Ecos do Bem: Educação Ambiental no Território do Bem

vencedora 2011

Instituição
Associação Ateliê de Ideias
Endereço
Rua Tenente Setúbal, 93 - São Benedito - Vitória/ES
E-mail
ateliedeideias@ateliedeideias.org.br
Telefone
(27) 98807-2457
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Denise Barbieri Biscotto(27) 8118-7676denisebbiscotto@gmail.comfacebook: Denise Barbieri Biscotto http://ideiasdoatelie.blogspot.com/ http://www.ateliedeideias.org.br/
Resumo da Tecnologia

Moradores do Território do Bem (Vitória – ES) se organizam, promovem educação ambiental e revitalizam terrenos degradados nas comunidades. Pontos sujos, onde se deposita lixo de maneira inapropriada, são ameaças ao desenvolvimento local sustentável e oferecem risco às famílias moradoras de morros.*{ods4},{ods13},{ods15}*

Tema Principal

Meio ambiente

Tema Secundário

Educação

Problema Solucionado

O fórum de moradores “Bem Maior”, em parceria com o Ateliê de Ideias, constatou que o principal problema ambiental das oito comunidades que compõem o Território do Bem são os pontos sujos, onde se depositam os resíduos de maneira inapropriada, dado seus efeitos deletérios (nicho para insetos e animais vetores de doenças, mau cheiro e degradação do entorno) podendo, nos casos de chuva forte, levar à deslizamentos e enchentes.

Objetivo Geral

Contribuir com o desenvolvimento local sustentável do Território do Bem (em Vitória, Espírito Santo), a partir da revitalização de áreas degradadas e da conscientização da população local sobre a boa gestão dos resíduos – em especial, a separação e destinação eficiente dos lixos (seco e úmido).

Objetivo Específico

- Reduzir os pontos sujos no Território do Bem através da mobilização e articulação de moradores e demais atores locais para intervenções e ações de preservação dos espaços públicos e coletivos; - Sensibilizar e educar os moradores e atores locais sobre o senso de pertencimento e de responsabilidade socioambiental em relação aos espaços públicos e coletivos do Território do Bem; - Aprimorar e democratizar as políticas públicas e os modelos de gestão de resíduos aplicados no Território do Bem a partir do diálogo fluido e constante de atores locais com os gestores dos órgãos públicos competentes.

Solução Adotada

O programa “Ecos do Bem” é um dos componentes do plano “Bem Maior” (plano estratégico participativo do território). É uma estratégia da própria comunidade para promover a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável local. A partir de alianças entre lideranças locais, comunidades, organizações da sociedade civil, universidade e administração municipal, diversas medidas estratégicas foram realizadas para viabilizar a revitalização de áreas degradadas e a conscientização da população local sobre a boa gestão dos resíduos: - Mobilização de atores internos e externos ao território para organização e planejamento das atividades do projeto; - Articulação de lideranças comunitárias para organização dos mutirões comunitários; - Mapeamento dos pontos sujos e seleção dos locais prioritários para intervenções; - Visitas aos domicílios das comunidades para entregar material de educação ambiental; - Intervenções nos pontos sujos selecionados. O primeiro passo foi a mobilização de lideranças comunitárias do Território do Bem por meio de participações nas plenárias do fórum “Bem Maior”. Em seguida, com o envolvimento de lideranças e de estudantes do EMAU/UFES (Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo), realizou-se o mapeamento dos pontos sujos da região. A partir de um mapa-base de cada bairro, foram feitos registros que subsidiaram o entendimento de cada local crítico na região. Foram apresentadas em plenárias do fórum as informações do mapeamento, que viabilizaram o processo de escolha e validação dos pontos sujos pelos moradores, sendo eleitos eixos principais dentro da área de abrangência do Mutirão do Bem. Por meio de metodologia participativa, envolveram-se: fórum Bem Maior, estudantes universitários, voluntários provenientes de 11 países articulados pelo CISV Internacional (Children's International Summer Villages, organização não governamental vinculada à UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), EMAU/UFES, ONG Moradia e Cidadania, Comitê de voluntários do Banco do Brasil e outros voluntários, além do governo municipal de Vitória. Concluída a mobilização dos atores e a articulação das lideranças o grupo de trabalho - criado durante o andamento do projeto para atuar como facilitador do processo – passou a serem desenvolvidas as ações preparatórias e foi realizado, entre 04 a 19 de janeiro de 2011, a campanha “Mutirão do Bem – Valorizando o Lugar em que Vivemos”, que visava a erradicação dos pontos sujos de lixo nas comunidades do Território do Bem. Com a participação de 165 pessoas, o projeto mobilizou moradores, desenvolveu campanhas de educação, intervenção e sensibilização ambiental e dialogou com autoridades governamentais responsáveis pela coleta do lixo seco. Adicionalmente, ocorreram também processos de sensibilização dos moradores do entorno dos pontos sujos para que estes conseguissem gerir, com maior eficiência, seus lixos secos e úmidos. Foram realizadas campanhas diárias de sensibilização e educação ambiental no território. A partir da capacitação de 165 pessoas participantes do projeto, organizaram-se equipes de três pessoas que foram às ruas das oito comunidades do território e visitaram as famílias em suas casas, demonstrando a importância da separação dos resíduos e de seu não descarte em espaços públicos. Foram utilizados materiais didáticos, incluindo um conjunto de exemplares de diversos resíduos sólidos e úmidos, o que convidava os próprios moradores a simular a separação do lixo. Além da educação ambiental, participantes se reuniram para realizar a limpeza e intervenções urbanísticas em pontos sujos considerados prioritários, transformando-os em espaços coletivos de convivência. As intervenções também foram planejadas e executadas de modo participativo, utilizando, inclusive, materiais alternativos e recursos das próprias comunidades.

Resultado Alcançado

Foi realizado o mapeamento de 216 pontos sujos no Território do Bem. De acordo com o centro de controle de zoonoses da Prefeitura Municipal de Vitória, em duas semanas, os participantes do projeto trabalharam a sensibilização e a educação ambiental em 2.173 domicílios e distribuíram 1.450 contentores de lixo doméstico, a partir da prévia constatação de que muitos moradores do local sequer tinham lixeiras em casa. Realizou-se também a limpeza de seis pontos sujos. Destes, dois terrenos foram transformados em parques e jardins das comunidades Jaburu e Floresta, localizados em regiões de morro e onde antes só havia lixo. Comunidades e voluntários retiraram mais de seis caminhões de lixo dos locais e criaram pontos de atividades recreativas, incluindo uma horta comunitária. Na comunidade de Floresta as crianças batizaram o local de Parque da Amizade e agora utilizam frequentemente essa área de lazer, que conta com amarelinha e pista de carrinho pintados no chão e outros brinquedos feitos com aproveitamento de materiais. Já no Jaburu, além do passatempo para crianças – que deram ao espaço o nome de Parque do Bem – foram criados uma horta e espaços de convivência para os adultos e jovens. Um fato interessante foi o envolvimento de moradores do bairro na continuidade das obras dos parques e no seu cuidado, mesmo após o término das atividades. Outra conquista do projeto foi a instalação de mais equipamentos de coleta seletiva no território e, como consequência, constatou-se o aumento do volume de lixo seco depositado neles pelos moradores. Vale destacar outro impacto alcançado pelo projeto: efetivou-se a abertura de diálogo para a elaboração de uma política participativa de gestão de resíduos entre moradores mais conscientes e organizações mais sensibilizadas para a resolução do problema. Além da elaboração de um estudo de caso referente à iniciativa “Mutirão do Bem” (que está participando de seleção mundial, promovida pela Global Network for Disaster Reduction) e do trabalho técnico “Ecos do Bem: Educação Ambiental no Território do Bem” (selecionado para o terceiro seminário da região sudeste do Brasil sobre resíduos sólidos, promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), o projeto possibilitou realização de parceria com o programa “Férias Solidárias”, da Fundação Arcelor Mittal, que, em julho de 2011, contou com a participação de 10 voluntários de outros países nas ações realizadas.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Vitória / Espírito SantoSão Benedito12/2010
Vitória / Espírito SantoJaburu01/2011
Vitória / Espírito SantoItararé e Engenharia01/2011
Vitória / Espírito SantoConsolação e Bonfim01/2011
Vitória / Espírito SantoBairro da Penha01/2011
Vitória / Espírito SantoFloresta01/2011
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Lideranças Comunitárias
Famílias de baixa renda
Quantidade: 23
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Coordenador Geral – com formação consistente em ciências humanas e ampla experiência em mobilização social e em projetos de desenvolvimento comunitário. O ideal é que tenha um histórico de relacionamento na comunidade-alvo da ação. A atribuição deste profissional é gerenciar os recursos diversos do projeto, articular as pessoas envolvidas, supervisionar, definir as diretrizes e padrões para desenvolvimento da metodologia e orientar a equipe de trabalho para realização das atividades planejadas.1
Coordenador Técnico-Operacional – com formação em ciências humanas, ambientais ou afins e com experiência (superior a 3 anos) em projetos socioambientais, com destaque para área de educação ambiental. Este profissional irá contribuir no desenvolvimento e na aplicação da metodologia, e irá administrar a realização das atividades em campo, articular os recursos humanos e físicos do projeto, registrar as ações e produzir relatórios de monitoramento e acompanhamento.1
Agentes Comunitários/Ambientais – preferencialmente moradores da comunidade, com formação técnica e com experiência na mobilização social e organização de atividades coletivas. Esses profissionais irão conduzir as atividades no dia a dia, mobilizar e organizar os moradores nos mutirões e participar de todo planejamento e avaliação do projeto.4
Estagiários de Arquitetura – com perfil para trabalho comunitário e que tenha conhecimentos plenos sobre urbanismo. Estes estagiários (ou este profissional) irão orientar os microprojetos de intervenção para transformação dos pontos sujos de lixo.4
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

É necessário o emprego de recursos materiais em duas etapas específicas da implantação da tecnologia: durante as visitas aos domicílios para educação ambiental e nas ações de intervenção urbanística para revitalização dos pontos sujos de lixo. Para a primeira, é necessário dispor de recursos didáticos adequados para garantir a compreensão e o envolvimento dos moradores conscientizados. A estratégia adotada por esta ação trabalhou com álbuns seriados, bolsas feitas de banners, exemplares de lixos (secos, úmidos e contaminados) reaproveitados, cartazes, adesivos e cartilhas. Para a segunda, é necessário ter material de construção, equipamentos e instrumentos apropriados para as obras (a intervenção propriamente dita). A especificação desses materiais, equipamentos e instrumentos variam de acordo com cada terreno e o projeto arquitetônico/urbanístico desenvolvido para a revitalização (o que também é determinante para o custo final da reaplicação da experiência).

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Quanto maior a capacidade de mobilização de parceiros, menor será o investimento na implantação da tecnologia. Considerando a falta de parceiros, a previsão de investimento para que essa experiência seja reaplicada é de R$ 100 mil, para uma comunidade específica, trabalhando com cerca de duas mil famílias, limpando três terrenos e fazendo intervenções urbanísticas em um terreno (ponto sujo).

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
CAIXA/PNUDSuporte financeiro para compra de bolsas de banner e camisetas e contratação de cobertura audiovisual.
Gráfica da UFESImpressão de materiais didáticos.
Fíbria, Cobra Engenharia e PadariasDoação de lixeiras domésticas.
ONG Moradia e Cidadania dos Empregados da CAIXAParticipação de voluntários e doação de um café comunitário para 200 pessoas.
Comitê de Voluntários do Banco do BrasilParticipação de voluntários e doação de um café comunitário para 200 pessoas.
CISV BrasilParticipação de 40 voluntários e suporte financeiro para compra de camisetas, materiais de construção.
UFES/Escritório Modelo de Arquitetura e UrbanismoParticipação de estudantes e realização do mapeamento dos pontos sujos de lixo.
Centro Educacional Charles DarwinCessão de escola para alojamento de 31 voluntários estrangeiros.
UNIMED VitóriaPagamento dos serviços de dois agentes ambientais moradoras do Território do Bem.
Secretaria Municipal de Direitos Humanos - Vitória/ESEmpréstimo de auditório para treinamento das equipes de campo e empréstimo de uma barraca para a realização do Café Comunitário do Morro do Floresta.
Secretaria Municipal de Saúde - Vitória/ESCessão de agentes ambientais e de saúde para realização de visitas às famílias, juntamente com voluntários participantes do projeto.
Secretaria Municipal de Serviços – Vitória/ESInstalação de nove equipamentos para coleta seletiva e limpeza de ruas nas imediações dos locais sujos trabalhados pelo projeto.
Secretaria Municipal de Serviços – Vitória/ESInstalação de nove equipamentos para coleta seletiva e limpeza de ruas nas imediações dos locais sujos trabalhados pelo projeto.
Secretaria Municipal de Gestão Estratégica – Vitória/ESParticipação de técnicos, doação de dois cafés comunitários para 200 pessoas.
Secretaria Municipal de Educação – Vitória/ESFornecimento de café da manhã, almoço e lanches e cessão de ônibus para os 31 voluntários estrangeiros.
Secretaria Municipal de Meio Ambiente – Vitória/ESDoação de plantas para criar um jardim em um espaço que era o ponto de depósito de resíduos.
Secretaria Municipal de Obras – Vitória/ESAdaptação de espaços físicos para instalação de equipamentos de coleta seletiva.
Impacto Ambiental

- Conscientização de moradores sobre a importância da separação e destinação adequada dos lixos seco e úmido, promovendo mudança de comportamento e contribuindo com a não formação de novos pontos sujos; - Limpeza de terrenos; - Eliminação de pontos sujos de lixo; - Em longo prazo, espera-se a consolidação de um ambiente mais seguro e com menos riscos à saúde coletiva. Além disso, haverá menor risco de desastres naturais, pois o lixo acumulado é um fator agravante nos casos de chuva forte.

Forma de Acompanhamento

O monitoramento ocorre a partir de registro escrito e visual das atividades e comparação com metas firmadas. A avaliação ocorre em três níveis: processos (qualidade, eficiência e participação dos moradores e voluntários), efeitos (mudanças de comportamento e revitalização de pontos sujos de lixo) e impactos (na esfera de políticas públicas e cultura comunitária). Meios de verificação: questionários para entrevistas com moradores, relatórios internos e observação empírica dos espaços trabalhados.

Forma de Transferência

O lixo é uma questão tangível para comunidades de baixa renda. Seus impactos negativos são facilmente perceptíveis e podem ser diretamente trabalhados por meio de arranjos locais. O primeiro passo é o diagnóstico da realidade socioambiental, seguida da análise das potencialidades e oportunidades para implantação da experiência. O repasse pode ser feito por meio de treinamento da equipe executora e de lideranças comunitárias. Um guia escrito para as equipes de reaplicação contribuirá para que a maior parte das questões operacionais e táticas sejam solucionadas. Os registros das atividades e a sistematização do conhecimento produzidos neste projeto são um de seus principais ativos.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Recurso Didático utilizado no Mutirão do Bem - Projeto Ecos do BemBaixar
Projeto Ecos do Bem: Educação Ambiental no Território do BemBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

A partir da mobilização e participação de diversos atores a experiência ganhou lastro para se manifestar em experiências complementares. Entre elas: - Lideranças continuam empreendendo iniciativas para erradicar pontos sujos de lixo; - Estudo de caso da experiência em seleção mundial, promovida pela Global Network for Disaster Reduction (GNDR); - Parceria com o Programa Férias Solidárias, da Fundação Arcelor Mittal, que, em julho de 2011, trará 10 voluntários de outros países para o Morro do Jaburu, visando dar continuidade ao Mutirão do Bem; - Elaboração do prêmio “Beco Limpo e em Cores”, que será lançado em agosto e implementado em setembro e outubro de 2011; - Campanha “Adote a Transformação de um Ponto Sujo de Lixo”, que será desenvolvida durante todo o ano de 2011.