Bambu para o desenvolvimento social em assentamento rural

certificada 2013

Instituição
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
Endereço
Avenida Luiz Edmundo Coube 14-01 - Vargem Limpa - Bauru/SP
E-mail
pereira@feb.unesp.br
Telefone
(14) 3103-6121
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Marco Antonio dos Reis Pereira(14) 3103-6121pereira@feb.unesp.br
Resumo da Tecnologia

A tecnologia consiste na implantação e capacitação de agricultores na cadeia produtiva do bambu, buscando a fixação ao campo, a geração de renda e o desenvolvimento sustentável. Foram desenvolvidos o plantio local de espécies e a instalação de uma unidade de produção para manufatura de produtos.*{ods8},{ods12},{ods13}*

Tema Principal

Renda

Tema Secundário

Meio ambiente

Problema Solucionado

O assentamento rural Horto de Aimorés, localizado na divisa dos municípios de Bauru e Pederneiras, distante 15 Km da Unesp de Bauru, possui cerca de 350 famílias assentadas pelo Incra desde 2007. A inexistência de um espaço físico comunitário e de um grupo organizado dificultavam ações coletivas e a comunicação, devido à separação física entre os lotes. Inicialmente os agricultores buscam a sua subsistência alimentar, e a comunidade, que tem por característica básica o trabalho com a terra, vem buscando alternativas de sustentabilidade, fixação ao campo e geração de renda - já que grande parte recorre a empregos na cidade, devido à dificuldade de gerar renda no campo. Ocorre ainda reduzido apoio de órgãos públicos, referente a elementos básicos de estruturação local. A tecnologia do bambu desenvolvida na Unesp e implementada inicialmente em pequena escala no assentamento tem contribuído para amenizar o problema à medida que vai se fixando e expandindo localmente. Com grande potencial de crescimento e envolvimento locais a tecnologia pode ainda agregar benefícios à comunidade advindos de contatos e parcerias efetuados, servindo como instrumento de educação e exemplo aos jovens.

Objetivo Geral

Implantação da cultura do bambu e sua cadeia produtiva em assentamento rural, buscando a fixação ao campo e a geração de renda com desenvolvimento sustentável.

Objetivo Específico

- Capacitação dos agricultores na cadeia produtiva do bambu, através de oficinas práticas, envolvendo: Plantio, produção de mudas, colheita de colmos, manejo de moitas, tratamento, secagem, processamento e confecção de produtos e estruturas leves - Conscientizar os assentados por meio de palestras sobre a importância, os benefícios e as oportunidades advindas do uso do bambu - Plantio de espécies de interesse tecnológico e comercial para produção da matéria prima localmente - Projeto e construção de uma unidade de produção/oficina em bambu - Desenvolver uma gama de produtos com valor agregado adaptados à capacidade produtiva local - Comercialização dos produtos confeccionados - Formalização de parcerias para concretização da tecnologia - Formação, organização e formalização de um grupo de agricultores responsáveis pela gestão e capacitação local buscando agregar novos membros - Formação de um grupo de alunos para atuar na extensão do projeto à comunidade

Solução Adotada

O bambu é uma cultura perene, renovável, de rápido crescimento, com produção anual de colmos sem a necessidade de replantio e com milhares de possibilidades de uso e geração de renda (desde o broto comestível, artesanatos, mobiliários, construções até produtos processados com maior valor agregado). Intensivo em mão de obra, a cultura do bambu proporciona inúmeras possibilidades de exploração e geração de renda, podendo contribuir para a geração de emprego e fixação ao campo. Pequenos, médios ou grandes empreendimentos são possíveis com o bambu, que pode ainda ser utilizado em reflorestamento e como regenerador ambiental. A exploração da cultura do bambu possui aspecto sustentável, já que uma mesma área de plantio pode ser utilizada por muitos anos. A utilização do bambu para a confecção de produtos pode contribuir na redução do uso e, consequentemente, da extração de madeira, principalmente nativa. Em termos ambientais, por crescer rapidamente (até 1 metro por dia), o bambu é considerado um excelente sequestrador de carbono, além de protetor do solo contra erosão. A cultura do bambu é de rápida implantação, sendo possível iniciar sua exploração comercial entre o quarto e quinto anos após o plantio, quando os colmos atingem dimensões de uso. O Projeto Bambu desenvolvido na Unesp de Bauru desde 1994, possui plantio experimental de espécies de interesse com produtividade média anual de 8 colmos por moita, ou cerca de 1600 colmos por hectare/ano. É uma cultura pouco exigente em solo e clima podendo, inclusive, ser cultivada em áreas marginais. Muito utilizado no oriente, o bambu, embora comum em nosso meio, é pouco conhecido em suas características e potencial de utilização. No entanto, gradativamente tem recebido maior atenção no Brasil, seja através de pesquisas em universidades ou mesmo em editais governamentais como o do CNPq (Edital CT-AGRONEGÓCIO/MCT/CNPq Nº25/2008–Projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação com bambu) criando a Rede Nacional de Pesquisa do Bambu e ainda com a sanção da lei Nº 12.484, de 8 de setembro de 2011, que dispõe sobre a Política Nacional de Incentivo ao Manejo Sustentado e ao Cultivo do Bambu, fornecendo diretrizes para o estudo e a implantação da cultura no Brasil, especialmente voltada para a agricultura familiar, como consta em seu artigo 3º: “I - a valorização do bambu como produto agro-silvo-cultural capaz de suprir necessidades ecológicas, econômicas, sociais e culturais; II - o desenvolvimento tecnológico do manejo sustentado, cultivo e das aplicações do bambu; III - o desenvolvimento de polos de manejo sustentado, cultivo e de beneficiamento de bambu, em especial nas regiões de maior ocorrência de estoques naturais do vegetal, em regiões cuja produção agrícola baseia-se em unidades familiares de produção e no entorno de centros geradores de tecnologias aplicáveis ao produto”. Para o envolvimento da comunidade utilizou-se de palestras e oficinas práticas acerca das possibilidades do bambu, buscando a formação e capacitação de um grupo organizado de agricultores, responsável pela administração e reaplicação local da capacitação recebida na Unesp. Para a implantação da tecnologia do bambu no assentamento foi necessário o projeto e a construção de uma unidade de produção, devido a ausência de espaço físico adequado para instalação de maquinário de oficina. O plantio de mudas de espécies para fornecimento de matéria prima ao projeto foi efetuado, dando início a atividade agrícola de implantação da cultura do bambu localmente, tarefa executada pelos próprios assentados que produziram as mudas durante sua capacitação na Unesp. Para auxiliar na extensão universidade-comunidade foi organizado um grupo multidisciplinar de alunos, grupo Taquara, possibilitando contato estreito com os assentados, desenvolvimento de pesquisas e de produtos comercializáveis. Para a geração de renda e divulgação, foi elaborado um catálogo de produtos de fácil confecção e procuradas parcerias para sua comercializa

Resultado Alcançado

Foi estruturado e capacitado um grupo organizado de agricultores, “Associação Agroecológica Viverde”, responsável pela administração e reaplicação local da capacitação recebida na Unesp. O grupo tem agora a competência para serem os replicadores desta tecnologia, tanto localmente, como em outras comunidades. A estruturação local foi iniciada com o projeto e a construção em bambu de uma unidade de produção/oficina com 250 m², desenvolvida por alunos e professores da Unesp em conjunto com a comunidade para, além de suprir a carência de um espaço físico, mostrar a viabilidade e versatilidade do material. Foi realizado plantio inicial de 120 mudas de três espécies para fornecimento inicial de matéria prima, com mudas produzidas pelos próprios agricultores durante a capacitação, sendo inicialmente introduzidas as espécies: Dendrocalamus giganteus, Guadua angustifolia e Bambusa oldhami. O grupo multidisciplinar “Taquara”, composto por alunos de Design, Arquitetura, Artes, Engenharia e Comunicação foi estruturado como um projeto de extensão universitária, possibilitando contato estreito com os assentados, desenvolvimento de pesquisas e de produtos comercializáveis. Nesse sentido, foi elaborado em conjunto com o grupo “Viverde”, um catálogo de produtos artesanais. Para o desenvolvimento do projeto e comercialização dos produtos confeccionados para geração de renda, buscou-se parcerias com o setor público, como a prefeitura de Bauru (feiras Festieco, Feimobi, Ubá e o programa TeleCentros.BR); prefeitura de Pederneiras (serviços), Feira da Agricultura Familiar, parcerias com o setor privado (Grupo Pão de Açúcar) e participação e premiação em editais (Proext/MEC 2009, Santander/Unisol 2010 e 2011 e Instituto 3M do Brasil em 2012). Atualmente o grupo “Viverde” conta com dez famílias capacitadas e, com a conclusão da unidade de produção/oficina, entregue à comunidade em 2012, espera-se maior divulgação e alcance da tecnologia, com potencial de abranger até 30 famílias no seu formato/dimensão atual. Além de atender encomendas locais, o grupo firmou contrato com o Programa “Caras do Brasil” do grupo Pão de Açúcar em 2013. Com periodicidade bimestral, na sua primeira encomenda, foi solicitada a confecção de 600 colheres e 600 espátulas de bambu, num valor de R$8,00 a unidade. Saliente-se que a tecnologia com o bambu implementada encontra-se em fase inicial, servindo como uma célula de possível reaplicação e envolvimento na própria comunidade ou em outras similares.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Bauru / São PauloAssentamento Rural Horto de Aimorés05/2011
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Assentados rurais
Jovens
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Agricultores capacitados na tecnologia do bambu2
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Definindo a Unidade da Tecnologia como um módulo de produção para exploração por cerca de 25 famílias, faz-se necessário: - Área de terra com aproximadamente 6.000 m², para plantio de 120 mudas de bambu - 120 mudas de bambu divididas em três espécies de interesse econômico: Dendrocalamus giganteus, Guadua angustifolia e Bambusa oldhami. - 1 motosserra para colheita após o quarto ano de plantio - ferramentas diversas manuais: serrote, serrote de poda, tesoura de poda, arcos de serra, facão, enxada, pá. - 800 metros de mangueira preta 3/4 para irrigação suplementar - Área coberta para instalação de oficina contendo: - 4 lixadeira de cinta - 1 furadeira de bancada - 2 lixadeiras manuais - 1 compressor - 1 pistola de ar para pintura - 1 serra circular meia esquadria - 2 morsas - 1 furadeira manual - 1 parafusadeira - 1 serra tico tico - 1 serra de fita - ferramentas diversas manuais: alicate, chaves de fenda, arcos de serra, martelo

Valor estimado para a implementação da tecnologia

R$20.000,00 contando que se tenha uma área de aproximadamente 6.000 m² para plantio das mudas e um espaço para a instalaçao das máquinas de oficina

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Universidade Estadual Paulista - Unesp campus de BauruFormulação e Implantação
Universidade Solidária-Unisol/SantanderApoio financeiro
Instituto 3MApoio financeiro e material
Impacto Ambiental

O maior impacto ambiental refere-se à possibilidade de utilização do bambu em substituição à madeira em muitas aplicações, o que pode contribuir para a redução da extração de árvores, especialmente de espécies nativas. O bambu é considerado um regenerador ambiental, com capacidade de se adaptar à maioria dos solos e climas, proteger o solo de erosão e sequestrar carbono devido a sua rapidez de crescimento e produção anual de colmos e, podendo ainda, ser utilizado em reflorestamentos

Forma de Acompanhamento

Acompanhamento direto pela Unesp (professor coordenador e grupo de alunos Taquara) com visitas ao local e contato com os agricultores participantes "Grupo Viverde", Acompanhamento dos processos e resultados através de pesquisas de alunos, visando, além da obtenção de um registro, correções, adequações e melhorias tanto nas etapas produtivas (engenharia de produção) quanto no produto final (valor agregado pelo design).

Forma de Transferência

A transferência e reaplicação pode ser efetuada diretamente pelos agricultores já capacitados na tecnologia, através de cursos e oficinas práticas replicando a capacitação recebida na cadeia produtiva do bambu, envolvendo: a produção de mudas e seu plantio, o conhecimento de espécies, o manejo e a colheita de colmos, a secagem e os cuidados pós-colheita, o armazenamento dos colmos colhidos, o tratamento dos colmos, o processamento dos colmos e a confecção de produtos artesanais e estruturas leves em bambu.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Produtos desenvolvidos em bambu em assentamento ruralBaixar
Geração de renda com artesanato em bambu em assentamento ruralBaixar
Projeto social em assentamento ruralBaixar
Depoimento de agricultor de assentamentodownload
Depoimento agricultores de assentamento ruraldownload
Curriculo Lattes do CoordenadorBaixar
Desenvolvimento da tecnologia com bambuBaixar
Produtos artesanaisBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Eu Jose Maria Rodrigues sou assentado e moro no Horto de Aimores em Bauru, onde sempre desenvolvi um trabalho social com as famílias. Com muito esforço e dedicação venho buscando alternativas de trabalho e renda. Tive contato com o Projeto Bambu desenvolvido pelo prof. Marco Pereira na Unesp, através de uma palestra no Horto, então começamos a desenvolver produtos artesanais e construímos um galpão de bambu no assentamento e transferimos nosso trabalhos para ele pois poucas pessoas podiam se deslocar para a Unesp para aprender. Agora com a oficina e o plantio de bambu estamos conseguindo ampliar o trabalho e melhorar a renda dos participantes, mais ainda a muito a ser feito para dar continuidade em um projeto sério e que possibilita geração de renda e fixação do jovem no campo.