejetos em composto orgânico fértil e isento de patogênicos. E, principalmente, é "ecológico" por se aproveitar dos ciclos biológicos naturais não tendo como produto o esgoto e, portanto, não contaminando a água. O sanitário é composto de três partes: a cabine de uso; duas câmaras de compostagem e o sistema mecânico de adição de material orgânico seco rico em carbono, como serragem, aparas de grama e cascas de arroz. A cabine é aparentemente igual a de qualquer sanitário convencional, apresentando uma única diferença: a parte oca do interior do vaso é construída de maneira que não se tenha contato visual com o dejeto. As câmaras de compostagem ficam abaixo do vaso sanitário, de modo a promover o aquecimento solar e a ventilação do material para favorecer o processo de compostagem. A ventilação é garantida por um duto/chaminé que através de um processo chamado termossifão (ventilação solar) torna o sanitário inodoro. A câmara conta, ainda, com duas comportas no nível do solo que facilitam a retirada do material tratado – com uma enxada, por exemplo. A única diferença é que em vez de acionar a descarga com água, o sistema adiciona no vaso uma porção de serragem (ou outro material rico em carbono) e fecha sua tampa automaticamente para evitar a entrada de insetos. Essa rotina se repete todo dia, até que a câmara de compostagem esteja cheia. Quando a primeira câmara estiver com sua capacidade esgotada, ela deve ser fechada (com uma tampa, etc.) a fim de que ocorra processo de compostagem. Quando a segunda câmara tiver esgotado seu uso, a primeira já pode ser esvaziada e assim por diant

Resultado Alcançado

Todas as ações fizeram parte do Projeto Frutos da Ilha, patrocinadas pelo Edital Petrobrás Socioambiental 2013. Finalizamos o projeto com: - 30 tecnologias sociais instaladas (sendo 25 referentes a saneamento) - 15 cursos de capacitação envolvendo outros temas relacionados (Fitoterapia, Apicultura, Cooperativismo e Economia Solidária, Turismo de Base Comunitária, manejo de Resíduos Sólidos etc) - mais de 20 citações na imprensa local e nacional - 200 participantes nas capacitações ofertadas, dentre moradores da região e estudantes - cerca de 190 horas de capacitação - 20 instituições parceiras - 15 prestadores de serviços locais contratados pelo projeto Além dos resultados alcançados nos números mencionados, a melhoria na saúde e qualidade de vida da população é um dado evidente. Houve uma queda em mais de 80% nos problemas de saúde relacionados ao ciclo da água, dentre infecções gastro intestinais, problemas dermatológicos, hepáticos e por transmissão de insetos e ratos. Diminuição em mais de 90% da poluição proveniente do esgoto não tratado nas habitações da comunidade. Autonomia e segurança hídricas para 100% da população. Criação e mobilização da comunidade de uma consciência crítica sobre sobre a conservação do meio ambiente.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
São Cristóvão / SergipeCampo do Marinho05/2012
São Cristóvão / SergipeCampo do Marinho11/2015
Aracaju / SergipePovoado Areia Branca09/2016
Nossa Senhora do Socorro / Sergipe08/2015
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adulto
Afrodescendentes
Agricultores Familiares
Alunos do ensino médio
Alunos do ensino superior
Analfabetos
Desempregados
Famílias de baixa renda
Jovens
Lideranças Comunitárias
Mulheres
Pescadores
População Ribeirinha
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Para a implementação de uma unidade integrada de tecnologias temos: Cisternas de ferrocimento com capacidade para 12 mil litros: 10 malhas de vergalhão de 2x3m com espaçamento 10x10cm; 25 metros de tela plástica com abertura de 1cm; 3 barras de vergalhão de 8mm; 10 sacos de cimento; 10 escoras de madeira com 2,50m cada; 2 kg de arame recozido; areia, brita e material hidráulico (canos e conexões). Bacia de Evapotranspiração (capacidade para família de 5 pessoas): caixa (400 blocos cerâmicos grandes, areia, brita, 5 sacos de cimento), camadas de filtragem (entulho, brita, areia, terra preta, mudas de bananeira); material hidráulico. Sanitário seco compostável: 600 blocos cerâmicos grandes, areia, brita, 06 sacos de cimento, chapa metálica lisa medindo 2,20x3m, caixote e porta com 0,80m, duas tampas para vaso sanitário, madeira e telha para 9m de área, 2 latas de massa corrida, 2 latas de tinta.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Unidade integrada: 1 cisterna de 12 mil litros: R$ 1.500,00 1 bacia de evapotranspiração (5 pessoas): R$ 800,00 1 sanitário seco compostável: R$ 1.500,00

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC)Concepção e difusão
Instituto Brasileiro de Ecologia e Sustentabilidade (IBES)Capacitação teórica
Movimento Popular de Saúde (MOPS) -
Baobá Construções SustentáveisCapacitação
Museu Histórico de Sergipe -
Prefeitura Municipal de São Cristóvão -
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) -
Universidade Federal de Sergipe (UFS) -
Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Passo a passo das Tecnologias Sociais implementadasBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologia