Arquitetura na Periferia

finalista 2019

Instituição
INSTITUTO DE ASSESSORIA A MULHERES E INOVAÇÃO -­ IAMÍ
Endereço
Rua Horizonte, 298 - Paraíso - Belo Horizonte/MG
E-mail
perifeitura@gmail.com
Telefone
(31) 3199-69513
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Carina Guedes de Mendonça(31) 9965-1390ca.guedes@gmail.com
Rafaela Dias Lopes(31) 9928-9310perifeitura@gmail.com
Resumo da Tecnologia

Arquitetura na Periferia é um método de assessoria técnica a pequenos grupos de mulheres em situação de vulnerabilidade social, que as reúne e capacita para a independência do instalar, construir, reformar e melhorar as suas casas. Desenvolvido a partir da pesquisa de mestrado da arquiteta Carina Guedes, em 2013/14 pela EAD-UFMG, o método tem como premissas a autonomia das participantes, a cooperação e o trabalho coletivo. Trata-se de um processo no qual as participantes são apresentadas às práticas e técnicas de projeto e planejamento, e recebem um microfinanciamento para conduzirem suas obras com autonomia e sem desperdícios. *{ods4},{ods5},{ods10},{ods11}*

Tema Principal

Habitação

Tema Secundário

Educação

Problema Solucionado

O Brasil é um dos países do mundo com maior desigualdade social, reproduzida diariamente a partir de mecanismos de exclusão que resultam na escassez de acesso a todo tipo de serviços por grande parte da população. Nesse cenário, muitas pessoas autoproduzem a moradia sem qualquer assessoria ou formação técnica, resultando em lares com recursos já escassos, desperdiçados. Além disso, problemas estruturais nas casas, umidade excessiva, falta de iluminação e ventilação ou mesmo ausência de banheiro são recorrentes nessas moradias.
A mulher que vive esse contexto é ainda mais vulnerável, pois além de sofrer os efeitos do machismo estrutural, são impedidas de decidirem sobra a construção da sua própria casa, uma vez que o campo da construção civil é tido como um espaço essencialmente masculino. Apesar de passarem a maior parte do tempo dentro de casa realizando os serviços domésticos e de cuidados com a família, são constantemente excluídas dos processos de decisões acerca da produção desse espaço e sobre como ele deve ser construído. Este fato agrava ainda mais a vida dessas mulheres pois traz consequências que impactam de forma negativa a sua rotina de afazeres dentro da casa.

Objetivo Geral

O objetivo geral do método é promover qualidade de vida para famílias em situação de vulnerabilidade social, através da melhoria da moradia e do aprendizado, a partir do incentivo à autonomia e à emancipação das mulheres. Promovendo transformações reais na vida das pessoas envolvidas e seu entor

Objetivo Específico

Melhoria da moradia para famílias de baixa renda.
Capacitação de mulheres de baixa renda em planejamento, finanças pessoais e construção civil.
Fortalecimento de mulheres em situação de vulnerabilidade social. Inserção da mulher nas decisões acerca do espaço construído e no campo da construção civil.
Fortalecimento de vínculos comunitários a partir do desenvolvimento de atividades em grupo.
Democratizar o acesso à serviços de arquitetura e engenharia para pessoas de baixa renda.
Oferecer assessoria técnica gratuita.
Disseminar o conhecimento técnico acerca da qualidade do espaço construído, promovendo moradias mais sustentáveis, econômicas e saudáveis.
Trabalhar dentro dos eixos 5, 6, 7, 10 e 11 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU para 2030.

Descrição

A tecnologia parte de uma revisão teórica de outros métodos de assessoria técnica existentes – como os Arquitetos da Família de Rodolfo Livingston (Argentina) e os métodos do Grupo de Pesquisa MOM-UFMG, além das formas de auxílio a população de baixíssima renda criadas pelo economista Muhamed Yunus em Bangladesh. O método Arquitetura na Periferia se baseia nos seguintes pilares conceituais:
Cooperação – todas as atividades são desenvolvidas em pequenos grupos, com o objetivo de fomentar a colaboração e incentivo, o estabelecimento de laços de confiança e o fortalecimento de vínculos comunitários entre as participantes;
Autonomia – ao invés de serem apenas beneficiárias, o método visa que as participantes sejam protagonistas do processo, de forma que possam decidirem e conduzirem os trabalhos de acordo com suas demandas específicas, fazendo com que cada grupo seja único, com dinâmicas diferentes entre si;
Sensibilidade – o método possui a flexibilidade necessária para se adaptar a diferentes contextos, para que seja possível alcançar a autonomia desejada e aquelas pessoas em situações de maior vulnerabilidade. O método se divide em três etapas:
Etapa 1 (Planejamento) – consiste em encontros regulares semanais com grupos de 3 a 6 mulheres, durante 4 a 6 meses, em que o planejamento das intervenções nas casas se transforma em um ciclo de aprendizado. É quando ocorrem as oficinas de Levantamento onde as mulheres aprendem a medir e desenhar as casas. Oficina de Desenho onde aprendem a colocar o desenho na escala e aprendem sobre proporção. Oficina Kit Mobiliário em que exercitam o olhar sobre como utilizar melhor um espaço. Oficina de Finanças Pessoais em que aprendem a importância de terem controle sobre os gastos e como podem fazer isso. Jogo do Banco Comunitário em que negociam os valores que poderão pegar no microcrédito oferecido pelo projeto e definem quais os ofícios querem aprender nas oficinas de construção através da ótica dos custos de cada atividade. Oficina de quantitativos em que as mulheres aprendem noções básicas de cálculo de área e volume e a levantar a quantidade de materiais necessários para as obras. A ordem dessas oficinas e os seus desdobramentos varia de acordo com cada grupo, como descrito anteriormente, as definições de necessidades e demandas mais urgentes variam de acordo com a vontade das participantes envolvidas.
Na Etapa 2 (Oficinas de Construção) as mulheres aprendem os ofícios desejados, tais como levantar alvenaria, reboco, assentamento de piso, etc, executando tais serviços dentro da casa de uma delas, de acordo com o que foi planejado na etapa anterior. Dessa forma aprendem ao mesmo tempo em que já iniciam e colaboram com as obras umas das outras.
A Etapa 3 (Acompanhamento) começa quando as participantes iniciam as obras, recebem o microfinanciamento (caso queiram) e os encontros passam a ser pontuais afim de acompanhar o desenvolvimento das obras. Nesta etapa podem ocorrer também os “Mutirões”, onde a equipe, em conjunto com as participantes, organizam dias de trabalho coletivo nas obras de uma das mulheres que esteja mais necessitando deste apoio. Ao final do ciclo proposto pelo método, as participantes são incentivadas a serem multiplicadoras daquilo que aprenderam durante o processo e convidem outras mulheres a participarem. Desta forma, a partir da indicação das mulheres que já passaram pelo método, novas mulheres formam novos grupos.

Resultado Alcançado

A aplicação do método Arquitetura na Periferia já beneficiou diretamente cerca de 400 pessoas e realizou mais de 100 reuniões e oficinas com grupos de mulheres., com 20 casas já reformadas e 10 com obras em andamento. Em 2018 o projeto recebeu o “Marielle Franco Community-Design Award” como reconhecimento do método inovador e atuação transformadora do projeto. Já recebeu também os prêmios “Gentileza Urbana” do IAB –MG em 2016 e o Prêmio Arquiteta e Urbanista do Ano pela FNA em 2018. Já os resultados qualitativos, medidos por meio de questionários aplicados às participantes ao início e ao final do processo apontam uma melhora de 167% com relação à habilidade da participante em tocar a sua reforma, 83% de melhora na sua capacidade de resolver problemas cotidianos de manutenção do espaço, 122% de melhora na confiança das participantes em discutir com um pedreiro e 187% de melhora no nível de segurança das participantes para iniciarem as suas obras.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Belo Horizonte / Minas GeraisDandara09/2013
Belo Horizonte / Minas GeraisEliana Silva04/2017
Belo Horizonte / Minas GeraisPaulo Freire05/2018
São Paulo / São PauloParelheiros02/2019
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Famílias de baixa renda
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Como os encontros do método são realizados em casas nas comunidades, não são necessários recursos de infraestrutura. Os recursos materiais necessários para sua implantação são: pasta, papéis sulfite, papéis manteiga e vegetal, papel milimetrado, lápis, borracha, caneta, apontador, estojo, trena, prancheta e calculadora. Utilizamos também interfaces que auxiliam na compreensão das atividades propostas: Kit Mobiliário que consiste em peças de mobiliário cortadas em isopor prensado ou mdf, Jogo do Banco Comunitário que consiste em dois tabuleiros e cartas com os valores a serem negociados, a interface de estruturas que consiste em palitinhos com durepox para simularem o funcionamento das estruturas, entre outras interfaces que são desenvolvidas a partir das demandas de cada grupo que utilizam em geral papel, isopor prensado e canetas coloridas. Por fim, tem as cartilhas que são impressas em papel A4 e resumem as explicações e dicas de cada atividade desenvolvida.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

R$ 15.000,00 (quinze mil reais)

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Dissertação de mestrado sobre a tecnologiaBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Flávia dos Santos (participante, 2016): Eu desenhei minha casa, estou me admirando por isso. Quando levei o desenho na loja de cerâmica, o rapaz até me perguntou se tinha feito curso. Luciana da Cruz (participante, 2016): Se mudo o espaço em que estou, vou me mudando também. Também fiz pequenas reformas em mim. Ana Paula (participante) Nunca tinha imaginado colocar a mão na massa e falar “eu que fiz”. O fato de ser uma mulher pedreira ensinando aumentou nossa autoestima, pensávamos nossa mulher poder fazer o que quiser, basta querer (2014). É impressionante ver como eu mudei não só o cabelo, mas como mulher. Hoje sinto que sou capaz de fazer tudo que eu quiser (2017). Adriana Silva (participante, 2014): Eu vivo sozinha, e vi que podia fazer o que queria sem precisar de outra pessoa.