Diagnóstico Etnoambiental Participativo em Terras Indígenas

certificada 2011

Instituição
Associação de Defesa Etnoambiental Kaninde
Endereço
Rua Dom Pedro II, 1892. Sala 07. - Nossa Senhora das Graças - Porto Velho/RO
E-mail
israel@kaninde.org.br
Telefone
(69) 3229-2826
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Israel Correa do Vale Junior(69) 3229-2826israel@kaninde.org.br
Resumo da Tecnologia

A tecnologia social cria instrumentos importantes para as comunidades indígenas tomarem decisões sobre o uso dos recursos naturais e culturais, estabelecendo pontes com a sociedade nas áreas de ciências e gestão territorial.*{ods4},{ods8},{ods12},{ods13}*

Tema Principal

Meio ambiente

Problema Solucionado

A equipe da Kanindé, com toda sua experiência, percebeu que para ajudar as comunidades indígenas na gestão sustentável dos seus territórios e de suas comunidades, seria necessário juntar o melhor de todos os diferentes instrumentos existentes. A instituição reconheceu que terras indígenas são únicas pelo fato de combinarem fatores de proteção da biodiversidade, uso tradicional sustentável e ligação cultural e espiritual com a floresta. A metodologia cria, pela primeira vez, um diagnóstico das terras indígenas que une temas de biodiversidade, meio físico, socioeconômico e cultural a partir da história das comunidades. O trabalho é feito em conjunto com a comunidade indígena e impulsiona um processo de discussão interna sobre o futuro que é visualizado a partir dos instrumentos de etnozoneamento e do plano de gestão. A partir daí as comunidades poderão garantir que os projetos a serem elaborados e executados em suas terras busquem o desenvolvimento econômico consciente, além da geração de conhecimento e aprendizagem sociocultural, sobretudo para as futuras gerações.

Objetivo Geral

Promover o diálogo entre as ciências sociais, as exatas, as biológicas e a ciência indígena de forma a somar os esforços para a gestão etnoambiental do território indígena.

Objetivo Específico

-Descrever a cultura material e imaterial, aspectos políticos, econômicos, religiosos, jurídicos e a relação com o meio ambiente; -Listar as espécies de animais ameaçadas, raras, endêmicas e em extinção; -Descrever as principais ameaças; -Sugerir ações de conservação e manejo; -Identificar situações de conflito ou possível conflito e invasões; -Descrever os impactos socioambientais na região; -Diagnosticar junto à comunidade as expectativas, compreensão e potencialidades referentes ao manejo de recursos naturais, turismo etc.; -Realizar o ordenamento territorial de forma a garantir o uso consciente e o manejo dos recursos naturais, recuperação, conservação e preservação ambiental.

Solução Adotada

Para que o Diagnóstico Etnoambiental Participativo alcance seus objetivos, alguns passos são necessários: 1) A comunidade ou associação indígena deve convidar a entidade que executará o Diagnóstico Etnoambiental Participativo e o Plano de Gestão Etnoambiental. Em conjunto, os envolvidos devem elaborar o projeto e buscar instituições que possam apoiar sua execução. Os próximos passos dependerão do levantamento dos recursos financeiros; 2) Realização da primeira oficina organizada pela instituição promotora das atividades e pelos demais parceiros envolvidos. É recomendado que ela aconteça na própria aldeia; 3) A instituição promotora e a comunidade indígena devem, em conjunto, estabelecer os termos de referência para contratação de pesquisadores não indígenas; 4) A associação indígena (se houver) e a comunidade escolhem em conjunto os indígenas que farão parte da coordenação das pesquisas; 5) As pesquisas em torno da etnocultura, da biologia, do meio físico e socioeconômico são realizadas pelos pesquisadores indígenas e não indígenas. Os dados apurados com a pesquisa de campo deverão ser validados junto à comunidade; 6) O etnozoneamento é elaborado, logo após os levantamentos de campo, com os dados de pesquisas colhidos durante o processo de validação do diagnóstico. Este é realizado com a comunidade indígena, pesquisadores indígenas e não-indígenas, coordenadores do diagnóstico, associações indígenas e representantes de entidades que atuam naquela terra; 7) A última etapa é a elaboração do Plano de Gestão do Território. Este é realizado com a participação de toda a comunidade, associações indígenas, entidades governamentais e não governamentais que trabalham na terra indígena. Nele estão contidas as informações sobre o território e os planos de ação para o desenvolvimento de atividades de manejo de recursos naturais bem como da resolução de problemas do território. A partir daí, todos os parceiros da comunidade firmam compromisso na execução do plano de gestão.

Resultado Alcançado

-Seis terras indígenas com a metodologia aplicada; -Três terras indígenas com a metodologia em andamento atualmente; -Sete povos indígenas com ações planejadas que promovem o fortalecimento cultural, desenvolvimento sustentável e proteção ambiental; -Mais de 200 pesquisadores indígenas qualificados para a proteção e acompanhamento de pesquisas em seus territórios; -Nove organizações indígenas fortalecidas com o desenvolvimento das ações de gestão sustentável; -Mais de mil espécies da fauna brasileira pesquisadas pelas iniciativas de conservação ambiental desenvolvidos com a metodologia, incluindo endemismos e bioindicadores; -Quatro rituais indígenas resgatados; -Quatro prêmios conquistados e três indicados para associações indígenas.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Cacoal / RondôniaPaiter Suruí / Terra Indígena Sete de Setembro01/2000
Governador Jorge Teixeira / RondôniaJupaú, Amondawa / Terra Indígena Uru eu wau wau01/2002
Ji-Paraná / RondôniaIkolen, Karo / Terra Indígena Igarapé Lourdes01/2004
Humaitá / AmazonasParintintin / Terra Indígena Nove de Janeiro01/2005
Humaitá / AmazonasParintintin / Terra Indígena Ipixuna01/2006
Humaitá / AmazonasJiahui / Terra Indígena Jiahui01/2010
Oriximiná / ParáWai Wai, outros / Terra Indígena Nhamundá Mapuera e Terra Indígena Trombetas Mapuera01/2011
Rondolândia / Mato GrossoZoró / Terra Indígena Zoró01/2011
Aripuanã / Mato GrossoCinta Larga / Terra Indígena Roosevelt01/2011
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Povos indígenas
Quantidade: 17
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Biólogo(a)4
Antropologo(a)1
Geógrafo(a)1
Engenheiro(a) Florestal1
Historiador(a)1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

-Mapas; -Relatórios; -Veículo 4x4; -Barco com motor; -Receptor GPS; -Máquina fotográfica ou filmadora; -Binóculo; -Equipamentos de pesquisa; -Gravadores; -Computadores; -Redes de pesca; -Pás.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

R$ 400.000,00.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Equipe de Conservação da Amazônia - ACT BrasilImplementadora
Associação Metareilá do Povo Indígena SuruíImplementadora
Associação do Povo Indígena ZoroImplementadora
Associação do Povo Indigena Uru eu wau wauImplementadora
Associação do Povo Indígena AmondawaImplementadora
Organização PadereéhjImplementadora
Organização do Povo Indígena Parintintin do AmazonasImplementadora
Associação do Povo Indígena JiahuiImplementadora
Associação dos Povos Indígenas do MapueraImplementadora
Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta LargaImplementadora
Secretaria de Meio Ambiente do Pará - Governo do ParáImplementadora
Impacto Ambiental

-Fortalecimento de organizações indígenas através da gestão sustentável; -Registros notáveis da fauna realizados, servindo como subsídio para a gestão da biodiversidade; -Manejo de recursos naturais realizado de forma responsável.

Forma de Acompanhamento

-Quantidade de relatórios técnicos elaborados e validados pela comunidade; -Número de mapas temáticos elaborados e validados pela comunidade; -Relatório final elaborado, validado pela comunidade e entregue; -Plano de Gestão territorial elaborado pela comunidade; -Etnozoneamento territorial elaborado pela comunidade.

Forma de Transferência

Todos os indígenas que já implementaram o plano de gestão em seus territórios podem ser multiplicadores. Também existe a seguinte publicação: "Kanindé – Associação de Defesa Etnoambiental. Metodologia de diagnóstico etnoambiental participativo e etnozoneamento em terras indígenas". Brasília: ACT Brasil Ed., 2010.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Metodologia Diagnóstico Etnoambiental ParticipativoBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologia