IDENTIFICARTE - Inclusão postal através da arte

certificada 2013

Instituição
INSTITUTO MUSIVA
Endereço
Travessa São Jorge, 14 - Vigário Geral - Rio de Janeiro/RJ
E-mail
institutomusiva@gmail.com
Telefone
(21) 4105-4426
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Raquel Motta do Amaral(21) 4105-4426raquel.amaral@institutomusiva.org.br
Valmir do Vale Lins(21) 8828-1973valmir.vale@institutomusiva.org.brhttps://pt-br.facebook.com/valmir.vale.1
Resumo da Tecnologia

Identificação postal de imóveis localizados em favelas. Produção e aplicação de placas numéricas de mosaico em casas e estabelecimentos de moradores de áreas em risco social. A ação promove a auto-estima e a identificação de residências.*{ods8},{ods11}*

Tema Principal

Habitação

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

Tudo começou quando o artista plástico Valmir Vale, nascido e criado na favela de Vigário Geral, Rio de Janeiro, retornou ao Brasil em 2007, após viver 12 anos na Europa. Em seu retorno definitivo o artista notou que pouca coisa havia mudado no local. A favela que tinha passado por intensa violência na década de 90, com a chacina que provocou a morte de 21 inocentes, ainda era assolada com a tristeza e a baixa auto-estima. Foi através deste cenário que junto ao grupo de parceiros Valmir iniciou o Movimento Mosaicistas que tinha como objetivo produzir placas numéricas de mosaico e doá-las para moradores. Em 12 meses o grupo conseguiu identificar toda uma rua com placas numéricas de mosaico. Esta idéia partiu de um bate papo com o carteiro que não conseguia localizar os endereços pois a maioria das casas não possuía qualquer tipo de identificação e/ou eram numeradas á giz de cera ou materiais do tipo. Com o movimento social Valmir observou que os moradores passavam a emboçar e pintar as fachadas de suas casas para igualar a estética dos muros á beleza presente nos números de mosaico. O maior problema solucionado, então, foi a exclusão social e postal.

Objetivo Geral

Promover a Inclusão Postal, através da arte, em imóveis localizadas em áreas em risco social, sobretudo favelas e assim identificar pelo menos

Objetivo Específico

Fomentar a identificação de casas e estabelecimentos comerciais, de favelas e comunidades populares, de maneira a promover o embelezamento estético e por consequência estimular a promoção de políticas publicas e a auto-estima de moradores. Promover a formação artística de agentes locais (moradores) através da execução de oficinas de mosaico, em parceria com o Governo e a iniciativa privada, para incentivar que os mesmos produzam as placas numéricas e objetos decorativos para gerar renda. Comercializar, á preços acessíveis, no valor entre R$ 25,00 e R$ 30,00, placas numéricas de mosaico para a população das classes CDE contribuindo assim para que as pessoas da base da pirâmide adquiram o produto que tem a proposta de identificar e embelezar a residência de moradores e pequenos comerciantes.

Solução Adotada

Para iniciar a ação em determinada localidade fazemos um levantamento/pesquisa sobre quais as necessidades locais, levantamos o número de interessados em se beneficiar da proposta e realizamos parceria com instituições de representação local, como igrejas, escolas, associação de moradores, agentes comunitários e regiões administrativas/lideranças governamentais da região. Após levantamento das informações produzimos o material de divulgação e capacitamos a equipe para implementar a proposta através de oficinas artísticas. As oficinas são geralmente realizadas em espaço cedido ou alugado para este. As atividades, geralmente, são realizadas por 30 dias, inclusive os finais de semana. Para cada localidade abrimos inscrições para no máximo 200 pessoas que são organizadas em grupos de 20 pessoas. Após passar pela etapa de divulgação e inscrição de interessados iniciamos as atividades de ensino a produção de placas numéricas e nominais de mosaico (algumas localidades tem a necessidade de identificação de becos e ruas). Cada grupo de 20 pessoas participa de 08 horas/aula. As oficinas são desenvolvidas por Coordenador e por Assistentes de Produção Artística que tem ocmo função ensinar aos participantes as técnicas de produção das placas de mosaico. Qualquer pessoa com idade a partir de 14 anos pode participar das oficinas. Os profisisonais são preparados para desenvolver as habilidades da população mesmo os que nao tem qualquer aptidão ou dom para as artes plásticas ou visuais. A primeira oficina, geralmente, é financiada por parceiros como a Caixa Econômica Federal que apoiou financeiramente a Inclusão Postal no Complexo do Alemão e na Rocinha. No Morro do Estado, favela localizada em Niterói, Estado do Rio de Janeiro, o financiador foi um orgão internacional que tinha como objetivo a implementação da ação para beneficiar apenas 20 casas, pois a proposta foi experimental. Em Vigário Geral a ação incial beneficiou mais de 200 famílias e foi toda financiada com recursos próprios do Instituto Musiva e do Coordenador Valmir Vale, no entanto a ação no local é muito conhecida e é 100% sustentável pois após a doação das placas as demais famílias passaram a adquiri-las a preço popular. Em Vigário Geral artesãos que fazem parte do grupo produtivo do Instituto Musiva produzem as placas para comercialização e são remunerados por cada unidade encomendada. As etapas das oficinas são: Etapa 1: modelagem dos números/letras, gabaritos das figuras, Etapa 2: Corte e colagem dos cacos de azulejos e formação das figuras( letras, números), Etapa 3: Rejunte, pintura, limpeza e acabamentos das peças. Na finalização de cada oficina artística pelo menos 200 placas numéricas de mosaico são aplicadas por serventes/pedreiros e/ou assistentes de artes nas residencias dos participantes. E notório a mudança de comportamento das pessoas durante o curso. O primeiro contato é de estranheza pelo novo, pois o mosaico não é uma arte popular. Mas no decorrer das atividades as pessoas mudam o comportamento e é vísivel ver a auto-estima no fato delas mesmas produzirem as números para as suas casas. Cada comunidade é uma realidade diferente. No Complexo do Alemão, por exemplo, as placas são mais padronizadas, as pessoas reproduzem as figuras através de gabaritos e mudam somente as cores dos dígitos e letras. Na Rocinha as pessoas sempre preferem criar, além de dígitos, figuras como escudos de times, flores, traços e etc. Após a conclusão das oficinas artísticas em determinada localidade nós deixamos o legado para que os próprios moradores se organizem enquanto grupo e comercializem, placas de mosaico, para os demais moradores de maneira que gerem renda para eles mesmos. A solução adotada neste sentido é a promoção da inclusão postal na localidade e o incentivo á geração de renda através da atividade artística.

Resultado Alcançado

Resultados Quantitativos: Diretos: Inclusão postal para mais de 830 famílias no Estado do Rio de Janeiro, sendo: 300 imóveis (residenciais e comerciais) em Vigário Geral/RJ 384 residências no Complexo do Alemão/RJ 130 residências na Rocinha 20 ruas/becos na Rocinha 20 residências no Morro do Estado/RJ Indiretos: Incentivo á geração de renda, promoção de políticas públicas e de cidadania para mais de 2.500 pessoas, em 04 anos, considerando uma média de 03 pessoas por família. Resultados Qualitativos Promoção da Inclusão Postal Incentivo ás Políticas Publicas e á Cidadania Incentivo á Geração de Renda Fomento á ações de inclusão social e acesso á bens de consumo para as pessoas da base da pirâmide (classes sociais CDE).

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Rio de Janeiro / Rio de JaneiroVigário Geral04/2007
Rio de Janeiro / Rio de JaneiroComplexo do Alemão12/2009
Rio de Janeiro / Rio de JaneiroComplexo do Alemão01/2010
Rio de Janeiro / Rio de JaneiroComplexo do Alemão04/2012
Niterói / Rio de JaneiroMorro do Estado10/2010
Rio de Janeiro / Rio de JaneiroRocinha09/2011
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Adulto
Artesãos
Desempregados
Empreendedores
Famílias de baixa renda
Jovens
Mulheres
Operários da Construção civil
Povos Tradicionais
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Coordenador de Produção Artística1
Assistente de Artes4
Pedreiro / Servente de obras1
Gestor Financeiro e Administrativo1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Estimativa de materiais e infra-estrutura necessária para a implantação de uma unidade de tecnologia social: Salas, com no mínimo 20 m², para a execução das oficinas de formação artística 5 mesas, com 4 lugares, cada, tipo bar. 20 cadeiras, metal, plástico ou madeira.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Com R$ 17.000,00 realizamos o curso livre de mosaico, com o foco na produção artística de placas numéricas de mosaico. O curso é a ação inicial para implementar a Teconologia Social em determinada localidade. Com o valor investido é possível promover o curso de 08 horas/aula, para 200 pessoas, em grupos com 20 participantes,e desta forma promover a identificação postal de suas residências.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Caixa Econômica Federal - Trabalho Social do PAC - Programa de Aceleração do CrescimentoApoio financeiro
Secretaria de Estado da Casa Civil - EGP RioParceria estratégica
Akershus Fylkeskommune - NoruegaApoio financeiro
Impacto Ambiental

Em todas as ações, projetos e oficinas desenvolvidos pelo Instituto Musiva são adotadas ações de reaproveitamento, reutilização e/ou reciclagem em Respeito e Preservação do Meio Ambiente. Em alguns casos são utilizados azulejos doados por fábricas e/ou resíduos de obras na produção artesanal de mosaico.Primamos,também, pelo uso de materiais e produtos que reduzem a agregação ao ambiente como os a base de água.

Forma de Acompanhamento

Nas oficinas artísticas , por exemplo, os participantes assinam listas de presença e avaliam as atividades através de relatórios. Cada placa numérica de mosaico, seja produzida em oficina ou comercializada, a preço popular para os demais moradores das comunidades, é identificada através de fotografia e inserida em lista de controle de produtos.A equipe também produz relatórios de mensuração de impactos, avaliação das atividades e análise dos resultados.

Forma de Transferência

A proposta de disseminar esta Tecnologia Social é replicá-la para que atinja escala, ou seja, promover oficinas de formação artística em mosaico é um atrativo para que as pessoas conheçam a técnica e aprendam os detalhes de sua produção. A parceria com empresas e governos para promover oficinas artísticas em escala pode possibilitar que um número maior de pessoas se beneficiem da ação e em contrapartida disseminem o conhecimento em sua localidade. Comercializar as placas numéricas de mosaico, á preços populares, é também uma forma de contribuir para que os aprendizes gerem renda vendendo as placas numéricas e desta forma, também, contribuindo para que os imóveis de sua comunidade sejam identificados pelos serviços públicos e/ou privados de maneira que sejam incluídos socialmente.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Apresentação e imagensBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Quando morei na Espanha, conheci as obras do Gaudí, e me fascinei com a arte do mosaico.Eu decidi levar isso para a minha comunidade. Eu vi que existia um estigma: Vigário Geral passou a ser conhecido como “aquele lugar onde morreram tantas pessoas.” O principal adversário que eu tenho para vencer é o estigma.É contra esse preconceito de rótulo que eu luto: o de ser negro, pobre, Nordestino, Paraíba ou favelado. Com o mosaico, é possível criar um discurso contra o discurso. O projeto Inclusão Postal tem como objetivo estimular o sentimento de pertencimento, colocando placas de numeração de mosaico bonitas nas fachadas de casas de favelas.É um processo que envolve o morador ele que escolhe como vai ser a sua placa, a cor, o desenho, tudo! (Extraído de Memórias de um morador de Valmir Va