Fique de Olho, pode ser Câncer Infanto-Juvenil

finalista 2011

Instituição
Associação dos Amigos das Crianças com Câncer (AACC/MS)
Endereço
Avenida Ernesto Geisel, 3475 - Orpheu Bais - Campo Grande/MS
E-mail
projeto1@aacc-ms.org.br
Telefone
(67) 3322-8044
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Marcelo dos Santos Souza(67) 3378-2631marcelo_ss@uol.com.br
Regina Filipini(67) 3322-8044projeto1@aacc-ms.org.br
Therezinha Alencar Selem(67) 3322-8003taselem@oi.com.br
Resumo da Tecnologia

Tem como foco o diagnóstico precoce do câncer através da capacitação de profissionais da saúde (médicos, não médicos e agentes de saúde) quanto aos sintomas e sinais do câncer infanto-juvenil. Atua em Mato Grosso do Sul, esclarecendo a população sobre a rede de referência e o tratamento.*{ods3},{ods4}*

Tema Principal

Saúde

Tema Secundário

Educação

Problema Solucionado

Dados do Instituto Nacional de Câncer constatam que o câncer infanto-juvenil é a segunda ‘causa mortis’ da faixa etária de 5 a 19 anos, mas, apesar disto, sua inclusão como prioridade na área da saúde não é garantida. Em MS, antes da existência da AACC/MS (Associação dos Amigos das Crianças com Câncer) e do CETOHI (Centro de Tratamento Onco-hematológico Infantil), o percentual de cura de câncer em crianças e adolescentes era de 4%. Hoje, depois do início desta tecnologia social, este percentual é de 67%. Também houve aumento da parcela de diagnósticos realizados precocemente, o que implica em prognósticos mais favoráveis. Em pesquisa realizada com dados dos pacientes atendidos no CETOHI desde 2000, foi contatada a demora de assunção por parte do médico pediatra ou generalista da hipótese de câncer infanto-juvenil, dada a falta de percepção dos sintomas e sinais. Esta TS busca reverter este quadro. Segundo dados fornecidos pela AACC/MS, de 2000 a 2007 no CETOHI, a frequência de pacientes com diagnóstico tardio era grande, sendo a média anual de óbitos de 18 pacientes. De 2008 a 2010, após ação desta TS, observa-se um decréscimo no número de óbitos para 14, uma diferença de 23%.

Objetivo Geral

O “Fique de Olho, pode ser Câncer Infanto-Juvenil”, visa capacitar profissionais de saúde, do programa de saúde da família e da atenção básica, para os principais sinais e sintomas do câncer infanto-juvenil, visando o diagnóstico precoce da oncologia pediátrica em Mato Grosso do Sul.

Objetivo Específico

Esta tecnologia social faz parte do Programa de Diagnóstico Precoce promovido pelo Instituto Ronald McDonald (IRM), com abrangência nacional e que tem a missão de multiplicar o conhecimento entre profissionais de saúde que tratam ou cuidam de crianças e adolescentes, reduzindo as taxas de óbito nesta faixa etária decorrentes do desconhecimento dos sintomas e sinais da doença. Tem por objetivos específicos: - Levar conhecimento aos profissionais da saúde da rede pública para a percepção de sintomas e sinais do câncer; - Agilizar o encaminhamento do paciente, no caso de suspeita de diagnóstico de câncer; - Estabelecer, com as Secretarias de Saúde/MS e as redes de referência e contra referência, metas para a redução do tempo de espera de tratamento pelo paciente; - Criar uma rede de facilitadores nos municípios – via Secretaria de Saúde – para a redução de burocracia nos encaminhamentos de pacientes; - Atingir todo o Estado de MS com esta capacitação até 2013.

Solução Adotada

Em 2008, esta tecnologia social teve início em Campo Grande, permitindo a capacitação de 551 profissionais de saúde. No mesmo ano, também foi iniciado processo de capacitação no interior do estado, abrangendo mais 291 profissionais. Esta ação prioriza municípios caracterizados pela Secretaria de Estado de Saúde de MS como principais "polos de atendimento do SUS" e aqueles onde mais se detecta o câncer infanto-juvenil no estado, ou seja, onde está o maior número de pacientes. Do ponto de vista metodológico, o conteúdo do "Fique de Olho, pode ser Câncer Infanto-Juvenil" foi dividido em dois módulos, distribuídos em uma carga horária de 24 horas para cada capacitação, realizados durante três dias, através de aulas expositivas e interativas. No Módulo I a capacitação foca na doença propriamente dita. Estando a cargo de médicos especialistas, o curso trata temas como: leucemia, linfoma, retinoblastoma, tumor de sistema nervoso central, epidemiologia, tumores de partes moles, osteosarcoma, cuidados paliativos, câncer de cabeça e pescoço. No módulo II a capacitação foca na qualidade de vida do paciente. Sob a responsabilidade de profissionais que não da área médica, são tratados os temas do papel do programa de Saúde da Família na atenção oncológica, os principais aspectos de comportamento pós-diagnóstico, a humanização do tratamento oncológico, a reinserção da criança e adolescente na política nacional de atenção oncológica, os direitos e deveres do paciente e a nutrição no tratamento oncológico infanto-juvenil. No início e no final de cada capacitação aplicam-se testes para avaliação do impacto do conhecimento sobre os cursistas. Ao final de cada etapa os relatórios são enviados ao IRM para avaliação, da qual participam os coordenadores do projeto visando trocas de experiências entre as diversas regiões do país. Esta tecnologia envolve, de forma direta, segmentos importantes da sociedade local que passam a compreender seu alcance social na medida em que informações nela contidas aumentam as chances de vida de crianças e adolescentes com câncer. A Secretaria de Estado de Saúde de MS participa de forma objetiva tornando essa capacitação obrigatória para aos profissionais do programa de Saúde da Família. A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul incentiva médicos pediatras residentes para que participem da capacitação e oferece recursos de infraestrutura. A Sociedade de Pediatria de MS contata todos os pediatras dos municípios onde as atividades de capacitação são realizadas para que os mesmos participem. A mídia dos municípios informa para a população em geral as possibilidades de cura do câncer com diagnóstico precoce e tratamento adequado, quando da realização das capacitações através de spots, material gráfico e entrevistas com os professores do curso. Lideranças locais participam das aberturas dos cursos fortalecendo a importância social do evento. Na fase de implantação em 2008, o IRM convocou as cinco regiões representadas pelas instituições selecionadas por edital para compor o projeto piloto de avaliação conjunta e redefinição dos parâmetros e metodologias, a partir dos quais traçou as normas para a implantação do Programa Diagnóstico Precoce nas diversas regiões do país. O “Fique de Olho pode ser câncer Infanto-Juvenil”, apoiado pelo IRM, passa por monitoramento periódico e avaliação anual e, internamente, pela auto-avaliação da equipe de execução. O Portal do Diagnóstico Precoce do Câncer Infanto-juvenil, instituído pelo IRM, visa à interação entre médicos já capacitados pelo programa, contribuindo com a identificação precoce do câncer em crianças e adolescentes e reduzindo o tempo entre o aparecimento dos sintomas e o diagnóstico, favorecendo a cura. Este portal passa a ser disponibilizado para os médicos a partir da conclusão da capacitação.

Resultado Alcançado

Até dezembro de 2010 esta tecnologia atingiu 23 municípios do MS e capacitou 2.802 profissionais, tendo ainda por meta atingir os 78 municípios de MS em cinco anos, aglutinando localidades menores nos polos estabelecidos pela Secretaria de Estado da Saúde. Em termos qualitativos os principais resultados foram: - Do ponto de vista do sistema de Saúde, foi importante a abertura do ambulatório para diagnóstico precoce do câncer infanto-juvenil no CEM (Centro de Especialização Médicas), da Secretaria de Estado da Saúde em Campo Grande - organizando a rede de atendimento a pacientes e estabelecendo o sentido de “urgência” frente à possibilidade dos sintomas e sinais se transformar em diagnóstico; - Crescimento do "sentido de alerta" de profissionais da saúde em relação a sintomas e sinais da doença, que passavam despercebidos em muitos casos, indicando um novo “olhar” desses profissionais para o câncer infanto-juvenil; - Crescimento de 25% de casos encaminhados entre 2008 e 2010 ao CETOHI, em relação ao período de 2000 a 2007, e redução de índices de óbitos em 23% nesse mesmo período. Ainda estamos no campo das possibilidades quanto aos resultados para o paciente. O tratamento é longo e só após cinco anos da cura é possível avaliar os riscos de recidiva da doença. Todavia já se observa uma redução na convicção, no entendimento coletivo de que o câncer infanto-juvenil não tenha cura.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Campo Grande / Mato Grosso do SulTodos00/2008
Campo Grande / Mato Grosso do SulTodas as Comunidades - Profissional Médico Pediatra00/2009
Ribas do Rio Pardo / Mato Grosso do SulTodos09/2008
Costa Rica / Mato Grosso do SulTodos09/2008
Figueirão / Mato Grosso do SulTodos09/2008
Chapadão do Sul / Mato Grosso do SulTodos09/2008
Três Lagoas / Mato Grosso do SulTodos10/2008
Coxim / Mato Grosso do SulTodos09/2009
Maracaju / Mato Grosso do SulTodos09/2009
Dourados / Mato Grosso do SulTodos10/2009
Ponta Porã / Mato Grosso do SulTodos10/2009
Três Lagoas / Mato Grosso do SulTodos11/2009
São Gabriel do Oeste / Mato Grosso do SulTodos03/2010
Amambaí / Mato Grosso do SulTodos04/2010
Dourados / Mato Grosso do SulTodas as Comunidades- Profissional Médico e Ñ Médico Nível Superior06/2010
Deodápolis / Mato Grosso do SulTodos06/2010
Nova Andradina / Mato Grosso do SulTodos10/2010
Angélica / Mato Grosso do SulTodos10/2010
Naviraí / Mato Grosso do SulTodos09/2010
Japorã / Mato Grosso do SulTodos09/2010
Itaquiraí / Mato Grosso do SulTodos07/2010
Eldorado / Mato Grosso do SulTodos07/2010
Mundo Novo / Mato Grosso do SulTodos08/2010
Iguatemi / Mato Grosso do SulTodos08/2010
Naviraí / Mato Grosso do SulTodos05/2010
Jardim / Mato Grosso do SulTodos11/2010
Bonito / Mato Grosso do SulTodos11/2010
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Profissionais de Saúde
Quantidade: 2.802
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Organização- Coordenador Técnico1
Organização- Coordenador Científico1
Organização- Coordenador Financeiro1
Organização- Assistente Coord. Técnica1
Organização- Voluntários Auxiliares2
Docente- Oncologista Pediátrico2
Docente- Pediatra Intensivista1
Docente- Representante Secr. Municipal de Saúde1
Docente- Psicólogo1
Docente- Nutricionista1
Docente- Assistente Social1
Docente- Odontólogo1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

- Infraestrutura: equipamento audiovisual, auditório compatível com o número de participantes, data show e computador; - Apoio logístico: transporte, hospedagem e alimentação; - Material didático pedagógico: pastas, canetas, rascunho, CDs (contendo o conteúdo da capacitação), cartilha do câncer infanto-juvenil (fornecida pelo Instituto Ronald McDonald e também disponível para download no site do INCA); - Material gráfico de apoio: cartazes, filipetas e folders informando os principais sinais e sintomas, dados sobre AACC/MS e o CETOHI e os caminhos para os encaminhamentos de pacientes – referência/contra referência; banners com os gráficos de atendimento, para cada sinal e sintoma, exames indicados e acompanhamentos a fazer; certificados de presença; - Material para controle: lista de presença, pré e pós testes - separados por categoria profissional, fichas de Inscrição - separadas por categoria profissional e avaliação final de capacitação.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Custo médio da capacitação para cada 100 profissionais: - Em Campo Grande (capital): R$ 6.985,00, incluindo a remuneração da equipe profissional; - No interior do estado (distância média de 300km da capital): R$ 10.745,00 (valor de R$6.985,00 acrescido de, em média, R$ 3.760,00, com despesa de deslocamento, alimentação e hospedagem da equipe).

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Instituto Ronald McDonaldPropositor, apoiador e patrocinador do projeto desde 2008.
Instituto EDP- Energias do BrasilApoiador e patrocinador do projeto desde 2008.
Secretaria de Estado de Saúde de MSApoiador e patrocinador do transporte da equipe docente desde 2008.
Secretarias Municipais de SaúdeEm todos os municípios atendidos: Apoio, divulgação e liberação remunerada dos profissionais de saúde integrantes do Estratégia do Saúde da Família e Atenção Básica / Estrutura física e logística, na qual se inclui Coffee Break e recursos audiovisuais
Universidade Federal de MSLiberação de Médicos Residentes / Impressão de todo material gráfico em 2008 / Estrutura física e audiovisual
Sociedade de Pediatria de MSContato com todos os pediatras dos municípios, selecionados, para que participem
Mídia em GeralDivulgação do projeto por todos os meios: TV, Rádio, Jornais
Forma de Acompanhamento

Esta TS passa por processo contínuo de acompanhamento: - Compatibilização de profissionais cadastrados, com lista de presença dos cursistas por categoria profissional; - Aplicação de pré e pós-testes para avaliar mudança de conhecimento; - Avaliação do curso do ponto de vista didático e pedagógico; - Informações no portal IRM: percentual e relação dos participantes, conteúdo, etc.; - Workshops IRM para avaliação dos projetos ativos para aperfeiçoamento do modelo.

Forma de Transferência

O "Fique de Olho" está pautado nas diretrizes do “Programa do Diagnóstico Precoce”, supervisionado pelo IRM, seguindo um padrão metodológico capaz de abranger todo o país, considerando carga horária, número de capacitados por turma, conteúdo e corpo docente mínimo obrigatório. A cartilha “Diagnóstico Precoce do Câncer na Criança e no Adolescente”, do Ministério da Saúde/INCA/IMR e distribuída na capacitação - também disponível online -, orienta quanto: sinais e sintomas, exames, acompanhamentos primários, centros de referência para tratamento, direitos do paciente, aspectos psicológicos do paciente e de sua família. O Portal IRM permite ao médico capacitado tirar dúvidas online (via cadastro e senha) com oncologistas pediátricos participantes do “Programa do Diagnóstico Precoce”.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Adesivo das pastas com material didático entregues a todos os capacitadosBaixar
Adesivo dos CDs entregues a todos os capacitados com o conteúdo da capacitaçãoBaixar
Banner de Identificação do ProjetoBaixar
Filipeta que acompanha o material didático com os principais sinais e sintomas do câncer infanto-juvenilBaixar
Banner contendo os fluxogramas para cada tipo de câncer distribuído em todos os Postos de Saúde do Município CapacitadoBaixar
Cartaz com os principais sinais e sintomas, e os caminhos para encaminhamento, distribuídos em todos os postos de saúde do município capacitadoBaixar
Certificado entregue a todo grupo docenteBaixar
Certificado entregue a todos os profissionais capacitados com frequência igual ou acima de 70%Baixar
Camiseta oferecida para vendaBaixar
Ficha de encaminhamento que deverá acompanhar todo paciente encaminhado para investigação diagnósticaBaixar
Carta convite enviada via e-mail para todos os médicos do município capacitadoBaixar
Avaliação aplicada no final da capacitação para avaliarmos conteúdo e metodologiaBaixar
Vídeo Institucional do CETOHI-Centro de Tratamento Onco Hematológico Infantildownload
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

"Adorei o curso e agradeço a oportunidade de ter sido aberta a nossa visão e pensamento para o câncer infantil. Parabéns pelo excelente trabalho!" Dra. Priscila Haje Bonicontro, médica - Naviraí/MS. "A capacitação foi bastante importante. No meu trabalho vai fazer toda a diferença". Maria Jaquelina Sabino, enfermeira - São Gabriel do Oeste/MS. "Parabéns para vocês! Não deve ser fácil trabalhar com o câncer. Já trabalhei com alguns pacientes e por não ter muita experiência, mexeu muito comigo. Fiquei muito feliz em saber da porcentagem de recuperação em alguns casos. Amei o curso! Mas estou preocupada por saber que nem todos os médicos estão preparados para descobrir a tempo e fazer o devido encaminhamento". Marli Prado de Oliveira, técnica de Enfermagem - Mundo Novo/MS.