Biofábrica Agroecológica

certificada 2019

Instituição
Cooperativa Mista de Produção, Industrialização e Comercialização de Biocombustíveis do Brasil Ltda
Endereço
Linha Lajeado Tesoura, sn. - Interior - Seberi/RS
E-mail
cooperbio.alimergia@gmail.com
Telefone
(55) 9996-34234
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Marcelo Leal Teles da Silva(55) 99948-6468marcelolealts@gmail.com
Resumo da Tecnologia

A biofábrica é um processo que engaja agricultores e sociedade em parcerias criativas que convertem bens comuns abundantes territorialmente, como biodiversidade, minerais, água, energia e resíduos orgânicos em uma nova geração de tecnologias – produtos, serviços e valores – capazes de sustentar a transição ecológica da agricultura e promover a vida e a saúde humana. Com um galpão simples e algumas máquinas e equipamentos acessíveis localmente é possível produzir biofertilizantes, fertilizantes minerais e blocos alimentares para alimentação animal reduzindo o uso de agrotóxicos, a dependência tecnológica, baixando custo e elevando a construção de conhecimento no território.*{ods13},{ods2}*

Tema Principal

Meio ambiente

Tema Secundário

Alimentação

Problema Solucionado

A região noroeste do RS é marcada pela expansão do monocultivo da soja e milho transgênicos. É uma das regiões brasileiras de maior uso de agrotóxicos. O desflorestamento combinado ao uso intensivo de agroquímicos resulta em drástica diminuição da biodiversidade, bem como impacta diretamente na saúde da população: aproximadamente 22,9% da população morre por algum tipo de câncer. A concentração de terras contrasta com a presença da agricultura familiar camponesa no território. Contudo, estes são dependentes de tecnologias e insumos ofertados pelos sistema de integração (aves suínos) das grandes agroindústrias. Os agricultores familiares integrados às agroindústrias não representam mais que 10% das unidades de produção; os que não conseguem se integrarem ficam fora das cadeias valor e se encontram em dificuldade econômicas para permanecerem no campo. Outro aspecto relevante ao contexto da tecnologia social, é a falta de bioinsumos para os agricultores que decidem pela transição agroecológica dos sistemas de produção. A biofábrica agroecológica atua na linha de articular produtos (insumos), serviços (capacitação/educação) e novos valores (cooperação) para superar essa realidade.

Objetivo Geral

Transformar bens comuns abundantes territorialmente e acessíveis aos agricultores, em produtos, serviços e valores capazes de sustentar a transição ecológica da agricultura e promover a vida e a saúde humana.

Objetivo Específico

1. Desenvolver tecnologias para transição agroecológica. 2. Diminuir uso de agrotóxicos, adubos químicos, hormônios e antibióticos 3. Aproveitar recursos naturais abundantes no território para produção de bioinsumos baratos e acessíveis. 4. Reter poupança nas unidades de produção e suas cooperativas, melhorando a renda e qualidade de vida. 5. Desenvolver processos capacitação e educação tecnológica, em vista de elevar a inteligência criativa no manejo ecológicos dos ecossistemas.

Descrição

A Biofábrica Agroecológica é uma tecnologia que pode ser implantada em uma unidade de produção, numa estrutura comunitária ou em estrutura cooperativa. Não é apenas um equipamento de produção de insumos, mas, igualmente, geradora de serviços de capacitação e educação e valores como a cooperação e o respeito a vida. É uma tecnologia que cresce socializando combinações de matérias-primas, informações e processo educativo; os resultados são produtos, conhecimentos e cooperação para transição agroecológica. Pode ser organizada através de construções e materiais elementares até módulos mais sofisticados com biorreatores e laboratórios. Os bioinsumos possíveis de serem produzidos são: 1 – biofertilizantes a base de resíduos vegetais, animais e composto de rochas; 2 – Fertilizantes foliares minerais, a base de resíduos vegetais e animais, ricos em Fósforo, Cálcio, Potássio e Silício e ácidos húmicos; 3 – micro-organismos eficientes de primeira e segunda geração para utilização na agricultura ou como pró-biótico para animais; 4 – blocos alimentares nutricionais, “ração caseira” e sal mineral para animais. Módulo da Biofábrica Agroecológica: Módulo 1 – Unidade de produção: demanda um galpão de 25 M², triturador de cereais, balança, queimador de cascas e ossos, calcinador de ossos, tambores para mesclas, bombonas de fermentação, betoneira e prensa hidráulica manual, peneira/coador e um funil para envase. Com uma estrutura básica dessas é possível produzir dois tipos de biofertilizantes, três tipos de fertilizantes minerais a base de cascas de cereais e ossos duplamente calcinado (sem resíduos de Matéria Orgânica), sal mineral medicinal e blocos alimentares para animais (leite e carne). As combinações para produção de insumos são inúmeras, variando conforme os resíduos vegetais, animais e minerais disponíveis. Módulo 2 – Comunitária: demanda galpão de 50 M² voltado para abastecer 15 a 20 unidades de produção. Demanda-se os mesmos equipamentos acima, acrescendo-se, somente, mais bombonas de 200 litros para fermentação, área de armazenagem e um espaço para armazenar as sementes crioulas e de adubos verdes. Trata-se de um processo bastante artesanal, contudo já com uma escala um pouco maior. Módulo 3 – Territorial cooperativada: necessita-se de área construída entre 150 a 200 M²; unidade com capacidade para suprir a demanda de insumos para até 500 famílias. A estrutura física já requer uma espaço para armazenar sementes, matérias-primas, área de triagem e pesagem de matérias-primas, processo de produção, envase e armazenamento. Se possível montar um pequeno laboratório de cromatografia do solo e de análise de qualidade da água, PH entre outras. Uma sala para armazenar sementes crioulas e de adubos verdes. Na medida em que se aumenta a escala, alguns equipamentos permanecem, porém tamanhos maiores, tais como: triturador de cereais, balança, queimador de cascas e ossos, calcinador de ossos e tambores para mesclas. Pode-se continuar a usar bombonas de fermentação de 200 litros, contudo orienta-se ter um tanque de fermentação de maior capacidade e com mexedor entre 1 a 2 mil litros. A betoneira ainda pode ser utilizada para mistura do sal mineral, mas orienta-se a aquisição de um misturador. Podem ser adquiridas novas prensas hidráulicas manuais para produção dos blocos alimentares, colocadas justapostas uma ao lado da outra. Como o volume de biofertilizantes aumentam consideravelmente, indica-se a construção de um equipamento básico de envase para agilizar o processo e evitar desperdícios. Outra recomendação é que a produção de sal mineral e blocos alimentares se dê em salas distintas da produção de biofertilizantes e fertilizantes foliares. Aspecto elemento complementar, é identificar na região uma pedreira que possa fornecer pós de rochas para a Biofábrica. O pó de rochas é utilizado na produção de biofertilizantes, na alimentação animal e na técnica de remineralização do solo. Ideal é fazer análise das rochas, para se fazer uma avaliação mais precisa, principalmente quanto aos tipos de minerais, nutrientes e elementos tóxicos. Caso não se disponha, faz-se testes “campeiros” com sementeira de terra de mato e administração para pintainhos para avaliar se há elementos tóxicos. No que tange o processo educativo, o primeiro momento é identificar as demandas técnicas e educativas para transição agroecológica. Há sempre elementos gerais, mas cada território guarda especificadas socioeconômicas, ecológicas e étnico culturais que torna cada processo um caso original. A construção e a replicação de Tecnologias Sociais requer, ao nosso ver, enraizamento no território e sua gente. Junto a realização de cursos e oficinas incentivar a troca de sementes e fazer ensaios práticos para que as famílias agricultoras possam acompanhar o desenvolvimento. A ideia central é que de nada adianta uma biofábrica de insumos orgânicos se as famílias não estão decididas e educadas a fazerem a transição agroecológica.

Resultado Alcançado

1. transformação da transição agroecológica como principal eixo organizador da cooperativa junto a base de associados. 2. produção e distribuição para sócios da cooperativa de mais de 80 mil litros de biofertilizantes, 20 litros fertilizantes foliares minerais, 30 toneladas de sal mineral e blocos alimentares, 10 toneladas de sementes de adubos verdes e 10 mil toneladas de pó de rochas para remineralização de solo. 3. envolvimento de mais de 600 famílias na transição agroecológica, com adoção de práticas de manejo, técnicas e insumos na reorganiza dos sistema de produção de hortaliças, frutas, grãos, pastagem (leite) e implantação de 390 sistemas agroflorestais em propriedades de agricultores familiares. 4. organização de grupo de agricultores certificados pela Rede EcoVida e vinculados a organização feiras, comercialização direta, merenda escolar e produção para agroindústrias. 5. capacitação de mais de 1000 sócios da cooperativa através de oficinas e cursos para transição agroecológica. 6. envolvimento das famílias na gestão da cooperativa, ampliando significativamente a participação das mulheres e juventude nos processos decisórios. 7. replicação da tecnologia na região de São Gabriel da Palha (ES) e Poço Redondo (SE).

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Seberi / Rio Grande do SulLinha Tesoura01/2013
Ametista do Sul / Rio Grande do SulLinha Santo Antônio01/2014
Cristal do Sul / Rio Grande do SulLinha São Dimas01/2013
Vicente Dutra / Rio Grande do SulLinha Cabeceira do Prado01/2013
Erval Seco / Rio Grande do SulLinha XV de Novembro01/2013
Ametista do Sul / Rio Grande do SulLinha Santo Antão01/2016
Iraí / Rio Grande do SulLinha Sanga dos Índios01/2013
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Módulo 1 – Unidade de produção: demanda uma única pessoa capacitada dedicando 5 dias no mês para tornar uma unidade de produção auto-sustentável insumos orgânicos. Módulo 2 – Comunitário: demanda duas pessoas capacitadas dedicando 5 dias por mês para produzir bioinusumos para aproximadamente 20 unidades de produção. Módulo 3 – Territorial cooperativada: demanda uma pessoa trabalhando integralmente e 3 pessoas dedicando 5 dias por mês para produzir insumos para 500 unidades de produção.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Na medida em que se pode utilizar estrutura já existente na propriedade ou na comunidade, o custo diminui consideravelmente. Se tiver que construir galpão, considerar preço de R$ 500,00 por M². Sem o contar o galpão, os custos aproximadamente são: Módulo 1 – Unidade de produção: R$ 5.000,00; Módulo 2 – Comunitário: R$ 10.000,00; e Módulo 3 – Territorial cooperativada: R$ 100.000,00.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Universidade Federal do Rio Grande do SulCooperação tecnológica para elaboração de Biofertilizantes e Blocos Alimentares
Universidade Federal de Santa Maria - Mestrado de Agricultura e Meio AmbienteCooperação em Implantação de Agroflorestas
Embrapa Clima TemperadoLaudos Técnicos dos Compostos de Rocha
Sindicato dos Trabalhados Rurais de Cristal do SulCedência de Base social
Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Rodeio Bonito e Novo TiradentesCedência de Base Social
Cooperfumos do BrasilParceira no desenvolvimento de Tecnologia
Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Síntese da Experiencia da BiofábricaBaixar
Video com síntese do trabalho no Centro de Formação em Seberidownload
Endereços eletrônicos associados à tecnologia