Criação e estruturação de Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA)

finalista 2017

Instituição
ASSOCIACAO COMUNITARIA CSA-BRASIL
Endereço
Rua Joaquim da Silva Martha, 2-49 - Vila Santa Izabel - Bauru/SP
E-mail
wgn_sp@hotmail.com
Telefone
(14) 9979-59792
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Wagner Ferreira dos Santos(14) 99795-9792wgn_sp@hotmail.com
Resumo da Tecnologia

CSA – Community Supported Agriculture, significa em tradução livre: Comunidade que Sustenta a Agricultura. Neste modelo de Economia Associativa, o agricultor orgânico e familiar deixa de vender seus produtos através de intermediários e conta para a organização e financiamento de sua produção com a participação de membros consumidores, colaborando para o desenvolvimento sustentável da região, estimulando o comércio justo. A tecnologia social se propõe a auxiliar a criação de novas unidades de CSA em localidades nas quais ela ainda não existe, com agricultores e consumidores locais.*{ods1},{ods2},{ods3},{ods8},{ods10},{ods12}*

Tema Principal

Alimentação

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

Existem hoje cada vez menos pessoas dispostas a trabalhar no campo, na agricultura. Baixa remuneração, falta de valorização, de perspectiva e até de dignidade, riscos de produção e de venda, assolam esta profissão. A concorrência contra as grandes empresas alimentícias, que se utilizam de fertilizantes químicos e maquinas, forçam o agricultor a fazer uso de práticas que fogem aos seus princípios, transformando-o em apenas mais uma roda na engrenagem do mercado explorativo. O agricultor hoje exerce diversas profissões, ele é gerente, embalador, vendedor, motorista, comerciante, contador. Falta-lhe com isso tempo e possibilidade para atuar em sua função principal, a de Produtor. O consumidor, por sua vez, não sabe mais de onde vem seu alimento. Perdeu a noção das épocas, pois tudo é plantado em estufas e à base de fertilizantes químicos. Come o que quer, quando quer. Ele não sabe mais o quê come, e que o que serve à sua família alimenta muito mais as industrias de agrotóxicos do que a si ou ao próprio agricultor.

Objetivo Geral

Buscar por caminhos simples, pela mediação do contato direto entre produtor e consumidor, viabilizar uma produção saudável, remuneração justa e uma vida digna ao agricultor. Tirar do agricultor o peso exercido pelo mercado, assumindo com os co-produtores várias tarefas por meio de co-participaçã

Objetivo Específico

Conscientizar o consumidor das dificuldades principais vividas pelo agricultor.
Melhorar as condições de trabalho do agricultor.
Liberar o agricultor das demandas do mercado que o sobrecarregam.
Diminuir o impacto ambiental por meio da eliminação de embalagens.
Diminuir o stress financeiro por meio de pagamento antecipado.
Melhorar a remuneração do trabalhador do campo.
Melhorar e manter a qualidade dos alimentos.
Produzir alimentos de alta qualidade por meio de manejo Orgânico/natural/Biodinâmico.
Conscientizar o consumidor quanto às épocas de cada tipo de alimento.
Manter e fomentar o aumento da qualidade e da capacidade hídrica.
Manutenção da biodiversidade.
Assumir, como consumidor, os riscos nos casos de chuva ou outras causas que ameassem a produção.
Diminuir o desperdício de alimentos.
Garantir entrada fixa de salário, paga inclusive durante as férias.
Transformar o consumidor em co-produtor.

Descrição

O primeiro passo é formar um Co-grupo organizador, que perceba o problema vivido hoje no campo da agricultura e se motive a agir em busca de soluções. Este grupo busca por um produtor de prática ecológica (de preferência de manejo orgânico/natural/Biodinâmico*), que se identifique com a proposta da CSA e se disponha a trilhar este novo caminho.
Juntos, co-grupo organizador e agricultor promovem uma chamada pública, focada inicialmente entre amigos e conhecidos, para poderem realizar uma reunião na qual haja uma explicação sobre o que norteia a prática da CSA, seus princípios e objetivos, para todos os participantes (que são potenciais futuros co-agricultores da CSA em formação).
Após a realização desta reunião, baseado nas decisões ali acordadas, o co-grupo organizador realiza uma estruturação dos pontos definidos na reunião, procurando definir de forma organizada e estruturada questões básicas e essenciais para o funcionamento da CSA que envolvem: o local do plantio com variedades e quantidades pré-acordadas, definição de papéis e responsabilidades necessários para o funcionamento da CSA na localidade, definição do orçamento a ser rateado entre todos. Paralelamente a comunidade\consumidores é informada e instruída a respeito desta nova maneira de relação e envolvimento com o agricultor e suas atividades.
São então organizados encontros entre agricultor e consumidores, para combinar entre demandas e necessidades, de ambas as partes, os valores que possibilitarão esta ação conjunta, que resulta em apoio solidário e consumo consciente. Após essas definições, o co-grupo organizador convoca nova chamada para realizar o recolhimento das adesões para a primeira temporada do período agrícola que será iniciado com a participação de todos os membros da CSA. Nessa reunião é apontada a data em que as primeiras entregas irão acontecer, bem como data do primeiro pagamento das contribuições para financiamento da produção, são assinados os contratos de compromisso (que podem ou não ser formais, depende da decisão do grupo em conjunto). Os valores levantados são divididos entre os membros, isto resulta na definição do valor da "cota", paga mensalmente e retirada semanalmente na horta na forma de alimentos produzidos diretamente para o grupo. No caso de zonas urbanas, são organizados pelos membros "depósitos" para onde os alimentos são levados e então retirados nos dias combinados.
Assim é gerada uma nova forma de apoio ao agricultor, não mais uma compra, mas um financiamento pró-ativo. Em todas as iniciativas já existentes isto se dá de maneira simples. Os membros se tornam, naturalmente, co-produtores (não mais simples consumidores) e passam a atuar em uma dinâmica de co-gestão.
O passo seguinte é nomear um administrador, escolhido durante o processo de implantação, que assume a figura de quem vai fazer a comunicação interna e a comunicação externa. Ele também poderá fazer o controle financeiro. No entanto sempre pode contar com a ajuda dos membros na execução de cada atividade. A remuneração do administrador é assumida pelos membros, não pelo agricultor. Isso tudo garante uma entrada fixa anual, paga inclusive durante as férias pelos membros, mesmo quando estes não retiram suas cotas. Com isso o Agricultor tem resgatada a possibilidade de atuar um sua tarefa principal, cuidar da terra.
*Agricultura Biodinamica: Se refere ao conhecimento e aplicação pelo produtor dos ritmos formativos e de crescimento da Natureza, o que na prática agrícola ocorre através do uso e aplicação dos preparados biodinâmicos feitos a base de plantas medicinais,sílica e esterco. Aplicados de forma homeopática de acordo com ritmos astronômicos, auxiliando na produção e na estruturação da paisagem agrícola.

Resultado Alcançado

Até o momento chegou-se a: 50% de aumento dos salários dos trabalhadores do campo, combinado entre os membros por meio de pequeno aumento na mensalidade.
Redução do uso dos recursos hídricos em 80% por meio de troca da tecnologia de irrigação, substituindo a aspersão aérea por sistema de gotejamento, advindo de co-participação financeira por parte dos membros\consumidores.
Diminuição de participação em feiras livres, o que causava prejuízos por meio de retorno de produtos não comercializados, custos de transporte, alimentação, embalagens, pedágios e pessoal. Garantia de uma entrada fixa anual, paga inclusive durante as férias pelos membros, mesmo que estes não retirem suas cotas.
Produção de alimentos de alta qualidade por maio de manejo orgânico/natural/Biodinâmico.Participação dos agricultores em SPG-Sistema Participativo de Garantia da Associação Bidoinâmica, processo participativo de certificação que possibilita a certificação orgânica e biodinâmica, onde o grupo de agricultores da região realizam visitas nas áreas uns dos outros num processo de autoavaliação coletiva das praticas de manejo usadas na lavoura. Acesso semanal à horta, e mensal por meio de atividades organizadas chamadas de "Dia de Campo". Acesso à horta pelas escolas, com apoio e organização dos membros.
Parcerias com as universidades, por meio de estágios, elaboração de mestrados e doutorados nas áreas de Biologia, geografia, agroecologia, agronomia, economia, pedagogia e arte.
Diminuição do impacto ambiental por meio da eliminação de embalagens.
Melhoria na qualidade de vida de todos os envolvidos (agricultores e co-agricultores) com o acesso a uma alimentação sadia e nutritiva, livre de aditivos químicos e permeada de vitalidade positiva. Melhoria da economia local, uma vez que o aumento dos salários para os agricultores contribuem para aumentar o poder de compra dos mesmos e ao mesmo tempo o valor da mensalidade dos co-agricultores representa uma diminuição do valor que outrora era gasto com a aquisição dos alimentos.
Manutenção do agricultor no campo, evitando o êxodo rural e provocando em alguns casos um efeito de trazer de volta trabalhadores para o campo que haviam deixado o mesmo para trabalhar nos centros urbanos.Resgate do valor e do apreço pela cultura da terra por adultos, jovens e crianças das famílias de co-agricultores que participam da CSA.
Resgate do trabalho associativo no que tange a troca de conhecimentos e trabalhos.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Botucatu / São PauloDemétria06/2011
Itatiba / São PauloFazenda Pereiras06/2012
Vargem Grande Paulista / São PauloSitio Verderá02/2014
Vinhedo / São PauloSitio Macaene11/2014
Porto Feliz / São PauloSitio do Jeferson01/2014
São Carlos / São PauloSitio Centenário11/2013
Santa Maria / Distrito FederalSitio do Barbetta03/2015
Brasília / Distrito FederalToca da Coruja03/2015
Porto Alegre / Rio Grande do SulRecanto da Folha03/2015
Chã Grande / PernambucoSitio do Caetano05/2014
Frutal / Minas GeraisFazenda Rio Grande04/2016
Rio de Janeiro / Rio de JaneiroLaranjeiras11/2014
Águas Mornas / Santa CatarinaSitio Saragua08/2016
Campo Grande / Mato Grosso do SulPioneiros02/2015
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adolescentes
Adulto
Agricultores
Agricultores Familiares
Assentados rurais
Crianças
Empreendedores
Famílias de baixa renda
Idosos
Jovens
Lideranças Comunitárias
Mulheres
População em geral
Produtores rurais - Pequenos
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Participação em curso da CSA Brasil.
Material de divulgação.
Palestras e eventos.
Terra para plantar, de preferência própria do agricultor, se não arrendada, doada ou emprestada.
Disponibilidade de pelo menos um agricultor.
Um grupo de pessoas dispostas a ser co-responsável pelo trabalho do agricultor.
Salas para reunião, ou um galpão que sirva também para esta finalidade.
Disponibilidade de lugar(es) para funcionar como depósitos (pontos de entrega).
Definir papéis e responsabilidades para: trabalho de divulgação interna (para falar com os membros e colher os pedidos de todos).
Trabalho de divulgação externa (para divulgar a idéia para novos membros).
Trabalho de controle financeiro (organização e recebimento das contribuições dos membros).

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Investimentos iniciais: em curso do CSA Brasil R$1.500,00.
Produção de folhetos e baners R$ 1.000,00.
Produção de eventos, palestras, encontros para divulgação da CSA R$ 1.000,00.
Custos de viagens para convidados de CSA´s já existentes, Ong´s ou do CSA Brasil R$ 2.000,00.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
VP Consultoria NutricionalApoia divulgação, financeiramente
Instituto MahleApoio financeiro
Associação Biodinâmica do BrasilParceria estratégica nos cursos de formação / divulgação.
Matres Socio AmbientalParceria para cursos / Divulgação / Consultoria
Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Cópia do certificado emitido pela Fundação Banco do BrasilBaixar
Carta de RecomendaçãoBaixar
Passos para implantar uma CSABaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Falar de CSA é falar de uma nova forma, de um novo "mecanismo vivo", de ação consciente. Não se trata, como pode parecer à primeira vista, de um grupo de consumo ou clube de compras. Trata-se de criar novas formas de colaboração e participação, rompendo fronteiras, estreitando laços e linhas de pensamentos, que levam a um desenvolvimento sustentável, justo e solidário. Na aproximação entre agricultor e consumidor dissolvem-se as indiferenças, o que provoca reflexão e respeito ao trabalho agrícola A relação entre o trabalho do ser humano e a terra é a mais verdadeira, tudo brota da terra e tudo volta para ela. Todos nós somos responsáveis por esta relação, não apenas o agricultor.