Casas adaptadas à eventos climáticos extremos em áreas úmidas

certificada 2017

Instituição
Ecoa - Ecologia e Ação
Endereço
Rua 14 de Julho, 3169 - Centro - Campo Grande/MS
E-mail
ecoa@riosvivos.org.br
Telefone
(67) 3324-3230
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
André Luiz Siqueira(67) 9902-0190andre@riosvivos.org.brhttps://www.facebook.com/andreluiz.siqueira.397
Juliano Thomé(67) 9906-8812juliano.thome@gmail.comhttps://www.facebook.com/juliano.thome.5
Vanessa Spacki(67) 9984-8667vanessa@riosvivos.org.br
Resumo da Tecnologia

CASAS ADAPTADAS à eventos climáticos extremos, para regiões alagáveis como o Pantanal, são habitações planejadas e construídas com materiais sustentáveis, resistente a água e ao fogo, que permitem conforto térmico, físico e salutar às famílias. Cada unidade habitacional possui um sistema de captação de água pluvial e tratamento de esgoto, bem como um sistema de geração de energia fotovoltaica. Na sua base estruturas em aço galvanizado, padronizadas/ universais que permitem a montagem da CASA em 8 dias, pois é formada por sistemas de encaixes parafusáveis, sendo, portanto, rapidamente desmontável e transportada em caso de alterações ambientais garantindo seguridade e autonomia às famílias*{ods3},{ods11},{ods12}*

Tema Principal

Habitação

Tema Secundário

Saúde

Problema Solucionado

O Pantanal, maior planície alagável do mundo, é uma depressão no centro da América do Sul onde a dinâmica da vida é ditada pelo regime de secas e cheias anuais. Em várias regiões da planície milhares de famílias vivem em condições de extrema vulnerabilidade por falta de acesso a bens sociais essenciais como casas para fazer frente a grandes cheias, água potável durante todo o ano e mesmo iluminação básica. Nos últimos anos eventos climáticos extremos tem ocorrido, foram cheias extraordinárias que impactaram a vida centenas de famílias, agravando ainda mais o quadro de vulnerabilidade. Durante cheias extremas, como as ocorridas em 2011 e 2014, os ribeirinhos perderam os poucos bens que tinham e ficaram sem água potável por conta da decoada (as águas do rio Paraguai “apodrecem” com a decomposição da vegetação). À este quadro, deve ser acrescentado ainda as alterações no território ocorridas a cada período de cheias e vazantes, as mudanças ocorrem devido à erosão natural e gradativa da margem do rio. Além disso, por se tratar de Pantanal a umidade constante, calor e mosquitos foram elementos essenciais considerados na estrutura das CASAS ADAPTADAS.

Objetivo Geral

Desenvolver e aplicar uma construção–conceito que se adeque aos regimes fluviais anuais de cheias e secas, se adapte a eventos extremos que vem ocorrendo em áreas úmidas, como o Pantanal e Amazônia, e, que proporcione segurança física e salutar para comunidades ribeirinhas.

Objetivo Específico

1- Proteger as famílias das cheias através de um sistema construtivo em palafitas. 2- Oferecer condições de iluminação e de saneamento básico através de sistemas integrados de acesso a água potável (através da captação e tratamento da água), de coleta e tratamento de resíduos e de geração de energia fotovoltaica. 3- Possibilitar condições de conforto térmico. 4- Permitir a mobilidade e transferência da construção em casos extremos de necessidade através de um sistema construtivo modular de encaixes simplificados. 5- Promover a autonomia das famílias, proporcionando uma alternativa sustentável e adequada a organização social das comunidades, considerando a forma de ocupação do território e alinhando seus conhecimentos, sua cultura ancestral e econômica às inovações da tecnologia social (transversal).

Descrição

No parâmetro de uma construção-conceito, o projeto CASAS ADAPTADAS apresenta tecnologias construtivas, sustentáveis e de baixo custo, com mecanismos adequados para fazer frente à eventos climáticos extremos e outros fenômenos naturais em áreas alagáveis, como a planície pantaneira. Além disso, é uma tecnologia adaptável ao contexto social, cultural e econômico de comunidades ribeirinhas. Para o desenvolvimento da tecnologia social, os arquitetos e engenheiros foram a campo, conheceram as famílias ribeirinhas, a relação com o ambiente em que vivem e coletaram dados sobre os métodos, materiais e sistemas construtivos utilizados atualmente na região. Através de estudos aplicados foram obtidas informações sobre os hábitos e costumes locais. O objetivo do levantamento foi aprimorar o desenho da CASA de acordo com a realidade e a necessidade das populações ribeirinhas e que também pudesse ser aplicável a outras regiões. Bem como contribuir eficazmente com a seguridade e qualidade de vida das famílias locais. Considerando as condicionantes elementares de uma área alagável/úmida, quente, com mosquitos e que pode sofrer alterações de terreno/território, buscou-se um projeto construtivo modular, móvel, de baixo custo, que permita um conforto térmico e proteção física. Para criar uma construção modular, foram desenhadas estruturas modulares de 09m2/cada. Cada módulo é formado por um kit de estruturas em aço galvanizado, pré-fabricadas, padronizadas e de alta durabilidade, que facilitam o transporte, a montagem e remontagens, para isso foram criadas peças metálicas estruturais e universais que se encaixam por ligações parafusadas em um sistema de esperas que permitem ampliações, sendo possível acrescentar módulos extras e diferentes estruturas complementares, como novos cômodos, área de varanda, etc. Cada CASA contém minimamente 03 módulos, totalizando 27m2 de área elevada do solo (palafita) para fazer frente as cheias, reduzir o risco de ataques de animais e ainda criar um conforto térmico. Da estrutura construída, 18m2 são telados, fechados e cobertos com placas/telhas confeccionadas com material a base de tubo de pasta de dente reciclados/ECOTOP, que possuem na sua composição isolante térmico, sendo (a) área de cozinha e banheiro, espaço este dos equipamentos hidráulicos necessários para o saneamento básico da família, incluindo a captação de água pluvial e tratamento de esgoto, (b) uma área social que pode receber divisórias ou não de acordo com o tamanho da família. O terceiro modulo é um tablado/varanda, que pode ser utilizado como espaço de convivência ou mesmo ser fechado se transformando em um novo cômodo. A montagem e remontagem dos módulos merece destaque na tecnologia já que foi pensada e trabalhada num sistema de encaixes, esperas e parafusos autoexplicativo. O conforto térmico também foi trabalhado na localização das janelas que foram dispostas no sentido norte-sul e protegidas na fachada oeste. A segurança salutar é trabalhada em três pontos da tecnologia, via sistema de captação e tratamento de água da chuva, sistema de tratamento de esgoto e da geração de energia sustentável – assegurando a iluminação que diminui acidentes com animais peçonhentos, e o acondicionamento dos alimentos, especialmente as proteínas que passarão a não serem mais salgadas e sim refrigeradas.

Resultado Alcançado

1. Proteção contra as cheias: O sistema de palafitas garantiu segurança física das famílias e dos seus bens, além de ser o mais prático e eficiente sistema construtivo para áreas alagáveis. É uma medida de prevenção e adaptação frente às cheias extremas ocorridas nos últimos anos. A cheia de 2017 foi categorizada como normal pela Embrapa Pantanal, apesar disso já invadiu as antigas casas das famílias contempladas no projeto. 2. Água, esgoto e energia: Água tratada, saneamento básico e energia, são direitos de todo cidadão, mas que comunidades de regiões isoladas não acessam. As soluções trouxeram conceitos de simplicidade à construção e manutenção, como calhas que captam água da chuva para tratamento e consumo-garantindo água potável; fossa biodigestora que elimina contaminação-proporcionando saneamento básico, que diminuirá casos de verminoses; e a geração de energia que aproveita a insolação, gerando luz e garantindo o resfriamento das proteínas, reduzindo o salgamento (técnica de armazenamento), com o tempo diminuirá casos de hipertensão na comunidade (hoje em 90%). 3. Conforto térmico, acústico e visual: Na primavera as máximas são superiores a 35oC, já no inverno as mínimas são inferiores a 10oC. Com o conjunto de tecnologias implantadas nas CASAS (materiais&projeto), aumentamos em 5% as horas de conforto térmico, isso para zonas quentes e úmidas é um grande ganho. As placas e telhas utilizadas na construção asseguram também a redução de ruídos externos e internos, e melhoram o aproveitamento da luz natural (cores claras). 4. Modularidade e mobilidade: O sistema construtivo incorporou conceitos de modularidade e mobilidade a fim de acelerar o processo de montagem/desmontagem e possibilitar a transferência de local da CASA em caso de necessidade ou anseio familiar. Através de um sistema de placas moduladas, encaixes simplificados e ligações parafusadas, a unidade pode ser montada/desmontada e transportada de barco, as dimensões dos elementos construtivos foram pensados em função dos barcos dos ribeirinhos. Ressaltamos ainda que é uma construção-conceito, ou seja, incorpora uma série de soluções e tecnologias construtivas que podem ser utilizadas, transformadas e aplicadas sob diversas formas e usos sendo adequadas a qualquer área úmida. Mantendo o padrão de baixo custo e alto impacto social, a proposta permite que, além do uso habitacional, as mesmas ideias possam ser aplicadas para outros equipamentos sociais (escolas, centros associativos, etc).

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Corumbá / Mato Grosso do SulPorto da Manga01/2016
Corumbá / Mato Grosso do SulBarra do São Lourenço02/2017
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adolescentes
Adulto
Analfabetos
Artesãos
Crianças
Famílias de baixa renda
Idosos
Lideranças Comunitárias
Mulheres
Pescadores
População Ribeirinha
Povos Tradicionais
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Para a construção de cada CASA ADAPTADA (27m2) necessita-se de: -60 placas ECOTOP – para revestimento e assoalho (2,20x1,10mx10mm); -20 telhas ECOTOP (2,20x0,9mx10mm); -01 kit de estruturas em aço galvanizado: 03 Vigas Inclinadas da cobertura (2U 90x25x2,50mm); 12 Cabos de aço contraventamento (diam. 7,9mm); 08 Terças (U 50x25x2,5mm); 09 Estrados (2U 50x25x2,5mm); 23 Vigas padrão (2U 90x25x2,50mm); 28 Pilares P (50x3,20mm N=1,50tf); 03 Pilares M (50x3,20mm N=1,50tf); 03 Pilares G (50x3,20mm N=1,50tf); -Equipamentos hidráulicos e sanitários: 02 caixas d´água 500L, 01 Fossa biodigestor Ecolimpante/600L, 01 calha em PVC 100mm para captação pluvial, além de vaso sanitário, pias, tubos e conexões hidráulicas básicos. - 01 sistema fotovoltaico: 01 suporte de fixação da placa (em poste 4”); 01 painel solar fotovoltaico 150wp; 01 controlador de carga 10A 12/24V; 01 inversor-400W/12Vcc/220Vac/60Hz; 01 bateria estacionária (165Ah / 150Ah), além de cabos 06mm e 02 bocais para lâmpadas de LED 10W. - 01 Porta padrão (2,10x 0,86m); 01 porta para banheiro sanfonada (PVC) e 03 janelas em alumínio (1,00 x 1,20m). Além de equipamentos básicos como parafusadeira; serra de corte; furadeira e chave de boca (14 e 17”)

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Cada unidade da CASA ADAPTADA tem um custo de implantação de R$ 32.000,00

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Ministério Publico Federal - Procuradoria da República no Mato Grosso do Sul/CorumbáApoio institucional
Ministério Publico Federal - Procuradoria da República no Mato Grosso do Sul/Campo GrandeApoio Institucional
Ministério Publico do Trabalho - Procuradoria Regional do Trabalho da 24ª RegiãoApoio Financeiro e Institucional
Superintendência do Patrimônio da União em Mato Grosso do SulApoio Institucional
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Campus do PantanalApoio institucional
Inspetoria da Receita Federal em Corumbá, Mato Grosso do SulApoio Financeiro
Nexans FoundationApoio financeiro
Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Projeto Estrutural_CASAS ADAPTADAS_pagina 1Baixar
Projeto Estrutural_CASAS ADAPTADAS_pagina 2Baixar
Carta de recomendação_SPU MSBaixar
Material descritivo e histórico do projeto_CASAS ADAPTADASBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Depoimento da Dona Joana, uma das moradoras da comunidade da Barra do São Lourenço, no Pantanal, beneficiada pela tecnologia das CASAS ADAPTADAS: “Toda enchente a gente tinha que mudar de lugar e a gente queria muito uma casa de palafita. Pra nós que morava dentro desse Pantanal, ninguém sabia da nossa existência, o que a gente passava... E quando surgiu o projeto das casinhas, mudou muito. É bom para quem tem alergia, fica longe da poeira, é fresca, a gente não preocupa mais com a água... Todo ano a gente ficava: ‘Será que a água vai vim? Será que vai levar tudo’? Em uma dessas enchentes, acabou com tudo as nossas coisas. Agora a gente pensa num recomeço. A casa é um recomeço pra gente”.