Coleta Seletiva Solidária e Reciclagem do Óleo de Cozinha Residual

certificada 2013

Instituição
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ
Endereço
Estrada Rodrigues Caldas, nº 3.400 Pavilhão Agrícola - Jacarepaguá - Rio de Janeiro/RJ
E-mail
gilsonsilva@fiocruz.br
Telefone
(21) 2448-9001
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Mirian Rose Ayres de Miranda Rebello(21) 2448-9037mirian@fiocruz.br
Resumo da Tecnologia

A coleta seletiva de resíduos sólidos e de óleo de cozinha residual promove a troca destes resíduos por alimentos e por material de limpeza. Capacita moradores a produzir artesanato, eco-sabão e velas artesanais a partir dos resíduos. Gera trabalho, renda, salubridade e conscientização ambiental.*{ods1},{ods8},{ods10},{ods12},{ods13}*

Tema Principal

Meio ambiente

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

As terras da Colônia Juliano Moreira sofreram ocupação desordenada ao longo das últimas décadas, formando várias comunidades carentes. Um projeto da Prefeitura/PAC, está transformando esta área em um bairro carioca. Com o adensamento da população neste território, se faz necessário tomar medidas para minimizar os impactos ambientais, contribuindo desta forma para promover um ambiente mais seguro e saudável e para melhorar as condições de vida local. De maneira geral foi constatado, em levantamentos realizados neste território, que há muito lixo acumulado em diversos locais e frequentemente há sua queima. A coleta de lixo é precária devido ao acesso difícil, a maioria das moradias não tem sequer caixa de gordura e muitas despejam seu esgoto diretamente nos rios. Um estudo que realizou pesquisa de campo com moradores locais em relação à coleta seletiva, apontou que a maioria dos entrevistados tem noção de seu significado e associam a coleta seletiva ao sentimento de cidadania. O estudo apontou ainda que os moradores relacionam a coleta seletiva como solução de problemas ligados aos resíduos sólidos, e que muitos já têm o habito de coletar recicláveis para seu sustento.

Objetivo Geral

Implantar a coleta seletiva de resíduos sólidos e a coleta e reciclagem do óleo de cozinha residual, fundamentados numa perspectiva socioambiental, como forma de contribuir para um ambiente mais limpo e salubre, bem como gerar trabalho e renda de modo a desencadear ações de combate à miséria.

Objetivo Específico

- Formar e capacitar um grupo de agentes ambientais para a conscientização ambiental da comunidade local e, divulgar a importância da coleta seletiva e do correto descarte do óleo de cozinha residual. - Disseminar a conscientização ambiental na região, a fim de levar à população noções básicas e a prática dos 4 R’s (Repensar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar). - Fortalecer o processo organizativo dos moradores em relação à continuidade e a multiplicação de postos de troca de recicláveis e de óleo de cozinha residual. - Capacitar moradores através de oficinas de artesanato utilizando materiais recicláveis e através de oficinas para produção de eco-sabão e velas artesanais a partir do óleo de cozinha residual, visando estimular a geração de trabalho e renda através da produção de produtos artesanais feitos com matérias primas recicladas. - Promover a ressocialização de pacientes de saúde mental através da participação destes nas oficinas, contribuindo para sua inclusão social.

Solução Adotada

A Tecnologia Social desenvolvida teve como base os três elos da coleta seletiva: educação ambiental, logística e destinação. O processo de implantação ocorreu de forma progressiva e crescente à medida que promoveu um ambiente mais salubre, com menos vetores além de promover a geração de renda direta e indireta. Para sua execução, aloca-se 2 vezes por semana um Posto de Troca de Recicláveis (PTR) em dois pontos estratégicos nas comunidades da Colônia Juliano Moreira. Neste PTR são realizadas as trocas dos recicláveis por alimentos não perecíveis e do óleo de cozinha residual por material de limpeza. O PTR é montado em tendas que são removidas ao fim do dia. O PTR foi montado pela primeira vez em agosto de 2010 e, desde então, cada vez mais moradores estão aderindo à coleta seletiva dos resíduos sólidos, separando-os por tipo de material e encaminhando-os para a reciclagem. Os resíduos são pesados e trocados pelo valor correspondente em alimentos não perecíveis. A coleta de óleo residual também é realizada no PTR e teve inicio em setembro de 2011. Os moradores trazem o óleo de cozinha residual acondicionado em garrafas de no mínimo 2L e trocam por material de limpeza. Todos os clientes são cadastrados por nome, endereço, telefone e os dados referentes às trocas (recicláveis, mantimentos, óleo residual e materiais de limpeza) são anotados diariamente, formando um banco de dados. A operacionalização da troca no PTR é realizada por bolsistas moradores das comunidades. Para iniciar a implantação do projeto houve a participação de uma equipe composta por 10 jovens das comunidades que atuaram como agentes ambientais, fornecendo orientações sobre o projeto, divulgando, mobilizando e motivando as pessoas a participarem. Os projetos vêm sendo desenvolvidos em parceria com empresas afins. A troca dos materiais recicláveis é desempenhada em parceria com a Cooperativa de Catadores BARRACOOP. Já a troca do óleo de cozinha residual é realizada em parceria com a empresa Grande Rio Reciclagem Ambiental. Outra estratégia usada para ajudar na sustentabilidade do projeto foi a implantação de um brechó onde doações são comercializadas. Foram desenvolvidas atividades de educação ambiental sobre temas relacionados através de oficinas, nas quais moradores das comunidades puderam aprender a confeccionar artesanato utilizando materiais recicláveis, ter informações a respeito do projeto e dicas sobre os 4 R’s. Além destas, foram oferecidas oficinas para a Reciclagem do Óleo de Cozinha Residual, onde moradores e pacientes de saúde mental foram capacitados na produção de ecosabão e velas artesanais a partir deste resíduo. Também foram realizados workshops e eventos com as empresas parceiras dos projetos, onde foram desenvolvidas atividades lúdicas de educação ambiental com os moradores. Nestes projeto, a logística reversa se apresenta como mais uma tecnologia social possibilitando o reaproveitamento desses resíduos, reduzindo os impactos ambientais e podendo gerar alternativas sócioeconômicas como, por exemplo, a geração de renda obtida com a produção de produtos artesanais a partir da matéria prima reciclada. O projeto é de fácil reaplicação, têm impacto comprovado e capacidade de solucionar um grave problema ambiental quando aplicado em larga escala. Quando implantados, geram um conjunto de instrumentos, técnicas e processos, de baixo custo, que podem ser utilizados em qualquer ponto do país, desde que haja a participação da comunidade. Assim, apresentam como desafio a geração de condições para que as experiências de tecnologias sociais identificadas sejam efetivadas. O projeto atende ainda ao desenvolvimento e difusão de tecnologias que contribuam para que as cidades sejam economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente sustentáveis.O desenvolvimento de projetos sustentáveis na área dos resíduos sólidos possibilita o aproveitamento de tais resíduos e gera a oportunidade de transformar o que antes era lixo em insumo, muitas vezes escasso.

Resultado Alcançado

Os projetos proporcionam uma interação com os moradores da Colônia Juliano Moreira, no sentido de produzirem profundas mudanças em relação aos valores e significados dos impactos oriundos do descarte inadequado tanto do resíduo do óleo de cozinha quanto dos materiais recicláveis. Assim, um dos produtos resultante do desenvolvimento destes projetos foi o despertar da consciência socioambiental. Desde a implantação destes projetos houve um aumento significativo no volume dos materiais recicláveis e do óleo de cozinha residual recolhidos. No que tange os resultados da coleta seletiva no território, em quase três anos da implantação do projeto, foram cadastrados cerca de 500 participantes que contribuíram para o recolhimento de aproximadamente 67 toneladas de recicláveis. Este quantitativo foi revertido em mantimentos (moeda de troca) no valor aproximado de R$ 16.000,00. Cabe ressaltar que houve um investimento inicial de R$ 6.000,00 por parte da Fiocruz para aquisição do 1o lote de mantimentos. Porém, desde agosto de 2011 quando foram finalizados os recursos financeiros, este projeto vem se mantendo de forma auto-sustentável. No que tange os resultados da coleta de óleo de cozinha residual no território, a empresa recicladora parceira do projeto recolheu 6.476 litros até maio de 2013 que foram trocados por 1.923 unidades de material de limpeza. Pode-se avaliar que houve uma economia aproximada de R$ 3.200,00, uma vez que cada litro de óleo de cozinha residual equivale ao valor médio de R$ 0,50 no mercado da reciclagem. Além disso, o projeto capacitou 10 agentes ambientais e realizou 16 oficinas de ecosabão e velas artesanais. Foram também instalados 21 postos de coleta de óleo residual. Assim sendo, este projeto já pode ser considerado auto-sustentável, uma vez que os próprios postos de coleta instalados nas comunidades não precisam de investimentos. Outro resultado relevante é que este projeto vem contribuindo para preservação de cerca de 6 bilhões de litros d`água, baseado no fato de que cada litro de óleo descartado inadequadamente contamina 1milhão de litros d’água.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Rio de Janeiro / Rio de JaneiroColônia Juliano Moreira, Jacarepaguá.08/2011
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adolescentes
Adulto
Alunos do ensino básico
Alunos do ensino fundamental
Alunos do ensino médio
Alunos do ensino superior
Artesãos
Catadores de material reciclável
Crianças
Desempregados
Empreendedores
Famílias de baixa renda
Jovens
Mulheres
População em geral
Portadores de deficiência
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Instrutor/ Professor/ Palestrante para as oficinas1
Bolsistas capacitados para divulgar a tecnologia social - agentes ambientais10
Coordenador da Tecnologia Social1
Gestor técnico e financeiro da Tecnologia Social1
Bolsistas nível médio para colaborar nos postos de coleta e oficinas4
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

1. Material Permanente e equipamentos: balança para pesagem até 300kg com divisão em gramas, balança para pesagem até 10 kg, notebook; máquina digital; tenda sanfonada 3x3 em aço galvanizado, 2 armários em aço com 4 prateleiras e 2 portas cada para guardar os mantimentos, materiais de limpeza, insumos e utensílios, 2 estantes em aço com 6 prateleiras para expor e secar o sabão, 2 conjuntos de mesa dobrável com 4 cadeiras cada para os postos de coleta; 2 estantes plásticas para dispor os alimentos e material de limpeza nos postos de coleta, fogão e botijão de gás ou micro-ondas para as oficinas de sabão e velas artesanais. 2. Material Consumo: camisas com logotipo da TS ; folders, faixas e cartazes para divulgar a TS; lanches para oficinas de artesanato, produção de sabão e velas artesanais, insumos e utensílios para as oficinas (bandejas PEAD, embalagem papel celofane, soda cáustica em escamas, essência de eucalipto, sabão em pó, balde PEAD, Bombril, coador, 2 panelas, corantes, essências oleosas diversas, pavios, pregadores, estearina, entre outros); material didático para capacitação dos agentes ambientais e para as oficinas de artesanato, sabão e velas artesanais (bloco para anotações, canetas). 3. Equipamento de Proteção Individual - EPI: luvas para proteção de borracha nitrílica, aventais de segurança, óculos de proteção EPI, máscaras respiratória PFF2 e botas para proteção dos participantes das oficinas de sabão a partir da reciclagem do óleo de cozinha residual

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Para implementar a TS é necessário cerca de R$ 34.000, sendo: 1-Material Permanente: balança (700,00); notebook (1.000,00); digital (500,00); tenda (800,00); armários, estantes, mesas e cadeiras (3.000,00); fogão (300,00): Total: R$ 6.300. 2-Material Consumo: camisas (2.000,00); folders, faixas e cartazes (3.000,00); lanches (3.000,00); insumos/utensílios (2.000,00): Total: R$ 10.000. 3-Pessoa física: R$ 15.000. 4-EPI: R$ 2.000.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Cooperativa de Catadores BarracoopDestinação dos Resíduos Arrecadados
Grande Rio Reciclagem Ambiental.Recicla o óleo de cozinha residual e fornece o material de limpeza para a troca nos postos de coleta.
Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira - IMASJM,Ressocialização dos pacientes de saúde mental
Brasil Kirin ( antiga Schincariol)Patrocina o projeto fornecendo cestas básicas e refrigerantes para trocar com os recicláveis nos postos de trocas, possibilitando esta empresa exercer a logística reversa, bem como promover sua responsabilidade sócio-ambiental.
Impacto Ambiental

O projeto vem contribuindo com a transformação local onde mudanças em ações simples e cotidianas, e em pequenas atitudes adotadas, melhoram a estética do território, fazendo com que a população contribua e a adote um estilo de vida mais equilibrado e, com isso, diminuindo o impacto no meio ambiente, preservando o uso dos recursos naturais e energéticos e gerando renda a famílias que vivem da reciclagem do lixo.

Forma de Acompanhamento

Monitoramento feito por banco de dados com cadastro de participantes, troca de recicláveis por alimentos e óleo residual por itens de limpeza, controle de estoque e gráficos automatizados. Avaliação feita ao observar-se o crescente aumento de resíduos trocados por alimentos e itens de limpeza no momento da inclusão dos dados e, por conseguinte alteração dos gráficos automatizados. Avalia-se a satisfação por meio de consulta aos participantes que frequentam as oficinas e postos de coleta.

Forma de Transferência

A transferência se dá por meio de parceiros que fornecem transporte, alimentos, materiais de divulgação e de limpeza viabilizando a TS e as oficinas de sabão e velas, além de levar educação ambiental e geração de renda. A TS inclui a realização de oficinas, capacitação de agentes ambientais, instalação de PTRs em condomínios, escolas, igrejas, restaurantes (além dos 2 PTRs fixos), mantém um brechó onde doações são revertidas em alimentos, levando à comunidade o conceito dos 4 R’s. Palestras de educação ambiental com atividades lúdicas são realizadas nos PTRs, oficinas e eventos públicos. Há divulgação por banners, folders e cartazes. A TS terá o apoio do Caderno de Práticas e Soluções (Fiocruz 2013) que publicará a TS. Mil exemplares serão distribuídos entre parceiros e a comunidade.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Divulgação do Projeto Coleta de Óleo de Cozinha ResidualBaixar
Coleta Solidária e Reciclagem de Óleo de Cozinha ResidualBaixar
Coleta Seletiva SolidáriaBaixar
Como descartar corretamente o lixoBaixar
Dados Coleta e Reciclagem de Óleo maio2013Baixar
Artigo 'Coleta Seletiva Solidária na CJM' junho2011Baixar
Apresentação em PowerpointBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Um agente ambiental do projeto, ao redigir seu relatório final sobre a divulgação realizada, relatou que a capacitação proveu os agentes ambientais de ferramentas e argumentos para que a TS fosse adequadamente assimilada pela comunidade. Relatou ainda que ao divulgar as informações, percebeu um maior interesse da comunidade em participar da coleta de resíduos. Assim, o bolsista sugeriu que mais parcerias fossem feitas com empresas recicladoras para fortalecer os postos de coleta na região e incentivar a população quanto à reciclagem. A longo prazo, o bolsista sugeriu maiores investimentos na educação ambiental local como forma de inserir na comunidade a responsabilidade do descarte correto do lixo, criando assim maior independência para que eles próprios montem novos postos de coleta.