Berçário de sementes para a regularização ambiental de propriedades rurais

certificada 2013

Instituição
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Endereço
UFMT - Campus de Rondonópolis - Rodovia Rondonópolis-Guiratinga, KM 06 (MT-270) - -Bairro Sagrada Família - Rondonópolis/MT
E-mail
coordenaeaa@ufmt.br
Telefone
(66) 3410-4103
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Carlos Henrique Bonsi Checoli(65) 8129-2870ameo.brasil1@gmail.com
Normandes Matos da Silva(66) 8116-8628normandes32@gmail.com
William Pietro de Souza(66) 9228-5548william_pietro@hotmail.com
Resumo da Tecnologia

Adotou-se o plantio de muvuca de sementes nativas e exóticas não invasoras, em unidades de restauração ecológica situadas em nascentes degradadas de Campo Verde, MT. Grandes e pequenos proprietários participam do trabalho. As técnicas são de baixo custo econômico e alta eficiência ambiental.*{ods6},{ods13}*

Tema Principal

Meio ambiente

Tema Secundário

Recursos Hídricos

Problema Solucionado

A Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso, identificou algo em torno de um milhão e duzentos mil hectares de matas ciliares, e cerca de cem mil hectares de reservas legais degradadas no Estado. Esses ambientes, quando degradados, provocam perda de qualidade e quantidade de água e danos à biodiversidade. Nesse cenário, proprietários rurais estão aumentando os custos econômicos para ter acesso à água para consumo próprio, dos animais e de plantações. Dependendo da técnica utilizada, o custo para recuperar um hectare de área degradada pode ultrapassar os R$ 10.000,00. Esse valor é elevado principalmente para pequenos proprietários rurais. O plantio manual e mecanizado de consórcio (muvuca) de sementes de espécies nativas e de exóticas não invasoras em matas ciliares degradadas, está demonstrando ser uma técnica eficiente para recuperação ambiental e de baixo custo econômico. Ações desse tipo contribuem para a consolidação do novo Código Florestal Brasileiro (Lei 12.651/2012), trazendo proprietários para a legalidade ambiental e possibilitando que os mesmos obtenham licenciamento ambiental e créditos rurais.

Objetivo Geral

Aprimorar técnicas de recuperação de áreas degradadas baseadas em unidades demonstrativas de restauração ecológica, com uso de muvuca de sementes de espécies nativas e exóticas não invasoras que fixam nitrogênio no solo, mediante planejamento e execução com participação da comunidade local.

Objetivo Específico

Construção do conhecimento junto com produtores rurais, estudantes e pesquisadores, utilizando técnicas de baixo custo econômico e alta eficiência ambiental para recuperação de áreas degradadas (área de preservação permanente e reserva legal); Contribuir com a regularização ambiental de propriedades rurais, que possibilita a aquisição de créditos rurais; Contribuir com a consolidação do novo código rural brasileiro (Lei 12.651/2012 modificada pela Lei 12.727/2012); Apresentar técnicas que diminuam o quantitativo de áreas degradadas no Brasil; Ampliar a conexão entre Cerrado e Pantanal, a partir da recuperação de áreas degradadas nas margens do rio São Lourenço, em Mato Grosso.

Solução Adotada

As técnicas de plantio de consórcio de sementes (ou muvuca) abrangeram o uso de máquinas agrícolas e plantio manual, em áreas de preservação permanente degradadas. Proprietários rurais cederam áreas para serem recuperadas, além de maquinário e funcionários para auxiliar no plantio de sementes e mudas. Além disso, o plantio envolveu estudantes da educação básica, da educação superior e estudantes de pós-graduação, incluindo moradores da zona rural de Campo Verde-MT. Moradores coletaram sementes para o projeto e também permitiram a instalação de coletores de sementes em suas propriedades. Outro aspecto importante foi a abordagem participativa adotada para a condução do projeto onde todos os proprietários rurais se envolveram no planejamento e execução dos PRADs (Planos de Recuperação de Áreas Degradadas). Esta foi uma solução para viabilizar a execução dos PRADs de acordo com as possibilidades reais de cada produtor rural envolvido no projeto. O projeto foi desenvolvido na bacia hidrográfica do São Lourenço, sendo esta bacia considerada a de maior nível de criticidade pelo Plano Estadual de Recursos Hídricos. Uma área está localizada na nascente da bacia hidrográfica do Rio São Lourenço, e as outras áreas está localizada numa região tradicional do município, sendo um dos assentamentos humanos mais antigos do estado - Comunidade do Capim Branco, Campo Verde MT.

Resultado Alcançado

Ações ocorridas resultaram na definição de técnicas de plantio com custo econômico abaixo do convencional, que pode chegar a R$10.000,00 por hectare. Nossas técnicas utilizadas na nascente do rio São Lourenço, numa unidade demonstrativa de restauração ecológica, variaram de R$ 2.162,00 até R$ 540,00 por hectare. Particularmente, um tratamento feito com plantio de muvuca de sementes com plantadeira a vácuo, plantio de mudas com espaçamento de 5 metros entre elas, e plantio de barreira de Crotalária sp, foi a mais eficiente, num monitoramento de aproximadamente um ano, considerando aspectos ecológico (criação de microclima que incentivou a colonização de plantas e animais nativos). esse tratamento (técnica de recuperação) custou R$ 1.294,00 aproximadamente. Porém, atualmente estamos valorando o custo do plantio de muvuca de sementes totalmente manual (feito com enxada e enxadão) e esse custo, provavelmente, será bem menor que R$ 400,00 o hectare. Em outro local próximo (Comunidade rural do Capim Branco) oferecemos mensalmente palestras sobre sementes crioulas, importância de recursos hídricos e recuperação de matas ciliares. Um proprietário rural cedeu aproximadamente três hectares, onde criamos uma outra unidade demonstrativa de restauração ecológica. Nesse local, parcialmente inserida em área de preservação permanente, utilizamos a muvuca de sementes com plantio manual em ilhas de diversidade.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Campo Verde / Mato GrossoNascente do São Lourenço (zona rural) e comunidade rural do Capim Branco12/2010
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Alunos do ensino básico
Lideranças Comunitárias
Produtores rurais - Grandes
Produtores rurais - Médios
Produtores rurais - Pequenos
Professores do ensino básico
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Pessoa de nível técnico ou superior (desde que tenha sido capacitado previamente)1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Para viabilizar as ações que criaram as unidades demonstrativas de restauração ecológica foram necessários equipamentos e materiais organizados em duas dimensões: a) Práticas de sensibilização da comunidade local (palestras, dinâmicas de grupo e práticas de campo): papel e cavalete flip-chart, canetinhas coloridas, papel sulfite. As ações foram filmadas com filmadora que já era do acervo da equipe executora do projeto. b) Implantação das Unidades Demonstrativas de Restauração Ecológica (UDRE): sementes de espécies arbóreas nativas (espécies variadas), sementes de espécies exóticas (não-nativas) e não invasoras de ciclo curto e mudas de espécies nativas. Em termos de equipamentos, para o plantio mecanizado da muvuca de sementes, foi necessário: trator (180cv) e grade niveladora (preparo do solo, plantio e incorporação das sementes). Para o plantio manual da muvuca de sementes, foi necessário: enxada, enxadão, foice e trena (para limpeza manual da área e plantio de sementes e mudas de espécies nativas).

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Custo para as práticas de sensibilização comunitária: R$ 300,00 considerando algo em torno de dez palestras e outras práticas. Custo para plantio mecanizado da muvuca de sementes: R$ 465,00 (aqui consideramos um valor hora/máquina). Custo para plantio manual de sementes: R$ 78,00. Se for por mutirão, não haverá custo de mão de obra. As sementes podem ser coletadas em matas próximas sem custo.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
A.M.E.O Brasilauxiliou na elaboração do projeto cedeu pessoal e veículo para ações do projeto
Secretaria de Estado do Meio Ambiente de Mato Grosso - SEMA-MTCedeu analista de meio ambiente para proferir palestra e atividade de campo
Associação de Moradores do Capim Branco (Campo Verde-MT)Cedeu espaço físico para ações do projeto, bem como apoio sob a forma de refeições para membros do projeto
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPqApoio por meio de financiamento de projeto de pesquisa e bolsa produtividade
Impacto Ambiental

O projeto resultou na definição de técnicas que reduzem o custo da recuperação de áreas degradadas. O uso de espécies vegetais nativas e, quando necessário de espécies vegetais não nativas e não invasoras, está propiciando a recomposição de corredores ecológicos, que compreendem as matas ciliares do rio São Lourenço (e tributários), que nasce no Cerrado e deságua no Pantanal.

Forma de Acompanhamento

Por meio de visitas nas unidades demonstrativas de restauração ecológica (berçários de sementes) e contatos informais com moradores locais. Projetos de pesquisa e de extensão conduzidos por professores e estudantes da UFMT também coletam dados para o monitoramento das ações.

Forma de Transferência

A tecnologia pode ser repassada mediante palestras, cursos de curta duração, ou mesmo exposição de vídeos e cartilhas, sem a necessidade de instrutor de corpo presente. São técnicas simples, que exigem sementes ou mudas, folhagens de mata, restos de galhos e mão de obra local. Temos vasto acervo em vídeo (que está em fase de edição) retratando a existência do trabalho. Temos ainda vídeo informativo com as palestras, dias de campo e explicação das técnicas. O projeto já gerou duas dissertações de mestrado (Recursos Hídricos e Engenharia Agrícola), Monografias de graduação e artigos científicos. Estudantes de graduação da UFMT, estão sendo capacitados para utilizarem essas técnicas em futuras ações de extensão rural para projetos de conservação e regularização de propriedades rurais.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Acervo de imagens mostrando algumas etapas do projetoBaixar
Dissertação de Mestrado - Carlos Henrique Bonsi ChecoliBaixar
Dissertação de Mestrado - William Pietro de SouzaBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

As técnicas apresentadas nesta proposta já estão sendo utilizadas por outras instituições públicas e privadas. O diferencial é que estamos testando essas técnicas, por meio de projetos de pesquisa e de extensão, visando adequá-las para grandes propriedades rurais que produzem monoculturas (soja, algodão, por explo), bem como para pequenas propriedades, que lidam com pecuária extensiva e outras atividades. Sabemos que ainda levará alguns anos para termos resultados mais consistentes, mas também sabemos que, com o passar do tempo, com a demonstração dos nossos resultados, é possível sensibilizar um número cada vez maior de pessoas. Assim, contribuiremos para a consolidação do Novo Código Florestal Brasileiro, aprovado em 2012, e que prevê a necessidade de recuperação de áreas degradadas