Autonomia econômica das mulheres rurais

certificada 2013

Instituição
Cunhã Coletivo Feminista
Endereço
Av. Abdias Gomes de Almeida - Tambauzinho - João Pessoa/PB
E-mail
cunhan@cunhanfeminista.org.br
Telefone
(83) 3241-5916
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Ana Cristina Barboza de Lima(83) 3241-5916cristina@cunhanfeminista.org.br
Resumo da Tecnologia

Mulheres rurais do semiárido paraibano se organizam em grupos produtivos, geram renda, promovem cidadania nas suas comunidades, incidem nas politicas públicas, mobilizam ações territoriais, comercializam seus produtos, trocam experiências sobre seus saberes e práticas e elevam sua autoestima.*{ods4},{ods8}*

Tema Principal

Renda

Tema Secundário

Educação

Problema Solucionado

O semiárido nordestino é marcado por valores coronelistas e patriarcais, expressos na política assistencialista e no machismo. Apesar da participação ativa nas atividades produtivas, as mulheres rurais enfrentavam dificuldades de organização politica, gestão e comercialização dos seus produtos, com poucos grupos formalizados. Havia pouca participação das mulheres em instâncias de controle social e não havia mobilizações sociais em defesa dos seus direitos. Em 2002, Cunhã Coletivo Feminista e Centro da Mulher 08 de março (CM8M) foram convidadas pelo Projeto Dom Helder Câmara a atuar junto a essas mulheres para contribuir na sua organização politica e produtiva, empoderamento, promoção de seus direitos e redução das desigualdades de gênero. Com cerca de 10 anos de atuação, a Cunhã agregou novos projetos ao trabalho e ampliou as ações na região. Hoje, conta com apoio da Concern Universal, União Europeia e Petrobrás, junto a 23 grupos de mulheres (hortas orgânicas comunitárias, pesca, renda renascença, reaproveitamento de resíduos sólidos e artesanato). Houve aumento do acesso das mulheres rurais às politicas de crédito, da participação cidadã das mulheres nas comunidades e municípios.

Objetivo Geral

Fortalecer a auto-organização politica e produtiva dos grupos de mulheres rurais do Cariri paraibano no enfrentamento a pobreza e as desigualdades de gênero.

Objetivo Específico

Contribuir para o empoderamento e autonomia social, politica e financeira das mulheres rurais do Cariri paraibano.

Solução Adotada

Visando contemplar uma realidade complexa e mutante que envolve a vida das mulheres rurais, optou-se por um fazer educativo que contemplasse tanto a realidade objetiva como subjetiva das mulheres. As ações buscaram desconstruir valores que reforçam as desigualdades de gênero e de classe. Para iniciar o trabalho, foi realizado o diagnóstico socioeconômico "Mulher Pobreza e Teimosia", que apontou que a maioria das mulheres não tinha titulação da terra, mais da metade (57%) não fazia parte das organizações sociais (associações, sindicatos) e as que estavam nestes espaços geralmente não compunham as direções. Com base nesses resultados, elaboramos a estratégia de ação em quatro eixos: formação, organização social, incidência politica e mobilização social. Ao longo do processo, também foram produzidos instrumentos de comunicação (panfletos, cartilhas, banners) que subsidiavam todas as ações. A formação fundamentou-se na abordagem político-feminista e na educação popular, que consiste na reflexão crítica sobre a realidade socioeconômica, cultural e política e na articulação das questões locais com as globais, com ações educativas que proporcionam um lugar de referência e liberdade, onde as mulheres possam falar sobre as questões que as afligem, se informar sobre seus direitos e fortalecer sua cidadania. A metodologia prevê a dimensão material, subjetiva e simbólica como parte do processo de transformação social e da produção de conhecimento com viés de gênero, favorecendo a expressão da fala e das emoções e o intercâmbio de experiências e saberes. Pressupõe mudanças tanto de ordem individual como coletiva, considerando as mudanças de mentalidades e atitudes como impulsionadoras na consolidação de uma proposta educacional gestada junto às mulheres, sujeitos ativos neste processo. As oficinas, cursos e encontros com as mulheres agricultoras abordam temáticas pertinentes às questões de gênero e aos seus direitos: trabalho, cidadania política, saúde, direitos reprodutivos, mortalidade materna, violência contra a mulher, economia solidária, gestão, comercialização e políticas de crédito, entre outros, na perspectiva de elevar sua autoestima, o exercício de sua cidadania e empoderamento. Um dos principais eixos da ação é a organização social e política, centrada na auto-organização das agricultoras e artesãs para atuação dentro e fora da comunidade. A organização dos grupos de mulheres pretendia fortalecer as iniciativas já existentes, mas também fomentar o trabalho coletivo e provocar o debate acerca da sua importância, nas comunidades que ainda não tinham despertado para tal. Os encontros de acompanhamento aos grupos de mulheres fazem parte deste processo de auto-organização e nos possibilitam um olhar cotidiano sobre a dinâmica dos grupos, fortalecendo sua organização e qualificação por meio da formação. Do ponto de vista da mobilização social, resgatamos o Dia Internacional da Mulher como um momento de celebração dos direitos conquistados, na perspectiva de visibilizar e denunciar as desigualdades sociais e de gênero que afetam a vida das trabalhadoras rurais, mas principalmente de adentrar os espaços públicos para denunciar as opressões e reivindicar melhorias para a vida das mulheres. Destacamos ainda o incentivo ao intercâmbio de experiências com outros grupos produtivos de mulheres, a participação em feiras agroecológicas, conferências, marchas relativas a lutas dos movimentos de mulheres rurais e feminista. Essas ações têm sido um marco histórico para a região, visibilizando as desigualdades de gênero e do trabalho das agricultoras. Também enfatizamos a importância da participação das mulheres na Marcha das Margaridas em 2003 e 2007, onde puderam se articular com mulheres camponesas de todo país. As principais atividades foram de: capacitações, visitas aos grupos, articulação política; seminários; produção de materiais sobre direitos de mulheres, sistematização, diagnósticos e pesquisas, publicações.

Resultado Alcançado

Em 2008, foi realizado o segundo diagnóstico (Marco Um) que apontou com um dos maiores resultados aumento da participação das mulheres nas organizações sociais: 77% das entrevistadas faziam parte de alguma organização, com destaque para as associações. Os grupos de mulheres aumentaram em 35% das comunidades contra, percentual elevado, já que em 2003 havia apenas um grupo organizado. Vários impactos da ação das organizações de gênero foram identificados: melhoria da infraestrutura e da condição agrícola, aumento da cobertura de assessoria técnica com maior participação das agricultoras em capacitações e geração de renda, ainda que em escala pequena. Mesmo com o aumento de grupos de mulheres e maior participação das agricultoras nas associações e sindicatos, sua inserção nos espaços de controle das políticas públicas apareceu como ínfima. Foi realizado, então, um trabalho de formação sobre instâncias de controle social, uma vez que a conquista e garantia dos diretos das mulheres passa também por estes espaços. Desta ação, ocorreram várias audiências públicas e o seminário territorial aonde pudemos avaliar a ação. O Marco Um reforçou as estratégias de estimular o protagonismo das mulheres nas ações capazes de transformar sua realidade. Ao longo dos 10 anos, a ação foi ampliada para um trabalho direto e sistemático em 7 municípios e, atualmente, conta com 19 grupos produtivos de mulheres rurais. São 350 mulheres envolvidas em 5 modalidades de atividade produtiva (renda renascença, artesanato, horticultura, beneficiamento do peixe e reaproveitamento de resíduos sólidos). Mulheres de 2 grupos de beneficiamento de peixe e 02 de horticultura com acesso aos programas PAA e/ou PNAE. 21% dos grupos acessando crédito. 84% ou 16 grupos comercializando seus produtos nestes mercados. 50 mulheres (16%) utilizando instrumentos básicos de gestão de produção. Mulheres de 18 dos 20 grupos (95%) participam em espaços decisórios nas suas comunidades. Mulheres de 12 grupos (63%), de 7 municípios são afiliadas aos Sindicatos de Trabalhadores Rurais. Mulheres de 4 grupos (21%) atuam em Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural em 4 Munícipios. Mulheres dos 9 grupos de rendeiras participam do Conselho Regional da Renda (Conarenda); mulheres de 8 dos grupos em diálogo com os gestores de 04 municípios para, na perspectiva de implantação de estruturas físicas e/ou políticas públicas, o apoio à produção.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Monteiro / Paraíba01/2002
Camalaú / Paraíba01/2002
São João do Tigre / Paraíba01/2002
Congo / Paraíba01/2002
Sumé / Paraíba01/2002
São Sebastião do Umbuzeiro / Paraíba01/2002
Prata / Paraíba01/2002
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Mulheres
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Técnicas (atuação no território)4
Coordenadora2
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Transporte para equipe técnica, equipamentos (computador, data show, camera fotográfica), alimentação e hospedagem para encontros e oficinas com mulheres, material didático e pedagógico.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

R$ 350.000 anualmente. Atualmente, a Cunhã conta com apoio do Projeto Dom Helder Câmara, União Europeia e Petrobrás para o desenvolvimento de ações junto a 350 mulheres na Região do Cariri Paraibano. Caso a organização seja premiada, os recursos do Prêmio de Tecnologias Sociais serão investidos na ação, junto às mulheres produtoras dos 7 municípios do semiárido paraibano.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Centro da Mulher 8 de MarçoExecução das ações
Concern UniversalApoio na gestão e monitoramento das ações
Projeto Dom Helder Camara (PDHC)Apoio na execução junto às mulheres rurais
Empreender Mulher PBConcessão de crédito para mulheres protutoras
Secretaria de Estado da Mulher e Diversidade HumanaArticulação para viabilizar políticas públicas de apoio às mulheres produtoras
SEBRAEQualificação em produção e comercialização para as mulheres produtoras
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)Apoio na capacitação técnica (agroecologia e convivência com o semiárido)
Impacto Ambiental

Esta Tecnologia Social tem contribuído para que as mulheres trabalhadoras rurais convivam com o semiárido paraibano, enfrentando as adversidades, a situação de pobreza, a seca, as desigualdades de gênero, regionais e socioeconômicas, além de promover a justiça socioambiental junto às trabalhadoras rurais e artesãs, numa perspectiva agroecológica, utilizando recursos e matéria prima que não degradam ou prejudicam o meio ambiente, sua saúde e o bem estar de toda comunidade.

Forma de Acompanhamento

Encontros de planejamento com cada grupo e também encontros por tipo de produção e ou bloco de municípios para organizar temáticas prioritárias para o ano e mapeamento das necessidades para as visitas sistemáticas. Mensalmente são realizadas as visitas de acompanhamento sistemático nas suas comunidades, garantindo espaços de repasse de informações e o acompanhamento a organização e gestão dos grupos. Avaliações anuais.

Forma de Transferência

Esta metodologia pode ser aplicada em qualquer comunidade rural que tenham mulheres produtoras que, mesmo produzindo de forma individual, tenha motivação a se organizarem enquanto um grupo, associação ou cooperativa.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Diagnóstico revela condições de renda das mulheres rurais do CaririBaixar
Campanha Trabalho de Mulher tem valor dentro e fora de casaBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

“(...) foi se consolidando como diz a história, foi ótimo, eu mesmo gosto. Muita gente dizia “não, isso não adianta, eu só gosto se for com dinheiro”, mas eu não tenho isso não, a gente continuou fazendo a reunião (...) porque é a união que faz a força, aí graças a Deus tá indo até bem, até agora a gente tá se dando bem (...)”. Grupo de mulheres Associação de Mulheres artesãs do Ingá. São João do Tigre “O homem chegou. Nós tava na reunião aí ele chegou brabo né, ‘não sei pra que essa reunião que tão participando, isso não leva a nada’, mas também a mulher não saiu da reunião e ficou lá na reunião, ele foi e nunca mais disse nada. Só foi uma vezinha, só.” Grupo de mulheres as Vencedoras. Prata.