Equipamentos para Reabilitação desenvolvidos em PVC

certificada 2011

Instituição
Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
Endereço
Av. Sete de Setembro n.º 3165 - Centro - Curitiba/PR
E-mail
godke@utfpr.edu.br
Telefone
(41) 3310-4652
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Francisco Gödke(41) 3310-4659godke@utfpr.edu.br
Resumo da Tecnologia

Canos de PVC (tubulações de plástico usadas em redes de água fria) foram utilizados como matéria prima para a confecção de equipamentos destinados à reabilitação de pessoas com deficiência motora. Assim, andadores e engatinhadores, cadeira postural e uma prancha ortostática foram desenvolvidos.*{ods3},{ods8}*

Tema Principal

Saúde

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

A Escola de Integração e Recuperação da Criança Excepcional (ERCE) é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos que atende aproximadamente 320 alunos com significativo comprometimento cognitivo associado ou não a deficiência física, cegueira, surdez e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, na faixa etária de 0 a 57 anos. Devido a maioria das pessoas com deficiência, frequentadoras desta instituição, possuírem limitações motoras, surge a necessidade, além de um acompanhamento multidisciplinar por profissionais de diferentes áreas tais como psicologia, fisioterapia e terapia ocupacional, da utilização de diferentes equipamentos que possam auxiliar no desenvolvimento de suas funções motoras. Como a instituição carece de recursos financeiros, a mesma não possuía equipamentos específicos em auxílio à reabilitação das pessoas que atende. Assim, através da parceria entre a ERCE e a Universidade Tecnológica, concretizada através do envolvimento de pais, profissionais da escola e alunos, passaram a ser desenvolvidos semestralmente equipamentos em PVC em auxílio à reabilitação de pessoas com diferentes quadros de deficiência intelectual e física.

Objetivo Geral

Possibilitar que pessoas de baixa renda tenham acesso a diferentes recursos tecnológicos em apoio à sua reabilitação e melhora de qualidade de vida. E corroborar com o trabalho dos fisioterapeutas disponibilizando recursos técnicos de baixo custo em apoio ao trabalho que desenvolvem.

Objetivo Específico

- Contribuir na reabilitação das pessoas que se utilizem das diferentes tecnologias desenvolvidas; - Permitir que pessoas leigas possam construí-los e, quando necessário, possuí-los em suas residências, devido a sua fácil fabricação (montagem tipo “Lego”); - Demonstrar ser possível a confecção de equipamentos destinados a reabilitação, se utilizando de matéria prima facilmente encontrada no mercado e de baixo custo; - Demonstrar ser possível a confecção de equipamentos sem a necessidade de pessoas capacitadas e ferramental específico; - Possibilitar ao corpo discente um envolvimento de extensão, fazendo com que apliquem seus conhecimentos em prol da comunidade menos favorecida.

Solução Adotada

A idéia de desenvolver tecnologia assistiva partiu de uma disciplina Tecnologia Assistiva ministrada em agosto de 2010. A avaliação dessa disciplina por parte dos alunos contava como requisito para aprovação o desenvolvimento de uma tecnologia (projetar, desenvolver e testar) destinada à reabilitação de pessoas com deficiência. Também foi estabelecido como requisito, a utilização de materiais de baixo custo e facilmente encontrados e cuja confecção não solicitasse grandes habilidades e maquinários específicos para quem se interessasse na sua reprodução. Em seguida, os alunos deveriam escolher casos reais de pessoas portadoras de deficiência como modelo para desenvolver a tecnologia. Para isso, a universidade estabeleceu uma parceria com a Escola de Integração e Recuperação da Criança Excepcional (ERCE), responsável pelo apoio à reabilitação física dos mesmos. A maioria das famílias atendidas pela escola são de baixa renda. Desta forma, buscou-se não somente a parceria para “pinçar” casos reais, mas para fazer com que houvesse a possibilidade de uma atividade multidisciplinar envolvendo diferentes profissionais da área da saúde, alunos da universidade, familiares das pessoas com deficiência envolvidas nos estudos e os maiores beneficiárias, os próprios deficientes. Como havia o consenso de que os equipamentos que viessem a ser desenvolvidos poderiam ser reaplicados (daí a necessidade de uma patente aberta), principalmente por familiares que desejassem tê-los em sua residência, optou-se pela utilização do PVC (utilizado na construção civil). Além do baixo custo, a montagem dos equipamentos poderia ser feita por encaixe, o que dispensaria a necessidade de maquinários especiais para a confecção das peças. Para que os equipamentos projetados também pudessem ser copiados, foi solicitado aos alunos que, quando da entrega do equipamento a ERCE, fosse disponibilizado um manual de montagem. De agosto de 2010 a junho de 2011, foram projetados 11 equipamentos, sendo 6 em PVC e 5 em estrutura de aço. Todos vêm sendo utilizados pela ERCE, encontrando-se, no que ficou estabelecido, de “fase de testes”. Somente a partir do momento que passe por essa fase, inicialmente acordado um período de 6 meses, é que será disponibilizada a sua cópia. O manual para reprodução pode ser disponibilizado pela própria escola ou pode ser obtido pelo site. Já os equipamentos que necessitam de mudanças em nível de projeto, são retirados da escola e passam a ser analisados pelas novas turmas que são matriculadas na disciplina. Por outro lado, uma preocupação em relação a utilização do PVC, foi a questão relacionada a sua resistência mecânica. Desta forma, alguns testes já foram realizados em laboratórios da universidade e apontam favoravelmente para sua utilização com alto grau de segurança.

Resultado Alcançado

A primeira tecnologia desenvolvida foi um “engatinhador” (equipamento esse que não existe no mercado nacional) para possibilitar que uma criança de 3 anos, com cardiopatia congênita, pudesse ter seu tronco elevado a fim de possibilitar a realização do movimento de engatinhar. Após 3 meses de projeto, os alunos apresentaram o “engatinhador com suspensão de tronco”. Este equipamento passou a ser utilizado não só pela criança selecionada mas também por crianças com síndrome de down (que normalmente não executam a fase do engatinhar e passam a ter comprometimentos motores na fase do caminhar), e crianças que, ao possuir alguma deficiência física ou ausência de controle de tronco, não conseguem ficar na posição de engatinhar sem a ajuda de terceiros. Outra tecnologia projetada foi a de um engatinhador porém com apoio de tronco - “engatinhador aranha” - para uma criança hemiplégica que não conseguia sustentar o próprio tronco. Outras crianças foram beneficiadas, como é o caso de um menino portador de uma tetraplegia grave decorrente de uma paralisia cerebral. Essa criança não desenvolveu de forma satisfatória a sua estrutura vertebral, tanto a parte muscular quanto a óssea, no entanto, ao utilizar o equipamento, consegue realizar a extensão da cabeça e do tronco passando a reforçar e desenvolver sua estrutura vertebral. Outra tecnologia desenvolvida foi um andador com sustentação de tronco para permitir que crianças com encefalopatia crônica e que possuem quadro de epilepsia, pudessem andar. Interessante observar que esse equipamento também passou a ser utilizado por uma criança de 3 anos que não conseguia sentar. A vestimenta que foi projetada permitiu sua sustentação na forma sentada, fazendo com que os fisioterapeutas pudesse “acoplar” uma cadeira por baixo da vestimenta. Assim, a criança passou a ficar na posição sentada. Segundo os fisioterapeutas, alí se concretizou a possibilidade de reabilitá-la para aquela posição. Já para que as pessoas adultas pudessem andar sem ajuda de terceiros, um andador com regulagem de altura foi desenvolvido. Atualmente encontra-se em fase de construção uma prancha ortostática e uma cadeira postural, a ser utilizada por pessoas com quadro de tetraplegia. De agosto de 2010 a junho de 2011, foram projetados 11 equipamentos, sendo 6 em PVC e 5 em estrutura de aço. Todos vêm sendo utilizados pela ERCE, encontrando-se, no que ficou estabelecido, de “fase de testes”.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Campo Largo / ParanáEscola de Integração e Recuperação da Criança Excepcional12/2010
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Portadores de deficiência
Quantidade: 30
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Uma pessoa leiga com capacidade de leitura e interpretação de texto além de alguma habilidade manual para cortar e colar PVC1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Como cada tecnologia desenvolvida em PVC é específica, pode-se apresentar a relação dos recursos materiais das que foram utilizadas para os seguintes equipamentos: - Engatinhador com suspensão de tronco: Materiais: tubos e conexões de PVC 25 mm, rodízios giratórios, cola de PVC, tecido, velcro. Equipamentos: 1 bancada para montagem, uma morsa para fixação do PVC, uma serrinha manual para o seu corte e uma furadeira manual pequena. O suporte desenvolvido em tecido para sustentação do tronco da criança pode ser confeccionado por um profissional de costura. - Engatinahdor aranha: Materiais: tubos e conexões de PVC 25mm; rodízios giratórios, cola de PVC, madeira, espuma e corvim (para confecção do assento). Equipamentos: 1 bancada para montagem, uma morsa para fixação do PVC, uma serrinha manual para o seu corte e uma furadeira manual pequena. O assento pode ser mandado confeccionar em um estofador. - Andador com sustentação de tronco: Materiais: tubos e conexões de PVC 50mm; rodízios giratórios, cola de PVC. Equipamentos: 1 bancada para montagem, uma morsa para fixação do PVC, uma serrinha manual para o seu corte e uma furadeira manual pequena. - Andador com regulagem de altura: Materiais: tubos e conexões 50mm, tubos e conexões 40mm, rodízios giratórios, cola de PVC. Equipamentos: 1 bancada para montagem, uma morsa para fixação do PVC, uma serrinha manual para o seu corte e uma furadeira manual pequena.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Engatinhador com suspensão de tronco: - Custo aproximado: R$ 70,00 Engatinahdor aranha: - Custo aproximado: R$ 80,00 Andador com sustentação de tronco: - Custo aproximado: R$ 190,00 Andador com regulagem de altura: - Custo aproximado: R$ 230,00

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Escola de Integração de Recuperação da Criança ExcepcionalIndicação das necessidades em termos de recursos tecnológicos para possibilitar a realização da reabilitação dos deficientes que atende e posterior testes das soluções tecnológicas implementadas.
Universidade Tecnológica Federal do ParanáProjeto e desenvolvimento dos equipamentos em atendimento as necessidades apontadas pela Escola de Integração e recuperação da Criança Excepcional
Impacto Ambiental

O impacto ambiental negativo não se aplica diretamente. Entretanto, o uso de canos de PVC, podendo ser aqueles descartados, retira do meio ambiente um resíduo que não seria utilizado e que passará a ser.

Forma de Acompanhamento

A avaliação das tecnologias implementadas ocorre no dia a dia por profissionais, tais como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e psicólogas, através da sua utilização junto ao público alvo que são as pessoas com deficiência atendidas pela escola. Os resultados já podem ser observados pela evolução clínica que algumas dessas pessoas. Como exemplo pode se citado o caso da criança com cardiopatia congênita que após se utilizar do engatinhador por curto período, já caminha.

Forma de Transferência

A disseminação de todas as tecnologias desenvolvidas em PVC ocorrerá a partir da interação entre universidade e comunidade no processo de desenvolvimento de soluções alternativas que venham beneficiar principalmente aquela parcela da população menos favorecida. Para que os equipamentos projetados também pudessem ser copiados, foi solicitado aos alunos que, quando da entrega do equipamento a ERCE, fosse disponibilizado um manual de montagem. A reaplicação da tecnologia é possível a partir do manual de fabricação dos equipamentos. Nesse manual são apresentados os materiais necessários e também fornecido o passo a passo para o corte e montagem do produto final nos anexos.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Cadeira Postural RegulávelBaixar
Prancha ortostática para crianças com tetraplegiaBaixar
Engatinhador com suspensão de troncoBaixar
Engatinhador com suspensão de troncoBaixar
Engatinhador com apoio de troncoBaixar
Andador para adultosBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Quando se implementa projetos como os apresentados, em instituições como a ERCE, que carece de recursos materiais observa-se que o alcance da solução tecnológica implementada vai além daquilo para o qual foi projetada. Assim, um mesmo equipamento passa a atender variadas expectativas em se tratando de reabilitação. Mesmo que ela não consiga engatinhar, devido às restrições que a deficiência física lhe impõe, uma criança ao ser colocada em um engatinhador com sustentação de tronco, por exemplo, passa a realizar movimentos (muitas vezes involuntários) que favorecem a reabilitação de seu tônus muscular e/ou melhora a circulação sanguinea em determinada região e/ou a coloca em uma posição física de maior conforto e/ou a obriga-a utilizar partes do corpo que sem o equipamento não usaria.