Dispositivo de Urbanização Sustentável: Vala de infiltração com uso de RSCC

certificada 2019

Instituição
Sociedade Mineira de Cultura
Endereço
Av Dom José Gaspar, 500 - Coração Eucarístico - Belo Horizonte/MG
E-mail
integra@pucminas.br
Telefone
(31) 3319-4154
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Eduardo Moutinho Ramalho Bittencourt(31) 98232-4117eduardomrbittencourt@gmail.com
Resumo da Tecnologia

As valas de drenagem com entulho é uma TS aplicada em vilas, favelas, ocupações urbanas e assentamentos rurais, quando é necessário direcionar o caminho das águas da chuva em encostas e ruas de terra, de modo a evitar processos de erosão nesses territórios, provocados por enxurradas. Essa técnica também reduz o volume de sedimentos carregados pelo escoamento da água superficial, e evita o acúmulo desses sedimentos no fundo de vale. Ao diminuir os impactos do caminho das águas no terreno, as valas de drenagem reduzem a necessidade de manutenção das encostas. O uso de materiais, recursos locais e de ferramentas usuais tornam possível a produção das valas por meio de mutirões.*{ods6},{ods13}*

Tema Principal

Recursos Hídricos

Tema Secundário

Meio ambiente

Problema Solucionado

O modo como a cidade formal é urbanizada e construída gera impactos diretos no ciclo hidrológico, visto que a alta impermeabilização do solo impede a infiltração da água da chuva, provoca enxurradas, intensifica processos erosivos e provoca o assoreamento dos cursos d’água. Nos assentamentos informais, a incompletude da urbanização, permite a implantação de tecnologias sustentáveis que consideram o baixo impacto ambiental e o modo pelo qual a gestão das águas é realizada pelos moradores. A implantação de valas de drenagem de entulho proporciona uma diminuição na velocidade da água das chuvas nas encostas, reduz os riscos de desmoronamentos e o acúmulo de sedimentos na parte mais baixa da bacia hidrográfica. A técnica de construção de vala de drenagem pode auxiliar a infiltração das águas no solo, uma vez que esse dispositivo promove maior tempo de retenção dessa água na superfície do solo. O desenvolvimento desta tecnologia social surgiu da necessidade de implantação de um dispositivo nos assentamentos informais que direcionasse as águas da chuva em épocas de altos índices pluviométrico para seu curso natural, sem causar danos erosivos nas encostas e nas ruas dos assentamentos.

Objetivo Geral

As valas de drenagem de entulho são usadas para a condução das águas pluviais e a desaceleração da velocidade das águas, e contribui para a redução da erosão nas encostas e nas ruas das comunidades, assim como o acúmulo de sedimentos no fundo de vale e o risco de inundações.

Objetivo Específico

A vala de drenagem de entulho foi desenvolvida colaborativamente com os moradores dos assentamentos informais, como o propósito de: considerar o modo pelo qual os moradores realizam a manutenção da rua e a contenção das encostas; desenvolver uma técnica de baixo custo ambiental, através do uso de materiais e recursos locais e ferramentas usuais de construção; desenvolver uma técnica de urbanização sustentável que considere o tratamento dos impactos da água da chuva no próprio local onde eles incidem; oferecer outra técnica de drenagem da água da chuva que não transfira os impactos para outros territórios, como as técnicas tradicionais; permitir a apropriação da técnica pelos próprios moradores, de modo que eles possam realizar a gestão das águas no território; oferecer informações técnicas e econômicas aos moradores desses territórios, de modo que eles possam reivindicar apoio dos órgãos governamentais na implantação dessa tecnologia.

Descrição

Deve-se levar em conta o contexto da microbacia local, onde a comunidade está inserida, para identificação das linhas de drenagem, onde a enxurrada é forte. Recomenda-se a implantação da tecnologia na linha de drenagem que apresenta maior processo erosivo, notadamente nos períodos de chuva intensa. O objetivo é construir um primeiro dispositivo que sirva de demonstração para os moradores das possibilidades de minimização desses efeitos no território. A tecnologia pode ser construída em regime de mutirão, com os moradores do local e outros técnicos apoiadores. Os materiais necessários para a execução são: estacas de madeira, tábuas, pregos, entulhos da construção civil, brita e areia. Também foram utilizadas ferramentas como pá, enxada, boca de lobo, chibanca, marreta e martelo. As valas de drenagem consistem de um rêgo, escalonado com tábuas de madeira e preenchida com materiais inertes. Essas tábuas de madeira funcionam como barreiras para conter os materiais nos dias de chuva. O sistema de degraus contribui para vencer o desnível, favorecer a infiltração da água no solo e reduzir o volume de sedimentos carregados pela drenagem para as partes mais baixas do terreno. Os materiais inertes (entulho, brita e areia) permitem a filtração da água da chuva e diminuem sua velocidade. Após a abertura das valas, o primeiro passo a ser executado é o encaixe das tábuas dentro da vala. Para isso é necessário cravar estacas nas laterais da vala de modo a permitir o travamento dessas tábuas. Depois disso, é lançado o entulho da construção civil, de acordo com a granulometria. Lança-se primeiro o material de maior granulometria (entulho), passando pelo médio (brita) e finalizando com o menor (areia).

Resultado Alcançado

A implantação das valas de drenagem com entulho no caminho das águas das microbacias hidrográficas funcionam como um exemplo de desenvolvimento e implantação de processos de urbanização sustentáveis, condizentes com a capacidade de suporte do sítio. A construção desse aparato funciona como um efeito-demonstração, em escala real (1:1), sensibilizando os moradores durante a execução dos mutirões e, depois, atestando a eficiência da técnica no lugar de implantação. Ressalta-se que o público alvo da tecnologia foram todos os moradores da ocupação pelo fato que a TS enfrenta um problema de urbanização que ocorre em todas as ruas. A despeito de não haverem estimativas oficiais, as lideranças da comunidade tem um cadastro que aponta mais de 1500 pessoas. O público diretamente envolvido no desenvolvimento e implantação das tecnologias foi de 35 pessoas, entre moradores no entorno dos trechos onde o dispositivo foi instalado, outros que participaram dos mutirões e os que participaram de todo o processo (identificação da demanda, concepção conjunta, planejamento, execução e manutenção).

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Belo Horizonte / Minas GeraisOcupação Esperança02/2016
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adolescentes
Adulto
Analfabetos
Artesãos
Catadores de material reciclável
Crianças
Desempregados
Famílias de baixa renda
Lideranças Comunitárias
Operários da Construção civil
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

MATERIAIS (quantitativos de referência para execução de trecho com 10m de extensão - dimensão típica da trincheira: larg. 80cm, profund. 100cm) 10 estacas de escora eucalípto 5x5cm com 1,50m comprimento cada 15 tábuas eucalípto 20x2cm com 1,00m de comprimento cada 1/2 saco de pregos 15x15 4 m³ entulhos da construção civil 2,4 m³ de brita n°2 1,6 m³ de areia grossa FERRAMENTAS 04 Pá 4 Enxadas com cabo 02 Boca de lobo com cabo 04 Chibanca 02 Marreta/martelo >1,5kg 04 carrinho de mão metálico

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Custo por trecho de 10,00m: R$ 2.610,00 ( dois mil, seiscentos e dez reais). Nos assentamentos periurbanos informais as vias alteram muito de extensão, parte delas tem o sentido das águas concentrado que demandam a aplicação da TS. Esta dimensão padrão foi adotada porque este dispositivo pode ser utilizado como desvio e retenção parcial da água da chuva quando implantado na transversal da via.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Artigo sobre o projeto de extensão universitária onde foi desenvolvida e implementada a TSBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

A demanda surgiu da comunidade após a luta a cada chuva pela solução dos impactos da erosão causada no solo siltoargiloso. Partindo deste conhecimento sobre o terreno e deste processo coletivo de ação, viemos com algumas sugestões que superassem o desejo em reproduzir as soluções da "cidade formal", tanto pela sua limitação enquanto gestão ambiental sustentável das águas pluviais, quanto pelo alto custo e reprodução abaixo da rua dos problemas alí enfrentados. Assim, num processo de negociação e aprendizado, foi se aprimorando as primeiras idéias de encaminhar as águas dentro das possibilidades de execução do local e das demandas pluviais e do terreno quanto a qualquer dispositivo de urbanização. Esta TS pode ser incorporada pelo poder público quando da urbanização formal.