Higiene de Ordenha Sustentável

certificada 2011

Instituição
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Endereço
Rodovia Celso Garcia Cid, Pr 445, Km 380, C.P. 6001 - Perobal - Londrina/PR
E-mail
lipoa.uel@gmail.com
Telefone
(43) 3371-4708
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Vanerli Beloti(43) 9917-1818
Resumo da Tecnologia

De maneira fácil, rápida e com materiais simples e de baixo custo, a Higiene de Ordenha Sustentável permite a qualquer produtor adequar o leite produzido aos requisitos microbiológicos da legislação brasileira, além de auxiliar na melhora da sanidade de seu rebanho.*{ods2},{ods3}*

Tema Principal

Alimentação

Tema Secundário

Saúde

Problema Solucionado

A produção de leite no Brasil é regulamentada pela Instrução Normativa 51 (In51), que, entre outras exigências, fixa parâmetros microbiológicos ao leite produzido. A dificuldade de acesso à informação e a falta de recursos para investir em novas tecnologias, por parte dos pequenos produtores, cria dificuldades para a produção familiar se adequar às normas da legislação brasileira. Isso pode gerar a sua exclusão da atividade ou, ainda, favorecer a venda de leite cru clandestino, um problema de saúde pública. O material adequado para a higienização da ordenha nem sempre é de fácil acesso e baixo custo, o que desmotiva ainda mais o pequeno produtor.

Objetivo Geral

Reduzir a contaminação microbiológica do leite produzido a níveis aceitáveis pela legislação brasileira, de maneira rápida, com mínimo custo, material endógeno e reciclado.

Objetivo Específico

-Através da higiene de ordenha, auxiliar a melhoria da sanidade do rebanho, com a redução de casos de mastite e de células somáticas no leite, além de aumento na produtividade; -Permitir o acesso dos pequenos produtores a tecnologias adequadas a seu cotidiano, com resultados concretos, estimulando ainda mais sua atividade; -Difundir os métodos para a produção de um leite de melhor qualidade, agregando mais valor ao produto e, como consequência, dando maior poder de negociação para o produtor.

Solução Adotada

A partir dos principais pontos de contaminação microbiológica do leite, a higiene de ordenha foi dividida em cinco passos: 1) Lavagem do material; 2) Desprezo dos três primeiros jatos; 3) Pré-dipping; 4) Secagem dos tetos; 5) Pós-Dipping. Baseado nessa sequência, foi desenvolvido um kit de boas práticas de ordenha, com material de fácil acesso e baixo custo, composto de: a) Detergente alcalino: pode ser feito pelo próprio produtor com os seguintes ingredientes: três litros de óleo de cozinha; meio quilo de soda cáustica; dois litros de álcool de posto (etanol); 20 litros de água (um litro para dissolver a soda). No modo de preparo, a soda é dissolvida em um litro de água. Em outro recipiente, o óleo e o álcool são misturados e deve se mexer bem por 15 minutos até ficar uma água amarelada.Após jogar a soda dissolvida na mistura óleo/álcool, deve-se mexer até formar uma cor marrom (coca-cola clara). Acrescenta-se água aos poucos, sempre mexendo por 20 minutos. Descansar 15 dias antes de usar; b) Bucha vegetal: o produtor deve cultivar o pé de bucha. A bucha vegetal é muito eficiente para limpeza e não tem custo; c) Caneca de fundo escuro: feita com uma caneca de cor escura e um pedaço de meia fina (meia calça feminina) suficiente para cobrir a boca da caneca e reter grumos no leite, que identificam se o animal está com mastite; d) Caneca para dipping de material reciclado: feita com duas embalagens de detergente ou uma embalagem de detergente e outra de refrigerante "caçulinha" (fotos em anexo); e) Solução clorada para pré-dipping 750ppm? Feita com 75 mililitros (ml) de água sanitária, dissolvida em 2 litros de água, ou uma pastilha de cloro dissolvida em dois litros de água. Deixar descansar 30 minutos antes do uso; f) Papel toalha ou papel jornal para secagem dos tetos; g) Cinto suporte para papel toalha e caneca de dipping: feito com retalhos de tecido (fotos em anexo). Metodologia: Passo 1 - Lavagem do material de ordenha (baldes, latões e teteiras): com o detergente alcalino caseiro e a bucha vegetal, esfrega-se vigorosamente com movimentos circulares do fundo para as bordas até formar bastante espuma. A espuma deve agir por 10 minutos e, posteriormente, enxaguar bem. Deixa-se secar naturalmente, invertendo os baldes e latões de boca para baixo a fim de eliminar a água residual. Não se deve encostar a boca dos utensílios em contato direto com o chão. Lavar todos os dias após cada ordenha.Com os utensílios limpos, a vaca peada e as mãos higienizadas, dá-se início à ordenha;. Passo 2: desprezar os três primeiros jatos de cada teto na caneca de fundo escuro ou deixar o bezerro mamar em todos os tetos. Dar preferência para a caneca, pois a presença de grumos, pus ou sangue retidos na meia calça escura, indica a mastite clínica; Passo 3 - Pré-dipping com a solução clorada 750ppm: com o auxílio da caneca de dipping, imergir cada teto na solução e deixar agir por 30 segundos antes de secar; Passo 4: Secar com papel toalha descartável. Usar uma folha de papel para cada vaca (uma ponta do papel para cada teto); Passo 5 - Pós-dipping com solução iodada: mesmo procedimento do pré-dipping, porém com solução iodada 1% a 2%, encontrada em lojas agropecuárias. Não secar.

Resultado Alcançado

O pré-dipping com a solução clorada 750ppm reduziu até 99,5% da contaminação microbiológica do teto sem deixar resíduos de cloro no leite. A lavagem com o detergente alcalino, seguido da secagem com inversão de baldes e latões, obteve reduções médias de 99,6% na contagem bacteriana total. Com a implantação da sequência de higiene de ordenha, foi possível reduzir imediatamente a contagem inicial de 12 milhões de bactérias por ml de leite para 24 mil bactérias por ml, permitindo resultados dentro dos requisitos da legislação brasileira. Esses resultados consolidaram-se em diversas condições, como ordenha no pasto, com chuva e piso com barro. A incorporação da higiene de ordenha na rotina do ordenhador foi bastante fácil. As etapas eram cumpridas rapidamente e a agilidade do trabalho não era perdida. O cinto suporte para a caneca de dipping ajudava nesse processo, pois permitia a proximidade da solução clorada e das toalhas de papel. Os trabalhos de extensão, feitos em outras comunidades, mostraram redução de 87,9% na contagem bacteriana total do leite, comparando-se as médias antes e depois da implantação das práticas de higiene de ordenha. Consegue-se a melhoria na qualidade do leite no mesmo dia em que se implantam as práticas. Mesmo sem instalações e equipamentos adequados, e mesmo quando não havia refrigeração do leite, essa redução da contaminação foi possível e se mostrou viável apenas com a transferência de informações. Como as práticas são muito simples e de baixo custo e podem ser realizadas onde não há disponibilidade de água para a ordenha, os produtores compreenderam a proposta e aceitaram facilmente implantá-las. Com um leite de melhor qualidade, os produtores adquiriram um maior poder de negociação, conseguindo um preço melhor pelo produto. Dois anos após os treinamentos oferecidos aos produtores, apenas 33,33% ainda entregavam o leite para o mesmo laticínio, sendo que a maioria passou a vender seu leite para uma grande indústria de laticínios da região que procurava por um produto de melhor qualidade, disposta a pagar mais por ele.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Jardim Alegre / ParanáAssentamento 8 de abril03/2008
Faxinal / Paraná03/2008
Ivaiporã / Paraná03/2008
Sapopema / Paraná04/2009
Bom Conselho / Pernambuco06/2010
Águas Belas / Pernambuco06/2010
Saloá / Pernambuco06/2010
São Bento do Una / Pernambuco06/2010
Pedra / Pernambuco06/2010
Pitanga / Paraná05/2009
Ariranha do Ivaí / Paraná04/2009
Sarandi / Paraná04/2009
Jardim Alegre / ParanáGuaretá04/2009
Arapuã / Paraná05/2007
Boa Ventura de São Roque / Paraná05/2007
Cândido de Abreu / Paraná06/2007
Borrazópolis / Paraná06/2007
Manoel Ribas / Paraná08/2007
Mato Rico / Paraná08/2007
Nova Tebas / Paraná08/2007
Santa Maria / Paraná08/2007
Cruzmaltina / Paraná08/2007
Godoy Moreira / Paraná05/2009
Grandes Rios / Paraná07/2009
Rio Branco do Ivaí / Paraná06/2007
Rosário do Ivaí / Paraná06/2007
Buíque / Pernambuco06/2010
Cachoeirinha / Pernambuco06/2010
Garanhuns / Pernambuco06/2010
Pesqueira / Pernambuco06/2010
Venturosa / Pernambuco06/2010
Arcoverde / Pernambuco06/2010
Lagoa do Ouro / Pernambuco06/2010
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Produtores rurais - Pequenos
Produtores rurais - Médios
Quantidade: 1.000
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Técnico agropecuário1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

-Detergente alcalino; -Bucha vegetal; -Caneca escura; -Meia fina ou meia-calça feminina escura; -Água sanitária ou pastilhas de cloro; -Papel toalha descartável; -Embalagens vazias de detergente e refrigerante "caçulinha" ou similares; -Sobras de tecido para a confecção do cinto suporte.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Para implantar a tecnologia em sua propriedade, o custo total estimado é de um centavo de real por animal ao dia. Esse valor se dilui ainda mais se considerarmos a quantidade de litros que o animal está produzindo.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
EMATERAuxílio na difusão da tecnologia
Impacto Ambiental

O kit de ordenha, além de dar alternativas usando materiais naturais, como a bucha vegetal, estimula o reaproveitamento de óleo de cozinha, embalagens plásticas de detergente, refrigerante e sobras de tecido, minimizando o impacto ambiental desses resíduos no meio ambiente.

Forma de Acompanhamento

Visitas técnicas às propriedades e coleta periódica de amostras de leite.

Forma de Transferência

Para a disseminação do conhecimento sobre a tecnologia, são necessárias reuniões com os produtores rurais, dias de campo ou até mesmo visitas individuais em cada propriedade. A partir dessa organização, o difusor da tecnologia explica de maneira simples o que é e qual é a origem da contaminação bacteriana no leite. Para cada ponto de contaminação explicado, há uma ação a ser feita. Como material de apoio, o difusor conta com um vídeo didático (em desenho animado) de sete minutos, que reforça o que foi explicado de maneira lúdica. Para cada produtor também é disponibilizada uma cartilha (estilo quadrinhos) com todas as informações da higiene de ordenha. Ainda, um cartaz que resume em uma folha todas essas informações foi produzido para ser colocado no local da ordenha.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Desenho animado explicando a sequencia de higiene de ordenhadownload
Cartilha das boas práticas de ordenhaBaixar
Resumo das boas práticas de higiene de ordenhaBaixar
Material necessário para as boas práticas de ordenha sustentável.Baixar
Como fazer a caneca de dipping com material recicladoBaixar
Caneca de dippingBaixar
Cinto suporte para caneca de dipping e papel toalhaBaixar
Reunião explicando as boas práticas de ordenhaBaixar
Secagem dos tetosBaixar
Secagem de latõesBaixar
Dia de campo em Bom ConselhoBaixar
Propriedades típicas onde a tecnologia era difundidaBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologia